terça-feira, 17 de maio de 2022

Sejamos luz.

 


Ela nasceu em um lar de poucos recursos.

A família dispunha de pequena propriedade que, na aridez do sertão nordestino, mal provia as necessidades do grupo familiar.

Deram-lhe o nome de Daluz, como se os pais tivessem ideia do que seria seu futuro.

Cresceu, naquele meio, quase isolada de tudo e de todos.

Foi alfabetizada pela avó amorosa, que lhe ensinou, dentro das suas limitações, a juntar letras até que fizessem sentido.

A partir disso, ela não conseguiu mais se acomodar. Queria aprender mais, ler mais, saber mais.

A cidade mais próxima, a várias horas de estrada, era visitada uma vez ao ano, quando Daluz podia vislumbrar uma vida diferente.

Foi numa dessas visitas que decidiu que para ali se mudaria, porque queria estudar.

As dificuldades foram muitas, mas não maiores que sua sede de aprender.

Quando terminou o ensino fundamental, na pequena vila, buscou outros horizontes.

E outra cidade, agora maior, foi seu destino. Destino construído com esforço, resiliência e paixão pelos estudos.

Empreendedora por natureza, ao perceber a dificuldade de muitos que chegavam na cidade grande, tal como acontecera com ela, capitaneou a criação de uma casa para mulheres estudantes, a fim de que tivessem moradia a baixo custo, viabilizando seus estudos.

Fez-se professora, formada em Pedagogia. A primeira de sua pequena localidade a conseguir o diploma de ensino superior.

Encantada com o que a instrução lhe proporcionara, voltou para a pequena vila, onde iniciara seus estudos. Sabia que lá havia muito a se fazer.

Porque criança nenhuma merece ficar sem educação, decidiu fundar uma escola.

Começou a reunir as crianças que lhe apareciam, em pequena garagem emprestada por um generoso conhecido.

E sua escola, aos poucos, foi ganhando forma. Sua paixão por educar contagiava seus alunos, que se faziam mais e mais numerosos.

Ela semeava educação, abria horizontes, libertava almas, fazendo luz na treva da ignorância.

Passaram-se mais de cinco décadas. Aos setenta anos de idade, ela cumpre, altiva, sua missão de educadora.

Para os pais, com dificuldades para pagar a mensalidade, mesmo que mínima, ela repete seu refrão: Aqui, ninguém fica sem estudar por falta de dinheiro!

Tudo dá-se um jeito, pois o coração de tia Daluz é grande!

Dessa forma, ela vai espalhando luz, naquele interior distante, florescendo no local onde Deus a colocou.

No todo, a maior lição da professora Daluz é que sempre podemos fazer a diferença, oferecer o que dispomos, utilizar nossos recursos, a fim de florescer e darmos frutos, onde estivermos.

Jesus nos denominou a todos como filhos da Luz. E o somos. Temos luz. A luz de seres imortais, inteligentes, capazes de promover mudanças, de alterar a feição do mundo.

Todos temos o potencial para, onde nos situemos, fazermos a diferença, com o que disponhamos e de acordo com as necessidades que se apresentem.

Sejamos promotores da luz. Permitamos que brilhe a nossa luz. Sejamos luz.

Redação do Momento Espírita.


terça-feira, 10 de maio de 2022

Dores da alma.

 


Quando ainda era acadêmica ouvi de um professor algo que nunca esqueci "quando tudo dói a dor não é física"...

Talvez eu não tenha dimensionado naquele instante a grandeza desse diálogo. Hoje geriatra, vivenciando diariamente a rotina dos meus pacientes, vejo o quanto esse olhar me abriu para compreender cada um que chega com dores por todo corpo; muitas vezes não sabendo nem por onde começar ou sequer explicar como acontece. 

Ouço com atenção às queixas de dores de cabeça, no estômago, musculares, ósseas, palpitações, náuseas, coceiras...Depois faço apenas uma pergunta " O que está realmente acontecendo com você? "

Após um minuto de hesitação e até espanto, a maioria cai num choro convulso e doloroso. Deixo o choro libertador acontecer e então no lugar das queixas álgicas ouço término de relações, perdas de pessoas queridas, problemas financeiros, medos, angústias e ansiedades.... 

Novamente lembro-me da frase " quando tudo dói a dor não é física"... Não é! A dor é na alma...

Tudo que nos faz mal e guardamos, por um mecanismo de defesa, vai sair de alguma forma... muitas vezes em forma de doença! 

É nosso corpo físico gritando pelo resgate da nossa alma.... É nosso corpo nos confrontando com nosso eu.... É nosso corpo nos mostrando o que não vai bem.... É nosso corpo dizendo " olhe pra você "

Às vezes é difícil compreender e até acreditar nisso. Normal! Estamos tão mentais, tão obcecados pela objetividade que só mesmo adoecendo, doendo, machucando é que paramos para valorizar nossas sensações e nos perceber. ..

Ninguém gosta de sentir dor, ninguém quer adoecer, todo mundo teme se machucar...

Alertas! Quantos alertas nosso corpo precisa nos enviar para olharmos pra ele, de verdade! Sejamos mais atentos, gentis e cuidadosos com nosso corpo... Sejamos mais atentos, generosos e amorosos com nossa alma...

Toda dor é real... Toda dor é tratável. .. Todo corpo deve ser templo...Toda alma deve ser leve...

Roberta França / Medicina Geriátrica.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Você é tudo o que deseja ser.

 João era um importante empresário. Morava em um apartamento de cobertura, na zona nobre da cidade.

Ao acordar pela manhã, deu um longo beijo em sua amada, fez sua oração matinal de agradecimento a Deus pela sua vida, seu trabalho e suas realizações.

Tomou café com a esposa e os filhos e os deixou no colégio. Dirigiu-se a uma das suas empresas.

Cumprimentou todos os funcionários com um sorriso. Ele tinha inúmeros contratos para assinar, decisões a tomar, reuniões com vários departamentos, contatos com fornecedores e clientes.

Por isso, a primeira coisa que disse para sua secretária, foi: Calma, vamos fazer uma coisa de cada vez, sem stress.

Ao chegar a hora do almoço, foi curtir a família. À tarde, soube que o faturamento do mês superara os objetivos e mandou anunciar a todos os funcionários uma gratificação salarial, no mês seguinte.

Conseguiu resolver tudo, apesar da agenda cheia. Graças a sua calma, seu otimismo.

Como era sexta-feira, João foi ao supermercado, voltou para casa, saiu com a família para jantar.

Depois, foi dar uma palestra para estudantes, sobre motivação.

Enquanto isso, Mário, em um bairro pobre de outra capital, como fazia todas as sextas-feiras, foi ao bar jogar e beber.

Estava desempregado e, naquele dia, recusara uma vaga como auxiliar de mecânico, por não gostar do tipo de trabalho.

Mário não tinha filhos, nem esposa. A terceira companheira partira, cansada de ser espancada e viver com um inútil.

Ele morava de favor, num quarto muito sujo, em um porão. Naquele dia, bebeu, criou confusão, foi expulso do bar e o mecânico que lhe havia oferecido a vaga em sua oficina, o encontrou estirado na calçada.

Levou-o para casa e depois de passado o efeito da bebedeira, lhe perguntou por que ele era assim: Sou um desgraçado, falou. Meu pai era assim. Bebia, batia em minha mãe.

Eu tinha um irmão gêmeo que, como eu, saiu de casa depois que nossa mãe morreu. Ele se chamava João. Nunca mais o vi. Deve estar vivendo desta mesma forma.

Na outra capital, João terminou a palestra e foi entrevistado por um dos alunos: Por favor, diga-nos, o que fez com que o senhor se tornasse um grande empresário e um grande ser humano?

Emocionado, João respondeu: Devo tudo à minha família. Meu pai foi um péssimo exemplo. Ele bebia, batia em minha mãe, não parava em emprego nenhum. 

Quando minha mãe morreu, saí de casa, decidido que não seria aquela vida que queria para mim e minha futura família. Tinha um irmão gêmeo, Mário, que também saiu de casa no mesmo dia. Nunca mais o vi. Deve estar vivendo desta mesma forma.

                                                                        *    *    *

O que aconteceu com você até agora não é o que vai definir o seu futuro e, sim, a maneira como você vai reagir a tudo que lhe aconteceu.

Não lamente o seu passado. Construa você mesmo o seu presente e o seu futuro.

Aprenda com seus erros e com os erros dos outros.

O que aconteceu é o que menos importa. Já passou.

O que realmente importa é o que você vai fazer com o que vai acontecer.

E esta é uma decisão somente sua. Você decide o seu dia de amanhã. De coisas positivas ou de amargura. De tristeza ou de felicidade.

Pense nisso! Mas pense agora!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de abril de 2022

O primeiro culto cristão no lar.


A noite era de estrelas e luar.

Na Terra, uma vez mais, o Mestre escolhia residência humilde para trazer lição inesquecível.

Dessa vez, não era a estalagem singela onde poucos animais puderam ouvir o canto de gratidão de uma mãe e de um pai.

Nessa noite, era a casa de um pescador, aquele que atendera, prontamente, ao Seu convite: Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens.

A casa de Simão Pedro jamais seria a mesma...

Como se desejasse imprimir novo rumo às conversas, que estavam improdutivas e nada edificantes, Jesus expôs com bondade:

O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum.

A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se não nos habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o eterno Pai que nos parece distante?

Jesus passeou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova.

A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento?

O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, nos envia a luz através do céu.

Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.

Naquele instante, Jesus propunha, com muita naturalidade, a prática da reflexão dos textos sagrados dentro do lar.

Lembrando que à época não havia livros; as leituras dos textos da Torá eram realizadas nas sinagogas e ainda, apenas os homens tinham acesso ao conteúdo da chamada lei e os profetas.

Quando Jesus propõe essa prática doméstica, Ele altera esse panorama.

Jesus propunha uma conversa regular, dentro de casa, sobre os textos da lei, o que muitos conhecemos como Evangelho no lar, no qual nos servimos das lições do próprio Cristo para enriquecer as conversações.

Jesus não lhe deu nome. Não o rotulou. Propôs, apenas, que fosse um momento em família, em que todos, na casa, pudessem ter voz, pudessem expor suas ideias e também pudessem ouvir.

Em todos os cultos realizados na casa de Pedro, o Mestre demonstrou o quanto sabia escutar, mesmo sendo Ele o Caminho, a Verdade e a Vida.

Sigamos mais esse exemplo. Guardemos um momento semanal na rotina de nosso lar para a oração e breve leitura de texto do livro da vida.

Depois, permitamos que todos, crianças, jovens e adultos, se manifestem, dizendo de como aqueles ditos lhes falam ao coração.

Perceberemos o quanto de doçura e de entendimento existe nos corações dos que nos compõem o lar.

E, mais do que tudo, verificaremos os benefícios que esse encontro semanal trará ao nosso lar.

A paz do mundo começa com a paz no lar.

Redação do Momento Espírita.  

terça-feira, 19 de abril de 2022

Força criadora.

 


O amor é o poder criador mais vigoroso de que se tem notícia no mundo. Seu vigor é responsável pelas obras grandiosas da Humanidade.

Na raiz das realizações dignificadoras, duas circunstâncias propelem a criatura ao avanço iluminativo: a insatisfação sistemática do vaivém do gozo-cansaço, prazer-arrependimento, satisfação-frustração, que passa a considerar outras expressões de felicidade mais apropriadas com a paz, outras formas de bem-estar-amizade, serviço fraternal, interesse comunitário, propiciando o abandono paulatino dos velhos e arraigados hábitos para as novas experiências da solidariedade, do progresso do grupo social, da beleza.

O segundo instrumento propiciador do avanço é a reencarnação, na qual os impulsos de crescimento espiritual, após o cansaço nos patamares da perturbação, propelem para a vivência dos princípios morais e das transformações pessoais intransferíveis.

Nesse estágio central do amor, robustecem-se os impulsos de elevação e ele se irradia sem exigência, todo doação, semelhante a um perfume no ar, cuja origem permanece desconhecida.

A fase superior é assinalada pela paz íntima, que não necessita de retribuição, nem se debilita sob as chuvas da ingratidão.

Enternecedor, torna-se agente anônimo da felicidade dos outros, porque está enriquecido da Harmonia geradora de emoções sublimes, que dispensam o contato físico, a presença, a relação interpessoal.

A sua irradiação acalma, dulcifica, sustenta, porque se origina em Deus, a Fonte Geradora da Vida.

Redação do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Os sentimentos: amigos ou adversários?


Os sentimentos são conquistas nobres do processo de evolução do ser.  Humano é todo indivíduo que se considera capaz de errar, de magoar-se, mas também de erguer-se, saindo das suas dificuldades sem as marcas da passagem pelo terreno pantanoso e infeliz.

A criatura humana existe para amar, amar-se e ser amada. O amor é a vibração de Deus que perpassa em todas as coisas do universo. Quem não está disposto a sair do labirinto do ego, que se compraz na amargura, no ódio, no ressentimento, na lamentação, dificilmente se ama, será amado ou amará, por preferir ser visto pela piedade e pela compaixão, negando-se, embora inconscientemente, ao amor.

Sendo um dínamo gerador de energia criativa e reparadora, o amor-desejo pode tornar-se, pela potencialidade que possui, instrumento sórdido de escravidão, de transtornos emocionais, de compromissos perturbadores.

O amor é o alicerce mais vigoroso para a construção de uma personalidade sadia, por ser gerador de um comportamento equilibrado, por propiciar a satisfação estética das aspirações e porque estimula ao desenvolvimento das faculdades de engrandecimento espiritual que dormem nos tecidos sutis do Eu profundo.

O amor é o grande bem a conquistar, em cujo empenho todos devem aplicar os mais valiosos recursos e esforços e, quando alcança a plenitude, irradia-se em intercâmbio com as energias divinas que mantém o equilíbrio universal, o sentimento de amor cresce e sutiliza-se de tal forma que o Espírito se identifica plenamente com a vida, fruindo a paz e a integração nela.

A canalização da mente para o bem, o ideal, o amor, é o antídoto para todos os sofrimentos, portanto do pensamento para a ação necessitamos apenas o primeiro passo. 

Redação do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Arrependimento.

 


Arrepender-se, dizem, é abrir-se para o bem.

Trata-se de uma ação reparadora. Quando nos arrependemos, pedimos desculpas e perdão do mal praticado, de forma que permaneçam os resultados felizes.

É preciso coragem para identificar o nosso erro. Nobreza de caráter o tentar repará-lo.

Existem, no entanto, algumas situações em que tomamos certas atitudes que, por mais desejemos, não as temos como reparar.

Como reparar a negação de um abraço, o diálogo?

Como reparar aquele momento em que nosso irmão esperava nossa mão, amparando-o, e deixamos de oferecê-la?

Momentos em que, por sofrimento próprio ou por revolta, decidimos não confortá-lo?

Essas são aquelas circunstâncias difíceis de serem sanadas. Não há como voltar para aquele minuto, reviver aquela circunstância.

Uma adolescente judia, quando foi, de forma agressiva, retirada de sua casa com a família e acomodada em uma carroça, com bancos de madeira, recorda da tristeza de seu pai.

Lembra que ele, saindo da casa, ficou parado, olhando para a porta. Parecia confuso, como um viajante que procura chaves nos bolsos na escuridão da noite.

O soldado o insultou, escancarou a porta com um chute e gritou para que ele aproveitasse a festa para seus olhos.

Ele olhou para o espaço escuro. Parecia atordoado, como se não conseguisse decidir se o soldado estava sendo gentil ou indelicado.

Depois, veio em direção à carroça para se juntar aos demais. A menina ficou dividida entre o desejo de proteger seus pais e a tristeza por eles não a poderem proteger.

Sentada ao lado da irmã mais velha, ela a viu assustada. Magda era quem sempre desafiava a autoridade, adorava provocar os outros.

Agora parecia apavorada porque aqueles homens empunhavam armas e a violência estava presente.

Anos depois, lembrando desse triste dia, diria a menina: Em minha lista de arrependimentos, este se destaca: não segurei a mão de minha irmã.

O que viria em seguida, seriam meses de medo, fome, frio. Ela e a irmã sobreviveram aos campos de concentração.

Sua mãe foi mandada para o forno crematório no primeiro dia, logo na chegada.

Foi-lhe dito que, em breve, ela veria sua mãe. Naquela noite, quando perguntou quando a poderia ver, uma prisioneira lhe apontou a fumaça subindo de uma das chaminés à distância.

Sua mãe está queimando lá dentro. É melhor você começar a falar dela no passado.

Estavam sós, as duas irmãs. Mais de uma vez será Magda quem a salvará. Quando estava tão fraca que não conseguia se mover de um local a outro, nas transferências de campos, ela a carregou.

Quando foram colocadas em filas desordenadas para o corte de cabelo, a retirada das roupas, o furto das suas identidades, Magda não saiu do seu lado.

Então, quando chegou a libertação, quando acabou o sofrimento para se iniciar a luta pelo reinício de uma nova vida, ela amargaria, repetidas vezes, aquele gesto tolo: não ter segurado a mão de sua irmã.

Aquele era um momento de desespero, em que tudo lhes estava sendo retirado. Por que não atendera ao ímpeto do afeto?

Pensemos a respeito e, em circunstância alguma, detenhamos o gesto de carinho.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 29 de março de 2022

O subconsciente e os sonhos.

 


Ninguém espere milagres de ocasião, no que diz respeito à programação da própria vida, cada qual respira, no clima onde reside, o ar que elabora.

A mudança psíquica de uma paisagem perniciosa, para outra de qualidade superior, demanda tempo e esforço, algumas vezes, durante a reprogramação, ocorrem as invasões das ideias-hábitos, interferindo negativamente e desviando o centro de atenção que se quer preservar.

Amorosamente, deve-se retornar ao pensamento inicial motivador da experiência em desenvolvimento, até criar novos padrões de conduta mental, que se estabelecem naturais, fomentando o equilíbrio psíquico e emocional.

Dessa forma, poder-se-á, parafraseando o velho ditado popular, assegurar:- "Dize-me o que sonhas e eu te direi quem és e qual futuro terás."

É necessário, portanto, tomar conhecimento da mente, aprofundar recordações, eliminar temores e angustias, corrigir a preferência de modelos, ser positivo, afeiçoando-se ao ético e ao saudável.

Cada um é o construtor da sua realidade, afirmando-se e desembaraçando-se das amarras prejudiciais a que se deixou atar.

Esse trabalho de libertação tem início no pensamento, sob a ação do desejo continuado, vitalizado pela certeza do êxito próximo.

Para a superação dos limites, autossatisfação e realizações felizes, é que o Espírito se reencarna na terra, crescendo a esforço pessoal com tenacidade e valor moral.

Redação do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 22 de março de 2022

Omissão.

 


As notícias veiculadas pelos meios de comunicação costumam impressionar negativamente.

Elas atendem a uma demanda um tanto mórbida das massas, que gostam de saber detalhes de acontecimentos funestos.

Fala-se muito em roubos, fraudes, estupros e assassinatos.

Esse contínuo bombardear de manchetes tristes pode produzir resultados bastante negativos no imaginário popular.

Talvez alguém conclua ser virtuoso, apenas porque não comete os desatinos noticiados pela mídia.

Ocorre que esse pensamento implica eleger a omissão como conduta desejável.

O panorama do mundo é dinâmico e está em constante evolução.

O progresso surge de atos humanos positivos, que são agentes de transformação.

Nesse contexto, a omissão, enquanto roteiro de vida, é um escândalo.

Em um mundo em perpétuo movimento, quem não avança se atrasa.

Assim, não basta deixar de praticar o mal.

Importa primordialmente fazer o bem.

Os contextos mudam com rapidez e talvez a oportunidade de agir corretamente não se repita facilmente.

Se um amigo necessitado cruzar o seu caminho, não hesite.

Auxilie-o como pode, pois a vida é muito dinâmica.

Talvez amanhã você não mais consiga vê-lo com os olhos da própria carne.

Perante um sofredor que surge à sua frente, evite pensar em excesso antes de estender seu auxílio.

É provável que o abraço de hoje seja o início de um longo adeus.

Não adie o perdão e nem atrase a caridade.

Abençoe de imediato os que o injuriam.

Ampare sem condições os que lhe comungam a experiência terrena.

Se seus pais, velhos e enfermos, parecem um problema, supere-se e apoie-os com mais ternura.

Se seus filhos, intoxicados de ilusão, causam-lhe amargas dores, bendiga a presença deles.

Em caso de discórdia, seja o que tenta imediatamente a conciliação.

Não hesite perante o trabalho que aguarda suas mãos.

Jamais perca a divina oportunidade de estender a alegria.

Tudo o que você enxerga entre os homens, usando a visão física, é moldura passageira de almas e forças em movimento.

Faça, em cada minuto, o máximo que puder.

Qualquer que seja a dificuldade, não deserte do dever.

Talvez a oportunidade não se repita.

É possível que você esteja perante seu familiar, seu amigo ou seu companheiro de jornada pela derradeira vez.

É melhor dar o melhor de si, a fim de não ter motivos de arrependimento.

Em termos de vida imortal, não fazer o mal é muito pouco, quase nada.

O que dignifica e habilita a novas experiências é o bem que se constrói, dentro e fora de si.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 15 de março de 2022

Águas cristalinas.

 


As tão almejadas férias chegaram.

Reservara para si algumas semanas num chalé, a fim de se distanciar da balbúrdia da cidade grande.

Quando lá chegou, deitou-se no confortável sofá e começou a ler um romance que trouxera consigo.

Em certo momento, interrompeu a leitura para preparar um chá. Nesse instante, observou, em cima da lareira, um livro.

Tomou-o em suas mãos. Na capa, escrito em letras douradas, lia-se Bíblia Sagrada.

É bem verdade que nunca fora apreciador de religiões. Não se julgava ateu, não negava a existência de uma força maior que rege o Universo. Porém, não se sentia capacitado para compreendê-la.

Assim, depois de abrir o livro e de ler alguns trechos, sem maior interesse, devolveu-o no mesmo local no qual o encontrara.

Dias depois, decidiu fazer um passeio pela floresta próxima ao chalé.

Encontrou cachoeiras, animais, flores belíssimas, os mais doces cheiros. Uma profunda paz.

Entretanto, por ter se distanciado muito, acabou por se perder mata adentro.

Horas se passaram. Estava exausto. Todos os caminhos que tomava pareciam idênticos.

Num instante de desespero, pensou: Meu Deus, que faço agora?

Lembrou-se do trecho bíblico, que lera poucos dias antes: O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Sentindo-se um pouco desconfortável, pois pouquíssimas vezes orara em sua vida, pediu a Deus que o ajudasse a encontrar o caminho de volta.

Enquanto andava a esmo, repetia aquilo que se tornara um mantra frente ao desespero: O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Pouco tempo depois, avistou a lâmpada da varanda do chalé brilhando longe.

Correu aliviado, abriu a porta e exclamou, com toda a sinceridade de seu coração: Obrigado, meu Deus!

Então, tomou a Bíblia novamente em mãos, procurou ansioso o delicado poema e leu para si todos os versos, bebendo cada palavra:

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.

Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida. E habitarei na casa do senhor por longos dias.

                                                            *     *       *

Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida, sentenciou o Mestre Nazareno.

Não obstante o Cristo tenha deixado pegadas seguras em nosso caminho para que O sigamos, é tão fácil nos perdermos na senda que nos conduz ao progresso, à felicidade, à paz.

Imperioso que façamos um profundo mergulho em nós mesmos, ouvindo a voz divina que está em colóquio incessante conosco.

Tenhamos a humildade e a coragem de segui-La, pois, embora nos percamos nos vales das sombras de nossas mazelas morais, o Senhor é o pastor que nos guia em direção às águas tranquilas e cristalinas de Seu puro e infinito amor.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 8 de março de 2022

 


AS LÁGRIMAS DE UMA MULHER.

Um menino perguntou à sua mãe: Por que você chora? "Por que eu sou mulher, ela respondeu. 

Eu não entendo, disse ele. "A mãe o abraçou e disse: você nunca vai entender.

O menino perguntou ao pai: por que a mamãe chora? "As mulheres choram sem motivos, foi a única resposta que recebeu.

Quando adulto, ele perguntou à Deus: "Deus, por que as mulheres choram com tanta facilidade?

E Deus respondeu: "Quando eu criei a mulher, ela precisava ser especial.

Eu fiz seus ombros fortes o suficiente para aguentar o peso do mundo, mas suaves o suficiente para serem confortáveis.

Eu dei a ela a força para dar sua própria vida por um filho.

Eu dei a ela a força para continuar quando todos os outros desistem e para cuidar da sua família, mesmo quando ela mesma está doente e cansada.

Eu dei a ela a sensibilidade para amar seus filhos incondicionalmente, mesmo quando eles a machucam.

Eu dei a ela a força para suportar os defeitos do seu marido, e para ficar a seu lado.

E, por fim, eu dei a ela lágrimas para derramar quando ela precisa.

Meu filho, a beleza de uma mulher não está nas roupas que usa, nem no seu rosto ou no seu cabelo.

A beleza real de uma mulher está nos seus olhos. Eles são a porta para o seu coração, para onde o amor reside.

Mulher, obrigado por me mostrar um mundo melhor.

Texto de autor desconhecido.

terça-feira, 1 de março de 2022

Os dias de nossa infância.

 


Aprendemos, com os instrutores espirituais, que a infância se constitui em período de repouso para o Espírito.

Vindos do mundo espiritual, retornamos à cena no palco da vida física. Trazemos as conquistas realizadas, em existências anteriores.

E todos passamos pelo período da infância, que se reveste de muita importância.

É nesse período que se nos alicerçam as virtudes e que a educação realiza o seu grande papel.

O Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.

É também um período mágico em que acreditamos que tudo é possível. Por isso sonhamos tanto, por isso a magia, o encanto são companhias constantes.

Quem de nós não recorda de lances desse período e, ao mesmo tempo, das peraltices, das brincadeiras, no tempo em que os celulares e os games não faziam parte do universo infantil.

O poeta Casimiro de Abreu cantou em versos as saudades da sua infância. As tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais.

Ia colher as pitangas; trepava a tirar as mangas; brincava à beira do mar.

De um modo geral, são salutares as lembranças desse período em que achamos o céu sempre lindo, em que adormecemos sorrindo e despertamos a cantar.

Interessante notarmos que quanto mais avançam os anos, mais nos afloram as lembranças daqueles dias de despreocupação, em que corríamos pelas campinas, cabelos soltos ao vento.

Tempo em que andávamos descalços, sentindo a terra molhada, a grama fazendo cócegas nos pés.

Tempo em que subíamos em árvores, em muros, sem nos importarmos com a altura.

Tempos em que vivíamos com o joelho ralado, o braço esfolado, as mãos machucadas.

O nosso desejo era explorar, conhecer, experimentar. Segundo Jean Piaget a infância é o tempo de maior criatividade na vida de um ser humano.

Possivelmente, nenhum de nós tenha pensando que chegaria onde se encontra.

Sonhamos, idealizamos, mas, no final, a vida nos conduz para outros caminhos e trilhamos outras estradas.

O importante é que aqui nos encontramos, vivendo o hoje. Vencemos os dias primeiros da infância e os vivemos com intensidade.

Correndo ao sol ou debaixo da chuva, divertindo-nos na tentativa de fugir aos pingos grossos, como se pudéssemos andar entre eles.

Dias gloriosos cujas lembranças nos sustentaram através dos anos da juventude, da madureza.

Dias lembrados, com certa nostalgia. Uma saudade cálida, doce, de algo intensamente vivido.

E com imensa gratidão.

Gratidão por todos aqueles que fizeram a diferença em nosso caminho.

Os que nos desvendaram o mistério das letras, dos números, os que nos ilustraram em outro idioma além do pátrio.

Aqueles que nos ensinaram a reverenciar os símbolos nacionais, a amar esta terra que, no dizer do poeta Olavo Bilac, não veremos outra igual!

Os que nos ensinaram que, acima de todos nós, a imensa família universal, há um Pai Amoroso e Bom, cujo Amor nos criou e nos sustenta.

Um Pai que nos ama e que aguarda nosso retorno ao lar paterno, com o livro da vida assinalado: Vitória!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A gentileza continua em alta.

 


A educação, a polidez, a gentileza são fatores de transformação na sociedade.

De um modo geral, pensamos que posição social, cultura, estudo universitário sejam condições que garantem a gentileza, a polidez, a educação.

Infelizmente, não são.

Cenas que observamos, situações que vivenciamos nos demonstram isso, em variadas oportunidades.

Um médico e colunista de interessante revista relata que, estando no aeroporto, porque seu voo estivesse atrasado, resolveu gastar o tempo na sala VIP.

Naquele ambiente teria mais conforto e alguns mimos, como sucos, cafés, jornais.

Lembremos que VIP quer dizer Very Important Person, ou seja, pessoa muito importante.

Imaginou que ali somente deveriam se encontrar pessoas educadas.

No entanto, um dos VIPs andava pela sala, aos gritos, em seu celular. O constrangimento era geral, sobretudo, porque ele dizia palavrões para o interlocutor.

Em altos brados, discutia assuntos pendentes em sua empresa.

De uma forma criativa, frisou o colunista que talvez ele devesse ser chamado de very inconvenient person, ou seja, pessoa muito inconveniente.

Por outro lado, ele observou, certo dia, cruzando de balsa, entre Salvador e a ilha de Itaparica, um homem de chinelos.

A pele curtida pelo sol o identificava como um pescador. Pois esse homem, de maneira gentil, cedeu o seu banco para que uma senhora se assentasse.

Isso nos diz que a polidez, a gentileza, dependem da educação. Normalmente, é no lar que aprendemos, desde cedo, a utilizarmos, de forma corrente, as palavras mágicas: Obrigado, Por favor, Com licença, Desculpe.

Pais atentos não perdem oportunidade para ensinar aos filhos que devem respeito a todas as pessoas, não importando a idade. Que devem ser gentis com seus colegas, com seus familiares, com qualquer pessoa.

Por isso, aquele casal francês chamou a atenção no hotel em que se hospedavam com seu filho de cinco anos.

Eles chegaram no saguão para aguardar o elevador e um outro casal já se encontrava ali. Quando o elevador chegou, o garoto, mais do que depressa, correu para dentro.

Pois o pai o repreendeu, pediu que ele saísse do elevador e deixasse que os que estavam à frente entrassem antes.

Enquanto acontecia a curta viagem vertical, o menino perguntou ao pai por que precisou sair, se já estava no elevador.

E ouviu a explicação do pai: Não é porque você está com pressa, que vai esquecer de ser educado.

E concluiu: A educação é muito importante.

Esse pai está criando um cavalheiro.

Pequenas gentilezas, em nossos dias, estão sendo esquecidas. Porque disputam o mesmo mercado de trabalho, competem em igualdade de condições, alguns homens acreditam que gentileza é coisa do passado.

No entanto, os verdadeiros cavalheiros mostram a sua elegância quando cedem a passagem para uma mulher, quando lhe abrem a porta do edifício, quando seguram a porta do elevador, porque a veem chegando.

Sem se falar da elegância de enviar flores, em momentos específicos, demonstrando a sua sensibilidade e gentileza agradecendo, simplesmente, pela amizade, pelo companheirismo, pelo coleguismo.

Pensemos a respeito.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Silêncio necessário.

 


O silêncio faz grande falta na civilização contemporânea.

Fala-se em demasia, e, por conseguinte, fala-se do que não se deve, não se sabe, não convém, apenas pelo hábito de falar.

Na falta de um assunto edificante, ou indiferentes para com ele, as pessoas se utilizam de temas negativos, prejudiciais ou sórdidos, denegrindo a própria alma, insultando o próximo e consumindo energias valiosas.

Há uma preocupação excessiva em falar, opinar, mesmo quando se desconhece a questão.

Parece de bom-tom a postura de referir-se a tudo, e de a respeito de tudo estar a par.

Aumenta, assim, a maledicência, confundem-se as opiniões, e entorpecem-se os conteúdos morais das palavras.

Se cada pessoa falasse apenas o necessário e no momento oportuno, haveria um salutar silêncio na Terra.

Não o silêncio da indiferença, do descaso, da passividade, mas o silêncio do respeito, das conclusões não precipitadas, das análises mais completas sobre as coisas.

Sabemos tão pouco da vida alheia para opinar com acerto, para desenvolver uma crítica, para julgar.

Somos meros aprendizes de todas as áreas do conhecimento, para emitir opiniões sobre tudo.

Somente o silêncio nos ensinará a ouvir mais, a desenvolver a virtude da humildade, essa que nos faz compreender que, mesmo sendo sábios em muitas áreas, temos muito ainda a aprender.

Somente o silêncio poderá nos abrir a alma para as inspirações do Alto, para escutar os bons conselhos, as orientações salutares, que surgem nos momentos de meditação e oração.

Somente o silêncio no Espírito propiciará que contemplemos uma obra de arte, sentindo-a em todas as suas nuances.

Somente o silenciar das ingratidões que sofremos, conseguirá fazer com que entremos no sentimento do próximo, despertando em nossos corações a piedade, que em seguida irá se converter em ação no bem.

Somente o silêncio das palavras vazias poderá dar lugar ao canto magnífico da oração, às vozes que brotam de nosso coração.

                                                                  *   *   *

Usa o silêncio necessário. O silêncio faz bem àquele que o conserva.

Jesus calou muito mais do que falou. Os Seus silêncios sábios são o atestado mais expressivo do Seu amor pela Humanidade.

Pensemos n'Ele, quando chamados a falar insensatamente, e sigamos Seu exemplo.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Abraço à distância.

 


Muitas foram as campanhas de conscientização, durante os períodos mais graves da pandemia do coronavírus, que tomou conta do planeta, nos anos primeiros do Século 21.

Distanciamento social foi um termo que pouco ouvíamos falar, mas que ganhou notoriedade e importância dentro de todo esse contexto.

Como explicar para as pessoas, como fazer as famílias entenderem que precisavam ficar em isolamento, durante um determinado período, sem lhes dar perspectiva temporal?

Importantes foram as campanhas criativas, principalmente aquelas que escolheram o tom de esperança e não o do terror, do pessimismo.

Algumas delas falavam que gente boa estava perto do coração, mas longe na distância. Outra dizia: Ainda precisamos permanecer distantes, mas logo tudo voltará ao normal.

Uma, em especial, dizia: Abrace à distância, referindo-se à necessidade de auxiliar aqueles que passavam por maiores necessidades em período tão crítico.

Bastante oportuna a proposta que, aliás, pode ser entendida de diversas formas.

Muitos ficamos sem abraços importantes em nossas vidas, por um bom tempo, no entanto, a criatividade e a oportunidade nos apresentaram novos modos de abraçar.

De dentro de casa criamos campanhas, mobilizamos enormes grupos de pessoas pelas redes sociais, inventamos novas maneiras de encontros e meios de permanecer conectados.

Podemos dizer, sem exagero, que muitos acabaram se aproximando mais ainda, ao invés de se afastar.

Descobrimos que estar perto ou longe não está necessariamente na proximidade física.

Alguns estávamos próximos fisicamente, mas como se habitássemos planetas distintos. Que proximidade era essa?

Outros vivíamos o desafio da distância oceânica, continental, e nos descobrimos subitamente tão próximos, tão necessários um na vida do outro!

Uma tela, uma conexão, um smartphone nos fez chorar, sorrir, ouvir, desabafar...

Abraçamos à distância os que estavam isolados por seus familiares, incluindo-os em grupos religiosos, em atividades redentoras, em estudos.

Abraçamos à distância os tímidos, que sempre tiveram dificuldade em se expressar ou que tinham vergonha de sua aparência.

E tudo em breves linhas amorosas, escritas e correspondidas com atenção.

Abraçamos irmãos de outros Estados, outros países, enlaçando também sua cultura, sua experiência de vida, independente de idade, sexo ou religião.

De certa forma, as plataformas digitais nos igualaram. O mesmo quadradinho, o mesmo espaço para todos, sem grandes diferenças.

Quantas lições... Quanto aprendemos nos momentos de crise. A vida sempre nos ensinando, no planeta escola, no planeta das provas e das expiações redentoras.

Se você ainda não teve a oportunidade desse tipo de abraço, eis a chance.

Não que ele substitua o outro, de forma alguma, mas é mais um que acrescentamos em nosso repertório amoroso de expressões carinhosas que fazem bem a todos.

Abracemos à distância, abracemos de perto, abracemos sempre.

Todos precisamos de abraço.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Há dois mil anos.

 


Há dois mil anos, houve Alguém, na face da Terra, que amou a Humanidade como jamais ninguém amou.

Ele conhecia e respeitava as leis da vida. Para aqueles que O chamaram de subversivo, esclareceu: Eu não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.

Ele sabia que a Humanidade se debateria em busca de soberania e poder. Que se precipitaria nos despenhadeiros das guerras cruéis e sangrentas, causando dor e sofrimento.

Por isso, disse: Minha paz vos deixo, a minha paz vos dou.

Ele sabia que caminharíamos em busca da felicidade e, embora rodeados de pessoas, haveria momentos em que a solidão nos visitaria.

Por isso, prometeu: Nunca estareis a sós. Vinde a mim.

Ele compreendia que, na escalada para a perfeição, em alguns momentos, não saberíamos ao certo que caminho seguir.

Então, se ofereceu: Eu sou o Caminho.

Ele conhecia as fraquezas humanas e entendia que densas nuvens se abateriam sobre nossas consciências, e que poderíamos nos perder na noite escura dos próprios desatinos.

Por isso declarou: Eu sou a luz do mundo.

Como pastor, Ele compreendia a fragilidade dos Seus tutelados, que facilmente se deixariam levar pelo brilho das riquezas materiais e escorregariam nas armadilhas da desonra e da insensatez.

Por essa razão, Ele advertiu: De nada vale ao homem ganhar a vida e perder-se a si mesmo.

Por conhecer a indocilidade do coração humano, que se tornaria presa fácil da prepotência e se comprometeria negativamente com os preconceitos e a soberba, criando cadeias para a própria alma, assegurou, com ternura: Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.

Há dois mil anos houve Alguém que amou a Humanidade como ninguém jamais amou...

E, por saber que, na intimidade de cada ser humano, há uma centelha da chama divina, aconselhou: Brilhe a vossa luz.

Por ter ciência plena da destinação de todos nós, orientou: Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito.

Conhecedor da nossa capacidade de preservar e dar sabor à vida, afirmou: Vós sois o sal da Terra.

Há dois mil anos houve Alguém que amou tanto a Humanidade que voltou, após a morte, para que tivéssemos a certeza de que o túmulo não aniquila os nossos amores.

Ele nada impôs a ninguém. Convidou, simplesmente assim: Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-me.

Sem estabelecer ilusões, nos elucidou sobre as dores que o mundo nos ofereceria, dos enganos que poderíamos ser levados a abraçar.

Acenou, de forma clara, que os que perseverassem até o fim, esses seriam salvos.

                                                        *   *   *

Esse Espírito ficou conhecido na Terra pelo nome de Jesus, o Cristo.

Habita mundos sublimes, onde a felicidade suprema é uma realidade.

Mas, por ter afirmado que jamais nos deixaria órfãos, continua amparando e socorrendo a todos nós, independente de crença, raça, posição social ou cultura.

Sua promessa ainda repercute pela Terra e soa aos nossos corações: Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.

Ovelhas do mesmo pastor, prossigamos em nossa jornada, até alcançarmos as estrelas.

Nosso destino é a perfeição. Sigamos resolutos.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Flor de estufa.

 


É natural o desejo de viver em paz e ser feliz.

Todos almejam levar a vida sem maiores percalços e desafios.

Entretanto, a realidade é bem diversa.

Qualquer que seja o contexto econômico ou social em que a criatura se apresente, ela enfrenta alguns problemas.

Esse fenômeno precisa ser entendido em sua justa configuração.

O instinto de conservação, inerente aos seres vivos, indica-lhes que devem buscar preservar-se ao máximo.

Trata-se de um recurso providencial, para que bem aproveitem a experiência terrena.

Caso não se cuidem como podem e devem, correm o risco de perecer antes do tempo.

Com isso, deixam de aprender a lição do momento em sua integralidade.

Ocorre que o aprendizado e o aprimoramento são a finalidade do existir.

O Espírito não renasce para se recrear, mas para se melhorar.

Assim, a condição de flor de estufa não lhe assenta.

Se fosse para permanecer em doce repouso, não necessitaria de um corpo físico.

As injunções materiais tornam necessárias certas atividades que viabilizam o progresso.

Porque precisa se manter, o homem disciplina-se a trabalhar.

Como os postos de trabalho são disputados, ele se habitua a estudar e a se aperfeiçoar constantemente.

Para se manter no emprego, precisa respeitar inúmeras regras.

Com isso, gradualmente incorpora em seu ser diversas virtudes.

Disciplina, polidez, humildade e todos os valores e talentos humanos não são presentes, mas conquistas.

Em sentido geral, as exigências ordinariamente se apresentam.

Algumas crises sempre precisam ser vividas e superadas.

Nesse contexto de desenvolvimento amplo e constante, dificuldades não são tragédias.

Elas representam uma lição preciosa.

Todo Espírito possui um destino glorioso.

Nele dormem os princípios das virtudes angélicas.

Constitui uma tola ingenuidade achar que se transitará pela vida ao abrigo de preocupações.

Os problemas que surgem não são injustiças e nem perseguições.

Seu sereno enfrentamento, em contexto de dignidade, é o próprio objetivo da existência.

O homem não pode ser uma flor de estufa, delicada e de pouco perfume.

Seu destino é se assemelhar a uma árvore frondosa, de madeira perfumada, cheia de frutos e flores.

Integralmente útil, qualquer que seja o contexto.

Na pobreza, pleno de dignidade e com muito amor ao trabalho.

Na abastança, modesto e disposto a partilhar e a se fazer instrumento do progresso.

Assim, não se ressinta dos desafios que se apresentam em sua vida.

Entenda-os como testes cuja solução exige apenas disciplina e serenidade.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Jesus está conosco.

 


Naquela quinta-feira, reunidos para a comemoração da Páscoa judaica, Jesus ofereceu aos Apóstolos as derradeiras instruções.

Instruções que valeriam para as horas seguintes e para a posteridade. São discursos profundos, anunciando dores e aflições.

Igualmente acenando com a Sua presença constante, frisando: Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós.

E asseverou: Tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, Ele vo-lo há de dar. Pedi, e recebereis.

Nestes dias de insegurança e medo, que nos envolvem, Suas palavras nos constituem certeza de que não estamos sós.

Ele, nosso Senhor e Mestre, está a postos.

Estas horas de angústia, que nos impulsionam para o caos e para a dor são passageiras.

Já vivenciamos outros momentos graves. No século XIV, a peste negra foi das mais devastadoras pandemias na História humana.

Os números apontam que entre setenta e cinco a duzentos milhões de pessoas pereceram na Eurásia. Somente na Europa, foi dizimado um terço da população.

Mas, superamos. Tornamos a reerguer as cidades, as vilas, e, atestando nossa perseverança, tivemos filhos e netos.

Duas guerras mundiais nos mergulharam em pavor. Calcula-se que na Segunda pereceram entre setenta a oitenta e cinco milhões de pessoas.

Ainda aí, nos erguemos, demonstrando nossa coragem moral, atestando que somos essência do Pai Criador. E refizemos o panorama do mundo.

O terremoto, no Japão, em 2011, seguido de um tsunami, arrasou várias localidades ao longo da costa noroeste.

Dezenove mil pessoas morreram ou desapareceram com o avanço da água por terra firme, devastando tudo à sua passagem.

A massa de água inundou a Central Nuclear de Fukushima, danificando os reatores, no pior acidente nuclear, desde o registrado na Central Soviética de Chernobyl, em 1986.

Superamos. Desenvolvemos técnicas avançadas para prevenir eventuais acidentes de igual ordem.

Reerguemo-nos e prosseguimos vivendo. Somos, com certeza, uma raça de infinitas possibilidades. Somos criaturas imagem e semelhança de um Poderoso Senhor.

Dessa forma, ergamos nosso olhar. As preocupações que ora nos martirizam, passarão. Tudo passa nesta Terra. Os ventos fortes, a ação destruidora dos vulcões, dos tsunamis.

Também a ação nefasta dos vírus passará. Temos a ciência ao nosso lado, conhecimentos que no passado não detínhamos. E nos aprimoraremos sempre mais, em total demonstração da nossa capacidade intelectiva, inventiva e pesquisadora.

Redescobrimos formas de comunicação, ante a necessidade de isolamento, na pandemia que se instalou.

Aprendemos a nos importar com nosso irmão. Confinados no lar, produzimos máscaras e as oferecemos aos hospitais.

Sem poder sair, utilizamos a tecnologia para nos vermos, comunicarmos, orarmos juntos. Não pedimos somente por nós, mas todos os nossos irmãos, que adoecem, que morrem.

Jesus, descrevendo essas dores que nos acometeriam, as aflições do mundo, afirmou:

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

Confiemos. Seremos vencedores, com Ele, mais uma vez.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Lições de amor e perdão.

 


O mundo conheceu o drama da mulher nigeriana que, por ter concebido fora do casamento, foi condenada a morrer apedrejada.

Sua história comoveu o Mundo, mas poucos a sabem em detalhes.

Poucos sabem que ela, aos treze anos foi dada em casamento, pelos pais, a um homem de mais de cinquenta anos.

Após ela ter quatro filhos, foi repudiada por esse marido, com a alegação de que não cuidara de forma eficiente das crianças, permitindo que duas viessem a morrer.

Diga-se, de catapora, em uma região desolada, na savana nigeriana, com total falta de recursos.

Quando o médico chegou, era tarde demais.

Depois disso, ela se casou mais três vezes, tendo ao todo sete filhos.

Conforme a Lei Islâmica, foi repudiada por mais duas vezes e, do último marido, ela mesma pediu o divórcio.

Um primo distante, pertencente à família de seu pai começou a corteja-la.

Toda vez que ela saía, ele a encontrava. Falava-lhe coisas gentis, agradáveis, que a foram seduzindo.

Prometeu-lhe casamento. Ela acreditou ter encontrado a felicidade.

Quando engravidou, feliz, lhe deu a notícia. Ele a aconselhou a fazer um aborto clandestino, que ela não aceitou.

Quando a gravidez não podia mais ser ocultada, ela foi denunciada à Corte Islâmica.

Quem a denunciou? Não foram os vizinhos, parentes ou curiosos. Foi seu irmão. O irmão mais querido.

Aquele que ela, ainda menina, auxiliara a cuidar, levando amarrado às costas muitas vezes.

O drama vivido por essa mulher foi pungente. Humilhada, várias vezes, ao ter sua sentença de morte decretada, seu maior pesar foi que sua filhinha, Adama, ficaria sem mãe.

Duas grandes lições essa mulher passou ao Mundo.

A primeira, é que o fruto da sua ligação com o homem que a abandonou, o motivo da sua sentença de morte, é intensamente amado por ela.

Em momento algum, ela deixou de olhar para a menina com olhos de muito amor.

Mesmo condenada à pena capital, continuou a amamentá-la, acarinhá-la, considerando-a um presente de Deus.

Minha filha me dá forças, ela é o meu alento. - Dizia.

A outra grande lição é a do perdão incondicional. Quando foi decretada sua sentença, o irmão que a denunciara a foi visitar.

Sem esperar que ele falasse, ela se aproximou dele e o abraçou.

Ele estava arrependido do que fizera. Dera ouvidos a amigos, não pensara nas consequências finais.

Misturaram as lágrimas. Ele se ofereceu para auxiliar a pagar o advogado que faria a apelação perante a Corte Islâmica.

Safiya foi perdoada. Considerada inocente.

Graças ao esforço de seu advogado e da grande pressão internacional.

A sua história auxiliará, em seu país, a outras mulheres, com certeza.

As suas lições de amor e perdão, contudo, se fazem exemplo para o Mundo inteiro.

                                                         *   *   *

Safiya vive no mesmo lugarejo, ao norte da Nigéria. Ela tornou a se casar.

Um jornalista italiano transformou em livro a sua história. Parte dos proventos vindos da venda do livro são doados a um projeto de apoio e assistência às mulheres e crianças nigerianas.

Tudo realizado por uma ONG italiana, fundada em 1965. Ao todo, essa ONG trabalha em trinta e seis países da África, América Latina, Ásia e nos Bálcãs, envolvendo quase mil e oitocentos operadores.

Isso demonstra que a solidariedade não tem fronteiras.

Redação do Momento Espírita, com base no livro: Eu, Safiya de Raffaele Masto.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Saber usar.

 


O casal adentrou o restaurante, acompanhado por seus dois filhos, que aparentavam ter aproximadamente cinco e oito anos.

Assim que se acomodaram à mesa, o garçom os abordou, anotando os pedidos para aquela refeição.

No momento seguinte, a mãe retirou da sua bolsa dois smarthphones e os entregou a cada um dos meninos.

As crianças demonstraram a intimidade que tinham com os aparelhos. Colocaram seus fones de ouvido, selecionaram o que desejavam e imergiram em um mundo próprio, alheios ao seu entorno.

A cena chamou a atenção dos mais próximos.

Logo que o jantar foi servido, as crianças colocaram seus pratos em sua frente e se mantiveram conectados aos seus aparelhos.

E assim permaneceram durante toda a refeição. O casal, comendo e conversando calmamente e os filhos, ilusoriamente comportados, se alimentando e atentos, cada qual ao seu próprio interesse.

Difícil saber se sentiam o sabor do que estavam digerindo, tão imersos estavam nas telinhas dos seus aparelhos.

                                                            *  *  *

Essa situação nos conduz a alguns questionamentos.

Onde está o diálogo entre os familiares durante o momento da refeição?

Onde está o respeito ao alimento, que nos traz a saúde e o bem-estar e que nos permite a manutenção da vida?

Onde está o limite que devemos nos impor ao uso da tecnologia, em relação a quando, onde e em que tempo devemos dela usufruir?

Quando nos sentarmos à mesa para nos alimentar, saibamos valorizar a companhia dos familiares e dos amigos, respeitando a presença de cada um e aproveitando esse convívio.

Quando nos alimentamos de qualquer maneira, sem dar a devida atenção ao que estamos ingerindo, estamos dando pouco valor ao fato de termos o acesso ao alimento e também à sua qualidade.

É certo que o avanço tecnológico se faz hoje com uma velocidade que dificilmente acompanhamos. A inteligência humana é capaz de produzir feitos que, há pouco tempo, jamais imaginávamos possíveis.

Devemos agradecer a Deus a oportunidade de viver em um mundo onde, a cada dia, surgem mais possibilidades de manutenção da vida, através de descobertas que permitem vencer enfermidades antes tidas como incuráveis.

Através da criatividade e da inteligência humana, surgem criações que colaboram para que as pessoas se mantenham constantemente informadas e conectadas entre si.

Surgem, também, formas diversas de lazer e entretenimento que encantam e envolvem pessoas de todas as idades.

Diante de todo esse avanço tecnológico, saibamos usar a nossa sensibilidade e os valores pessoais para que possamos usufruir dele sem cometer excessos.

Que saibamos os exatos limites de tempo e de espaço ao lançarmos mão do uso desses modernos equipamentos.

Saibamos nos servir de toda essa tecnologia que temos hoje à nossa disposição de forma positiva.

Não deixemos que o uso dela interfira negativamente ou substitua os ricos momentos de convívio com a família e com os amigos, nos quais devemos exercitar o diálogo, o respeito e a fraternidade.

Redação do Momento Espírita.

Doe Sangue

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