terça-feira, 22 de setembro de 2020

Paradoxos do nosso tempo.

 


Desde as primeiras idades da Humanidade terrena até aos tempos atuais houve grandes progressos e isso é muito positivo.

O progresso tecnológico demonstra que o homem caminha a passos largos na direção de melhores condições de vida e conforto para toda gente.

Mas, apesar do progresso intelectual conquistado, muitas criaturas ainda se debatem nas sombras da miséria moral porque só levam em conta os empreendimentos materiais.

Construímos autoestradas amplas, mas não ampliamos os nossos pontos de vista.

Gastamos muito, consumimos mais e desfrutamos menos, porque nada nos satisfaz.

Temos casas maiores e famílias menores; mais ocupações e menos tempo para dedicar aos afetos.

Buscamos o conhecimento e nos permitimos um fraco poder de julgamento. A medicina está mais avançada, mas não conseguimos manter a saúde desejada.

Bebe-se demais, fuma-se demais, se gasta de forma perdulária e não se conquista a alegria verdadeira.

Dirigimos rápido demais, mas nos irritamos com facilidade.

Raramente lemos um livro. Ficamos muito tempo diante da TV e dificilmente oramos.

Multiplicamos as posses, mas diminuímos nossos valores. Falamos demais, amamos menos e odiamos com muita frequência.

Aprendemos como ganhar a vida, mas não sabemos aproveitá-la bem.

Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos.

Já fomos à lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua para encontrar nosso vizinho.

Conquistamos o espaço exterior, mas desconhecemos a nossa intimidade. Fazemos coisas em quantidade, e poucas vezes nos importamos com a qualidade.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos.

Salvamos o mico-leão dourado e abortamos nossas crianças.

Falamos muito, reclamamos em demasia, mas poucas vezes prestamos atenção nas próprias palavras e, raramente, ouvimos nosso próximo.

São tempos em que planejamos mais, e realizamos menos.

Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos tido excessivo cuidado com as coisas exteriores, e dado pouco valor ao padrão moral.

Temos ajuntado bens materiais, mas não logramos construir a paz íntima.

Possuímos computadores que nos permitem viajar pela aldeia global em poucos minutos, mas diminuímos a comunicação com as pessoas que nos cercam.

Temos nos permitido múltiplos relacionamentos, mas não nos preocupamos em cultivar afetos verdadeiros.

Estes são tempos em que se almeja a paz mundial, mas não se envidam esforços para acabar com a guerra nos lares.

São dias de duas fontes de renda familiar, e de mais divórcios; de residências mais belas, e lares destruídos.

Enfim, estes são tempos de alta tecnologia que nos permite levar estas palavras até você e que lhe dá total liberdade de escolha entre refletir sobre elas, ou simplesmente ignorar.

                                                                  *   *   *

A tecnologia é prova irrecusável da capacidade do ser humano.

Por essa razão, o homem já demonstrou que é dotado de imenso poder intelectual.

Só resta agora, descobrir sua realidade de ser imortal e cocriador com Deus e fazer brilhar, de vez por todas, a sua luz interior, conforme recomendou o Homem de Nazaré.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A felicidade da oração.

 


Quando alguém enfrenta duras dificuldades e a convidamos a orar, por vezes, escutamos, de retorno: E isso vai resolver o meu problema?

      Acaso encherá meu prato de comida ou me dará um cobertor para eu suportar melhor o frio?

      Estamos ainda muito longe de termos a ideia exata do poder da prece. Santo Agostinho teve oportunidade de afirmar: Como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora.

      Avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. São as liras dos arcanjos.

      São as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos bosques.

      A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe.

      No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Apóstolos do pensamento, é para vós a vida.

      Lembramos que Jesus, durante a sua estada entre nós, buscava a solidão para orar. Dirigia-se ao Pai, em muitas ocasiões.

      Num dos momentos mais cruciais de Sua vida, antevendo Sua prisão, suplício e morte, Ele ora, no Jardim das Oliveiras.

      Ora e pede aos amigos Pedro, Tiago e João que orem com Ele.

      Na cruz, em Sua agonia, Sua última frase foi uma profunda e sentida oração: Pai, em tuas mãos entrego meu Espírito.

      Desconhecemos sim, o poder da oração e não a vimos utilizando tanto quanto deveríamos.

      Além de nossas preces regulares da manhã e da noite, a prece deveria ser de todos os instantes, sem mesmo que tenhamos que interromper os nossos trabalhos.

      Ante as dores, pedir ao Senhor que nos abrevie as provas, que nos conceda alegria e bens de que necessitamos para nossa subsistência.

      Também que nos conceda os recursos preciosos da paciência, da resignação e da fé.

      Então, em momentos de tormenta, de caos, oremos. Busquemos esse amparo superior que, mesmo não nos fornecendo o alimento material, nos repletará a alma de bênçãos, abastecendo-nos de energias espirituais.

      E, com certeza, encaminhada aos mensageiros de Deus, que cumprem a Sua Vontade, na Terra, inspirarão alguém para nos socorrer a fome. Também o frio.

      Acionemos a prece pois ela é a filha primogênita da fé.

      Quando os ventos soprarem, inclementes, quando a tempestade nos alcançar, que poder senão o Divino, de imediato, nos poderá socorrer?

      A quem pediremos clemência, senão ao Pai de todos nós?

      Recordamos as palavras do Mestre, anotadas por Mateus: Porquanto haverá nessa época grande tribulação, como jamais aconteceu desde o início do mundo até agora, nem nunca mais haverá.

      E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne seria salva. Mas, por causa dos eleitos, aquele tempo será encurtado.

      Quem são os eleitos, senão os filhos do Deus bom, generoso, que levanta as ondas e aplaca os ventos?

      O Deus que nos sustenta a vida, oferecendo-nos diariamente Seu hálito, que absorvemos no ar que respiramos.

      Por isso, não nos esqueçamos igualmente de orar, louvando a generosidade Divina, agradecendo pelo dom da vida, a maravilha da Criação.

      Exercitemos a felicidade da oração. Oremos em pensamento, palavras e atos.

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Meu Brasil de tantas dores.

 


Pátria amada, no dia em que evocamos a tua Independência dos laços portugueses, desejamos orar por ti.

      Por ti e por todos nós, os teus filhos, aqui nascidos ou adotados por tua grandeza.

      Vemos-te tão sofrida, tão aviltada, que somente podemos nos ajoelhar no altar do coração e rogar ao Governador Planetário por ti.

      Rogar a esse Jesus, todo amor, que se apiade de ti, nação amada.

      Cantamos os hinos que te exaltam e aspiramos a ver-te, verdadeiramente grande entre as demais nações.

      Grande em amor, em esperança, em trabalho e honra.

      Entristecemo-nos ao verificar, todos os dias, mesmo ante a pandemia que te castiga, prosseguir a corrupção e os interesses mesquinhos.

      Como é possível, Brasil, que não nos unamos todos para te tornar o maior dentre todos os países?

      Um país honrado, fraterno, pleno de paz. Por que não nos esmeramos em sermos honestos nas pequenas como nas grandes coisas?

      Por que nosso interesse deve suplantar o interesse comum? Por que não nos sentimos todos irmãos e nos auxiliamos?

      Quando tantos padecem fome, como podemos pensar em nosso próprio bolso?

      Quando o ciclone arrasa a paisagem e causa tantos prejuízos, como podemos prosseguir em nosso egoísmo, engendrando formas de lucrarmos com o caos?

      Quando a morte nos espreita, sorrateira, buscando o próximo alvo, por que ainda insistimos em ajuntar tesouros aqui, sem pensarmos que ela pode estar mirando em nós, para nos levar, logo mais?

      Brasil de todos nós, Brasil de todos os povos, pedimos a Jesus por ti, pelos filhos que ainda não entendemos que o teu propósito é ser o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho.

      Destino que somente será efetiva realidade se nós, os teus filhos, deixarmos pulsar os nossos corações irmanados.

      Amado Brasil, esperamos que nossa prece alcance as esferas superiores e que bênçãos jorrem do alto sobre ti.

      Energias espirituais elevadas nos alcancem, despertando-nos para esse futuro que podemos construir juntos, bastando que pensemos em nosso irmão.

      Que nos olhemos uns aos outros como filhos de um mesmo torrão e nos esforcemos por te tornar um país diferente.

      Que tenhamos responsabilidade para eleger homens públicos que se importem contigo, que honrem tua História de tantas glórias. Que tenham compromisso com a verdade, com o bem comum.

      Que nos empenhemos para que a justiça seja para todos, que haja pão nas mesas, que não falte o agasalho a quem padece frio.

      Que nos eduquemos para que nos lares existam pais e mães preocupados em conduzir seus filhos para o bem.

      Que a honestidade não seja uma nota dissonante, soando solitária, mas seja a sinfonia executada por todo o povo, todos os dias.

      Ao ver-te a bandeira tremulando ao vento, Brasil amado, que o verde signifique esperança de dias melhores.

      Que o amarelo nos diga das riquezas do teu solo, das tuas veias. Porém, muito mais, da prosperidade deste povo que abrigas.

      Que o azul nos fale de dias de céu de anil para todas as vidas.

      E que o branco seja nossa bandeira de paz. Paz nos lares. Paz nas escolas. Paz na sociedade. Paz em todo lugar.

      Que este dia, Brasil, possa assinalar o teu ingresso no caminho do teu verdadeiro destino.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O valor do tempo.

 


É impressionante constatar como alguns de nós invertemos a escala de valores.

Uma dessas inversões é a que se refere ao tempo.

Costumamos afirmar que tempo é dinheiro.

Quando pensamos assim, corremos o risco de nos transformarmos em máquinas de produzir lucros. Cada minuto é importante para cumprir metas estabelecidas, visando apenas resultados financeiros.

Acabamos por nos dedicarmos ao trabalho em demasia, entendendo que feriados, férias, repouso são total e absoluta perda de tempo.

Consequentemente, de dinheiro.

É importante lembrar que somos gente, seres humanos. Somos pais, esposos, filhos, amigos.

A vida não deve se resumir em conseguir títulos, dinheiro, propriedades.

Existem outros valores mais preciosos que não podemos, de forma alguma, desprezar ou desconsiderar.

Muitos de nós somente nos damos conta da riqueza do casamento depois da separação, quando descobrimos que perdemos o grande amor da nossa vida por causa das muitas horas dedicadas exclusivamente ao trabalho.

Tempo também existe para ser investido na conquista e manutenção das amizades, que nos garantem um ombro amigo quando dele necessitamos.

Será que já paramos para aquilatar o valor de um amigo verdadeiro?

Precisamos avaliar, de fato, quais as metas pelas quais estamos lutando.

É importante pensar na conquista da felicidade, que nem sempre o dinheiro proporciona.

É importante repensar o valor do tempo.

A autorrealização é uma meta indispensável que pode ser alcançada com a boa utilização do tempo.

Trabalhar é importante e necessário para o progresso geral e individual. Contudo, imprescindível é sentir prazer no que fazemos.

Muitos de nós passamos a vida procurando nos sentir importantes para termos a sensação do sucesso.

Porém, sucesso sem qualidade de vida não é sucesso, é ilusão.

E qualidade de vida é ter a consciência tranquila por não violar as leis, por não trapacear, por não nos corrompermos nem corromper a ninguém.

Qualidade de vida é conviver em harmonia com a família, com os amigos, consigo mesmo.

Importante avaliarmos, com muita atenção, essa proposta enganosa de que tempo é dinheiro, que nos leva a programar formas de enriquecer os bolsos e engordar as contas bancárias.

Não caiamos nessa armadilha. Usemos o tempo que Deus nos empresta para construir a nossa verdadeira felicidade e a daqueles que nos rodeiam.

                                                                             *   *   *

A profissão é instrumento de progresso e realização do ser humano. Deve servir para a construção de algo bom e útil em prol da sociedade em que vivemos.

Nem sempre ganhar dinheiro proporciona essa realização.

O médico sanitarista Oswaldo Cruz não estava preocupado com o contracheque quando travou uma batalha com a febre amarela e descobriu sua vacina.

O compositor Villa Lobos não compôs suas melodias de olho na conta bancária.

E se Albert Einstein tivesse a ilusão de que tempo é dinheiro, jamais teria legado à Humanidade o fruto de suas pesquisas científicas.

Pensemos nisso e lembremos: Tempo é oportunidade.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Lições de vida para famílias.

Em seu livro "Lições de vida para famílias," Maria Tereza Maldonado elenca diversas sugestões que têm por objetivo auxiliar as pessoas a construírem uma família harmoniosa, saudável e feliz.

Entre elas podemos ressaltar as seguintes:

Primeira: Escute com atenção antes de falar; tente entender o que a pessoa realmente está dizendo, que pode ser muito diferente do que você acha que ela quer dizer.

Segunda: Gentileza e boas maneiras são essenciais para construir um bom convívio familiar.

Terceira: Aumente as opções de atividades prazerosas com seus familiares: conversar, brincar e jogar, ver bons filmes, passear.

Quarta: Demonstre seu interesse em saber o que seus familiares estão fazendo, experimentando ou descobrindo na vida.

Quinta: Para enviar mensagens fortes e eficazes para seus familiares, procure ter coerência entre palavras, gestos e atitudes.

Sexta: Se você diz não, com muita frequência, aprenda a dizer sim, com carinho.

Se você diz sim demais, aprenda a dizer não sem culpa.

Sétima: Tente criar, junto com seus familiares, maneiras eficazes de simplificar a vida para torná-la mais pacífica e prazerosa.

Oitava: Aprender a tolerar frustrações é essencial para desenvolver paciência, compaixão e compreensão.

Nona: Cada membro da família precisa descobrir meios eficazes e saudáveis de descarregar as tensões inevitáveis do dia a dia, sem maltratar os outros.

Décima: Os laços de sangue não garantem automaticamente a existência do amor, que precisa ser constantemente criado e bem cuidado ao longo da vida.

A oportunidade de estarmos inseridos em um determinado grupo familiar é uma abençoada oportunidade que nos é oferecida pelo Pai Criador.

Os laços familiares que hoje nos envolvem são aqueles que nos são necessários ao nosso crescimento e desenvolvimento moral e espiritual.

As dificuldades de relacionamentos, tão estranhas e inaceitáveis aos olhos do mundo, podem ter causa em fatos pretéritos que escapam às nossas lembranças.

Os filhos difíceis de hoje podem ser cúmplices ou vítimas de nosso passado equivocado.

Podemos ter sido seus algozes ou aqueles que, pensando agir por amor, os tenhamos desviado do bom caminho.

Encontrarmo-nos hoje nesse grupo familiar não é obra do acaso, nem da desdita.

Em tudo há sempre a mão e a autorização de Deus.

Eis aí uma nova chance de resgate e de reparação.

Aproveitemo-la.

Façamos a parte que nos cabe, nessa nobre tarefa que é viver em família.

Sejamos dignos, honrando os compromissos que assumimos perante Deus e perante os homens, educando os pequeninos e a nós próprios.

Vençamos os vícios que ainda azedam nossos dias e infelicitam nossos companheiros de jornada.

Abandonemos a reclamação vazia e inócua.

Superemos a preguiça e a omissão.

Abracemo-nos e unamo-nos em prol desse objetivo tão importante e básico que é viver bem em família, a fim de que possamos conviver do mesmo modo com toda a Humanidade.

Pensemos  nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Do que mais sentimos falta.

 

Quando a pandemia se instalou, de repente, a insegurança tentou se aninhar em nosso ser.

Confiantes, porém, de que tudo, neste imenso Universo de Deus, está certo, confiamos. Confiamos que isso, como tudo, nesta Terra, passará.

Talvez demore alguns meses. Meses que nem sabemos ainda como iremos superar. Desconhecemos o que nos reserva o amanhã.

Mas, confiamos. Confiamos em Deus, em Jesus, nosso Governador Planetário, nas leis divinas que tudo regem com sabedoria.

Isso passará, como passaram outras calamidades. Enfrentamos duas terríveis guerras mundiais, a explosão de bombas atômicas, os desastres das usinas nucleares.

Tudo nos parecia, quando ocorreu, que jamais superaríamos. Mas superamos. Crescemos em ciência, em tecnologia. Também em moralidade.

Na atual pandemia, que abraçou o mundo inteiro, sem exceção, sentimos o quanto somos frágeis.

E, mais uma vez, constatamos que, por mais que o queiramos, não podemos ter o controle de tudo.

Então, nos isolamos, como medida preventiva, para evitar ainda mais a disseminação da doença tão insidiosa.

Isolados, voltamo-nos para a tecnologia. E nos servimos das redes sociais para nos comunicarmos.

Utilizamos plataformas diversas para nos encontrarmos de forma virtual. As reuniões esparsas, de início, foram adquirindo um tom de cidadania diária.

Reuniões com amigos, com familiares, com companheiros da profissão, do trabalho voluntário. Passamos a tratar de quase tudo em reuniões virtuais.

Bate-papo informal, troca de receitas, sugestões para entreter as crianças que também ficaram em casa.

Acabaram-se nossas idas ao cinema, com pipoca e refrigerante. Acabaram-se nossos passeios nos bosques, agora fechados ao público.

Acabaram-se nossas idas ao shopping, o peregrinar pelas lojas, o comprar roupas e calçados novos.

Saídas de casa somente para as questões prioritárias: o trabalho profissional indispensável à sociedade, a aquisição do alimento, da medicação, do combustível.

Passados tantos dias, acabamos por nos dar conta de que o que temos de mais precioso, além da vida, é o amor.

Estamos sentindo falta do abraço forte, dos encontros com os amigos, todos juntos, sentindo o calor do outro.

Sentimos falta de ir ao templo religioso, sentimos falta daquela atmosfera de paz que nos envolvia, mal adentrávamos pela porta.

Sentimos falta dos almoços em família, com a criançada correndo para todo lado, o vozerio de todos falando quase ao mesmo tempo.

Sentimos falta do bate-bola com os amigos, na pracinha ao lado de casa.

Demo-nos conta, enfim, de que estamos aprendendo o que realmente importa para nossas vidas: o amor que partilhamos, a companhia do outro, o abraço amigo, o trabalho voluntário.

Descobrimos que podemos ficar sem tantas coisas. Mas, como nos faz falta a liberdade de ir e vir, de andar pelas ruas, com sol ou com chuva.

De convidar amigos para nossa casa, de promover encontros, simplesmente para nos abraçarmos e conversarmos sobre o que faz a nossa felicidade. 

Ah, quando passar esse flagelo mundial, haveremos de viver de forma diferente.

Aguardemos, confiantes, esses dias do amanhã.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O mundo está melhorando.


Sempre ouvimos falar que, para o mundo melhorar, é preciso que as pessoas melhorem.

Embora seja um processo lento, é uma realidade da qual não se pode fugir.

Quanto mais pessoas se dispuserem a colaborar nessa melhoria, olhando com mais atenção ao seu redor, identificando situações onde possam agir em favor do bem, mais rápida se fará essa transformação.

Diariamente, temos exemplos de que a face do mundo está se modificando.

Basta ter olhos de ver. Como aquele rapaz que passava pela rua e se surpreendeu com o que viu. Parou, fotografou, compartilhando, posteriormente, em seu perfil, em rede social.

Explicou depois o que vira: uma enfermeira, moradora na cidade do México, saindo de seu plantão, viu um homem em uma cadeira de rodas.

Todos passavam e ninguém lhe prestava atenção. Talvez seja essa uma conduta de autodefesa. Se fingirmos não ver o problema, não temos compromisso com qualquer tentativa de solução.

Sabemos que as condições de pobreza, da falta de moradia, da fome e da saúde têm sido um grande desafio em quase todos os lugares.

Contudo, nada nos impede de colocarmos uma gota de bálsamo, de amor e atenção fraterna no coração daquele que sofre.

Não resolvemos o problema mas, se nos aproximarmos, quiçá possamos descobrir que a ajuda de que a pessoa necessita não é tão grande e que podemos oferecê-la.

Certamente, com essa disposição, Marycarmen se aproximou e verificou que aquele cadeirante sofria muito. Trazia os pés feridos.

Sem pensar em seu cansaço, depois das horas de trabalho, ela se prontificou, ali mesmo, a tratar dos ferimentos, com o material que trazia em sua maleta.

Não terá resolvido o problema da fome dele, da ausência de família, de abrigo. Mas, diminuiu-lhe a dor, o que ele mais precisava, naquele momento.

                                                                  *   *   *

Felizmente multiplicam-se as pessoas, de espírito nobre, capazes de sentir empatia.

São gestos dessa ordem que arrastam outros à solidariedade, na tentativa salutar de imitá-los.

Isso faz parte do mundo melhor, que estamos construindo. Um mundo que reflete fraternidade, semeadura de paz.

Essa paz que almejamos para nós, para nossos amores, para o mundo.

Buscar saber quem realmente somos, de onde viemos, porque estamos aqui, e para onde vamos, nos auxiliará a clarear o caminho para a instalação dessa paz tão falada, tão desejada.

O Evangelho de Jesus, como um processo educativo do ser espiritual que somos, nos auxilia a nos percebermos como construtores desse mundo almejado.

Pessoas espiritualizadas fazem a diferença em nossa sociedade, agindo conforme a lei de amor e promovendo o bem onde se encontrem.

O Mestre Jesus foi quem nos afirmou que o que fizermos a um faminto, a um doente, a um necessitado de qualquer ordem, a Ele mesmo o estaremos fazendo.

Que coisa grandiosa se assim pensarmos. Servir ao Rei dos reis na pessoa do mais humilde cidadão.

Isso mais nos deve incentivar à prática das boas ações, ao atendimento aos pequenos do mundo.

Será com o amor que trazemos em nós, que alimentaremos a chama do amor no mundo.

Pensemos: tudo começa em cada um de nós.

Redação do Momento Espírita.

sábado, 8 de agosto de 2020

FELIZ DIA DOS PAIS.

Homenagem a um pai ausente.

Pai, você sempre zelou pela minha segurança, buscando pessoas e lugares que pudessem ajudá-lo a me fazer viver. Eu era seu filho e passei a ser a razão do seu viver. Do seu jeito, você me amou.

Nossos parentes que o admiravam tanto, pessoas que não o conheceram, meus amigos, alguns vizinhos, todos desejam que você faça uma boa viagem e que nos espere um dia, pois você tomou o ônibus da frente. O próximo talvez seja o nosso...

Você nunca demonstrou, mas se angustiava quando precisava ir trabalhar, viajar, e queria estar comigo para me dar segurança. Quando estava longe pensava com carinho em mim.

Você nunca falou “Amo você”, mas tudo o que fez para mim provou que você me amava. Lembro das broncas que levei quando fazia algo errado... Dos causos que você me contava... Dos seus conselhos, dos incentivos para as boas ideias...

Aprendi a confiar em seus conselhos, a respeitar sua autoridade de experiência de vida, a buscar sua opinião antes de fazer algo. E, sempre que não o escutei, eu errei.

Mas o que eu mais gostei, foi a liberdade que tive com você. Com a liberdade que você me deu, aprendi a ter responsabilidade. Você me ensinou a viver e a me cuidar no mundo. A assumir minhas atitudes. A errar menos para sofrer menos, e nunca prejudicar alguém.

Aprendi que não se deve viver por viver, mas ajudar as pessoas e fazer um mundo melhor, começando por nós.

Lembro-me de como você fazia seu serviço... Os problemas que passou na vida... Você me contou sua vida. E com sua vida aprendi que existem pessoas e fatos que nem sempre nos fazem felizes, mas que precisam ser rapidamente superados porque devemos seguir em frente.

Aliás, seguir em frente foi a coisa mais importante que aprendi com você, porque nunca o vi reclamando de alguma situação, mas, sim, tomando atitudes para modificar e melhorar. Você sempre me dizia: “Se não der certo aqui, tente ali, nunca desista.”

E hoje, pensando em você, quero celebrar a vida. Vida que você teve. Vida que você me deu. Vida que vivemos juntos. Fiquei muito triste com a sua viagem.

Ao chegar em casa não vou vê-lo sentado na sala ouvindo as notícias pelo rádio ou vendo televisão... Não vou mais, ao banco, receber a sua aposentadoria, contar novidades para você, fazer as compras que me pedia... O pão, o leite, a margarina. Agora a casa está vazia, sem vida, sem a sua vida.

Posso imaginar você escutando isto... Talvez tenha vontade de chamar minha atenção, alertando: “Meu tempo já passou... O que você está fazendo do seu tempo?” Talvez me perguntasse se já pintei a casa... Se aluguei o ponto comercial... Se cortei a grama...

Você concluiu sua caminhada. Neste momento, em respeito a sua memória, eu afasto a tristeza e qualquer sentimento negativo. Sinto saudades porque a falta continua. Não sei dizer ao certo se eu vim para lhe fazer feliz ou se fui feliz por ter vindo ao mundo através de você.

Acredito que foi bom para você ter a mim como filho. Porém, com toda certeza deste mundo, foi muito melhor ter tido você como pai...

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

No reino das borboletas.

À beira de um pântano, uma borboleta pousou sobre um ninho de larvas e falou para as pequenas lagartas:

Olá. Sou irmã de vocês. Venho lhes dizer para ter esperança. Nem sempre ficarão coladas às ervas do pântano!

Esforcem-se para não sucumbir aos golpes da ventania que, de quando em quando, varre a paisagem.

Esperem! Depois do sono que as aguarda, todas acordarão com asas de puro veludo, refletindo o esplendor solar...

Então, não mais se arrastarão, presas ao solo úmido e triste. Adquirirão preciosa visão da vida, pois poderão subir muito alto e seu alimento será o néctar das flores...

Viajarão deslumbradas, contemplando o mundo, sob novo prisma!

Enquanto a mensageira fez ligeira pausa, ouviam-se exclamações admiradas:

Que misteriosa criatura!

Será uma fada milagrosa?

Nada possui de comum conosco...

Irradiando o suave aroma do jardim de onde viera, a linda visitante sorriu e continuou:

Não se iludam! Não sou uma fada celeste! Minhas asas são parte integrante da nova forma que a natureza lhes reserva.

Ontem, eu vivia com vocês. Amanhã viverão comigo! Flutuarão no imenso espaço, em voos sublimes em plena luz. Libertas do lodaçal, se elevarão felizes.

Conhecerão a beleza das copas floridas e o saboroso néctar das pétalas perfumadas. Contemplarão a altura e a amplitude do firmamento...

Logo após, lançando carinhoso olhar à família alvoroçada, abriu as asas coloridas e, voando com graciosidade, desapareceu no infinito azul.

Nisso, chegou ao ninho a lagarta mais velha do grupo e, ouvindo os comentários empolgados das companheiras jovens, ordenou irritada:

Calem-se e escutem! Tudo isso é insensatez, mentiras, divagações...

Não nos iludamos! Nunca teremos asas!

Somos lagartas, nada mais que lagartas. Sejamos práticas, no imediatismo da própria vida. Esqueçam-se de pretensos seres alados que não existem.

Precisamos simplesmente comer e comer... Depois vem o sono, a morte... E o nada... Nada mais...

As lagartas calaram-se, desencantadas.

Caiu a noite e, em meio à sombra, a lagarta chefe adormeceu, sem despertar no outro dia. Estava completamente imóvel.

As irmãs, preocupadas, observavam curiosas o fenômeno...

Depois de algum tempo, para espanto de todas, a ignorante e descrente orientadora surgiu como veludosa borboleta, de asas leves e ligeiras, a bailar no ar...

                                                                          *   *   *

À semelhança da formosa borboleta que desceu às faixas escuras onde rastejavam suas irmãs lagartas, um dia, a Humanidade também recebeu a visita de um Ser Sublime, que veio trazer consolo e esperança.

Falou da vida triunfante para além do casulo físico.

Ele próprio, após desvencilhar-se do corpo físico, surgiu mais livre e mais brilhante que antes, mostrando-se aos discípulos, aos amigos.

Depois, com leveza, desapareceu na imensidão azul, diante de quinhentas testemunhas, admiradas, na distante Galileia...

Apesar do tempo transcorrido, ainda existem aqueles que preferem acreditar que o que nos espera para além da morte é o nada.

Não nos iludamos. Somos imortais. Viveremos.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Deus na natureza.

A cada novo dia a natureza nos oferece espetáculos  de beleza sem fim...

Quem já não contemplou a maravilha de uma gota de orvalho a brilhar, refletindo a luz do sol?

Uma simples teia de aranha e sua engenharia perfeita...

A relva verde... O andar desengonçado de um joão-de-barro, logo ao amanhecer...

Uma folha seca bailando no ar prenunciando o inverno...

O céu de anil com suaves pinceladas brancas como se fossem nuvens de algodão.

O entardecer, quando o sol se despede deixando rastros em vários tons dourados como se fosse ouro derretido, levemente espalhado por mãos invisíveis...

A lua cheia refletida num lago calmo, transformado em grande espelho líquido...

A cantoria do vento na folhagem das árvores, qual suave melodia, convidando a sonhar...

O olhar de um cão solitário, pedindo companhia...

O balançar do salgueiro, lembrando mãos distendidas nas margens dos rios e lagos, como a protegê-los...

O ir e vir das ondas, acariciando a areia quente das praias como querendo amenizar o calor...

O cheiro do mato, após a chuva...

A água cristalina dos rios que correm por entre as montanhas, como se fossem veias transportando a vida.

O sorriso inocente na face da criança, pedindo amparo e proteção.

As pegadas do lavrador nas estradas poeirentas que conduzem à lavoura...

O galopar do cavalo evidenciando sua liberdade...

O abrir e fechar das asas da borboleta sobre a flor, a andorinha fazendo acrobacias no ar, a garça solitária à espreita do alimento.

O abraço afetuoso de um amigo. O rosto sulcado do ancião, que não teme a velhice por saber que ela não alcança o Espírito. As mãos calejadas do trabalhador...

A noite bordada de estrelas a nos mostrar a grandeza do Universo infinito...

Uma gota d'água na pétala de uma rosa, refletindo outras tantas rosas...

O tamborilar da chuva no telhado... A goteira a cantar na calha...

A araucária secular, com seus galhos esparramados, debulhando as pinhas para saciar com seus frutos a fome dos pássaros.

O cricrilar do grilo, o coaxar da rã, o piar da coruja fazendo-se anunciar na noite silenciosa.

O som melodioso do teclado extraído por mãos habilidosas.

A harmonia das cores nos canteiros floridos de ruas e praças...

O dia, que a cada amanhecer renova o convite para que vivamos em harmonia, imitando a natureza.

Essas e outras tantas belezas são a presença discreta de Deus na natureza que nos cerca, dizendo que também somos Suas criaturas e que fazemos parte desse Universo maravilhoso, e, acima de tudo, somos herdeiros desse mesmo Universo, como filhos do Criador que somos todos nós.
                                                               
                                                              *   *   *
A contemplação da natureza oferece ao homem incontestavelmente, inefáveis encantos. Na organização dos seres descobre-se o incessante movimento dos átomos que os compõem, tanto quanto a permuta constante e operante entre todas as coisas.

Justa é a nossa admiração por tudo o que vive na superfície da Terra.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 21 de julho de 2020

A bênção da vida.

Mal acordamos, pela manhã, e muitas preocupações passam a ocupar a nossa mente. São tantas as providências que temos a tomar que muitas vezes ficamos atordoados. Nem percebemos o dia acabar.

   As coisas mais simples e as mais graves são alvos de nossa atenção, ocupando-nos as horas.

   A noite nos encontra extremamente exaustos.

   Mastigamos o jantar enquanto tentamos digerir os problemas que ficaram pendentes.

   Algumas horas de sono e novamente o dia nos convida a agir... E lá vamos nós outra vez.

   As horas se sucedem, os dias se vão, os meses se transformam em anos, e passamos pela vida sem nos darmos conta das muitas bênçãos que ela nos oferece, bem como de todas as criaturas que dividem o planeta conosco.

   Entretanto, o novo dia se apresenta para ser vivido.

   Talvez seja oportuno lançarmos um olhar mais atento ao mundo à nossa volta, buscando interagir, de maneira consciente.

   Descubramos o valor das dádivas que o Senhor nos faz pelas mãos da vida e ofereçamos alegria e reconhecimento por toda a parte.

   Observemos a natureza a nos abençoar a existência na Terra. Nascem frutas saborosas em árvores cujas raízes se prendem à lama...

   Correm brisas leves, entoando melodias suaves, em apertados vales, transportando o delicioso perfume das flores.

   Cai o orvalho da noite sobre o solo ressequido e misérrimo, castigado pelo sol.

   Voam borboletas delicadas nos rios de ar ligeiro qual festival de cor flutuante sobre campina pontilhada de flores miúdas.

   Desabrocham, além, espécies variadas da flora que o pólen feliz fecunda em todo lugar.

   Cintilam constelações no manto da noite salpicando a treva de diamantes preciosos.

   Em cada madrugada renasce o sol dourado, purificando o pântano, vitalizando o homem, atendendo à flor sem indagar da aplicação que lhe façam dos raios beneficentes.

   Não nos detenhamos e recordemos os tesouros com que o bem nos enriquece o coração, através dos valiosos patrimônios da saúde e da fé, da alegria e da paciência, e vamos em frente.

   Indiferença é enfermidade.

   Medo é veneno que mata lentamente.

   Acendamos a luz da coragem na alma, a fim de que não fiquemos embaraçados nas dificuldades muito naturais que seguem ao lado dos nossos compromissos em relação à vida.

   Confiança em nossos atos é fortalecimento para a coragem alheia.

   Otimismo nas realizações também é aliança de identificação com as esferas superiores.

                                                                              *   *   *

   Não nos encontramos no mundo sem propósitos elevados.

   Aproveitemos a oportunidade, valorizemos as bênçãos que recebemos, todos os dias,difundamos gratidão e alegria por onde passarmos, com quem estivermos, com o que possuímos, justificando em atos edificantes a nossa passagem pela Terra.

   Não somos simples figurantes nos palcos da vida terrestre. Somos protagonistas, lições vivas, peças importantes nesta imensa engrenagem chamada sociedade.

   Pensemos nisso, e nos movimentemos produzindo o melhor para nós e para a grande família humana à qual pertencemos.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Nossa dádiva.

O sol buscava a linha do horizonte e o manto escuro da noite já se espalhava pelos campos, quando o trabalhador deixou a lavoura e tomou o caminho de volta para casa.

Caminhava a passos largos com a colheita do dia às costas, quando notou que, em sentido contrário, vinha luxuosa carruagem revestida de estrelas.

Contemplando-a fascinado, viu-a parar junto dele e, quase assustado, reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...

O quê? Refletiu espantado. O Senhor da Vida a rogar auxílio a mim, que nunca passei de mísero escravo na aspereza do solo?

Mas, como o Senhor continuava esperando, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga.

O Senhor agradeceu e partiu.

Quando, porém, o pobre homem do campo voltou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento...

O grão de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola transformado em uma pedra de ouro luminescente...

Deslumbrado gritou:

Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?

                                                           *   *   *

O apólogo retrata um pouco da atual realidade da Terra.

Quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, o Cristo pede cooperação para a sementeira do Seu Evangelho, junto ao Seu rebanho sofrido.

No entanto, nós costumamos agir como o lavrador.

Não estamos dispostos a ofertar a nossa dádiva em benefício do bem comum. E quando fazemos, damos apenas uma pequena migalha.

O Senhor da Vida não necessita das coisas materiais porque todas lhe pertencem, no entanto, solicita a nossa autodoação em prol da edificação de um mundo moralmente melhor.

Assim como o verme executa sua tarefa embaixo do solo, a chuva e o vento fazem seu papel no contexto da natureza.

Assim como o sol, a lua e os demais astros trabalham para que haja harmonia no Universo...

Assim como as abelhas e outros insetos fazem a tarefa da polinização, possibilitando a fecundação da vida... assim também o Senhor da Vida espera de nós a dádiva da polinização do Seu amor junto aos Seus filhos.

A pequena dádiva da paciência e da tolerância...

A esmola convertida em salário justo, dignificando o homem...

Uma migalha de afeto doada com sinceridade...

O sorriso capaz de despertar a alegria em alguém....

Um minuto de atenção a um enfermo solitário...

A palavra sincera capaz de esclarecer e consolar...

Uma semente de esperança plantada no coração de alguém que sofre... São nossas pequenas dádivas que se converterão em luz a iluminar nossa própria caminhada.

                                                              *   *   *

O Senhor da Vida está sempre a solicitar a nossa colaboração para que Seus objetivos nobres se concretizem na face da Terra.

Sabedores de que nossas pequenas dádivas se converterão em tesouros eternos, não as economizemos como o lavrador. Agindo assim não teremos que dizer:

Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Família - Usina de Amor.

Os pais são executivos muito requisitados, sempre envolvidos com reuniões, atividades sociais, congressos pelo mundo.

Quase nunca estagiam em casa, onde mais parecem visitantes que entram e saem a horas certas.

Dessa forma, dificilmente conseguiam estar junto aos dois filhos, no decorrer dos dias.

A adolescente se ressentia dessas ausências, enquanto o pequeno parecia administrar um pouco melhor a carência.

A babá e a doméstica eram as pessoas mais próximas a eles.

Foi quando se anunciou o inesperado.

Um vírus se espalhou pelo mundo e a pandemia se instalou.

Por questões de colaboração, quanto de preservação da própria vida, a quarentena se impôs.

Os auxiliares domésticos entraram em férias, considerando que também deveriam permanecer em isolamento social.

Pai e mãe ficaram em casa. Foram canceladas reuniões presenciais, viagens para congressos internacionais, as ausências diárias.

A rotina da casa foi totalmente alterada.

Foi quando as surpresas começaram a aparecer, com as sequentes admirações mútuas.

Mãe, você sabe cozinhar. Acho que nunca comi uma comida tão gostosa.

Olha só o papai varrendo o quintal. Pensei que ele nem soubesse segurar uma vassoura.

Filha, conseguiu colocar a roupa na máquina sozinha?

Filhote, que linda ficou a prateleira dos calçados!

Mais encantado ficava o pequeno quando a mãe se punha a passar roupas. Aquilo era mesmo algo bem diferente.

E vieram os filmes com pipoca, os doces e bolos que preparavam juntos.

Também o estudo das matérias escolares acompanhados pelos pais.

As revelações de amor e carinho ficaram intensas e significativas:

Pai, sempre amei você, mas agora aprendi a admirar você.

Não sabia que você pudesse ser tão legal em casa e nas brincadeiras.

Mãe, agora vi que você também faz o que fazem as mães dos meus amigos.

Sempre tive orgulho da executiva que você é. Agora descobri que você é uma mãe muito especial.

As surpresas se desdobraram, no transcorrer dos dias e das semanas. Pais e filhos se descobriram como criaturas que tinham muito a ser apreciado e valorizado.

                                                                  *   *   *

A família é um ninho de amor, de reconstruções impensáveis.

Ao conceber a família, Deus nos presenteou com um espaço de construção pessoal, que tem a função de enriquecer a sociedade à qual pertencemos.

Quando o carinho, o amor, a amizade, o respeito aos direitos e limites acontece dentro do lar, esses valores automaticamente passam a integrar a sociedade.

Por isso, é sempre útil cultivarmos esses momentos de crescimento entre nossos amores mais próximos, pois o que nesse ninho construímos será para sempre vivenciado.

Construções de amor espalharão amor.

Construções de solidariedade espalharão solidariedade.

Construções de respeito, amizade e lealdade darão seus frutos no momento certo.

E, se ao convívio, aos processos educativos, associarmos as bênçãos do Evangelho, o lar se transformará em luz, traçando roteiro seguro para todos!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Eu precisava...

Eu precisava respirar. A fumaça das chaminés de todo o porte me sufocava. Vinha de todas as partes e das mais variadas formas.

Eu buscava renovar os ares com ventos mais fortes, a fim de que pudessem promover a limpeza da atmosfera. Em vão.

Promovi tempestades, esperando que varressem, de vez, as nuvens negras que subiam, sem cessar. O céu permanecia claro por alguns segundos, apenas. Depois, tudo voltava a ser como antes.

Procurei deter a sanha dos ambiciosos, desencadeando a borrasca, a fim de arrancar árvores e plantas, como a dizer: Estou cansada! Podem diminuir a minha exploração, por um pequeno lapso temporal, ao menos?

Minhas entranhas eram perfuradas todos os dias, em busca dos tesouros que abrigo em minha intimidade. Nada contra, desde que tudo fosse adequado, realizado de modo racional, ordenado, preservando o entorno.

Enquanto pensavam em extrair os minerais preciosos, destruíam-me e nem se importavam com as tragédias que promoviam para si mesmos, para seus irmãos.

Eu não suportava mais o peso das águas dos rios, oceanos e mares, encharcadas de todos os poluentes imagináveis. Alguns jogados, de forma deliberada, outros, por desastres resultantes de puro descaso ou imprudência.

Assistia ao espetáculo contínuo da depredação dos habitantes das águas, das matas, dos ares. Alguns caminhando de forma acelerada para sua extinção.

Eu precisava parar. Não sei bem o que aconteceu, e com certeza o meu objetivo não era agredir ninguém. Mas, eu precisava parar. Era isso ou, em breve tempo, a espécie mais preciosa de todas iria ser aniquilada.

Uma pandemia se alastrou por toda minha extensão, com a celeridade de um raio, prenunciando intensa tormenta, exigiu que tudo parasse.

A Humanidade precisou se proteger. E a melhor proteção foi o confinamento. O isolamento se fez imprescindível.

Em apenas alguns dias, de forma quase miraculosa, voltei a poder respirar. A fumaça diminuiu, quase desapareceu. As chaminés deixaram de ser tão poderosas.

O trânsito ficou reduzido. Os poluentes deixaram de infestar o ar, a água, o solo. Todos precisaram olhar para si mesmos e descobrir que o que tinham de mais valioso precisava ser preservado: a vida.

A sua vida, a vida do seu semelhante. Mais importante do que o metal, a vida. Mais importante do que dobrar os valores monetários, a vida.

De forma alguma, eu pretendia e nem fui a causadora da pandemia que se instalou. Contudo, ela me permitiu refazer-me de algumas chagas.

Estou em convalescença. Minha grande esperança é de que o homem, esse ser especial que anda sobre mim, repense a sua maneira de viver.

Que se lembre que transita, de forma temporária, sobre mim. Que a sua essência é imortal e é nos termos dessa Imortalidade, que ele precisa trabalhar.

Cultuar o progresso, sem agredir-me. Desenvolver a tecnologia, no sentido de aprimorar métodos de salutar convivência entre todos.

Repensar atitudes. Renovar disposições. Viver em plenitude.

Eu, Terra, desejo ardentemente isso.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 23 de junho de 2020

A hora exata.

Quando aninhares em teu seio a revolta e o desespero sobrepujar-te a fé e a esperança; quando o anseio de fuga sobrepor-se a teus mais caros sonhos e ideais; quando o mundo afigurar-te um cárcere, não prossigas. Detém o passo!

De que vale seguir adiante, se teus pés pisam, raivosamente, o solo por onde transitas, despedaçando as flores que ornamentam os caminhos?

É tempo de meditar, analisar, pesquisar causas, fatos, soluções.

Estende o olhar ao teu redor. Vê: a multidão nem mais anda. Corre, acotovela-se, esbarra.

Todos apressados, com o véu das preocupações a lhes anuviar o semblante. São rostos que desfilam sofridos, acabrunhados, envilecidos, frios, assinalando-lhes o sepultamento da sensibilidade.

Não te deixes arrastar pelo convencionalismo material. És um Espírito.

Neste momento, te sentes cansado, desanimado ante as lutas que se apresentam, ante os óbices a vencer. Estás esvaído, exausto e envolves teu corpo em ar de abandono...

No mundo em que te situas, campeia em todo lugar a malícia, o vício, a desonestidade. Corações a quem te entregaste, dilaceraram-te as aspirações com estiletes de reprovações e queixas.

Causas pelas quais te empenhaste, ardorosamente, jazem por terra, por deficiência de quem te auxilie, sustentando-as. Sentes que o fardo é por demais pesado e almejas a fuga desabalada.

Entretanto, se te ligasses com o amor infinito, nada disso te afetaria. Se te colocasses em plano superior ao terreno, enxergarias um pouco além do comum e te deixarias arrebatar pela assistência do plano maior.

Deus é o Amor sem limites, a Bondade, o Poder Supremos.

Permite ao teu Espírito dessedentar-se nessa fonte cristalina que jorra abundante e continuamente do Alto. Deixa-o haurir vigor na Força Divina.

Após, verás como as lutas se tornarão insignificantes, as dores diminutas e o próprio fardo, menor.

Há tantas paisagens encantadoras com que podes deliciar-te, amenizando o combate ferrenho, por momentos...

Torna-te como essas avezitas que voejam, alegres, conquistando o espaço azul. Frágeis, pequeninas, marcadas com vida muito curta, passam-na em gorjeios e labuta.

Singra tu também os ares! Teu pensamento pode alçar-te muito acima da maior altitude alcançada por qualquer pássaro.

És filho de Deus e, portanto, herdeiro de Sua assistência.

Abre-te para o Seu Amor e respirarás a brisa reconfortadora de quem se sabe amparado e vibra feliz.

                                                                  *   *   *

Faze da tua vida uma senda florida em busca da bondade das almas e da beleza do Universo.

Além das nuvens brilha, eternamente, o sol que após as trevas das noites, resplandece sempre em alvoradas de luz.

Também nos corações em que palpitam esperanças, sempre um sorriso álacre estanca lágrimas de quem padece.

Faze da tua vida um sol, um sorriso, uma esperança. Por onde passes deixa algo de bom, algo de belo.

No futuro, serás lembrado como uma esteira de luz, uma terna recordação, uma carinhosa lembrança, um motivo de saudade, uma dedicação de amor.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Voltar para casa.

O novo coronavírus nos impôs alterações em nossa forma de viver. Todos fomos convidados a uma volta para casa.

Para os que acreditamos que a morte seja uma vírgula e não um ponto final, voltar para casa pode ser retornar à pátria espiritual, de onde um dia saímos e para a qual retornaremos.

Esperamos que mais experientes, virtuosos e sábios.

Podemos pensar, também, num olhar mais atento para a nossa morada comum, a casa planetária, tão maltratada e explorada por causa da ganância e egoísmo que ainda nos caracteriza.

Por conta dessas imperfeições destruímos abusivamente, pensamos exclusivamente em nós, burlamos leis, ferimos ecossistemas.

Tudo por conta da nossa sanha de poder e domínio.

Nossa Terra, com sua biodiversidade, culturas diversas e histórias maravilhosas de cada povo, pedia socorro e nos convidou a repensar a relação que temos estabelecido com ela.

Cabe refletirmos na quantidade de lixo que produzimos, no consumo desenfreado, na poluição que geramos, no acúmulo desproporcional de riqueza em detrimento do empobrecimento contínuo de tanta gente.

Uma terceira interpretação é a de valorizarmos mais a nossa habitação, o espaço que nos abriga, todos os dias, com nossa família consanguínea.

Além dos cuidados materiais que esse lugar solicita em termos de limpeza e conservação, é nele que damos e recebemos afeto.

É esse recanto formidável que podemos transformar em lar, criando genuínos laços de amor.

Um quarto viés é pensarmos no corpo físico, morada da alma, da essência espiritual que somos. Zelarmos por ele com uma alimentação saudável, boa ingestão de água, atividades físicas, ocupação útil, descanso necessário.

Também deixando de bombardeá-lo com o tóxico dos maus pensamentos, valorizando o investimento evolutivo e espiritual que a vida nos oferece.

Estarmos num corpo físico é estarmos matriculados numa escola onde temos muito para aprender.

Naturalmente, nenhum aluno consciente deixa de valorizar e preservar uma escola tão sublime como esta.

Por fim, voltar para casa também nos faz pensar na casa mental e emocional. Há muito lixo mental e emocional que guardamos sem reciclar e descartar adequadamente. Por isso adoecemos.

Essa parada forçada em casa é um convite divino para repensarmos o que temos feito da vida, das nossas múltiplas relações, do tempo, da inteligência, do dinheiro, do planeta, da saúde.

Também como temos utilizado os princípios religiosos que abraçamos.

É a possibilidade de um mergulho mais profundo em nós mesmos a fim de mudarmos, corrigirmos o rumo, acertarmos o prumo, voltarmo-nos para o que é essencial.

E essencial é o respeito ao outro, o compartilhar, descobrindo que não somos donos de nada e que toda forma de apego gera sofrimento.

Enfim, que precisamos de mais empatia e compaixão.

Temos em nossas mãos a possibilidade real, de agora em diante, de fazermos do amor a nós mesmos e ao próximo, a regra áurea da vida.

Uma regra com roteiro ensinado e exemplificado por um homem terno e gentil, sábio e amigo, há mais de dois mil anos: Jesus de Nazaré.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Renovemos nosso olhar.

A cada dia, a vida se renova. Distraídos, ignoramos o que nos é ofertado a cada amanhecer, em vinte quatro horas que se repetem e se repetem.

O sol nasce e se põe sem que vejamos nisso alguma magia ou beleza.

Botões se entreabrem nos jardins, nas ruas e nas praças, sem nenhum aplauso da nossa parte.

Flores deixam cair as suas pétalas, colorindo o chão e nós simplesmente pisamos sobre elas, sem nos permitir sentir o perfume ou observar as cores.

Frutos chegam à nossa mesa sem nos darmos conta do cheiro, sabor, cor e texturas que possuem. Quase sempre os mastigamos e engolimos, enquanto nossa mente anda distante.

O ar que inalamos, em todos os lugares, todos os dias, entra e sai de nossos pulmões sem qualquer movimento de gratidão ou louvor ao Criador.

A água que chega em nossas torneiras abastecendo o lar e saciando a nossa sede, é sorvida com automatismo.

Não nos encantamos com a preciosidade desse líquido ou pela forma como nos chega das fontes, dos rios, dos reservatórios.

No céu, cores se revezam desde a aurora até o final da tarde.

Pássaros cantam nos diversos caminhos por onde transitamos!

Os mares beijam as praias, o planeta abraça os oceanos e esses abraçam com carinho os continentes!

Lagos espelham o céu azul!

Cachoeiras cantam melodias inigualáveis, sonoras e belas!

Pequenos córregos e riachos declamam versos em delicadas poesias.

Fontes cristalinas solfejam acordes!

Chuvas amenas ou torrenciais surgem para promover a renovação do solo, das plantas, além de operarem modificações positivas nas energias que se concentram em certos lugares e regiões.

Ventos e tempestades tentam estabelecer algum diálogo conosco e não vemos nem ouvimos nada...

Animais nos fazem companhia. Dotados de sensibilidade e também de uma centelha espiritual, ajudam a dar sentido aos nossos dias.

Quase sempre, não correspondemos ao que nos oferecem.

Seguimos surdos e cegos para essa linguagem divina, inarticulada e estranha para nós.

Há uma necessidade de renovação em toda a Humanidade!

                                                                        *   *   *

A mensagem trazida pela pandemia é clara, mas requer sensibilidade, olhos de ver, ouvidos de ouvir, coração para sentir, além de mãos para agir.

Temos sido cristãos sem Cristo e esse paradoxo precisa ser resolvido para que tenhamos uma nova família, uma nova sociedade, um novo governo, uma nova Humanidade.

Nada disso será possível sem a gestação e o parto de um novo ser humano: fraterno, solidário, amoroso e gentil com todos os seres da Criação: vegetais, animais e homens.

Um ser que saiba respeitar, conviver e aprender com as diferenças, sem aceitar injustiças.

Que a parada destes dias nos remeta a reflexões mais profundas que aquelas costumeiras.

Deixemos de agir apenas como consumidores, atendendo a necessidades importantes e necessárias, mas que não são suficientes para a construção de um mundo com mais compartilhamento e menos acumulação.

Precisamos de mais cooperação e menos competição. Um mundo com mais nós e menos eu.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Cadeias da alma.

Você se considera uma pessoa livre? Mas, afinal de contas, o que é ter liberdade? Se pensamos que somos livres só pelo fato de não estar atrás das grades, podemos até nos dizer livres.

Mas, será que realmente somos? Se você diz ter liberdade plena, mas se irrita quando os outros querem; se veste conforme os modistas determinam; sente ódio quando as circunstâncias pedem; usa a marca que a sociedade estabelece como sendo a melhor, e se submete a outras tantas cadeias psicológicas, você pode até dizer-se livre, mas é um encarcerado da alma.

O homem verdadeiramente livre é senhor de si, dos seus atos, da sua vontade. Quem é livre não se submete aos vícios, nem às convenções sociais descabidas, nem cai em armadilhas preparadas para os descuidados. A verdadeira liberdade é a liberdade da alma.

Gandhi, o homem que soube lutar pela paz, apesar de ficar detido atrás das grades muitas vezes, era um homem livre, pois ninguém conseguia aprisionar-lhe a alma.

Paulo, o Apóstolo, mesmo jogado numa cela fétida e úmida, manteve-se sereno e senhor da sua liberdade moral. Os homens podiam impedir que ele andasse livremente, mas jamais conseguiram deter sua liberdade de pensar e sentir. Quando um homem é livre, não se importa com o que pensam dele nem com o que falam a seu respeito,  mas sim do que fala sua própria consciência.

Os pais e mães modernos nem sempre estão dispostos a educar os filhos para que sejam livres pois estabelecem, desde a infância, uma série de situações que tendem a fazer com que pensem pela cabeça dos outros. Não os deixam ter as experiências de que necessitam para ser livres e por isso os fazem seus dependentes. Dependem da mãe para escolher a roupa e o calçado que irão usar, para arrumar sua cama, para pôr ordem em seus brinquedos e, às vezes, até para fazer as lições da escola.

Sim, há pais que fazem pelos filhos as tarefas que os professores lhes solicitam. Pensando em ajudar, negam ao filho a oportunidade de se fazer verdadeiramente livre. Outros pais fazem dos filhos cópias perfeitas dos seus ídolos da TV. Compram roupas, bolsas, calçados e outros adereços dos personagens que a mídia produz, como se fossem modelos saudáveis a serem seguidos. Não se dão conta, esses pais, que estão criando um condicionamento negativo, impedindo que as crianças desenvolvam o senso crítico.

Importante que pensemos com seriedade a esse respeito, buscando a nossa liberdade moral e ajudando os filhos a conquistar sua própria libertação. Libertação física pela limitação dos apetites, não se deixando governar pelos instintos. Libertação intelectual pela conquista da verdade, mantendo a mente sempre aberta. E libertação moral pela procura da virtude.

Somente quando soubermos governar a nós mesmos com sabedoria é que poderemos nos dizer verdadeiramente livres. O limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, ou as asas de luz para a perene harmonia.

 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Pequenas agressões.

Importante percebermos que, quase sempre, nossos destemperos, nossas crises de desequilíbrio, esses rompantes que nos acometem no dia a dia, vão se construindo aos poucos.

Muitas vezes não é um fato isolado ou apenas uma situação que pode nos levar à mudança de humor, ou ao abalo emocional.

São pequenas e corriqueiras ocorrências que vão se acumulando e, aos poucos, desequilibram nossas emoções.

Acontece, por exemplo, de manhã, a xícara de café nos escapar da mão sujando-nos a roupa; o filho teimar em não se vestir, ignorando o tempo escasso; o trânsito nos apresentar pessoas apressadas e imprudentes.

No trabalho, encontramos o colega mal humorado e grosseiro, aliando-se ao acúmulo dos compromissos da agenda profissional.

Em família, os imprevistos que sempre acontecem, exigindo-nos uma atitude, uma providência...

Tudo isso vai se somando e fazendo o dia pesar nos nossos ombros. Também os afazeres se acumulam, sem que os consigamos vencer.

Quantas vezes despertamos com os resíduos emocionais de situações do dia anterior, que insistem em permanecer em nosso íntimo?

A isso se adicionam as situações do amanhã... E, logo mais, estamos transbordando transtornos, chegando a ser rudes com as pessoas.

                                                                    *   *   *

A vida é efetivamente desafiadora. É feita de mil nadas, como pequenas picadas de alfinetes que machucam, sangram, nos desequilibram.

Contudo, essa é uma análise parcial do nosso cotidiano.

Ao focarmos só nas dificuldades e impedimentos, estamos esquecendo de que a vida também é feita de alegrias e oportunidades, proteções e bênçãos.

Para que o desânimo, a fadiga ou mesmo a exaustão não determinem alterações em nosso comportamento, é necessário ponderar.

Muitos problemas deixariam de nos preocupar, se não lhes déssemos importância exagerada.

Consideremos que o filho de difícil comportamento é também quem nos adoça as horas com seus beijos e afagos. Se o trânsito é estressante, pensemos em quantos nem podem se locomover, atrelados a um leito hospitalar.

Se os colegas do trabalho são inconvenientes, recordemos dos tantos que suplicam por uma ocupação e um salário.

Existem muitos problemas que deixam de nos envolver, graças à proteção de nossos amigos espirituais que, em nome da Providência Divina, nos amparam e assistem.

Dessa forma, quando nos sentirmos a ponto de explodir, façamos uma breve pausa.

Alguns minutos isolados serão suficientes para uma prece, um momento de reflexão, de meditação, buscando o asserenamento.

Orar ao Senhor da Vida, rogando-lhe serenidade e equilíbrio, é terapia de excelência para essas situações.

Um breve momento a sós, uma leitura, uma música que acalme, nos facilitará essa conexão.

A oração, seja no início do dia, pedindo amparo e proteção, seja de agradecimento, ao findar da jornada, será sempre momento de refazimento das energias e do equilíbrio emocional.

Não deixemos de orar, sempre e constantemente.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de maio de 2020

O amor que existe no mundo.

Enquanto comentamos a respeito das tantas coisas tristes que acontecem no mundo, gratificante tomarmos conhecimento de atos nobres.

Um exemplo é do engenheiro civil, de apenas vinte e oito anos, do Interior de São Paulo, que cuida de seu avô, de noventa e cinco anos.

Santino é portador de Alzheimer e há três anos ficou cego por causa do glaucoma.

O rapaz contou com a colaboração da sua mãe até dois anos atrás, quando ela morreu. Então, contratou uma cuidadora para as horas do dia, enquanto ele trabalha.

Desejando estimular outras pessoas a procederem ao acolhimento e atendimento aos seus idosos, o engenheiro Furlan costuma gravar alguns vídeos.

São cenas aparentemente normais como conversar, alimentar e fazer a barba, que ganham um ar especial na maneira como ele expressa carinho para com o avô.

Em um vídeo recente, Juliano oferece um copo de leite ao avô que registra a presença do neto, embora o considere uma criança.

Diante da problemática decorrente do Alzheimer, ele insiste para que o netinho tome o leite, mesmo que seja somente um pouquinho.

A tonalidade da voz de um para com o outro, a paciência são demonstrações que dizem do amor verdadeiro.

O jovem engenheiro conta que as noites são muito difíceis. Noites em claro que fogem das contas, afirma.

Apesar de, em chegando da atividade profissional, precise atender o avô no banho, no corte da barba, Juliano enfrenta o segundo turno com bom humor e disposição.

Uma forma rara e especial de tratar quem vive desconectado da realidade e exige muita, muita paciência.

Nessa casa o lema é Amar para viver e viver para amar.

                                                                          *   *   *

O amor entre os membros da família é riqueza que podemos desfrutar na face da Terra.

Quando impera o amor, não importam quais sejam as condições dos que compõem a família. Ou o que necessitem.

Tudo passa a ter o sabor de boa vontade, de atenção, do prazer na convivência, e até mesmo das risadas que surgem nas horas mais difíceis.

A doença fica menos complicada, os limites se transformam em desafios, as conversas mais descontraídas.

A família é a associação terrena concedida por Deus como oportunidade para o aprendizado em ambiente seguro e protegido.

É o local onde podemos exercitar a prática do respeito, do perdão, do carinho e da compaixão, como forma de amar verdadeiramente.

Isso tudo nos leva a abrir mão de nossos interesses, para enfrentar as adversidades, quando surjam.

Sementes de amor verdadeiro desabrochando em nós, permitindo enxergar o próximo, antes de vermos a nós mesmos.

É dessa forma que o lar se constitui no porto seguro, onde o aconchego e a confiança diluem as mágoas, e tudo é tratado na linha do respeito e da compaixão.

Exige apenas a busca sincera da simplicidade e da humildade, para que se concretize o auxílio mútuo e a afeição legítima.

E o amor será sempre o conforto para as almas sofridas que se encontram unidas na sociedade chamada família.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Quando a dor é mundial.

O que fazemos quando vemos serem atingidos os membros da família humana?

Sofrem as nações, os governos. Sofremos todos nós porque estamos no mesmo lar Terra, separados apenas por linhas demarcatórias de fronteiras.

Quando a pandemia ultrapassou fronteiras, todos nos demos conta disso. Somos uma única e enorme família.

E o que é bom para uns é para todos. O que atinge a uns, alcança a todos.

Assim, nos vimos envolvidos nas dores de ver enfermar e morrer muitos dos nossos irmãos.

Em meio ao caos, percebemos como somos, verdadeiramente, a imagem e semelhança do nosso Criador.

Deus acende luzes brilhantes na lava destruidora. Deus renova os ares após a tormenta devastadora.

Deus borda a campina de flores e renova as paisagens depois dos furacões avassaladores.

Seus filhos, nós, conseguimos acender lamparinas nas trevas. Esperanças em meio à tragédia. Cantamos enquanto as lágrimas abundam em nossos corações.

Erguemos nossas preces, em todas as línguas e em todos os credos.

Utilizamos a tecnologia para nos unirmos. Apresentamos shows virtuais, encontramos os amigos, organizamos salas de reencontros, de estudos, de compartilhamento de orações.

Amenizamos a saudade. Aprendemos a nos abraçar virtualmente, renovando o desejo de tornar a nos encontrarmos, quiçá, em breve tempo.

Na Itália, um dos países mais atingidos pelo coronavírus, que se espalhou, de forma rápida, ceifando vidas, o coro Internazionale lirico sinfonico deu uma lição de altruísmo e gratidão.

Num ensaio virtual, reuniu os componentes do coro e executou Vá, pensiero, da Ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi.

Para os italianos o coro dos escravos hebreus, terceiro ato da Ópera, se tornou símbolo de patriotismo. Isso porque ela foi composta por Verdi, durante a ocupação austríaca, no norte do país, em 1842.

Em momentos graves, o coro é lembrado. Possivelmente, quase todos os italianos o tragam na memória e no coração.

É um lamento, uma prece que chora a pátria sofrida e perdida. Um clamor aos céus. Nada mais apropriado para os dias atuais.

O que emociona, ademais, não é somente o recado de esperança de dias que serão superados, vencidos.

É a homenagem e o preito de gratidão que é feito a todos os servidores da saúde.

Cremos que jamais eles foram tão homenageados e recordados, como nestes dias.

Esses servidores que estão sempre a postos nas tragédias, tanto quanto no cotidiano sofrido dos hospitais, das clínicas, dos lares. Eles formam o pelotão que se encontra no front da batalha.

Um front em que utilizam as armas da ciência médica, da sua coragem para diagnosticar, tratar.

Eles também têm família e saúde para preservar. Mas estão ali, a postos, lutando cada dia, todos os dias, pelas vidas alheias.

Nada mais justo do que recordá-los, envolvê-los em nossas preces.

Oxalá esses dias sirvam para todos nós meditarmos na fragilidade da existência e do quanto devemos aproveitar cada minuto que nos é dado sobre a Terra.

Que aprendamos que o melhor é ser bom, prestativo, fraterno, útil.

Afinal, precisamos e dependemos imensamente uns dos outros, membros da mesma grande família.

Redação do Momento Espírita.

domingo, 10 de maio de 2020

FELIZ DIA DAS MÃES.

No Dia das Mães, quando tantas homenagens ocorrem, uma garota escreveu: Durante toda a vida ouvi falar: “Se o filho está feliz, a mãe está feliz. Tudo que eu quero é ver meu filho feliz!”

Francamente, impossível acreditar nisso.

Se fosse verdade, eu teria podido comer aquela barra de chocolate inteirinha. Isso me teria feito muito feliz.

Mas ela não deixou. Cortou minha felicidade ao meio.

Quando quis virar a noite no videogame, eu estava no auge da minha felicidade. Mas ela não entendeu. Por acaso, ela pensou na minha felicidade? É claro que não.

Ela disse que contaria até três e me fez desligar a TV, no meio da última fase do jogo.

Se houvesse sinceridade nesse desejo dela de me ver feliz, ela teria me deixado namorar ao invés de estudar.

Como ela pôde me proibir de sair e me forçar a ficar horas com os livros, quando tudo que me faria feliz naquele momento estava lá fora?

O sol estava lá fora. O namorado estava lá fora. Os amigos estavam se divertindo. Todos... menos eu.

Como sempre, o que eu ouvia era: “Você não é igual a todo mundo. Você é minha filha.”

E, naquele dia, em que cheguei chorando porque tinha sido injustiçada pelos amigos, ela disse: “Você deve ter feito alguma coisa para merecer isso!”

Quanta insensibilidade!  Ela não sabia que me faria feliz se tivesse se unido a mim para dizer que eu estava certa?

Até me ajudasse a encontrar mil defeitos neles.

As mães dizem que nos querem ver felizes. Na verdade, também querem que arrumemos a cama, lavemos a louça, tiremos o lixo, cuidemos dos irmãos. E, ainda, nos forçam a comer o que elas dizem que é saudável.

Garanto que a maioria dos filhos pensa como eu.

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Pois é. Pensamos assim até nos tornarmos mães. Quando a vida nos presenteia com um filho, passamos a ver as coisas de forma bem diferente.

O não da barra de chocolate passa a ser entendido como um sim à disciplina alimentar. O não ao videogame se torna um sim às horas insubstituíveis de sono.

O não ao namorado, não é um não ao namoro, é um sim ao futuro.

Então entendemos e agradecemos por cada atitude de nossa mãe porque todas serviram para nos tornar melhores.

Hoje, quando nossa mãe nos olha com orgulho, e sorri mesmo quando as coisas não estão fáceis, conseguimos compreender o sentido daquela frase repetida incansavelmente, ao longo da vida: “Se você estiver feliz, eu estarei feliz.”

Não há nada maior do que o amor de uma mãe. Também nada mais gratificante do que descobrir, nos seus olhos, a felicidade por ver seu filho bem neste mundo.

Agradeçamos à nossa mãe o que fez por nós, por nos ter transformado num barco forte para passar por todas as tempestades.

Agradeçamos por ter nos acolhido com mesa farta quando chegamos em terra firme com a alma sedenta de amor e o coração faminto de carinho.

Agradeçamos pelo melhor colo do mundo e pelo sorriso maravilhoso de se ver!

E sim, ficamos zangadas quando ela está longe. Nós a queremos por perto para continuar dizendo os santos não para essa criança, dentro de nós, que nunca para de aprender!

Amamos você, mamãe!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Os animais em nossas vidas.

Tudo o que existe na natureza merece nosso cuidado: as árvores, os rios, os oceanos. Todas as formas de vida.

Os animais se constituem, possivelmente, em interessante capítulo à parte.

Desde os tempos mais recuados, a relação entre os seres humanos e os animais se estabeleceu.

Com o passar do tempo, o vínculo foi se estreitando e o animal deixou de ser apenas uma ferramenta de trabalho. Ou o provedor do alimento, da vestimenta.

Tornou-se um membro da família. Passou a ser alguém com destaque em vários setores.

Estudos mostram que crianças com acesso a animais de estimação tendem a diminuir a ansiedade e se tornam mais responsáveis.

Crianças com dificuldades de relacionamento e problemas de aprendizagem também se beneficiam com a presença de mascotes.

A presença de um animal em casa tem o poder de reduzir a pressão sanguínea de pacientes cardíacos, bem como estimular idosos a caminhadas e interações com outras pessoas.

O contato com o animal traz sensação de bem-estar. Terapias feitas com animais garantem inúmeros benefícios mentais, físicos e psicológicos aos pacientes.

Ter contato com animais proporciona a aceleração em processos de cura.

Em síntese, em nossa sociedade, os animais são como um sopro de esperança.

Com eles aprendemos solidariedade, amor ao próximo, tolerância, a celebração da vida.

Os famosos doutores de quatro patas levam alegria às crianças nos hospitais, e aos idosos em casas de repouso.

Cães guias proporcionam segurança na locomoção de seus donos, tornando-os mais independentes.

Os farejadores, por seu turno, auxiliam bombeiros e policiais na localização de vítimas e entorpecentes.

As ações e a presença dos animais são muito importantes em nossas vidas.

Quando convivemos com animais de estimação desenvolvemos amor por eles. É um sentimento que não pode ser explicado e que nem todos entendem.

Esses pequenos amigos alegram nosso dia a dia, nos fazem companhia, seguem-nos por toda parte.

Quando os protegemos, amparamos, estamos praticando um dever. São nossos irmãos menores.

                                                                 *   *   *

É atribuída a Madre Teresa de Calcutá uma mensagem que traduz o valor dos animais em nossas vidas.

Os animais dão tudo sem pedir nada.

São eternas crianças, não sabem nem de ódios nem de guerras.

Não conhecem o dinheiro e se conformam só com um teto onde se refugiar do frio.

Sem palavras, eles se fazem entender. Dizem das suas vontades, das suas necessidades, atestam seu companheirismo.

Seu olhar é puro, não sabem nem de invejas, nem de rancores. O perdão é algo natural neles.

Sabem amar com lealdade e fidelidade.

Não compram amor, simplesmente esperam e, porque são nossos eternos amigos, nunca nos traem.

Por isso, e muito mais, eles merecem o nosso amor.

Então, se não temos animais próximos a nós, pensemos em como podemos auxiliar a instituições que abrigam animais abandonados, machucados, enfermos.

Existem pessoas que se devotam a abrigar um cão, a tratar uma ave ferida, um animal na velhice.

Toda vida é preciosa e nos merece cuidados. Toda vida pertence a Deus. Colaboremos com Ele.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Derrotando o egoismo.

Ajuda a quem te calunia, oferecendo, em silêncio, novos recursos de apreciação a teu respeito, através dos bons exemplos.

Ampara aquele que te persegue sem razão, endereçando-lhe vibrações de amor, em tuas preces mais íntimas.

Sê útil ao companheiro que não te compreende, mantendo-te invariavelmente disposto a socorrê-lo em suas necessidades.

Esquece-te para servir.

Renuncia a ti mesmo, a fim de que o ideal do bem supere o círculo de tua personalidade.

Ajusta-te aos desígnios da união fraterna para registrares, em teu caminho, os anseios e as esperanças de todos os que te cercam.

Considera como teu o sofrimento de teu irmão!…

Compadece-te das vítimas infelizes do ódio e da maldade e, sem o veneno da queixa no teu pensamento ou nos teus lábios, segue distribuindo os dons da bondade pura.

Quando pudermos esquecer o centro escuro de nosso “eu”, envolvendo-o na claridade sublime da vontade de Deus, que deseja o bem e a paz, o progresso e a alegria para todas as criaturas, teremos vencido em nós o egoísmo – velho monstro de mil garras – que nos retém no inferno da crueldade, estabelecendo o céu em nosso próprio coração.

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Não há outro caminho para a verdadeira felicidade, senão o do amor ao próximo, a si mesmo e ao Pai.

Qualquer outra estrada frustrará o caminhante.

Esquecer-se para servir não significa deixar de se amar. Pelo contrário, quando passamos a sentir nossa essência divina, servimos com alegria e o serviço nos completa a alma.

Realizamos uma espécie de autoconquista, em que nos percebemos capazes, nos percebemos úteis.

Todo instrumento do bem, ao mesmo tempo que serve, também se embeleza e se autoburila.

Esquecer-se para atender o outro não significa auto-abandono, descaso consigo mesmo.

Esquecer-se significa deixar de lado nossos desejos materialistas, imediatistas e personalistas.

Esquecer-se é deixar de atender apenas as nossas vontades, os nossos interesses e olhar para os lados, perceber a vida que pulsa e que pede nosso auxílio e colaboração.

Não crescemos sozinhos. Amparamo-nos uns nos outros para ascender.

O caso do jovem Jaqueciel de Souza, de 17 anos, ficou conhecido nas redes sociais.

Ele nasceu com paralisia cerebral e tem dores diariamente.

Depois que a família simples pediu ajuda nas redes sociais para conseguir uma cama hospitalar, a fim de que ele tivesse um mínimo de conforto, uma grande mobilização dominou a região de Lima Duarte, em Minas Gerais.

Sensibilizados, militares do Exército se uniram a voluntários do Projeto Mãos Amigas e juntos fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro e comprar a cama.

A entrega foi emocionante. Eles montaram a nova cama e colocaram o rapaz nela com cuidado e respeito.

                                                               *   *   *

E se todos olhássemos para os lados e percebêssemos o que falta para o outro? Como podemos atender? Como podemos ajudar?

Derrotaremos o egoísmo com a vontade e sensibilidade.

Basta querer, e querer agora.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Verdadeira conciliação.

Aquela parecia ser mais uma simples audiência de conciliação, numa briga de trânsito, um homem havia agredido o outro.

O agressor, porém, não compareceu à audiência. Dessa forma, não pôde se formalizar um acordo entre as partes.

O juiz estava pronto para sentenciar, aplicando severa multa, quando a esposa do agredido pediu para falar.

Relatou a cena terrível que acontecera e que fora presenciada pela filha, de apenas sete anos.

Narrou a mãe que a menina estava em crise desde então. Chorava toda vez que o pai saía de casa, entrava em desespero, temendo que ele fosse novamente agredido.

Atendimento psicológico fora providenciado, desde algumas semanas sem nenhuma melhora.

Aquela esposa e mãe desejava somente que se tentasse uma outra audiência para que o agressor se desculpasse com o marido na frente da menina.

Era um pedido inusitado. O juiz pensou por alguns instantes e, compreendendo o sofrimento no coração materno, decidiu por marcar nova audiência.

Tudo poderia ter terminado ali, com uma multa, pois não havia ocorrido a conciliação entre as partes, mas o juiz preferiu ir adiante.

Chegando a data aprazada, tudo estava diferente. Dessa vez, ambas as partes compareceram. Foi sem titubear que o agressor abraçou o agredido e lhe pediu sinceras desculpas.

Explicou que estava muito atarantado no dia do pequeno problema no trânsito. Estendeu suas desculpas à esposa e ainda trouxe um pequeno presente para a menina.

Quinze dias depois, a mãe retornou ao Fórum e pediu para falar com o juiz.

O senhor salvou a minha filha! Ela está curada! – Disse com a voz embargada.

Contudo, o magistrado respondeu: Não fui eu. Foi a senhora. Eu jamais teria tido essa ideia. Possivelmente o processo teria terminado com a aplicação de uma multa ou qualquer outra penalidade mínima, visto ser infração de pequeno potencial ofensivo.

A senhora sim, salvou a sua filha. Fizemos aqui uma verdadeira conciliação.

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Como nos pouparíamos de tantos sofrimentos, se nos esforçássemos para encurtar o caminho entre a ofensa e a reconciliação.

Na maioria dos casos, vemos a vingança surgir como solução imediata e tresloucada, levando ambas as partes a uma peleja que pode se estender por largo tempo.

Enlaçados pelo ódio destruidor através dos dias, dos anos, o método de ataque e vingança, dar e tomar, vai se tornando cada vez mais complexo e difícil de ser resolvido.

Um dia, porém, o basta chega e vemos quanto tempo, quanta energia e quantas oportunidades foram perdidas em nome de uma suposta justiça.

Despertamos do pesadelo construído por nós mesmos e percebemos como tudo poderia ter sido mais simples, como tanto sofrer poderia ter sido evitado.

Assim, sempre pensemos antes de iniciar uma disputa, antes de tornar uma desavença algo mais grave. Vale a pena? Merecemos tanta aflição por causa desse mal?

Não importa de que lado está a culpa. Importa somente sabermos de que lado está a paz. Oxalá possa sempre ser do nosso.

Redação do Momento Espírita, com base em relato do
 Desembargador Jorge de Oliveira Vargas.

Doe Sangue

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