terça-feira, 30 de junho de 2020

Eu precisava...

Eu precisava respirar. A fumaça das chaminés de todo o porte me sufocava. Vinha de todas as partes e das mais variadas formas.

Eu buscava renovar os ares com ventos mais fortes, a fim de que pudessem promover a limpeza da atmosfera. Em vão.

Promovi tempestades, esperando que varressem, de vez, as nuvens negras que subiam, sem cessar. O céu permanecia claro por alguns segundos, apenas. Depois, tudo voltava a ser como antes.

Procurei deter a sanha dos ambiciosos, desencadeando a borrasca, a fim de arrancar árvores e plantas, como a dizer: Estou cansada! Podem diminuir a minha exploração, por um pequeno lapso temporal, ao menos?

Minhas entranhas eram perfuradas todos os dias, em busca dos tesouros que abrigo em minha intimidade. Nada contra, desde que tudo fosse adequado, realizado de modo racional, ordenado, preservando o entorno.

Enquanto pensavam em extrair os minerais preciosos, destruíam-me e nem se importavam com as tragédias que promoviam para si mesmos, para seus irmãos.

Eu não suportava mais o peso das águas dos rios, oceanos e mares, encharcadas de todos os poluentes imagináveis. Alguns jogados, de forma deliberada, outros, por desastres resultantes de puro descaso ou imprudência.

Assistia ao espetáculo contínuo da depredação dos habitantes das águas, das matas, dos ares. Alguns caminhando de forma acelerada para sua extinção.

Eu precisava parar. Não sei bem o que aconteceu, e com certeza o meu objetivo não era agredir ninguém. Mas, eu precisava parar. Era isso ou, em breve tempo, a espécie mais preciosa de todas iria ser aniquilada.

Uma pandemia se alastrou por toda minha extensão, com a celeridade de um raio, prenunciando intensa tormenta, exigiu que tudo parasse.

A Humanidade precisou se proteger. E a melhor proteção foi o confinamento. O isolamento se fez imprescindível.

Em apenas alguns dias, de forma quase miraculosa, voltei a poder respirar. A fumaça diminuiu, quase desapareceu. As chaminés deixaram de ser tão poderosas.

O trânsito ficou reduzido. Os poluentes deixaram de infestar o ar, a água, o solo. Todos precisaram olhar para si mesmos e descobrir que o que tinham de mais valioso precisava ser preservado: a vida.

A sua vida, a vida do seu semelhante. Mais importante do que o metal, a vida. Mais importante do que dobrar os valores monetários, a vida.

De forma alguma, eu pretendia e nem fui a causadora da pandemia que se instalou. Contudo, ela me permitiu refazer-me de algumas chagas.

Estou em convalescença. Minha grande esperança é de que o homem, esse ser especial que anda sobre mim, repense a sua maneira de viver.

Que se lembre que transita, de forma temporária, sobre mim. Que a sua essência é imortal e é nos termos dessa Imortalidade, que ele precisa trabalhar.

Cultuar o progresso, sem agredir-me. Desenvolver a tecnologia, no sentido de aprimorar métodos de salutar convivência entre todos.

Repensar atitudes. Renovar disposições. Viver em plenitude.

Eu, Terra, desejo ardentemente isso.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 23 de junho de 2020

A hora exata.

Quando aninhares em teu seio a revolta e o desespero sobrepujar-te a fé e a esperança; quando o anseio de fuga sobrepor-se a teus mais caros sonhos e ideais; quando o mundo afigurar-te um cárcere, não prossigas. Detém o passo!

De que vale seguir adiante, se teus pés pisam, raivosamente, o solo por onde transitas, despedaçando as flores que ornamentam os caminhos?

É tempo de meditar, analisar, pesquisar causas, fatos, soluções.

Estende o olhar ao teu redor. Vê: a multidão nem mais anda. Corre, acotovela-se, esbarra.

Todos apressados, com o véu das preocupações a lhes anuviar o semblante. São rostos que desfilam sofridos, acabrunhados, envilecidos, frios, assinalando-lhes o sepultamento da sensibilidade.

Não te deixes arrastar pelo convencionalismo material. És um Espírito.

Neste momento, te sentes cansado, desanimado ante as lutas que se apresentam, ante os óbices a vencer. Estás esvaído, exausto e envolves teu corpo em ar de abandono...

No mundo em que te situas, campeia em todo lugar a malícia, o vício, a desonestidade. Corações a quem te entregaste, dilaceraram-te as aspirações com estiletes de reprovações e queixas.

Causas pelas quais te empenhaste, ardorosamente, jazem por terra, por deficiência de quem te auxilie, sustentando-as. Sentes que o fardo é por demais pesado e almejas a fuga desabalada.

Entretanto, se te ligasses com o amor infinito, nada disso te afetaria. Se te colocasses em plano superior ao terreno, enxergarias um pouco além do comum e te deixarias arrebatar pela assistência do plano maior.

Deus é o Amor sem limites, a Bondade, o Poder Supremos.

Permite ao teu Espírito dessedentar-se nessa fonte cristalina que jorra abundante e continuamente do Alto. Deixa-o haurir vigor na Força Divina.

Após, verás como as lutas se tornarão insignificantes, as dores diminutas e o próprio fardo, menor.

Há tantas paisagens encantadoras com que podes deliciar-te, amenizando o combate ferrenho, por momentos...

Torna-te como essas avezitas que voejam, alegres, conquistando o espaço azul. Frágeis, pequeninas, marcadas com vida muito curta, passam-na em gorjeios e labuta.

Singra tu também os ares! Teu pensamento pode alçar-te muito acima da maior altitude alcançada por qualquer pássaro.

És filho de Deus e, portanto, herdeiro de Sua assistência.

Abre-te para o Seu Amor e respirarás a brisa reconfortadora de quem se sabe amparado e vibra feliz.

                                                                  *   *   *

Faze da tua vida uma senda florida em busca da bondade das almas e da beleza do Universo.

Além das nuvens brilha, eternamente, o sol que após as trevas das noites, resplandece sempre em alvoradas de luz.

Também nos corações em que palpitam esperanças, sempre um sorriso álacre estanca lágrimas de quem padece.

Faze da tua vida um sol, um sorriso, uma esperança. Por onde passes deixa algo de bom, algo de belo.

No futuro, serás lembrado como uma esteira de luz, uma terna recordação, uma carinhosa lembrança, um motivo de saudade, uma dedicação de amor.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Voltar para casa.

O novo coronavírus nos impôs alterações em nossa forma de viver. Todos fomos convidados a uma volta para casa.

Para os que acreditamos que a morte seja uma vírgula e não um ponto final, voltar para casa pode ser retornar à pátria espiritual, de onde um dia saímos e para a qual retornaremos.

Esperamos que mais experientes, virtuosos e sábios.

Podemos pensar, também, num olhar mais atento para a nossa morada comum, a casa planetária, tão maltratada e explorada por causa da ganância e egoísmo que ainda nos caracteriza.

Por conta dessas imperfeições destruímos abusivamente, pensamos exclusivamente em nós, burlamos leis, ferimos ecossistemas.

Tudo por conta da nossa sanha de poder e domínio.

Nossa Terra, com sua biodiversidade, culturas diversas e histórias maravilhosas de cada povo, pedia socorro e nos convidou a repensar a relação que temos estabelecido com ela.

Cabe refletirmos na quantidade de lixo que produzimos, no consumo desenfreado, na poluição que geramos, no acúmulo desproporcional de riqueza em detrimento do empobrecimento contínuo de tanta gente.

Uma terceira interpretação é a de valorizarmos mais a nossa habitação, o espaço que nos abriga, todos os dias, com nossa família consanguínea.

Além dos cuidados materiais que esse lugar solicita em termos de limpeza e conservação, é nele que damos e recebemos afeto.

É esse recanto formidável que podemos transformar em lar, criando genuínos laços de amor.

Um quarto viés é pensarmos no corpo físico, morada da alma, da essência espiritual que somos. Zelarmos por ele com uma alimentação saudável, boa ingestão de água, atividades físicas, ocupação útil, descanso necessário.

Também deixando de bombardeá-lo com o tóxico dos maus pensamentos, valorizando o investimento evolutivo e espiritual que a vida nos oferece.

Estarmos num corpo físico é estarmos matriculados numa escola onde temos muito para aprender.

Naturalmente, nenhum aluno consciente deixa de valorizar e preservar uma escola tão sublime como esta.

Por fim, voltar para casa também nos faz pensar na casa mental e emocional. Há muito lixo mental e emocional que guardamos sem reciclar e descartar adequadamente. Por isso adoecemos.

Essa parada forçada em casa é um convite divino para repensarmos o que temos feito da vida, das nossas múltiplas relações, do tempo, da inteligência, do dinheiro, do planeta, da saúde.

Também como temos utilizado os princípios religiosos que abraçamos.

É a possibilidade de um mergulho mais profundo em nós mesmos a fim de mudarmos, corrigirmos o rumo, acertarmos o prumo, voltarmo-nos para o que é essencial.

E essencial é o respeito ao outro, o compartilhar, descobrindo que não somos donos de nada e que toda forma de apego gera sofrimento.

Enfim, que precisamos de mais empatia e compaixão.

Temos em nossas mãos a possibilidade real, de agora em diante, de fazermos do amor a nós mesmos e ao próximo, a regra áurea da vida.

Uma regra com roteiro ensinado e exemplificado por um homem terno e gentil, sábio e amigo, há mais de dois mil anos: Jesus de Nazaré.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Renovemos nosso olhar.

A cada dia, a vida se renova. Distraídos, ignoramos o que nos é ofertado a cada amanhecer, em vinte quatro horas que se repetem e se repetem.

O sol nasce e se põe sem que vejamos nisso alguma magia ou beleza.

Botões se entreabrem nos jardins, nas ruas e nas praças, sem nenhum aplauso da nossa parte.

Flores deixam cair as suas pétalas, colorindo o chão e nós simplesmente pisamos sobre elas, sem nos permitir sentir o perfume ou observar as cores.

Frutos chegam à nossa mesa sem nos darmos conta do cheiro, sabor, cor e texturas que possuem. Quase sempre os mastigamos e engolimos, enquanto nossa mente anda distante.

O ar que inalamos, em todos os lugares, todos os dias, entra e sai de nossos pulmões sem qualquer movimento de gratidão ou louvor ao Criador.

A água que chega em nossas torneiras abastecendo o lar e saciando a nossa sede, é sorvida com automatismo.

Não nos encantamos com a preciosidade desse líquido ou pela forma como nos chega das fontes, dos rios, dos reservatórios.

No céu, cores se revezam desde a aurora até o final da tarde.

Pássaros cantam nos diversos caminhos por onde transitamos!

Os mares beijam as praias, o planeta abraça os oceanos e esses abraçam com carinho os continentes!

Lagos espelham o céu azul!

Cachoeiras cantam melodias inigualáveis, sonoras e belas!

Pequenos córregos e riachos declamam versos em delicadas poesias.

Fontes cristalinas solfejam acordes!

Chuvas amenas ou torrenciais surgem para promover a renovação do solo, das plantas, além de operarem modificações positivas nas energias que se concentram em certos lugares e regiões.

Ventos e tempestades tentam estabelecer algum diálogo conosco e não vemos nem ouvimos nada...

Animais nos fazem companhia. Dotados de sensibilidade e também de uma centelha espiritual, ajudam a dar sentido aos nossos dias.

Quase sempre, não correspondemos ao que nos oferecem.

Seguimos surdos e cegos para essa linguagem divina, inarticulada e estranha para nós.

Há uma necessidade de renovação em toda a Humanidade!

                                                                        *   *   *

A mensagem trazida pela pandemia é clara, mas requer sensibilidade, olhos de ver, ouvidos de ouvir, coração para sentir, além de mãos para agir.

Temos sido cristãos sem Cristo e esse paradoxo precisa ser resolvido para que tenhamos uma nova família, uma nova sociedade, um novo governo, uma nova Humanidade.

Nada disso será possível sem a gestação e o parto de um novo ser humano: fraterno, solidário, amoroso e gentil com todos os seres da Criação: vegetais, animais e homens.

Um ser que saiba respeitar, conviver e aprender com as diferenças, sem aceitar injustiças.

Que a parada destes dias nos remeta a reflexões mais profundas que aquelas costumeiras.

Deixemos de agir apenas como consumidores, atendendo a necessidades importantes e necessárias, mas que não são suficientes para a construção de um mundo com mais compartilhamento e menos acumulação.

Precisamos de mais cooperação e menos competição. Um mundo com mais nós e menos eu.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Cadeias da alma.

Você se considera uma pessoa livre? Mas, afinal de contas, o que é ter liberdade? Se pensamos que somos livres só pelo fato de não estar atrás das grades, podemos até nos dizer livres.

Mas, será que realmente somos? Se você diz ter liberdade plena, mas se irrita quando os outros querem; se veste conforme os modistas determinam; sente ódio quando as circunstâncias pedem; usa a marca que a sociedade estabelece como sendo a melhor, e se submete a outras tantas cadeias psicológicas, você pode até dizer-se livre, mas é um encarcerado da alma.

O homem verdadeiramente livre é senhor de si, dos seus atos, da sua vontade. Quem é livre não se submete aos vícios, nem às convenções sociais descabidas, nem cai em armadilhas preparadas para os descuidados. A verdadeira liberdade é a liberdade da alma.

Gandhi, o homem que soube lutar pela paz, apesar de ficar detido atrás das grades muitas vezes, era um homem livre, pois ninguém conseguia aprisionar-lhe a alma.

Paulo, o Apóstolo, mesmo jogado numa cela fétida e úmida, manteve-se sereno e senhor da sua liberdade moral. Os homens podiam impedir que ele andasse livremente, mas jamais conseguiram deter sua liberdade de pensar e sentir. Quando um homem é livre, não se importa com o que pensam dele nem com o que falam a seu respeito,  mas sim do que fala sua própria consciência.

Os pais e mães modernos nem sempre estão dispostos a educar os filhos para que sejam livres pois estabelecem, desde a infância, uma série de situações que tendem a fazer com que pensem pela cabeça dos outros. Não os deixam ter as experiências de que necessitam para ser livres e por isso os fazem seus dependentes. Dependem da mãe para escolher a roupa e o calçado que irão usar, para arrumar sua cama, para pôr ordem em seus brinquedos e, às vezes, até para fazer as lições da escola.

Sim, há pais que fazem pelos filhos as tarefas que os professores lhes solicitam. Pensando em ajudar, negam ao filho a oportunidade de se fazer verdadeiramente livre. Outros pais fazem dos filhos cópias perfeitas dos seus ídolos da TV. Compram roupas, bolsas, calçados e outros adereços dos personagens que a mídia produz, como se fossem modelos saudáveis a serem seguidos. Não se dão conta, esses pais, que estão criando um condicionamento negativo, impedindo que as crianças desenvolvam o senso crítico.

Importante que pensemos com seriedade a esse respeito, buscando a nossa liberdade moral e ajudando os filhos a conquistar sua própria libertação. Libertação física pela limitação dos apetites, não se deixando governar pelos instintos. Libertação intelectual pela conquista da verdade, mantendo a mente sempre aberta. E libertação moral pela procura da virtude.

Somente quando soubermos governar a nós mesmos com sabedoria é que poderemos nos dizer verdadeiramente livres. O limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, ou as asas de luz para a perene harmonia.

 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Pequenas agressões.

Importante percebermos que, quase sempre, nossos destemperos, nossas crises de desequilíbrio, esses rompantes que nos acometem no dia a dia, vão se construindo aos poucos.

Muitas vezes não é um fato isolado ou apenas uma situação que pode nos levar à mudança de humor, ou ao abalo emocional.

São pequenas e corriqueiras ocorrências que vão se acumulando e, aos poucos, desequilibram nossas emoções.

Acontece, por exemplo, de manhã, a xícara de café nos escapar da mão sujando-nos a roupa; o filho teimar em não se vestir, ignorando o tempo escasso; o trânsito nos apresentar pessoas apressadas e imprudentes.

No trabalho, encontramos o colega mal humorado e grosseiro, aliando-se ao acúmulo dos compromissos da agenda profissional.

Em família, os imprevistos que sempre acontecem, exigindo-nos uma atitude, uma providência...

Tudo isso vai se somando e fazendo o dia pesar nos nossos ombros. Também os afazeres se acumulam, sem que os consigamos vencer.

Quantas vezes despertamos com os resíduos emocionais de situações do dia anterior, que insistem em permanecer em nosso íntimo?

A isso se adicionam as situações do amanhã... E, logo mais, estamos transbordando transtornos, chegando a ser rudes com as pessoas.

                                                                    *   *   *

A vida é efetivamente desafiadora. É feita de mil nadas, como pequenas picadas de alfinetes que machucam, sangram, nos desequilibram.

Contudo, essa é uma análise parcial do nosso cotidiano.

Ao focarmos só nas dificuldades e impedimentos, estamos esquecendo de que a vida também é feita de alegrias e oportunidades, proteções e bênçãos.

Para que o desânimo, a fadiga ou mesmo a exaustão não determinem alterações em nosso comportamento, é necessário ponderar.

Muitos problemas deixariam de nos preocupar, se não lhes déssemos importância exagerada.

Consideremos que o filho de difícil comportamento é também quem nos adoça as horas com seus beijos e afagos. Se o trânsito é estressante, pensemos em quantos nem podem se locomover, atrelados a um leito hospitalar.

Se os colegas do trabalho são inconvenientes, recordemos dos tantos que suplicam por uma ocupação e um salário.

Existem muitos problemas que deixam de nos envolver, graças à proteção de nossos amigos espirituais que, em nome da Providência Divina, nos amparam e assistem.

Dessa forma, quando nos sentirmos a ponto de explodir, façamos uma breve pausa.

Alguns minutos isolados serão suficientes para uma prece, um momento de reflexão, de meditação, buscando o asserenamento.

Orar ao Senhor da Vida, rogando-lhe serenidade e equilíbrio, é terapia de excelência para essas situações.

Um breve momento a sós, uma leitura, uma música que acalme, nos facilitará essa conexão.

A oração, seja no início do dia, pedindo amparo e proteção, seja de agradecimento, ao findar da jornada, será sempre momento de refazimento das energias e do equilíbrio emocional.

Não deixemos de orar, sempre e constantemente.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de maio de 2020

O amor que existe no mundo.

Enquanto comentamos a respeito das tantas coisas tristes que acontecem no mundo, gratificante tomarmos conhecimento de atos nobres.

Um exemplo é do engenheiro civil, de apenas vinte e oito anos, do Interior de São Paulo, que cuida de seu avô, de noventa e cinco anos.

Santino é portador de Alzheimer e há três anos ficou cego por causa do glaucoma.

O rapaz contou com a colaboração da sua mãe até dois anos atrás, quando ela morreu. Então, contratou uma cuidadora para as horas do dia, enquanto ele trabalha.

Desejando estimular outras pessoas a procederem ao acolhimento e atendimento aos seus idosos, o engenheiro Furlan costuma gravar alguns vídeos.

São cenas aparentemente normais como conversar, alimentar e fazer a barba, que ganham um ar especial na maneira como ele expressa carinho para com o avô.

Em um vídeo recente, Juliano oferece um copo de leite ao avô que registra a presença do neto, embora o considere uma criança.

Diante da problemática decorrente do Alzheimer, ele insiste para que o netinho tome o leite, mesmo que seja somente um pouquinho.

A tonalidade da voz de um para com o outro, a paciência são demonstrações que dizem do amor verdadeiro.

O jovem engenheiro conta que as noites são muito difíceis. Noites em claro que fogem das contas, afirma.

Apesar de, em chegando da atividade profissional, precise atender o avô no banho, no corte da barba, Juliano enfrenta o segundo turno com bom humor e disposição.

Uma forma rara e especial de tratar quem vive desconectado da realidade e exige muita, muita paciência.

Nessa casa o lema é Amar para viver e viver para amar.

                                                                          *   *   *

O amor entre os membros da família é riqueza que podemos desfrutar na face da Terra.

Quando impera o amor, não importam quais sejam as condições dos que compõem a família. Ou o que necessitem.

Tudo passa a ter o sabor de boa vontade, de atenção, do prazer na convivência, e até mesmo das risadas que surgem nas horas mais difíceis.

A doença fica menos complicada, os limites se transformam em desafios, as conversas mais descontraídas.

A família é a associação terrena concedida por Deus como oportunidade para o aprendizado em ambiente seguro e protegido.

É o local onde podemos exercitar a prática do respeito, do perdão, do carinho e da compaixão, como forma de amar verdadeiramente.

Isso tudo nos leva a abrir mão de nossos interesses, para enfrentar as adversidades, quando surjam.

Sementes de amor verdadeiro desabrochando em nós, permitindo enxergar o próximo, antes de vermos a nós mesmos.

É dessa forma que o lar se constitui no porto seguro, onde o aconchego e a confiança diluem as mágoas, e tudo é tratado na linha do respeito e da compaixão.

Exige apenas a busca sincera da simplicidade e da humildade, para que se concretize o auxílio mútuo e a afeição legítima.

E o amor será sempre o conforto para as almas sofridas que se encontram unidas na sociedade chamada família.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Quando a dor é mundial.

O que fazemos quando vemos serem atingidos os membros da família humana?

Sofrem as nações, os governos. Sofremos todos nós porque estamos no mesmo lar Terra, separados apenas por linhas demarcatórias de fronteiras.

Quando a pandemia ultrapassou fronteiras, todos nos demos conta disso. Somos uma única e enorme família.

E o que é bom para uns é para todos. O que atinge a uns, alcança a todos.

Assim, nos vimos envolvidos nas dores de ver enfermar e morrer muitos dos nossos irmãos.

Em meio ao caos, percebemos como somos, verdadeiramente, a imagem e semelhança do nosso Criador.

Deus acende luzes brilhantes na lava destruidora. Deus renova os ares após a tormenta devastadora.

Deus borda a campina de flores e renova as paisagens depois dos furacões avassaladores.

Seus filhos, nós, conseguimos acender lamparinas nas trevas. Esperanças em meio à tragédia. Cantamos enquanto as lágrimas abundam em nossos corações.

Erguemos nossas preces, em todas as línguas e em todos os credos.

Utilizamos a tecnologia para nos unirmos. Apresentamos shows virtuais, encontramos os amigos, organizamos salas de reencontros, de estudos, de compartilhamento de orações.

Amenizamos a saudade. Aprendemos a nos abraçar virtualmente, renovando o desejo de tornar a nos encontrarmos, quiçá, em breve tempo.

Na Itália, um dos países mais atingidos pelo coronavírus, que se espalhou, de forma rápida, ceifando vidas, o coro Internazionale lirico sinfonico deu uma lição de altruísmo e gratidão.

Num ensaio virtual, reuniu os componentes do coro e executou Vá, pensiero, da Ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi.

Para os italianos o coro dos escravos hebreus, terceiro ato da Ópera, se tornou símbolo de patriotismo. Isso porque ela foi composta por Verdi, durante a ocupação austríaca, no norte do país, em 1842.

Em momentos graves, o coro é lembrado. Possivelmente, quase todos os italianos o tragam na memória e no coração.

É um lamento, uma prece que chora a pátria sofrida e perdida. Um clamor aos céus. Nada mais apropriado para os dias atuais.

O que emociona, ademais, não é somente o recado de esperança de dias que serão superados, vencidos.

É a homenagem e o preito de gratidão que é feito a todos os servidores da saúde.

Cremos que jamais eles foram tão homenageados e recordados, como nestes dias.

Esses servidores que estão sempre a postos nas tragédias, tanto quanto no cotidiano sofrido dos hospitais, das clínicas, dos lares. Eles formam o pelotão que se encontra no front da batalha.

Um front em que utilizam as armas da ciência médica, da sua coragem para diagnosticar, tratar.

Eles também têm família e saúde para preservar. Mas estão ali, a postos, lutando cada dia, todos os dias, pelas vidas alheias.

Nada mais justo do que recordá-los, envolvê-los em nossas preces.

Oxalá esses dias sirvam para todos nós meditarmos na fragilidade da existência e do quanto devemos aproveitar cada minuto que nos é dado sobre a Terra.

Que aprendamos que o melhor é ser bom, prestativo, fraterno, útil.

Afinal, precisamos e dependemos imensamente uns dos outros, membros da mesma grande família.

Redação do Momento Espírita.

domingo, 10 de maio de 2020

FELIZ DIA DAS MÃES.

No Dia das Mães, quando tantas homenagens ocorrem, uma garota escreveu: Durante toda a vida ouvi falar: “Se o filho está feliz, a mãe está feliz. Tudo que eu quero é ver meu filho feliz!”

Francamente, impossível acreditar nisso.

Se fosse verdade, eu teria podido comer aquela barra de chocolate inteirinha. Isso me teria feito muito feliz.

Mas ela não deixou. Cortou minha felicidade ao meio.

Quando quis virar a noite no videogame, eu estava no auge da minha felicidade. Mas ela não entendeu. Por acaso, ela pensou na minha felicidade? É claro que não.

Ela disse que contaria até três e me fez desligar a TV, no meio da última fase do jogo.

Se houvesse sinceridade nesse desejo dela de me ver feliz, ela teria me deixado namorar ao invés de estudar.

Como ela pôde me proibir de sair e me forçar a ficar horas com os livros, quando tudo que me faria feliz naquele momento estava lá fora?

O sol estava lá fora. O namorado estava lá fora. Os amigos estavam se divertindo. Todos... menos eu.

Como sempre, o que eu ouvia era: “Você não é igual a todo mundo. Você é minha filha.”

E, naquele dia, em que cheguei chorando porque tinha sido injustiçada pelos amigos, ela disse: “Você deve ter feito alguma coisa para merecer isso!”

Quanta insensibilidade!  Ela não sabia que me faria feliz se tivesse se unido a mim para dizer que eu estava certa?

Até me ajudasse a encontrar mil defeitos neles.

As mães dizem que nos querem ver felizes. Na verdade, também querem que arrumemos a cama, lavemos a louça, tiremos o lixo, cuidemos dos irmãos. E, ainda, nos forçam a comer o que elas dizem que é saudável.

Garanto que a maioria dos filhos pensa como eu.

                                                                  *   *   *

Pois é. Pensamos assim até nos tornarmos mães. Quando a vida nos presenteia com um filho, passamos a ver as coisas de forma bem diferente.

O não da barra de chocolate passa a ser entendido como um sim à disciplina alimentar. O não ao videogame se torna um sim às horas insubstituíveis de sono.

O não ao namorado, não é um não ao namoro, é um sim ao futuro.

Então entendemos e agradecemos por cada atitude de nossa mãe porque todas serviram para nos tornar melhores.

Hoje, quando nossa mãe nos olha com orgulho, e sorri mesmo quando as coisas não estão fáceis, conseguimos compreender o sentido daquela frase repetida incansavelmente, ao longo da vida: “Se você estiver feliz, eu estarei feliz.”

Não há nada maior do que o amor de uma mãe. Também nada mais gratificante do que descobrir, nos seus olhos, a felicidade por ver seu filho bem neste mundo.

Agradeçamos à nossa mãe o que fez por nós, por nos ter transformado num barco forte para passar por todas as tempestades.

Agradeçamos por ter nos acolhido com mesa farta quando chegamos em terra firme com a alma sedenta de amor e o coração faminto de carinho.

Agradeçamos pelo melhor colo do mundo e pelo sorriso maravilhoso de se ver!

E sim, ficamos zangadas quando ela está longe. Nós a queremos por perto para continuar dizendo os santos não para essa criança, dentro de nós, que nunca para de aprender!

Amamos você, mamãe!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Os animais em nossas vidas.

Tudo o que existe na natureza merece nosso cuidado: as árvores, os rios, os oceanos. Todas as formas de vida.

Os animais se constituem, possivelmente, em interessante capítulo à parte.

Desde os tempos mais recuados, a relação entre os seres humanos e os animais se estabeleceu.

Com o passar do tempo, o vínculo foi se estreitando e o animal deixou de ser apenas uma ferramenta de trabalho. Ou o provedor do alimento, da vestimenta.

Tornou-se um membro da família. Passou a ser alguém com destaque em vários setores.

Estudos mostram que crianças com acesso a animais de estimação tendem a diminuir a ansiedade e se tornam mais responsáveis.

Crianças com dificuldades de relacionamento e problemas de aprendizagem também se beneficiam com a presença de mascotes.

A presença de um animal em casa tem o poder de reduzir a pressão sanguínea de pacientes cardíacos, bem como estimular idosos a caminhadas e interações com outras pessoas.

O contato com o animal traz sensação de bem-estar. Terapias feitas com animais garantem inúmeros benefícios mentais, físicos e psicológicos aos pacientes.

Ter contato com animais proporciona a aceleração em processos de cura.

Em síntese, em nossa sociedade, os animais são como um sopro de esperança.

Com eles aprendemos solidariedade, amor ao próximo, tolerância, a celebração da vida.

Os famosos doutores de quatro patas levam alegria às crianças nos hospitais, e aos idosos em casas de repouso.

Cães guias proporcionam segurança na locomoção de seus donos, tornando-os mais independentes.

Os farejadores, por seu turno, auxiliam bombeiros e policiais na localização de vítimas e entorpecentes.

As ações e a presença dos animais são muito importantes em nossas vidas.

Quando convivemos com animais de estimação desenvolvemos amor por eles. É um sentimento que não pode ser explicado e que nem todos entendem.

Esses pequenos amigos alegram nosso dia a dia, nos fazem companhia, seguem-nos por toda parte.

Quando os protegemos, amparamos, estamos praticando um dever. São nossos irmãos menores.

                                                                 *   *   *

É atribuída a Madre Teresa de Calcutá uma mensagem que traduz o valor dos animais em nossas vidas.

Os animais dão tudo sem pedir nada.

São eternas crianças, não sabem nem de ódios nem de guerras.

Não conhecem o dinheiro e se conformam só com um teto onde se refugiar do frio.

Sem palavras, eles se fazem entender. Dizem das suas vontades, das suas necessidades, atestam seu companheirismo.

Seu olhar é puro, não sabem nem de invejas, nem de rancores. O perdão é algo natural neles.

Sabem amar com lealdade e fidelidade.

Não compram amor, simplesmente esperam e, porque são nossos eternos amigos, nunca nos traem.

Por isso, e muito mais, eles merecem o nosso amor.

Então, se não temos animais próximos a nós, pensemos em como podemos auxiliar a instituições que abrigam animais abandonados, machucados, enfermos.

Existem pessoas que se devotam a abrigar um cão, a tratar uma ave ferida, um animal na velhice.

Toda vida é preciosa e nos merece cuidados. Toda vida pertence a Deus. Colaboremos com Ele.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Derrotando o egoismo.

Ajuda a quem te calunia, oferecendo, em silêncio, novos recursos de apreciação a teu respeito, através dos bons exemplos.

Ampara aquele que te persegue sem razão, endereçando-lhe vibrações de amor, em tuas preces mais íntimas.

Sê útil ao companheiro que não te compreende, mantendo-te invariavelmente disposto a socorrê-lo em suas necessidades.

Esquece-te para servir.

Renuncia a ti mesmo, a fim de que o ideal do bem supere o círculo de tua personalidade.

Ajusta-te aos desígnios da união fraterna para registrares, em teu caminho, os anseios e as esperanças de todos os que te cercam.

Considera como teu o sofrimento de teu irmão!…

Compadece-te das vítimas infelizes do ódio e da maldade e, sem o veneno da queixa no teu pensamento ou nos teus lábios, segue distribuindo os dons da bondade pura.

Quando pudermos esquecer o centro escuro de nosso “eu”, envolvendo-o na claridade sublime da vontade de Deus, que deseja o bem e a paz, o progresso e a alegria para todas as criaturas, teremos vencido em nós o egoísmo – velho monstro de mil garras – que nos retém no inferno da crueldade, estabelecendo o céu em nosso próprio coração.

                                                              *   *   *

Não há outro caminho para a verdadeira felicidade, senão o do amor ao próximo, a si mesmo e ao Pai.

Qualquer outra estrada frustrará o caminhante.

Esquecer-se para servir não significa deixar de se amar. Pelo contrário, quando passamos a sentir nossa essência divina, servimos com alegria e o serviço nos completa a alma.

Realizamos uma espécie de autoconquista, em que nos percebemos capazes, nos percebemos úteis.

Todo instrumento do bem, ao mesmo tempo que serve, também se embeleza e se autoburila.

Esquecer-se para atender o outro não significa auto-abandono, descaso consigo mesmo.

Esquecer-se significa deixar de lado nossos desejos materialistas, imediatistas e personalistas.

Esquecer-se é deixar de atender apenas as nossas vontades, os nossos interesses e olhar para os lados, perceber a vida que pulsa e que pede nosso auxílio e colaboração.

Não crescemos sozinhos. Amparamo-nos uns nos outros para ascender.

O caso do jovem Jaqueciel de Souza, de 17 anos, ficou conhecido nas redes sociais.

Ele nasceu com paralisia cerebral e tem dores diariamente.

Depois que a família simples pediu ajuda nas redes sociais para conseguir uma cama hospitalar, a fim de que ele tivesse um mínimo de conforto, uma grande mobilização dominou a região de Lima Duarte, em Minas Gerais.

Sensibilizados, militares do Exército se uniram a voluntários do Projeto Mãos Amigas e juntos fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro e comprar a cama.

A entrega foi emocionante. Eles montaram a nova cama e colocaram o rapaz nela com cuidado e respeito.

                                                               *   *   *

E se todos olhássemos para os lados e percebêssemos o que falta para o outro? Como podemos atender? Como podemos ajudar?

Derrotaremos o egoísmo com a vontade e sensibilidade.

Basta querer, e querer agora.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Verdadeira conciliação.

Aquela parecia ser mais uma simples audiência de conciliação, numa briga de trânsito, um homem havia agredido o outro.

O agressor, porém, não compareceu à audiência. Dessa forma, não pôde se formalizar um acordo entre as partes.

O juiz estava pronto para sentenciar, aplicando severa multa, quando a esposa do agredido pediu para falar.

Relatou a cena terrível que acontecera e que fora presenciada pela filha, de apenas sete anos.

Narrou a mãe que a menina estava em crise desde então. Chorava toda vez que o pai saía de casa, entrava em desespero, temendo que ele fosse novamente agredido.

Atendimento psicológico fora providenciado, desde algumas semanas sem nenhuma melhora.

Aquela esposa e mãe desejava somente que se tentasse uma outra audiência para que o agressor se desculpasse com o marido na frente da menina.

Era um pedido inusitado. O juiz pensou por alguns instantes e, compreendendo o sofrimento no coração materno, decidiu por marcar nova audiência.

Tudo poderia ter terminado ali, com uma multa, pois não havia ocorrido a conciliação entre as partes, mas o juiz preferiu ir adiante.

Chegando a data aprazada, tudo estava diferente. Dessa vez, ambas as partes compareceram. Foi sem titubear que o agressor abraçou o agredido e lhe pediu sinceras desculpas.

Explicou que estava muito atarantado no dia do pequeno problema no trânsito. Estendeu suas desculpas à esposa e ainda trouxe um pequeno presente para a menina.

Quinze dias depois, a mãe retornou ao Fórum e pediu para falar com o juiz.

O senhor salvou a minha filha! Ela está curada! – Disse com a voz embargada.

Contudo, o magistrado respondeu: Não fui eu. Foi a senhora. Eu jamais teria tido essa ideia. Possivelmente o processo teria terminado com a aplicação de uma multa ou qualquer outra penalidade mínima, visto ser infração de pequeno potencial ofensivo.

A senhora sim, salvou a sua filha. Fizemos aqui uma verdadeira conciliação.

                                                                    *   *   *

Como nos pouparíamos de tantos sofrimentos, se nos esforçássemos para encurtar o caminho entre a ofensa e a reconciliação.

Na maioria dos casos, vemos a vingança surgir como solução imediata e tresloucada, levando ambas as partes a uma peleja que pode se estender por largo tempo.

Enlaçados pelo ódio destruidor através dos dias, dos anos, o método de ataque e vingança, dar e tomar, vai se tornando cada vez mais complexo e difícil de ser resolvido.

Um dia, porém, o basta chega e vemos quanto tempo, quanta energia e quantas oportunidades foram perdidas em nome de uma suposta justiça.

Despertamos do pesadelo construído por nós mesmos e percebemos como tudo poderia ter sido mais simples, como tanto sofrer poderia ter sido evitado.

Assim, sempre pensemos antes de iniciar uma disputa, antes de tornar uma desavença algo mais grave. Vale a pena? Merecemos tanta aflição por causa desse mal?

Não importa de que lado está a culpa. Importa somente sabermos de que lado está a paz. Oxalá possa sempre ser do nosso.

Redação do Momento Espírita, com base em relato do
 Desembargador Jorge de Oliveira Vargas.

terça-feira, 14 de abril de 2020

O que temos para agradecer?

O incêndio irrompera devastador. Em desespero, imaginando que sua família estaria dentro da casa, Daniel chegou correndo.

Gritava pelo nome da esposa e dos filhos, enquanto os bombeiros o impediam de mergulhar nas chamas.

Alguns instantes depois, descobriu que sua esposa e filhos não estavam na casa. Tinham saído para um lanche em pizzaria próxima.

Abraçaram-se todos. Agora, o desespero era ver a casa ser consumida tão rapidamente pelas chamas. Ele nem acabara de pagar o financiamento e tudo estava destruído.

Sentia-se impotente, desanimado. Seguiu com a família para a casa do seu pai, onde se acomodaram.

Um ar pesado pairava pelos aposentos. Sua irmã, seu irmão, o avô, a sobrinha vieram para confortá-los.

Chegou o momento do jantar. Daniel se dizia sem fome mas o pai insistiu para que viesse à mesa, estivesse ao lado da sua família.

Ele se deixou ficar no quarto um tanto mais. Sentia como se lhe faltasse o chão. Que fazer, agora? Como começar tudo de novo, recompor todas as perdas?

Como ninguém ousasse iniciar a refeição sem a sua presença, ele resolveu assentar-se com eles.

Então, pediram-lhe que ele conduzisse os pensamentos na habitual prece de agradecimento, antes de iniciarem a refeição.

Hoje, não. Foi a resposta dele. Não creio que eu tenha alguma coisa para agradecer. Nem temos mais um lar.

A esposa, tomando-lhe a mão e a apertando forte, lhe disse:

Perdemos a casa, o lar ainda o temos porque o lar somos nós.

E o pai, sábio, ponderou:

Filho, agradeçamos por estarmos todos juntos. Agradeçamos por ninguém se ter ferido. Agradeçamos pela família que somos.

Entre lágrimas, Daniel iniciou a prece de gratidão. E, como soluços sentidos lhe impedissem a fala, a esposa continuou, os filhos se uniram e, por fim, juntos oraram em voz alta.

                                                                   *   *   *

Possivelmente, em determinados dias, as dificuldades são tantas que o desânimo nos abraça.

O acúmulo das dores é tão grande que nos parece uma montanha intransponível.

Nosso desejo é que o mundo parasse, porque nos sentimos como alguém que perdeu todas as batalhas e nada mais tem a fazer.

Nessas horas, talvez nos indaguemos se temos algo a agradecer. Talvez, até, não nos sintamos motivados à oração.

Olhemos ao redor e verifiquemos: temos família? Agradeçamos pela sua existência.

Temos amigos, um somente que seja? Agradeçamos por ele.

Temos um emprego, um salário, uma ocupação? Agradeçamos por isso.

Temos um lugar para repousar a cabeça? Agradeçamos, não importando seja pequeno, velho, necessitando reformas, pintura, reboco.

E, se por acaso, não tivermos afetos, nem amigos, nada mais, agradeçamos a vida que pulsa em nós. Agradeçamos a lucidez de nossa mente, a capacidade de pensar.

E busquemos apoio. Sempre haverá, em algum lugar, uma nova chance, um amigo que possamos fazer, alguém que nos possa auxiliar.

Pode parecer difícil. Mas não é impossível. Verifiquemos quantos padeceram perdas terríveis e conseguiram se reerguer.

Isso porque os filhos de Deus nunca estaremos desamparados. 
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Nos dias de dificuldade.

Vivemos no lar Terra e quando uma pandemia nos alcança é o exato momento de provarmos quem somos.

Se nos consideramos uma única e enorme família, vivendo em lares de bandeiras diferentes, demonstramos em nos oferecendo as mãos à distância.

As informações nos chegam e nos dão ciência dos grupos de risco, das necessidades.

A primeira norma é atendermos às orientações legais. Nenhum de nós pode se considerar uma exclusividade, alguém que pode romper as barreiras, desrespeitando as determinações.

A segunda norma se chama solidariedade. E, nesse ponto, estamos demonstrando o quanto podemos realizar sem estarmos juntos.

A nossa criatividade nos sugere ações. E quando se associa à boa vontade gera notícias como a daquele instrutor de ginástica que subiu na laje do edifício onde reside e ofereceu uma aula para os vizinhos.

As gravações do gesto estão cheias de risadas ao fundo. É possível perceber o quanto aqueles que se encontram nas sacadas estão se divertindo, tentando repetir as ações do professor voluntário.

Em meio ao caos e às incertezas semeadas pelo vírus que se espalha, pessoas confinadas em seus apartamentos utilizam as varandas para contribuírem com o que têm.

Uma cantora lírica se serve da sacada do seu apartamento para cantar um trecho de La Traviata. Podem ouvi-la os vizinhos, os eventuais transeuntes que ainda passam pela rua, quiçá os moradores dos prédios mais próximos.

Sua voz é alegre e ela canta como se estivesse no palco. Em verdade, está. Um palco ao ar livre, improvisado. Espetacular.

Não pode saber quantos a ouvem. Importante que ela espalha a sua esperança na voz que lança no espaço. Ao seu lado, está o filho, que igualmente vibra, chegando a marcar os compassos com seus gestos infantis, dobrando as pernas, ritmadamente.

E ela convida a cantarem juntos. Vozes próximas tentam acompanhá-la no coro. E não se pode deixar de rir, ouvindo-as, algumas totalmente desafinadas.

Que importa? Ao final, aplausos e mais aplausos gravados encerram a apresentação.

Solidariedade. Oferecer o que tenhamos de melhor.

Por isso, no Brasil e no mundo se reprisam atos de fraternidade. Jovens se oferecem, pelas redes sociais ou afixando avisos nas portas do elevador do condomínio para fazer compras, buscar medicamentos, especialmente para os idosos.

Alguém chega a elaborar orientações específicas para adotar pessoas desse grupo de risco. Sugere que sejam enviadas mensagens pela manhã e à noite, que se indague como está, se precisa de algo etc.

O vírus nos está mantendo distantes uns dos outros fisicamente. Mas, se desejarmos, poderemos estar bem próximos.

Agendar reuniões virtuais e orarmos juntos os que constituímos grupos habituais de oração em nosso templo religioso.

Oferecermos a nossa palavra a quem está distante e saibamos estar só. Organizar grupo de leitura ou de estudos virtualmente.

Quanto a tecnologia nos pode auxiliar, nesse momento!

Separados, mas unidos. Unidos no amor, na atenção ao outro.

Seja o nosso o abraço virtual, o beijo à distância, o aconchego via internet.

Unamo-nos nas ações de prevenção, nos cuidados. Unamo-nos na solidariedade. Somos todos irmãos.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 31 de março de 2020

Deus, consciência e hábito.

Em um conteúdo de extraordinária beleza, acentuou Jesus, em sua infinita sabedoria:-
" O Reino dos Céus está dentro de vós. "
O uso da razão proporciona o discernimento, que permite a eleição dos hábitos saudáveis favoráveis à felicidade, que impulsionam a evolução.
A função da mente é pensar e, o hábito de pensar amplia as possibilidades de discernir.
A mente é capaz de reconhecer pela razão os próprios erros nos quais se apoia e corrigi-los.
A preguiça de pensar é a responsável pela limitação do discernimento e da razão, que adaptando-se às análises estreitas e superficiais da vida e das suas manifestações, o ser permanece em estágio inferior, desperdiçando o tempo e a oportunidade.
O empenho de manter:- a atenção; que observa - a concentração; que fixa - e a meditação; que completa o equilíbrio psicofísico - torna-se a ponte de união entre a consciência superficial e o Eu profundo, unificando, desse modo, a ação dos dois hemisférios cerebrais que se harmonizarão e se desenvolverão em equilíbrio.
A repetição dos atos gera hábitos e estes se tornam memórias.
Se eleges hábitos mentais de discernimento para o correto, agiras com segurança, e essas memórias funcionarão automaticamente, amadurecendo-te intelectiva e afetivamente, com esse comportamento oferecendo-te consciência e identificação de ti mesmo.
Muito claro, na questão 779, do Livro  dos Espíritos, pelos Instrutores da Humanidade:- " O Homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Da-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contato social."
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.
Redação do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 24 de março de 2020

A benção da saúde.

A saúde resulta de vários fatores que se conjugam em prol da harmonia psicofísica da criatura humana.

Procedente do Espírito, a energia elabora as células e sustenta-as no ministério da vida física, assim atendendo à finalidade a que se destinam.

Nesse capítulo, as estruturas profundas do ser, abaladas pelas descargas mentais perniciosas, que se desorganizam, permitem aos invasores microbianos vencerem a batalha e, instalando-se, dão origem e curso às enfermidades.

Diante das inumeráveis doenças que angustiam o ser humano, a manutenção do equilíbrio psíquico e emocional é de fundamental importância para a sustentação da saúde.

Assim sendo, visualiza-te sempre saudável e cultiva os pensamentos otimistas, alicerçado no amor, na ação dignificante, na esperança, libertando-te do entulho mental, que pode te constituir fonte de intoxicação e estímulo às vidas microbianas perturbadoras, conservando-te em paz íntima.

Pensa na saúde e deseje-a ardentemente, com nobre intenção, planeja-te saudável e útil, antevendo-te no convívio familiar e social como instrumento valioso para a comunidade.

Vincula-te à Fonte Generosa da Vida, da qual provem todas as forças e recolhe os recursos necessários ao reequilíbrio, reabastecendo o departamento mental com pensamentos de paz, compaixão, solidariedade, de perdão e de ternura, envolvendo-te, emocionalmente, de forma a te sentires integrado, consciente e feliz.

Se enfermo, agradece à Deus e amplia os horizontes mentais no amor, para te recuperares, seguindo adiante em paz e confiança, se saudável, aproveita o ensejo para assim te preservares, produzindo sempre, mais e melhor.

Redação do Jornal Mundo Maior, estudando o Livro:-
Momentos de Saúde e de Consciência.
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco.

terça-feira, 17 de março de 2020

Viver.

Por vezes, não nos lembramos de como é bom viver. Talvez porque nos esqueçamos de usufruir a vida em totalidade.

Quase sempre, a ansiedade é nossa companheira. E é ela que nos impede de viver em plenitude.

Quando nos deixamos envolver pela ansiedade, estamos em um lugar fisicamente, mas a mente se encontra em outro ou, então, horas à frente.

É bastante comum nos encontrarmos em uma festa e cogitarmos do cansaço que sentiremos no dia seguinte, do inconveniente de termos que levantar cedo, de retomar a rotina.

Descambamos para queixumes e lamentações. Esquecemos de viver aquele momento de alegria, de encontro com os amigos, de risos, de descontração.

Consequentemente, a festa não nos beneficiará, ao contrário, será sinônimo de cansaço e indisposição.

E que dizer quando reclamamos das crianças em casa? Reclamamos do barulho, da correria. Enfim, elas requerem tanta atenção, tantos quefazeres.

E deixamos de usufruir dessa extraordinária possibilidade de observá-las, de rir com elas, rir do que fazem e como fazem.

Permitimo-nos perder a chance de ter algumas horas de puro prazer, correndo, rindo, rolando na grama, chutando bola. E também abraçando, estreitando forte, beijando.

Já nos demos conta de quão maravilhoso é o colar de dois braços miudinhos nos envolvendo o pescoço? Nenhuma joia, por mais valiosa, supera essa preciosidade.

Porque abraço de criança é tudo de bom: é espontâneo, é forte, é macio.

E, no final do passeio, ou na hora de dormir, como é doce sentir aquele calor do corpo de uma criança em nossos braços, perceber-lhe o ritmo da respiração, sentir o pulsar do seu coração junto ao nosso.

Isso se chama viver. Isso se chama sorver a vida em abundância.

Viver é, também, permitir-se despentear pelo vento, com suas mãos rebeldes e despreocupadas.

É sentir o sol percorrendo-nos o corpo e estendendo cores por toda a natureza, beijando a superfície das águas, fazendo-as brilhar como líquidos cristais.

Viver é sentar-se à mesa com a família, com os amigos e comer devagar, buscando identificar o sabor de cada alimento. E se deixar ficar ali, conversando, falando dos tantos nada que fazem a felicidade de cada dia.

É dar um passeio de mãos dadas, deixando a brisa sussurrar segredos entre ambos. Recados ouvidos de Deus, segredos somente conhecidos por quem ama.

Viver é deter-se para assistir a um pôr do sol, observando as pinceladas divinas que se sucedem, em promessa de um dia esplendoroso, após a noite de veludo e estrelas que se aproxima.

Viver é ter a certeza de que, após os dias de invernia, chuva e frio, suceder-se-ão as horas floridas da primavera risonha.

E que, após os dias de intenso calor, a natureza começará a se despir de folhas e flores, preparando-se para se engalanar de geada, brumas e garoa.

Viver cada minuto, cada emoção, sem ansiedade, como único e inigualável.

Assim, a vida se torna maravilhosa. Cada dia, uma experiência inédita porque, sendo Criação Divina, não existem reprises nas horas, nem nos minutos.

Pensemos nisso e, enquanto ainda nos encontramos no panorama terrestre, bebamos do cálice da vida, gota a gota, deliciando-nos com o seu sabor.

E se horas amargas se apresentarem, recordemos que como as estações, também os quadros de dores e dificuldades se sucedem, substituídos por outros de alegrias, risos e cores.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 10 de março de 2020

Amor descartável.

Quando chegam as festas de final de ano, multiplicam-se os planos para comemorações.

São dias acelerados, atropelados pelas tantas ações a serem empreendidas.

É comum, se observar, nesse período, um acréscimo do abandono de animais domésticos. São os considerados de estimação, mas que parecem ser de nenhuma estima.

Dezembro e janeiro se constituem em período de muitas viagens. Por isso, reacende a preocupação de autoridades e de defensores dos animais para essa estratégia utilizada por alguns.

O abandono se enquadra no crime de maus-tratos, segundo a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente.

Para identificar os promotores de tal maldade, câmeras de seguranças de casas e estabelecimentos comerciais têm sido utilizadas.

No entanto, o que precisamos é nos indagar como podemos ter um animal em nossa casa, oferecer-lhe comida, abrigo, carinho durante dez meses e simplesmente descartá-lo.

É o cão que nos aguarda no portão nos oferecendo afagos e latidos.

É o mesmo animal que dorme, muitas vezes, na nossa cama ou dos nossos filhos.

Que mensagem estamos ensinando aos nossos pequenos? De que afeição é descartável? De que afeto não tem importância alguma? É simplesmente algo passageiro, para dias em que não temos algo mais importante a fazer?

Pensamos, acaso, o que acontecerá com o animal? Acostumado ao lar, a tudo receber em horas certas, de forma adequada, onde arranjará comida? Abrigo?

Alguns nem sabem andar em meio ao trânsito e acabam sendo atropelados.

Em nosso país, foi criado o Dezembro Verde, uma campanha que objetiva coibir esse mau procedimento.

E se descartamos animais domésticos, algo mais surpreendente ainda ocorre em alguns lares. O descarte temporário dos idosos.

Não é alarmante que queiramos afastar do lar, das nossas comemorações, o idoso que vive conosco?

Não imaginamos que ele apreciaria gozar das luzes do Natal, das alegrias da ceia em família, da troca dos presentes?

Por que retirá-lo das nossas presenças exatamente em momentos tão significativos?

Se sua fragilidade física ou comprometimento de saúde o exigem, perfeitamente aceitável.

Contudo, importante ponderarmos as razões que nos movem. Lembramos que a História registra as grandes atrocidades que foram realizadas quando a palavra descarte foi utilizada na Humanidade.

Os genocídios nos demonstram que quando a vida humana passa a ser desconsiderada, tudo pode ocorrer.

Começa-se por acreditar na inutilidade de uma pessoa, na sua incapacidade de se autogerir, em sua deficiência física ou mental.

Qualquer item é suficiente para se estabelecer o descarte.

Com certeza não desejamos reprises dessas situações trágicas que, em pleno Século XX, tiveram lugar na Europa e na Ásia.

A vida nos merece respeito. E se iniciamos por sermos cruéis com os animais, não valorizando o que nos oferecem, logo mais estaremos mirando as pessoas.

Pensemos a respeito. Exercitemos o amor.

Amor aos animais. Amor aos seres humanos. Amor à vida.

Redação do Momento Espirita.

terça-feira, 3 de março de 2020

Vamos falar de coisas boas???

De um modo geral, dizemos que o mundo está ruim, que a violência impera em todo lugar, que não se pode andar pelas ruas sem medo.

Também comentamos que as mídias veiculam mais notícias ruins do que boas. E, por isso, acreditamos que o mundo está pior, que existe maldade demais.

Que existem coisas ruins, fatos tristes, não há dúvida. Que existem pessoas que agridem, que furtam, é verdade.

Mas, o que não estamos nos dando conta é de que o número de pessoas boas é muito maior. Por isso, vamos falar de coisas boas?

Vamos falar daquela menina que visitou um dia, um lar de crianças com paralisia cerebral. Ela observou que faltavam cadeiras de rodas, que não havia para todas.

Dias depois, recebeu em sua casa um envelope de agradecimento. Eram quatorze bonequinhos de papel de mãos dadas.

Ela entendeu. Estava de mãos dadas com aquelas crianças. E resolveu provocar sorrisos naqueles rostinhos.

Então, soube que lacres de latinhas de refrigerantes podiam ser reciclados e trocados por cadeiras de rodas.

Com certeza, não seria uma tarefa fácil, considerando que ela precisaria juntar trezentos e cinquenta e dois mil lacres, ou seja, cem quilos de alumínio para conseguir uma cadeira de rodas.

Porém, quem tem luz no coração, não tem limites. Ela fez cartazes, espalhou na escola, escreveu bilhetes para amigos.

Em quatro meses, conseguiu uma cadeira de rodas. A alegria que sentiu pelo que fizera fez com que não parasse a campanha.

A sua mensagem se espalhou. Lacres continuaram a vir de todos os cantos. Empresas aderiram e ela chegou a doar quatrocentas e trinta cadeiras de rodas, pelo Brasil afora.

Em 2014, Júlia Macedo, a menina que desejou espalhar sorrisos, venceu o Prêmio Cidadania, conferido pela Globo Minas, Jornal O Tempo, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e Fundação Dom Cabral.

Quantas Júlias haverá pelo nosso Brasil? No mundo? As boas ações costumam ser discretas e até tímidas.

Foi nosso Mestre Jesus quem lecionou: Não saiba a vossa mão esquerda o que dá a vossa direita.

Ou seja, faz-se o bem pelo bem. Simplesmente assim.

No entanto, boas ações devem ser vistas e alardeadas para que outros sigam o exemplo, para que outros se associem no mesmo plano.

Já se soube de pessoas que saíram de estado depressivo depois de aderir a alguma campanha, se dispor a algum trabalho voluntário.

Como aquela senhora que, sozinha, só pensava em morrer. A vida era algo escuro e vazio.

Até descobrir uma vizinha que inaugurou, em sua casa, uma usina de costura de enxovais para bebês. Ela foi, porque alguém insistiu. Entusiasmou-se com o que viu. Nunca mais parou de colaborar.

E cada vez que nasce um bebê, ela alegra seu coração porque sabe que uma das peças de roupa oferecida foi ela mesma quem confeccionou.

Preencheu o vazio da sua vida. Encontrou uma razão para viver. Afugentou a depressão.

Tudo isso porque fazer o bem faz bem.

Então, continuemos a descobrir e a falar de coisas boas. São muitas. Vamos descobri-las?

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Carnaval.


O Brasil é um país de inúmeras festas.

É assombroso o número de feriados no calendário anual.

Mas, se somarmos os dias que são emendados, teremos ao longo do ano, mais de quinze dias parados. Segundo especialistas do assunto, os prejuízos são enormes para o país.

Agora, nesta época, temos o feriado de carnaval.

Em alguns lugares perde-se mais de uma semana de trabalho.

É o festejo da alegria num país de quase quarenta milhões de miseráveis.

Desde o início de janeiro a mídia vem explorando as folias de Momo, como se fosse o acontecimento mais importante do ano.

Fala-se em alegria, festa, colocar para fora as angústias contidas durante o ano passado. Infelizmente, os caminhos propostos nada têm a ver com alegria ou alívio de tensões.

Ligamos a televisão e ouvimos a batida repetitiva das escolas de samba, cujo valor folclórico e cultural foi lentamente sendo perdido. Há muita gente que busca fazer do carnaval um momento de esperança, oportunizando empregos, abrigando menores e isso é muito valioso.

Entretanto, o grande saldo da festa se resume em duas palavras: ilusão e sensualidade.

Referimo-nos à ilusão dos entorpecentes, dos alcoólicos.

A ilusão de grandeza, que falsamente produz um imenso contraste entre a beleza da avenida e a sub vida dos barracos.

Falamos da sensualidade que se torna material de venda, nos corpos desnudos e aparentemente felizes por fora, mas muitas vezes profundamente infelizes por dentro.

As emissoras não cansam de exibir os bailes, os concursos de fantasias, os desfiles, levando-os a todos os que se comprazem em observar a loucura.

Mas, ao longo do caminho, multiplicam-se os doentes de AIDS, os abortamentos, a pobreza e o abandono, a violência.

Com o risco de sermos taxados de moralistas, num tempo em que se perdem as noções de moralidade, não podemos deixar de analisar criticamente esses disparates do mundo brasileiro.

Em nenhum momento nos colocamos contra a alegria. Porém, será justo confundir euforia passageira com alegria real?

Alegria de verdade seria viver num lugar onde não houvesse fome, violência, tráfico de drogas e tráfico de influências.

Não podemos nos colocar contra o alívio de tensões. Entretanto, alívio real seria encontrar um caminho para os graves problemas que o país atravessa.

O carnaval é bem típico da alienação espiritual que a sociedade se permite. De um lado, as falsas aquisições sociais de alguns, negadas pela agressividade de muitos; de outro, a falsa felicidade de quatro dias de folia, e trezentos e sessenta e um dias de novas e renovadas angústias.

Vale a pena?

Nessas horas, pessoas embriagadas, perdidas, usam um segundo de falso prazer, em troca de um enorme tempo de arrependimentos. Por quê?  - Perguntamos.

As pessoas pulam, vibram, e nem ao menos sabem o motivo da festa. Vão porque as outras pessoas também vão.

Enquanto a sociedade agir dessa forma, sem personalidade digna, dando valores justamente aos desvalores, as pessoas continuarão sofrendo as consequências de seus próprios atos.

Vamos fazer desses dias de feriado, dias de alegria verdadeira, em paz conosco mesmos.

Vamos meditar, ler, pensar. Vamos conviver com nossa família e amigos, trocar ideias salutares.

Vamos orar também por aqueles que ainda não tiveram consciência de fazer o bem conforme o Cristo nos recomendou, e padecem nesses instantes de euforia descontrolada.
Redação do Momento Espirita.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Caixinha de beijos.

Certo dia, um homem chegou em casa e ficou muito irritado com sua filha de três anos. Ela havia apanhado um rolo de papel de presente dourado e literalmente desperdiçado fazendo um embrulho.

Porque o dinheiro andasse curto e o papel fosse muito caro, ele não poupou recriminações para a garotinha, que ficou triste e chorou.

Naquela mesma noite, o pai descobriu num canto da sala, no local onde a família colocara os presentes para serem distribuídos no dia de Natal, um embrulho dourado não muito bem feito.

Na manhã seguinte, logo que despertou, a menininha correu para ele com o embrulho nas mãos, abraçou forte o seu pescoço, encheu seu rosto de beijos e lhe entregou o presente.

Isto é pra você, paizinho! Foi o que ela disse.

Ele se sentiu muito envergonhado com sua furiosa reação do dia anterior. Mas, logo que abriu o embrulho, voltou a explodir. Era uma caixinha vazia.

Gritou para a filha: Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?

A criança olhou para ele, com os olhos cheios de lágrimas e disse:

Mas, papai, a caixinha não está vazia. Eu soprei muitos beijos dentro dela. Todos para você, papai.

O pai quase morreu de vergonha. Abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse.

Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos. Sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.

*   *  *

De uma forma simples, cada um de nós, humanos, temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional de nossos pais, de nossos filhos, de nossos irmãos e amigos.

Entretanto, nem sempre nos damos conta. Estamos tão preocupados com o ter, com valores do mundo, que as coisas pequenas não são percebidas por nós.

Assim, a esposa não valoriza o ramalhete de flores do campo que o marido lhe enviou, no dia do aniversário. É que ela esperava ganhar uma valiosa joia e não aquela insignificância.

O marido nem agradece o fato da esposa, no dia em que comemoram mais um ano de casados, esperá-lo com um jantar simples, a dois, em casa. Ele estava esperando uma comemoração em grande estilo, ruidosa, cercado de amigos e muitos comes e bebes.

Os pais não dão importância para aquele cartão meio amassado que os pequenos trazem da escola, pintado com as mãos de quem apenas ensaia a arte de dominar as tintas e os pincéis nas mãos pequeninas.

Eles estão mais envolvidos com as contas que a escola está cobrando e acreditam que, pelo tanto que lhes custa a mensalidade escolar, os professores deveriam ter lhes enviado um presente de valor.

É, muitos de nós não encontramos os beijos na caixinha dourada. Só vemos a caixinha vazia.

                                                                  *   *   *

O amor é feito de pequeninas coisas. Não exige fortunas para se manifestar.

Por vezes, é um ato de renúncia, como a daquele homem que no dia de Natal, em plena guerra, conseguiu apenas uma laranja para a ceia dele e da esposa.

Então a descascou, colocou em um prato, criando uma careta com os gomos bem dispostos e entregou para a esposa, com um beijo e um pedaço de papel escrito: Feliz Natal!

E ficou observando-a comer, com vagar, feliz por ver os olhos dela brilharem e ela se deliciar com a fruta tão rara naqueles dias, naquele local.
 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Adolescência e família.

Incontestavelmente, o lar é o melhor educandário, o mais eficiente, porque as lições aí ministradas são vivas e impressionáveis, carregadas de emoção e força. A família, por isso mesmo, é um conjunto de seres que se unem pela consanguinidade para um empreendimento superior, no qual são investidos valores inestimáveis que se conjugam em prol dos resultados felizes que devem ser conseguidos ao largo dos anos, graças ao relacionamento entre pais e filhos, irmãos e parentes.

Nem sempre, porém, a família é constituída por Espíritos afins, afetivos, compreensivos e fraternos, assim, há famílias-benção, aquelas que reúnem os espíritos que se identificam nos ideais do lar, na compreensão dos deveres, na busca do crescimento moral, beneficiando-se pela harmonia frequente e pela fraternidade habitual, enquanto, famílias-provação são caracterizadas pelos conflitos que se apresentam desde cedo, na aversão entre seus membros, nas disputas alucinadas em conflitos contínuos, nas revoltas sem descanso.

A família, desse modo, é o laboratório moral para as experiências da evolução, enquanto equilibrada, isto é, estruturada com respeito e amor, proporcionando oportunidade de equilíbrio, desde que o amor seja aceito como o grande equacionador dos desafios e das dificuldades, é fundamental para uma sociedade justa e feliz.

Assim, quão nobres as palavras do Cornélio Pires quando nos orienta:- "Faça amigos com teus valores cristãos, a providência faz parentes, a bondade faz irmãos." renascemos, portanto, no lar, na família de que se tem necessidade, nem sempre naquela que se gostaria, antes, a que se merece, a fim de progredir e aparar as imperfeições com o buril da fraternidade que a convivência propicia e dignifica.

O adolescente, em um lar desajustado, naturalmente experimenta as consequências nefastas dos fenômenos de agressividade e luta que ali tem lugar, escondendo as próprias emoções ou dando-lhes largas nos vícios, a fim de sobreviver, carregado de amargura e asfixiados pelo desamor,  produzindo as tristes gerações dos  órfãos de pais vivos e desinteressados, agravando a economia moral da sociedade, que lhe sofre os danos do desequilíbrio crescente.

O lar é o grande formador do caráter do educando, e quando o espírito de dignidade humana se pautar nos homens, que se permitirem amadurecer emocionalmente antes de assumirem os compromissos da paternidade, haverá um mudança radical nas paisagens da família, iniciando-se a época da verdadeira fraternidade.

Redação do Jornal Mundo Maior em estudo do Livro Adolescência e Vida.
Espírito Joanna de Ângelis, Psicografia de Divaldo Franco.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Adolescência e vida.

À medida que a ciência e a tecnologia ampliaram os horizontes do conhecimento, proporcionando comodidades e realizações edificantes que favorecem o desenvolvimento da vida, vem surgindo audaciosos conceitos comportamentais que pretendem dar novo sentido à existência humana, consequentemente derrapando em abusos que conspiram contra o desenvolvimento moral e ético da sociedade.

Nesse sentido, as grandes vítimas da ocorrência são os jovens que, imaturos, se deixam atrair pelos disparates das sensações vigorosas de prazer que os anestesiam ou os excitam à exaustão levando-os ao desequilíbrio e ao desespero.

Quando cansados ou inquietos tentam fugir da situação, quase sempre enveredando pelo abuso do sexo e das drogas, que se associam em descalabro cruel, gerando sofrimentos inqualificáveis.

O único antídoto, porém, ao mal que se agrava e se irradia em contágio pernicioso, é a educação, considerando, porém, a educação no seu sentido global, aquela que vai além dos compêndios escolares, que reúne os valores éticos da família, da sociedade e da religião, fundamentados na moral vivida e ensinada por Jesus, como alerta o Eclesiastes no seu cap.11 vers 9:-

Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.

A advertência saudável ao jovem é um convite ao comportamento moral equilibrado, de forma que a sua mocidade esteja em alegria e pureza, a fim de evitar comprometimentos infelizes.

Torna-se urgente o compromisso de um reestudo por parte dos pais e educadores em relação à conduta moral que deve ser ministrada às gerações novas, a fim de evitar a grande derrocada da cultura e da civilização, que se encontram no bordo mais sombrio da sua história.

O ser humano é essencialmente resultado da educação, modela-lo sempre, tendo em vista um padrão de equilíbrio e de valor elevado, proporcionando-lhe o desenvolvimento dos valores que lhe dormem latentes, que se ampliam possibilitando a conquista da meta a que se destina, que é a perfeição.
Redação Jornal Mundo Maior.
Do Livro:- Adolescência e vida.
Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Novos dias.

Nota-se cada vez mais frequente na mídia um tipo de notícia envolvendo jovens.

Talvez você imagine que estamos falando das incidências criminais, de atividades ilícitas ou de comportamentos estranhos.

Porém, embora muitos de nós tenhamos esse tipo de informação na memória, ou mesmo privilegiemos a leitura e os comentários a esse tipo de divulgação, outro é o nosso enfoque.

Falamos daqueles jovens, adolescentes que, antes dos seus vinte anos, já demonstram a que vieram no mundo.

São idealistas, nobres de caráter que, com as aquisições intelectuais e morais que trazem na alma, cedo começam a usá-las a benefício do mundo.

Assim acontece com Boyan Slat, o jovem holandês que desenvolveu o protótipo de um equipamento para retirar os resíduos plásticos dos oceanos, usando correntes marítimas naturais e os ventos.

O mesmo se dá com o americano Aidan Dwyer, que desenvolveu um método de captação de energia solar vinte por cento mais eficiente, inspirando-se nas folhas das árvores.

Ou ainda com William Kamkwamba, jovem do Malawi, que usando sucatas, construiu um moinho de vento para gerar energia elétrica e auxiliar sua comunidade, que desse benefício não dispunha.

O que dizer então de Jack Andraka, o norte-americano que, depois que um amigo da família morreu de câncer de pâncreas, ele, usando apenas a Internet, descobriu uma forma barata de detectar a doença antes dela se tornar mortal.

São inúmeros os exemplos dessas almas nobres que vêm nascendo ou renascendo na Terra para construir tempos melhores.

                                                                          *   *   *

Se os dias em nossa sociedade, muitas vezes, parecem difíceis e tormentosos, tenhamos em mente: é apenas passageiro.

Natural que, em períodos de transição, de transformação da sociedade, haja dúvidas e aparentes incoerências.

Existem os que ainda persistem em viver com valores há muito abandonados pela legislação, pelo progresso e pela sociedade, que acreditam na violência, na castração das ideias, na supressão da liberdade de consciência ou de ação, como ferramentas de uso lícito.

Também os que usam da falsidade de caráter, da desonestidade e do seu poder temporal para a corrupção e enriquecimento desonesto.

Todos esses, porém, têm seus dias contados em nosso planeta.

O progresso há de levá-los de roldão, pois que insistem em não acompanhá-lo.

Novos dias surgem no horizonte da nossa Terra. Jovens, como os citados e tantos outros, anônimos pelas ruas do mundo, são os arautos.

Portanto, façamos também a nossa parte, para que a regeneração e reestruturação do mundo sejam aceleradas.

Abandonemos valores tolos e ultrapassados, que persistamos em carregar n’alma.

Inspiremo-nos com as atitudes dessas almas nobres. E, como trabalhadores da última hora, conforme ilustra Jesus em Sua parábola, contribuamos beneficamente para a Vinha do Senhor.

Dessa forma, o Reino do Bem, conforme prometido por Jesus, haverá de se instalar nas paragens terrenas, a breve tempo.

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Presença de Deus.

É como mergulhar em um mar de águas geladas. Por toda parte o frio, o abandono. Ninguém à vista, nada de sorrisos calorosos, mãos amigas, solidariedade.

É assim quando o mundo nos vira as costas, os amigos fogem, e nada parece dar certo.

Nesses momentos temos vontade de perguntar: Onde estão as pessoas gentis, os bons sentimentos? Onde se escondeu o amor, que todos louvamos?

Nos recônditos da alma então cresce um sentimento infeliz: o de que não somos dignos de ser amados. E queremos tanto ser amados!

Queremos alegrias, carícias, gentilezas e sorrisos. Se isso nos falta, resta uma sombra cinzenta, um coração partido.

E é assim que da garganta parte um pedido de socorro, um grito que corta os céus e chega a Deus. E que diz, entre soluços: Meu pai, será que podes me ouvir? Estás aí? Deixa-me sentir tua mão por um só instante.

E se a alma está atenta, o coração aberto, a luz abre caminho entre as sombras. É como o sol surgindo após a chuva, seus raios dissipando nuvens pesadas, seu calor se espalhando pela Terra.

É a presença de Deus. Sua voz soa nos nossos ouvidos, sussurrando: Sim, meu filho, estou aqui. Confia, espera, supera, aguarda. Estou aqui.

Somente essa Voz Divina tem o poder de restaurar nossa alma, de tornar cálida a água gelada que nos cerca.

Deus é alegria. Estar unido a Ele é alcançar o permanente contentamento, Sua Voz ecoando no coração, consolando, explicando. É como música feliz que leva para longe as mágoas, restaura a paz e devolve o sorriso.

Por isso, nas horas árduas, quando a solidão se instalar e as lágrimas chegarem, apenas silencie a voz na garganta.

Deixe apenas a alma falar. E em vez de queixas, permita que a voz secreta busque Aquele que criou todas as coisas. Dirija ao Pai Divino uma oração de reconhecimento e amor.  Algo mais ou menos assim:

Na caminhada dos dias, nos caminhos do mundo, na humildade de minha alma, eis-me aqui, Meu Amigo, Meu Amado.

Faz da minha vida o que for melhor para mim. Mesmo que meus pés sangrem, mesmo que meus lábios só emitam gemidos, confio em Ti.

Ouvir Tua Voz na natureza é como recordar uma canção de infância. Violões em notas claras traduzindo brisas e risadas de criança. À Tua sombra existe serenidade e paz. A paz que sempre busquei.

És minha água, meu sol, o ar mais puro. Por isso meu único pedido é que me deixes apenas Te amar.

                                                               *   *   *

Deus está em toda parte, e, obviamente, em ti e contigo também.

Procura encontrá-lO, não somente nas ocorrências ditosas, senão em todos os fatos e lugares.

Reserva-te a satisfação de ser cada dia melhor do que no anterior, de forma que Ele em ti habite e, sentindo-O, conscientemente, facultes que outros também O encontrem.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A voz que me dirige os passos.

Ainda bem que no mundo existem os poetas...

São eles e seus versos encantados que nos ensinam enxergar um fato comum, por vezes banal em aparência, de uma forma nunca antes imaginada por nós.

São eles, principalmente os poetas do bem que, ao tratarem de questões graves da vida, nos ensinam a ter esperança.

Assim, deleitemos-nos com Gonçalves Dias - eminente poeta brasileiro - e sua bela visão sobre Deus e as dores do mundo:

Por que então maldiremos este mundo
       e a vida que vivemos,
       se nos tornamos do Senhor mais dignos,
       quando mais dor sofremos?

Quantos cabelos temos, Ele o sabe;
       Ele pode contar
       as folhas que há no bosque, os grãos d´areia
       que sustentam o mar.

Como pois não será Ele conosco
       no dia da aflição?
       Como não há de computar as dores
       do nosso coração?

Como há de ver-nos, sem piedade, o rosto
       coberto d´amargura;
       Ele, Senhor e Pai, conforto e guia
       da humana criatura?

Se o vento sopra, se se move a Terra,
       se iroso o mar flutua;
       se o sol rutila, se as estrelas brilham,
       se gira a branca lua;

Deus o quis, Deus que mede a intensidade
       da dor e da alegria,
       que cada ser comporta – num momento
      d´arroubo ou d´agonia!

Embora pois a nossa vida corra
       alheia da ventura!
       Além da Terra há céus, e Deus protege
       a toda criatura!

Viajor perdido na floresta à noite,
       assim vago na vida;
       mas sinto a Voz que me dirige os passos
       e a Luz que me convida.

                                                                          * * *

O maior poeta que já esteve na face do orbe terrestre – inspirador de outros tantos poetas do bem que O seguiriam neste planeta – certa feita proclamou:

Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados.

Ora, quem há de oferecer consolo a tantas lágrimas que são vertidas a cada segundo na Terra?

De onde vem tal consolo, senão do Criador, de Suas Leis perfeitas e de Seu Amor maior por Suas criaturas?

É a Voz que nos dirige os passos... Sempre presente.

 Redação do Momento Espírita.

Doe Sangue

Doe Sangue