terça-feira, 21 de setembro de 2021

Você é feliz ?

 


A discussão entre os irmãos se fazia acalorada. Ela, com nove anos, não conseguia entender e nem tinha a paciência necessária para as peraltices do irmão mais novo, então com cinco anos.

A cada aproximação dele, fosse para convidar para brincar no seu universo, ou para dividir uma nova descoberta que fazia, encontrava na irmã o azedume e a indisposição.

Ela se acreditava a dona da razão, e o irmão, muito infantil. Para ele, no entanto, ela era a referência, a sua heroína.

Porém, frente a tanta má vontade e mau humor, ele chegou ao seu próprio limite. Foi nessa hora que, colocando as pequenas mãos na cintura, fitou a irmã seriamente e lhe lançou a pergunta.

Luiza, você é feliz?

Sem entender bem o porquê da pergunta, respondeu-lhe, quase que por obrigação:

Sou feliz sim. Por quê?

À resposta ríspida, na sua sagacidade infantil, argumentou o irmão:

Então, por que você está sempre brigando comigo? Quem é feliz não briga com as pessoas!

E, com essa conclusão sábia do pequeno, encerrou-se a discussão entre os dois.

                                                      *   *   *

A conclusão do menino nos traz boas reflexões a respeito da felicidade.

Muitas vezes esquecemos do quanto podemos ser felizes, do quanto temos de felicidade.

Isso porque muitos de nós acreditamos que felicidade é um lugar onde chegar, é um objetivo a alcançar, é uma meta a ser conquistada.

Não poucos imaginamos que a felicidade está na posse do dinheiro, esquecendo-nos de tantos milionários infelizes, afundando-se em processos depressivos.

Outros temos a certeza de que a felicidade acompanha a fama, o reconhecimento social, o sucesso, não percebendo que não poucos artistas e frequentadores de capas de revistas e colunas sociais buscam fugas das mais variadas, para esquecer-se de si e de sua vida.

E, por outro lado, encontramos a felicidade em muitos que já têm a saúde do corpo comprometida, os recursos financeiros limitados, as marcas indeléveis dos reveses sofridos.

Isso nos diz que não será a dor que nos fará infelizes, nem a falta de saúde, tampouco a limitação financeira de nosso orçamento.

Ser feliz é opção de quem caminha pelas estradas da vida ciente de que ela é rica em aprendizados. E dores, reveses, limitações são ferramentas para que as lições ganhem consistência em nós.

Percebendo isso, nos daremos conta de que a generosidade de Deus, a nos ofertar tudo que está ao nosso redor, é o principal motivo para sermos sempre muito felizes.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Os pedidos da alma.


Comecemos o dia na luz da oração. O amor de Deus nunca falha.

Oração espontânea, sem fórmulas prontas ou ensaios elaborados.

Um sincero diálogo da alma com a Potência Suprema.

Se a tristeza morar em nossa alma, será um grito, um lamento dirigido aos céus.

Se a alegria brilhar em nosso íntimo, será um cântico de amor, um manifesto de adoração.

Pode se resumir em um simples pensamento, uma lembrança, um olhar erguido para o céu.

Quando oramos, uma janela se abre para o infinito e através dela recebemos mil impressões consoladoras e sublimes.

Uma excelente maneira de iniciar o nosso dia.

A sabedoria não está em pedir que somente tenhamos horas de felicidade, que todas as dores, as decepções, os reveses sejam afastados.

A nossa deve ser a rogativa por auxílio das forças superiores a fim de que cumpramos os nossos deveres, com dignidade.

E possamos suportar a eventualidade de um dia difícil, de horas más.

Se pedimos por nós, podemos estender os mesmos benefícios da rogativa para os familiares, os amigos.

Se tivermos uns minutos mais, que os possamos dedicar à rogativa ao Pai de todos nós. Haverá muito a pedir.

O mundo está tão sofrido. Não bastasse a pandemia, as notícias nos chegam de furacões, de vendavais, de países arrasados pela fúria dos ventos e das águas.

Pela nossa mente, transitam as figuras de crianças, de idosos, de corações de mães destroçados pelo desaparecimento ou morte dos seus filhos.

Recordamo-nos das palavras do Mestre falando dos últimos tempos, das tantas infelicidades que alcançariam a Humanidade.

Imaginamos quantas ainda deveremos enfrentar. Por isso, oração pelo nosso e pelo fortalecimento alheio.

A prece nunca é inútil. Com certeza, não alteraremos a lei divina das provas e expiações dos que amamos e daqueles que nem conhecemos.

Mas podemos lhes remeter vibrações de calma para as situações atormentadoras, resignação para as profundas dores.

Lembremos quantas vezes as nossas preces acalmaram alguém em sentido pranto, quantas vezes asserenamos a angústia de um amigo...

                                                                         *   *   *

Prece é fortalecimento moral. É na oração que o Divino Mestre demonstra toda Sua glória, no monte Tabor.

Ele se plenifica de luz e estabelece sublime diálogo com o legislador Moisés e o profeta Elias, luminares do povo hebreu.

Diante da tumba onde estava o corpo de Lázaro, Ele ora ao Pai. E depois convoca o amigo para reassumir o comando da vida que ainda não se findara.

Antes da prisão, que determinaria Seu julgamento, suplício e morte, Ele ora, no Jardim das Oliveiras.

E na cruz, encerra Sua prece com as palavras:

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Como Jesus, roguemos para que os bons Espíritos, que têm por missão assistir os homens e conduzi-los pelo bom caminho, nos sustentem nas provas desta vida.

Que as possamos suportar sem queixumes.

Que nos livrem da influência daqueles que queiram nos induzir ao mal.

Enfim, que este dia, apenas esboçado, seja de progresso, luz e paz. Horas abençoadas nos aguardam.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Nosso brasil independente.


Quando aniversariamos, faz-nos bem à alma sermos lembrados pelos familiares e amigos.

Nossa alegria é acrescida por cada cumprimento recebido, cada cartão, cada flor, cada abraço, mesmo virtual.

Ou a simples lembrança da data que nos é tão especial, porque assinala trezentos e sessenta e cinco dias vencidos.

Dias que foram de trabalho, dias em que aprendemos algo mais, aprimoramos o idioma, a habilidade em alguma arte, ingressamos em um curso.

Dias em que vivemos com nossos amores. Também com os desamores. Tudo em ritmo de aprendizado e crescimento espiritual.

No entanto, nenhum de nós espera viver cento e noventa e nove anos. Mas, nosso Brasil está comemorando essa data de sua Independência.

Para um país, uma adolescência recém-desabrochada. Por isso, talvez, identifiquemos tantas ações imaturas, tantos decretos que mudam mais rápido do que os possamos absorver para nossa própria vida.

Alguns dizem que tudo aconteceu de forma muito simples, sem atavio algum. A comitiva não vestia uniformes pomposos, nem montava cavalos garbosos.

A História registra as muitas pressões de camadas diversas da nação. O desejo de Independência era um grito abafado na garganta de um povo que desejava deixar de ser parte de um poderio estrangeiro.

E foi esse grito que explodiu do peito à boca, às margens do Ipiranga. Uma parada estratégica, uma necessidade que se fez.

Nada elaborado, nada espetacular. Foi o pincel de um artista sonhador que engrandeceu o feito pintando com cores maravilhosas o Laços fora.

Uma obra que nos acostumamos a ver nas ilustrações dos livros da História pátria, e que, em toda sua pujança, para orgulho da nacionalidade, se encontra exposta no Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Pedro Américo colocou na tela o que a sua alma de brasileiro imaginou. Os idealistas são assim: não enxergam como realmente foi, mas a essência do fato, o invisível.

E aquele momento foi significativo. Chega de subjugação. Basta de normas que asfixiem o povo: Independência ou Morte.

Hoje, enquanto o Hino da Independência nos toca a alma e nos estimula a acompanhar seus versos, façamos um propósito: tornar verdadeiramente independente o nosso país.

Um país livre de amarras egoístas, de ambições particulares, liberto de corrupção. Um país para todos, filhos nascidos ou adotados.

Um país que eleja como primazia a educação e a saúde do seu povo, a preservação da higidez brasileira.

Um país que se importe com a preservação do seu solo, das suas riquezas. Um país de paz.

Ordem e Progresso é o lema nacional. Ordem significa a defesa e manutenção de tudo que funciona de maneira positiva, a proteção do que é certo e bom, em todos os aspectos da vida nacional.

Progresso significa o avanço natural da sociedade e das instituições como consequência da defesa da ordem.

A cada um de nós, brasileiros, cabe lutar, a cada dia, para que se torne realidade o lema nacional, de forma eficaz e permanente.

Hoje é um dia especial para iniciarmos essa campanha individual em prol da Independência moral do nosso Brasil.

Brava gente, brasileira, longe vá temor servil...

Unamos nossos esforços...

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Tristeza sem razão.

 


Por vezes, erguemo-nos pela manhã envoltos em nuvens de tristeza. Se alguém nos perguntar a causa, com certeza não saberemos responder.

Naturalmente, atravessamos as nossas dificuldades. Não há quem não as tenha. É o filho que não vai bem na escola, o marido que vive a incerteza do desemprego, um leve transtorno de saúde.

Nada, contudo, que seja motivo para a tristeza profunda que nos atinge.

Nesse dia tudo parece difícil. Saímos de casa e a entrevista marcada não se concretiza. A pessoa que marcou hora conosco cancelou por compromisso de última hora. E lá se vão as nossas esperanças de emprego, outra vez.

O material que vimos anunciado com grande desconto já se esgotou nas prateleiras, antes de nossa chegada. A fila no banco está enorme, o cheque que fomos receber não tinha saldo suficiente.

É... Nada dá certo mesmo! Dizemos que nem deveríamos ter saído de casa, nesse dia. Agora, à tristeza se soma o desalento, o desencanto.

Consideramo-nos a última pessoa sobre a face da Terra. Infelizes, abandonados, sozinhos.

Ninguém que nos ajude.

E, no entanto, Deus vela. Ao nosso lado, seguem os seres invisíveis que nos amam, que se interessam por nós e tudo fazem para o nosso bem-estar.

O que está errado, então? Com certeza, a nossa visão do que nos acontece.

Quando a tristeza nos invade no nascer do dia, provavelmente tivemos encontros espirituais, durante o sono físico, que para isso colaboraram.

Seja porque buscamos companhias não muito agradáveis ou porque não nos preparamos para dormir, com a oração. Seja porque reencontramos amores preciosos e os temos que deixar para retornar à nossa batalha diária, entristecendo-nos sobremaneira.

Ao nos sentirmos assim, busquemos de imediato a luz da prece, que fortalece e ilumina, espancando as sombras do desalento.

Abrir as janelas, observar a natureza, mesmo que o dia seja de chuva e frio. Verifiquemos como as árvores, quando castigadas pelos ventos e pela água, balançam ao seu compasso.

Passada a tempestade, se recompõem e continuam enriquecendo a paisagem com seus galhos, folhas, flores e frutos.

Olhemos para as flores. Mesmo que a chuva as despedace, elas, generosas, deixam suas marcas coloridas pelo chão, ou permitem-se arrastar pela correnteza, criando um rio de cores e perfumes pelo caminho.

Aprendamos com a natureza e afugentemos o desânimo com a certeza de que, depois da tempestade, retornará o tempo bom, o sol, o calor.

Não nos permitamos sintonias inferiores, porque se vibrarmos mal, nos sentiremos mal e, naturalmente, tudo se nos tornará mais difícil.

Nunca estaremos sós. Jesus está no leme das nossas vidas, atento, vigilante, e não nos faltará em nossas necessidades.

                                                                     *   *   *

Se estamos tristes, abramos os ouvidos para as melodias da vida, melodias que soam das mais profundas regiões do Amor Celeste.

Busquemos ajuda, peçamos socorro, não dando campo a essas energias de modo que possamos, na condição de filhos de Deus, alegrar-nos com tudo quanto o Pai construiu e colocou à nossa disposição a fim de que pudéssemos crescer, amar e servir.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Hoje eu me lembrei.

 


Hoje eu me lembrei...

Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.

Eu Sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como Ser humano na escola terrestre.

Hoje eu me lembrei...

Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.

Eu Sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo** que está em tudo!

Hoje eu me lembrei...

Que tenho a cor da Luz, pois vim das estrelas.

E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

Hoje eu me lembrei...

Que não há nenhuma religião acima da verdade.

E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

Hoje eu me lembrei...

Que só se escuta a música das esferas com o coração.

E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

Hoje eu me lembrei...

Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.

Na verdade, é um estado de Consciência do Ser.

Hoje eu me lembrei...

Que ninguém compra Discernimento ou Amor.

E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

Hoje eu me lembrei...

Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.

E no dia em que eu partir, também não será!

Hoje eu me lembrei...

Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura***.

E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).

Hoje eu me lembrei...

Que não vim de férias para o mundo.

Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).

Hoje eu me lembrei...

Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!

Sem Amor, o meu coração fica seco... e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.

Hoje eu me lembrei...

Que os guias espirituais não são minhas babás extrafísicas.

Eles são meus amigos de fé e trabalho...

Hoje eu me lembrei...

Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.

Todos nós somos professores e alunos uns dos outros.

Hoje eu me lembrei...

Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.

Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).

Hoje eu me lembrei...

Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.

Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

Hoje eu me lembrei...

Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.

E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.

Hoje eu me lembrei...

Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!

Hoje eu me lembrei...

Que, sem Amor, ninguém segue.

E que o meu mantra se resume numa só palavra: Gratidão!

- Wagner Borges - São Paulo, 5 de julho de 2015.

* Esse texto foi escrito dentro dos estúdios da Rádio Mundial de São Paulo - 95.7 FM - um pouco antes do início do programa Viagem Espiritual (apresentado todos os domingos, das 12h30min às 13h), e, em seguida, lido para os ouvintes.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Nosso futuro planeta.


Um grande número de pessoas, independente da crença religiosa, acredita que nascemos muitas vezes.

Acredita que voltaremos a este mundo.

Alguns pesquisadores e cientistas já incorporaram essa verdade, provada por anos de experimentações, envolvendo, entre elas, a regressão de memória.

De forma muito estranha, no entanto, não temos nos comportado como quem acredita nessa verdade.

Vejamos o exemplo do nosso planeta. Seria óbvio que, se temos a certeza de que retornaremos a este local, desejássemos que ele nos oferecesse, em nosso retorno, as melhores condições de vida.

Entretanto, não temos nos preocupado com ele.

Os exemplos demonstram que, de um modo geral, estamos preocupados em ganhar dinheiro.

Dinheiro para gastar agora, nesta vida. Dinheiro para adquirir uma mansão, um carro, um iate. Dinheiro para viajar pelo mundo.

Não estamos absolutamente pensando que se o desmatamento prosseguir, teremos problemas para respirar, para a manutenção das chuvas regulares, para a preservação dos mananciais.

Aliás, as reservas do precioso líquido, água, não estão a nos merecer maior atenção?

Destruímos as matas ciliares, em total desleixo pela preservação de rios preciosos. Tudo porque dinheiro é mais importante do que zelarmos pela natureza.

Entretanto, bastaria um pouco de investimento, maior cuidado, mais atenção. Teríamos boa colheita e a preservação ambiental, ao mesmo tempo.

E quanto à camada de ozônio, que temos feito?

Preocupamo-nos em não utilizar materiais que a agridem, de forma paulatina?

Ou estamos mais ocupados em gozar dos bens que a vão destruindo?

Temos zelado e exigido que as nossas indústrias criem mecanismos não invasivos a esse precioso espaço que nos preserva a saúde?

O que estamos preparando para o nosso futuro?

Vivemos exatamente como quem, de forma egoística, vê somente o hoje.

O importante é gozar o mais possível. As gerações futuras haverão de dar um jeito para sua sobrevivência.

Damo-nos conta de que as gerações do futuro, por essa lei chamada reencarnação, seremos nós mesmos de retorno?

Que planeta estamos preparando para nós?

Se somos tão egoístas a ponto de não pensar em nossas crianças, será que pensamos no que estamos deixando para nós, no amanhã que virá?

A reflexão se faz de oportunidade. Não se trata de um mero apelo, ou de digressões filosóficas, visando convencimento de quem quer que seja.

Trata-se de uma questão de bom senso e discernimento.

Pensemos: onde desejamos ser recebidos, em nosso retorno?

Num planeta árido, enfermo, com condições insalubres?

Ou num planeta abençoado pela mata verde, o ar puro, as fontes cristalinas cantando melodias de vida?

Um planeta de pedras e montanhas de picos agudos, nus, erguendo-se para o céu?

Ou um local cheio de flores, pássaros cantantes e animais de espécies variadas, mantendo o perfeito equilíbrio ecológico?

A decisão nos pertence. O amanhã depende de nós. A hora de construir e preservar é agora.

O melhor local: onde nos encontramos, no lar, na escola, no escritório, na rua.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita. 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

As voltas que a vida da.

 


Alguém disse, certa vez, que a vida sempre nos oferece duas janelas.

Uma é a janela da felicidade, que nos apresenta um jardim de flores, de cores, de alegria.

Ela está à nossa frente e nos mostra os dias de bênçãos, de convívio amigo, de amenidades.

No entanto, devemos lembrar que a outra janela está às nossas costas.

É a janela da tristeza, do sofrimento, das dificuldades.

Todos nos debruçamos ora numa, ora na outra. O que significa que se alternam, na vida, os momentos de felicidade e os de tristeza.

Importante é que de cada uma delas saibamos extrair o melhor que nos possa oferecer.

Ante a janela das dificuldades, tenhamos criatividade e esforço para reverter as situações que sejam possíveis.

Acontecimentos da vida do ator Drew Goodall podem bem exemplificar essas duas fases. Ele estudou teatro, conheceu atores famosos e chegou a interpretar alguns papéis.

No entanto, após uma severa crítica ao seu trabalho, sua carreira simplesmente desabou.

No ano de 1990, sem dinheiro para pagar o aluguel, precisou sair de seu apartamento e foi morar na rua.

Foram seis longos meses em que dormia em uma caixa de papelão e dependia de quem lhe oferecesse com que se alimentar.

Surgiu-lhe a ideia de engraxar sapatos, o que lhe poderia render algum dinheiro.

Foi então que um dos seus clientes o convidou a trabalhar como engraxate, em seu escritório.

O panorama principiou a mudar. Drew começou a ganhar dinheiro ao ponto de, decorrido certo tempo, abrir sua própria empresa, a Sunshine Shoeshine.

O negócio deu muito certo. Ele fez parceria com importantes empresas de Londres, cujos executivos desejam ter seus sapatos bem polidos.

Sendo muito grato a quem o ajudou no tempo em que viveu nas ruas, ele oferece oportunidades a quem está na mesma situação em que ele se encontrou anos atrás.

Por esse motivo, a maioria dos seus quarenta funcionários foram pessoas desabrigadas ou são portadoras de necessidades especiais.

Com certeza, um exemplo de superação. Igualmente de solidariedade, de amor ao próximo.

                                                           *   *   *

Por vezes, somos pegos de surpresa por situações que nos obrigam a pôr um ponto final em nossa atual história, e a começar novo parágrafo.

Somos obrigados a simplificar a maneira de ser e de viver.

O detalhe importante, nessas horas, é que não nos deixemos envolver pela depressão, pelo desânimo.

É a hora de sair da janela da dificuldade e se voltar para a outra, a janela em frente e vislumbrar uma maneira de reverter a situação.

É hora de buscar novas formas de trabalho, de usar nossa criatividade, de não nos deixarmos vencer pelos primeiros fracassos.

E guardar a certeza de que podemos dar a volta por cima, adaptando-nos à nova realidade.

Um lugar mais simples para morar, menos comodidades, quem sabe, mas seguir em frente.

E, depois de tudo, não esquecer de olhar para os que permanecem desamparados, sem teto, sem pão.

Estender a mão a quem padece nos dirá, com todas as letras, que aprendemos a lição que a janela de trás nos oportunizou, um dia.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Respeito.

 


Respeito foi definido por alguém como a capacidade do ser de se importar com o sentimento do outro. Talvez seja esta a mais completa das definições.

Normalmente, quando nos sentimos ofendidos, desprezados, dizemos apreciar o respeito. Mas, será que respeitamos os demais?

É fácil sabermos. Basta que nos perguntemos se somos daqueles que marcamos horário com o médico ou o dentista e, na última hora, por questões de pouca importância, telefonamos desmarcando, sem nos preocuparmos com a agenda do profissional.

Igualmente, sem nos preocuparmos com eventuais clientes que estariam aguardando em lista de espera por aquela hora que agora não será aproveitada por ninguém.

Acaso somos daqueles que apreciamos estabelecer preço para os serviços profissionais alheios? Somos dos que pensamos que tal ou qual profissional liberal ganha demais e pode nos fazer um grande desconto?

Mais do que isso. Alguns de nós dizemos, de maneira desrespeitosa, que o seu trabalho não vale mais do que a quantia que estipulamos.

Desrespeitamos o esforço que o profissional fez para chegar onde se encontra, desconsiderando as inúmeras noites que passou estudando, os plantões intermináveis e exaustivos, as horas de pesquisa.

Não levamos em conta, inclusive, os custos financeiros para completar o curso, para prosseguir no seu aperfeiçoamento, mestrado, doutorado.

Desrespeitamos o trabalho do outro toda vez que lhe dizemos que seu ganho é fácil e rendoso, enquanto o nosso é árduo.

Há falta de respeito sempre que desconfiamos dos outros, baseados somente em nossa má fé ou má vontade.

E, no trato com outros profissionais, como os domésticos, jardineiros, pedreiros, carpinteiros, quanta vez os desrespeitamos.

Sempre que estabelecemos jornadas de trabalho muito longas, que exigimos cumprimento de tarefas além do que se considera humanamente possível, que submetemos o outro a situações humilhantes, o estamos desrespeitando.

O respeito deve ser a atitude de todo cristão para com o seu semelhante, seja ele superior ou inferior a si, na escala social e nos degraus da instrução.

Afinal, somos todos membros de uma única família, criados pelo mesmo Deus, nosso Pai.

Acreditemos que, se não aprendermos a respeitar o nosso semelhante, desde as mínimas coisas, não estaremos agindo dentro da lei de justiça, amor e caridade.

                                                              *   *   *

Nas linhas do respeito, atentemos para a natureza que nos cerca.

Ensinando valores aos nossos pequenos, iniciemos desde cedo a lhes falar do respeito a tudo que nos rodeia e serve.

Falemos-lhes do respeito que nos merecem os animais, as árvores, as flores, os jardins.

Então, bem mais fácil lhes será entender, na sequência, o respeito aos seres humanos, familiares, idosos, professores, serviçais.

Lembremos que, acima de tudo, nossa maneira de ser, de nos dirigirmos às pessoas, não importando quem sejam, falará aos nossos pequenos.

Afinal, se as palavras convencem, os exemplos arrastam.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Se você puder.


Cada dia em sua vida é uma bênção concedida por Deus. São vinte e quatro horas preciosas.

Basta que pense, por um minuto, ao menos, em quantos gostariam de estar em seu lugar.

Hoje, agora, enquanto o dia amanhece e a alvorada se espreguiça.

Por isso, procure fazer de cada dia um presente para si, para o mundo, para Deus.

E, se você puder, hoje, mostre um sorriso em seu rosto.

Transmita a alegria através de suas expressões faciais.

Aproveite para internalizar esse sorriso, fazendo irradiar para seu íntimo a emoção de contentamento que esse gesto pode expressar.

Se você puder, hoje, ao arrumar seu lar, coloque um toque a mais de felicidade e beleza. Algo simples, mas que fará a grande diferença para você e para os seus.

Faça suas tarefas domésticas, não com o peso da obrigação, mas com a leveza de poder contribuir para um ambiente harmonioso.

Um pequeno detalhe, como um aroma de ervas ou uma pequena flor sobre a mesa.

Diga uma singela frase que permita demonstrar o amor a todos em seu lar. Elogie algo de bom que qualquer um deles tenha realizado.

Se você puder, hoje, amplie seus conhecimentos.

Leia um bom livro que traga melhorias para sua atividade profissional.

Assista uma aula que lhe permita acrescentar novos saberes para sua compreensão do mundo.

Aproveite os conhecimentos adquiridos e compartilhe com aqueles que não os têm.

Uma conversa amigável, uma dica, uma referência ao realizar uma tarefa, podem lhe permitir levar a outros aquilo que aprendeu, com humildade, sem arrogância e prepotência.

Se você puder, hoje, procure esquecer os motivos de tristeza e aborrecimentos.

Não fique preso ao passado, tenha-o como um aprendizado.

Os erros cometidos ou os males sofridos podem indicar caminhos que não devam mais ser percorridos.

Se algumas situações lhe trazem tristeza ou aborrecimentos, busque identificar as razões.

Reflita sobre elas. Procure alterar o que lhe for possível.

Não permita que esses sentimentos façam parte de sua vida e tornem sombrio o seu dia.

Se você puder, hoje, escute uma música que lhe pacifique o coração.

Leia uma poesia que lhe transmita sensibilidade.

Inclua em seu dia, um momento de elevação através da arte que possibilite os sentimentos de reconforto e enobrecimento do Espírito.

Se você puder, hoje, dedique um tempo à oração.

Encontre, em seu dia, alguns minutos para se tranquilizar e realizar uma prece.

Louve a Deus por todas as belezas da vida, pela misericórdia e amor recebidos.

Agradeça a Deus por tudo que tem, mesmo as dores e as dificuldades.

Peça a Deus o que entenda importante para seu fortalecimento na jornada terrena.

Se você puder, hoje, pratique discretamente uma boa ação, qualquer que seja, para ajudar alguém.

Faça isso, por ter a convicção de que esse é um dos ensinos de Jesus.

Se você puder, hoje, faça!

Não fique esperando um dia especial ou um momento oportuno.

A construção de uma vida melhor para si próprio e para os outros deve começar hoje.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Doces reencontros.

 




Verdadeiramente, vivemos tempos novos sobre a face da Terra. Tempos em que, a cada dia, nos deparamos com seres especiais reencarnados entre nós.

Não importa a raça, a nacionalidade, o credo religioso ou crença alguma. Eles são especiais. Trazem conceitos espiritualizados a respeito da vida, do mundo, do destino final das criaturas de Deus.

Contou-nos uma amiga que sua filha, na inocência dos seus três anos de idade, certa noite, aconchegou-se na cama, ao seu lado.

Em verdade, toda noite era assim. A menina vinha para sua cama e ali se deitava por alguns minutos, antes de se encaminhar para o próprio berço. Nesses momentos, contou-nos a mãe, era que diálogos sempre interessantes aconteciam.

Alguns que a surpreendiam, sobremaneira. Era como se aquela criança, que trazia o azul do céu em duas joias brilhantes na face, se pusesse a pensar, mergulhando na doçura e na sabedoria de um passado intensamente vivido.

Mamãe, antes de eu nascer eu era anjinho?

A mãe ficou a imaginar como deveria responder. E resolveu adentrar no clima da inocência infantil, concordando.

E antes de você ser mamãe, onde você morava?

Pacientemente, e alongando o diálogo, a mãe respondeu que morava com seus pais, avós da pequena. Enriqueceu com detalhes, dizendo da casa grande, de janelas azuis, o imenso jardim, em outra cidade, bem longe.

Mas, mamãe, e antes de você ser filha do vovô e da vovó, você era anjinho como eu, né?

Acho que sim, foi a resposta breve daquela jovem que ficou a cogitar aonde iria parar aquele raciocínio todo. Então, a garotinha desatou a falar:

Pois é, mamãe, você estava no céu, junto comigo. Aí, você nasceu e eu fiquei lá. Depois, Papai do Céu falou para eu escolher minha mamãe. E eu escolhi você. Viu, agora estamos juntas de novo.

A conversa parou. Os olhos da mãe se transformaram em pérolas de luz e duas lágrimas brilharam, rolando pela face.

Ela estreitou seu tesouro junto ao coração. E enquanto a pequena se acomodava para o sono, ela se pôs a pensar:

Quantos filósofos se detêm anos a estudar os mistérios da vida que nunca morre, da vida que se repete na Terra, no espaço, em outros mundos.

Estudam a doutrina secreta dos hindus, egípcios, gregos para encontrarem essas verdades que, até hoje, muitos homens não admitem, considerando simples tolices.

No entanto, a sua pequerrucha, na extraordinária sabedoria de um Espírito milenar, revestido de carne, ali, descontraída e singelamente, sintetizara a trajetória de dois Espíritos que se amam.

Dois Espíritos que, possivelmente, estabeleceram laços de afeto há milênios e se propuseram a prosseguir na conquista do progresso, assim, lado a lado. Ora como mãe e filha. Ora... quem sabe como?

                                                                *   *   *

O maior Sábio que já visitou a Terra, ensinou: Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?

E olhando para os que estavam sentados à roda de si: Eis aqui, lhes disse, minha mãe e meus irmãos. Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã e minha mãe.

Estabeleceu ali a grande verdade de que todos somos uma grande e só família: a família universal.

Vamos estreitando laços, estabelecendo pontes de amor e nos reencontrando, aqui, nesta vida; acolá, na Espiritualidade e outra vez mais.

Pensemos nisso: Quantos reencontros estamos tendo nesta vida?

 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Problemas desnecessários.

 


Certo dia, uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.

“Que estranho animal!” - Pensou consigo mesma. “Certamente não se trata de um pássaro.”

Movida pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.

Ao aproximar-se da coruja, perguntou:

“Quem é você? Como é seu nome?”

“Sou a coruja.” - Respondeu o pobre pássaro, em voz trêmula, tentando se esconder atrás de um galho.

“Como você é ridícula!” - Riu a águia, sempre voando em torno da árvore.

“Só tem olhos e penas! Vamos ver”, acrescentou, pousando num galho, “vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.”

Enquanto isso, a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para apanhar a coruja.

Porém, um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.

Subitamente, a águia se viu com as asas presas à árvore e, quanto mais lutava para se desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.

A coruja lhe disse:

“Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros que comeu.

Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo, tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?”

                                                        *   *   *

A fábula nos remete a reflexões em torno de nossa própria forma de ser.

É de nos indagarmos quantas vezes, simplesmente pelo prazer de nos imiscuirmos em questões que não nos dizem respeito, criamos problemas para nós mesmos.

Vejamos, por exemplo, a fofoca. Quando recebemos uma informação e passamos a repeti-la, de boca a ouvido, ou pelas redes sociais, sem nos indagarmos da sua veracidade, podemos criar dificuldades para nós.

A mais simples é de vermos nosso nome mencionado aqui e acolá, com desprezo ou com reservas, pela forma da nossa divulgação.

Afinal, diz-se, que quem de outro fala mal a um amigo, poderá, em breve, igualmente, desse amigo comentar com terceiros.

Consequência mais grave é nos envolvermos em processo que invoque indenização por dano moral daquele de quem passamos adiante acontecimentos, inverídicos ou não.

Ou podemos ser chamados à barra dos tribunais para prestarmos testemunho exatamente do que divulgamos, sem termos sido a fonte original.

Outro exemplo é nos inserirmos em discussões de terceiros, a respeito de assuntos polêmicos e delicados.

Nossos apartes poderão ser tidos como intromissão indevida e poderemos ouvir apontamentos desagradáveis.

Dessa forma, a fim de evitarmos nos emaranharmos, como a águia, ficando prisioneiros das nossas palavras e atitudes, pensemos bem antes de falar e de agir.

Não nos permitamos divulgar apontamentos desairosos sobre quem quer que seja.

O mal não merece divulgação em tempo algum, salvo se for para salvaguardar o bem-estar de pessoas ou instituições.

Meditemos a respeito.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Oração sempre.


Em tempos de tantos contaminados pela Covid-19 padecendo nos hospitais, cogitamos de quanto devem estar cansados, quase exauridos, médicos, enfermeiros, atendentes.

Eles lidam todos os dias com a entrada de novos pacientes, com a piora ou a morte de outros. Com o desespero de tantos.

Comemoram a alta dos que, vencendo a terrível pandemia, podem retornar aos lares.

Qualquer fato inusitado lhes merece atenção. E foi o que aconteceu com Marcelo, jovem médico, quando chegou para o seu plantão.

Viu uma paciente, na enfermaria, que estava com a saturação ou seja, a porcentagem de oxigênio que está sendo transportada na circulação sanguínea, muito baixa.

Foi-lhe providenciado o máximo de oxigênio na máscara a fim de lhe melhorar a condição respiratória.

No entanto, o quadro piorou nas horas seguintes. Decidiu o médico, junto com seu colega, que deveriam entubá-la.

Foram até a jovem e explicaram todo o procedimento para a entubação. Ela os olhou, concordou, mas pediu se, antes, lhe poderiam permitir fazer uma oração.

Naturalmente, concordaram e se retiraram, observando-a de longe. Viram que a jovem retirou de sua bolsa um pequeno livro e, de forma devota, se pôs a lê-lo.

Aguardaram uns minutos e retornaram até ela que, agora, mantinha os olhos fechados e percebia-se, estava em sentida oração.

Quando terminou a sua prece, o médico a auscultou para dar início ao procedimento. Ficou surpreendido. Não podia acreditar. A saturação subira, estava quase normal. Todo seu desconforto respiratório melhorara.

Optaram, então, por não realizar, naquele momento, a entubação. Quem sabe, mais tarde, porque deveria se tratar de uma melhora passageira.

No dia seguinte, quando Marcelo retornou para o seu plantão, perguntou ao colega como estava a paciente. Ele a entubara?

Surpreso, escutou que as melhoras dela prosseguiam, gradativamente.

A previsão é de que, em breves dias, poderia ser liberada para retornar ao lar.

Narrando o fato, disse Marcelo à enfermeira: se me tivessem contado, não acreditaria. No entanto, eu vivenciei isso. Eu testemunhei.

Não sei a que religião ela pertence, nem a quem dirigiu a oração. Tenho que admitir, no entanto, que ela conseguiu acionar, em seu favor, forças que desconheço.

                                                                         *   *   *

Tudo que pedirdes ao Pai em meu nome, disse Jesus, Ele vos dará.

É de nos perguntarmos se temos acionado a prece mais vezes em nossas vidas e não somente no momento da desesperança.

A vibração da mente em oração sintoniza com as ondas teledinâmicas do mundo espiritual superior, articulando benefícios insuspeitáveis.

Ainda não tem sido valorizada a oração nem colocada no seu devido significado.

Não se trata de orar muito, mas de orar bem.

A prece propicia resultados imunológicos e terapêuticos. Harmoniza o tom vibratório do indivíduo, impede o contágio de bactérias perniciosas, de gérmens deletérios, gera uma aura específica que envolve o homem, rearmonizando o campo das moléculas, revitalizando o metabolismo.

Orar é inundar-se de forças poderosas do mundo invisível.

É o mecanismo-ponte que une a criatura ao seu Criador.

Oração, sempre.

Redação do Momento Espírita. 

terça-feira, 29 de junho de 2021

Projeto para hoje.

 


Hoje é o dia especialmente criado por Deus para a realização de um sonho. O seu sonho. Afinal, que ideias você anda guardando secretamente?

Qual o projeto ao qual você tem, nos últimos tempos, dedicado mais horas dos seus pensamentos?

Pois hoje é o dia de, pelo menos, dar início às obras. Este dia está para você, hoje, como esteve uma manhã para Beethoven, quando acordou com as notas básicas da Quinta Sinfonia na cabeça.

Apesar de já se dedicar ao seu talento, ele certamente não imaginava que mais de duzentos anos depois, quase todos os habitantes do planeta, mesmo crianças, conheceriam aquelas poucas notas que iriam se repetir durante toda a sua sinfonia.

O dia de hoje está para você exatamente como esteve para Chopin, na tarde em que, escutando o tamborilar de uma goteira na sacada de sua casa, correu ao piano e compôs uma valsa.

É um dia com todas as horas semelhantes àquelas que levaram Michelangelo a esboçar o projeto de pintura da Capela Sistina, em Roma. Projeto que levaria quatro anos para ficar pronto.

Projeto que lhe valeu quase a perda da visão e o deixou doente, pelas condições precárias de trabalho, tanto quanto pela posição incômoda que a pintura da abóbada exigia.

Pense que todos os gênios e pessoas importantes da História da Humanidade tiveram o mesmo tempo que você tem para colocar suas ideias em prática.

Mesmo grandes pessoas de sucesso, que não estão nos livros de História da Humanidade, vêm fazendo as coisas com o mesmo número de horas disponíveis que você tem.

Naturalmente, cada pessoa vive dentro de uma circunstância. Mas, a partir de sua realidade, o que você vai fazer, hoje, para realizar o seu projeto pessoal?

Ele pode ser grandioso e ser dirigido para muitas pessoas. Ele pode ser especial e ser dedicado a alguém em particular ou até a você mesmo.

O seu projeto pode ser ter a coragem de apanhar o celular e digitar o número daquele amigo com o qual você se desentendeu e pedir-lhe desculpas.

O seu projeto pode ser reatar um namoro, retornar para o lar, que você acabou de descobrir ser um ninho de aconchego.

O seu projeto pode ser se matricular no curso de culinária, jardinagem ou de pós-graduação, de mestrado ou doutorado.

O seu projeto pode ser uma viagem para o Oriente ou a velha Europa, ou simplesmente até a casa de sua mãe, para lhe dizer, sorrindo:  Oi, como vai a velhinha mais amada do meu coração?

                                                                *   *   *

Está no ar um novo dia. Programe já o que você vai fazer. O tempo está a seu favor.

Use bem a sua inteligência, o seu talento, a sua força de vontade, a sua emoção.

Este será um dia para você subir um degrau a mais na escada do progresso. Exatamente hoje, você pode criar as condições para chegar lá.

Por isso, escolha bem os seus pensamentos. Não perca tempo com o que lhe traz aborrecimentos. Não perca tempo com maus pressentimentos.

Entregue-se a Deus. Confie n'Ele, na sua capacidade, e vá em frente.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Nossos pés peregrinos.


O peregrino saiu em longa jornada para sua alma. Nessa caminhada, ao olhar os pássaros sobrevoando o céu, admirava a beleza das aves e a leveza do voo. Em cada detalhe, percebia a presença de Deus.

Ao observar as árvores ladeando a estrada, identificava o abrigo e o alimento que mantinha os animais silvestres. Igualmente, percebia a generosidade da natureza ao ofertar sombra e frutos aos viajantes.

Encontrando pedras no caminho, reportava-se aos desafios que a vida apresenta e que precisam ser vencidos, de forma determinada e perseverante.

Encontrando outros peregrinos, com eles trocava experiências e incentivos para continuar a longa jornada, estabelecendo vínculos de amizade.

Contemplando altos edifícios, ao longo da trilha, identificava a inteligência humana, nos cálculos necessários para aquelas construções.

Também a força humana, responsável pela construção de obras imponentes para servir de abrigo, estudo, trabalho e repouso. Além disso, não podia deixar de reconhecer a bondade divina que dota os homens de tantos dons.

Ao anoitecer, descansando ao relento, admirava a beleza do firmamento, com suas infinitas estrelas de luminosidades diferentes.

Também o encanto da lua dominando os céus e oferecendo seu brilho para afastar a escuridão da Terra.

Reconhecia, então, a grandiosidade de Deus e fazia, naquele momento de profunda gratidão, sua ligação com o Divino, através da oração.

Agradecia por todas as oportunidades e belezas que encontrara no caminho. Agradecia aos seus pés, que suportavam a tão dura e longa jornada.

                                                             *   *   *

Todos somos peregrinos em nossas vidas. E devemos agradecer aos nossos pés que nos permitem transitar por onde desejemos.

Nossos pés são o sustentáculo de nosso corpo físico.

É com eles que mantemos o contato com a terra.

São nossos pés que nos sustentam nas caminhadas. Com eles saímos da inércia.

Eles nos conduzem os passos à escola para a aquisição do conhecimento essencial ao bom resultado da jornada. Conduzem-nos ao trabalho digno. E depois, nos levam ao aconchego familiar.

Com nossos pés, podemos ir ao encontro de um irmão necessitado para o amparar.

Com eles podemos percorrer extensas alamedas, repletas de flores e louvar a Deus pela beleza da natureza.

Eles podem nos conduzir a um local de recolhimento para nossa meditação ou oração.

São eles que nos levam na direção da arte, da cultura, nas visitas a monumentos, museus e bibliotecas.

Eles assinalarão o caminho que percorremos para alcançar as marcas do progresso.

Naturalmente, quem os direciona somos nós, o ser pensante. Por isso, se assim decidirmos, eles nos conduzirão a estradas de engano, sofrimento e mágoas.

Tudo depende de nós. Não permitamos que nossos pés caminhem ao encontro dos erros.

Eles são ferramentas que nos foram dadas por Deus para cumprimento de nossas missões. São instrumentos que nos são concedidos para que bem os utilizemos.

Sirvamo-nos muito bem de nossos pés.

Que eles nos conduzam, peregrinos da vida, na direção do que nos pode engrandecer, enriquecer, progredir.

Pensemos a respeito.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 15 de junho de 2021

A vida pulsa no planeta.

 


Você tem ideia de quantas pessoas estão nascendo no mundo neste exato instante?

Arriscaria dizer? Arriscaria dizer o número de seres que chegam no planeta por dia?

A quantidade é impressionante. Estima-se que cerca de trezentos e oitenta mil Espíritos reencarnam na Terra por dia, atualmente, segundo os dados oficiais da ONU e UNICEF.

Isso significa por volta de duzentos e sessenta bebês por minuto, ou um pouco mais de quatro crianças por segundo.

Ao final destes cinco minutos de Momento Espírita, por exemplo, terão retornado ao cenário terrestre cerca de mil e trezentos irmãos nossos.

Mil e trezentas almas recebendo nova chance de crescer e aprender aqui.

Que movimento fabuloso! Que planejamento complexo e extremamente bem organizado, pois nenhum desses nascimentos escapa à atenção da Espiritualidade Superior, dos setores responsáveis pelo processo grandioso da reencarnação.

Em todos os casos há programação. Em todos os casos há um acompanhamento, cuidado extremo para que a nova investida seja bem sucedida.

Isso mesmo. Ninguém vem à Terra destinado ao mal, destinado a fracassar. Todos trazemos planos, objetivos e compromissos.

Todos vêm para a escola para aprender, para daqui saírem melhores do que chegaram.

Nem todos conseguem, infelizmente. Alguns desistem antes da hora. Alguns saem do mesmo jeito que chegaram. Alguns esquecem o valor que tem essa incomparável morada passageira de aprendizagem.

Curiosamente, por mais que nos assustemos com os flagelos, com as doenças, com as catástrofes, o número de chegados ao planeta por minuto ainda supera em muito o número dos que partem.

Somos um mundo de nascidos, um mundo de velhas almas recebendo roupagens novas sempre.

Com cada criança que nasce, independente de onde, independente das condições socioeconômicas, nasce um plano, uma estratégia, um caminho.

Mas, por que umas com tantas oportunidades e outras com tão poucas? - Questiona a visão materialista.

Oportunidade é uma palavra mais ampla e bela do que imaginamos. Ela não se limita à esfera dos recursos e possibilidades materiais e emocionais que estarão disponíveis em nossas vidas.

Assim, a falta de algo, a ausência de estrutura emocional nos que compõem o entorno, o ambiente hostil, tudo é oportunidade, por mais estranho que nos possa parecer.

Cada um desses duzentos e sessenta nascimentos por minuto se dá no momento certo, no lugar certo e seguindo as Leis maiores do Universo.

Todos chegam para progredir. Todos trazem na bagagem o que já foram e nos planos o que desejam se tornar.

O planeta Terra é a escola dos renascimentos. O planeta Terra é a escola das provas e das expiações, que logo mais irá evoluir para uma instituição de regeneração.

Renascemos da água e do Espírito. Renascemos todos os dias nos tornando mais fortes e mais próximos de nossa essência.

                                                        *   *   *

Segundo os especialistas, o coração de um feto, de um bebê, dentro da barriga da mãe, pode chegar a cerca de duzentas batidas por minuto em determinada fase da gestação.

O coração do planeta também bate forte. A vida canta exultante a mais de duzentos nascimentos por minuto.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 8 de junho de 2021

O Hospital do Senhor.


Uma pessoa que não estava se sentindo bem, há algum tempo, fez a seguinte declaração:-

Todo ano faço um check-up para avaliação de minhas condições de saúde. Um dia desses, resolvi fazer um exame diferente e fui a um hospital muito especial. O hospital do Senhor.

Queixei-me de cansaço da vida, de dores nas juntas envelhecidas. Falei do coração descompassado pelas muitas preocupações e da carga de obrigações que me competem.

Logo que cheguei minha pressão foi medida e foi verificado que estava baixa de ternura.

Recordei que há muito tempo não estou fazendo exercícios nessa área. Havia esquecido da necessidade de expressar carinho com gestos pequenos, mas muito importantes.

Quando foi tomada minha temperatura, o registro foi de quarenta graus de egoísmo. Então me lembrei de como estou guardando coisas e mais coisas, sem dar nada a ninguém, mesmo quando campanhas fazem apelos pela televisão, rádio, jornais.

Sempre achei que alguém daria o suficiente e que eu não precisava fazer nada.

Fiz um eletrocardiograma e o diagnóstico registrou que estou precisando de uma ponte de amor. As veias estão bloqueadas por não ter sido abastecido o coração vazio.

Ortopedicamente foi constatado que estou com dificuldade de andar ao lado de alguém. É que tenho preferido andar a sós. Caminho mais rápido, sem que ninguém me atrase.

Também foi observado que não consigo abraçar os irmãos por ter fraturado o braço, ao tropeçar na minha vaidade.

Nos olhos foi registrada miopia. Isto porque não consigo enxergar além das aparências.

Examinada a audição, reclamei que não estava ouvindo a voz do Senhor e o diagnóstico foi de bloqueio em decorrência de uma enxurrada de palavras ocas do dia a dia.

A consulta não custou nada. Fui medicado e recebi alta. A receita que recebi foi para usar somente remédios naturais que se encontram no receituário do Evangelho de Jesus Cristo.

Ao levantar, deverei tomar um chá de Obrigado, Senhor para melhorar as questões referentes à gratidão. Ao entrar no trabalho, uma colher de Bom dia, amigo.

De hora em hora, não posso me esquecer de tomar um comprimido de paciência, com meio copo de humildade.

Ao chegar em casa, será preciso tomar uma injeção de amor para melhorar a dificuldade de relacionamento familiar. Toda noite, antes de deitar, duas cápsulas de consciência tranquila para que eu tenha um sono reparador.

Foi-me dada a certeza de que se seguir à risca toda a prescrição médica, não ficarei doente e todos os meus dias serão de felicidade.

O tratamento tem também um caráter preventivo. Assim, somente deverei morrer, por morte natural e não antes do tempo determinado.

                                                                  *   *   *

O Evangelho pode ser considerado como a própria voz do Cristo a falar aos corações, chamando, chamando e conduzindo.

O Evangelho corporifica na Terra a palavra de Jesus. É Ele mesmo que se apresenta de retorno, tomando os filhos e filhas da dor em Seus amorosos braços a fim de os conduzir para a luz gloriosa da verdade.

Como há mais de dois mil anos, Jesus prossegue, através do Evangelho, a estender a esperança e o amor sobre toda a Terra, para todos os corações.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Sou eu, Jesus.

 


Um local árido, e dos mais ásperos. Justamente ali, uma voz se ergue, ecoando no deserto.

Tendo Ele se levantado muito antes da luz do dia, retirara-se para o solitário lugar para orar.

De Seu amoroso verbo, brota a água que faz correr rios de luz.

De Sua presença luminosa, o silêncio se faz verdadeira orquestra, perfeitamente afinada com a celeste música do Criador, o Pai de todos nós, com o qual Ele estabelece um estreito diálogo.

É nesse colóquio com o Senhor da Vida, que o Cristo se revela Um com Ele. E cumpre Sua missão para conosco: nos direciona, nos encoraja, nos fortalece.

                                                                  *   *   *

Os desafios da vida são tão grandes. Não há mais distâncias. A globalização, o advento da Internet fazem com que o mundo nos esteja disponível na rapidez de um clique.

Nunca estivemos tão conectados... e tão solitários.

Por vezes, nossos corações se tornam ressequidos, ao contemplarem as injustiças do mundo, a desigualdade social, a fome, a dor, as atrocidades cometidas e os atentados contra a vida.

Não raro, nos apresentamos desesperançados. Também cansados. Parece-nos andar pela aridez de um deserto. A voz do silêncio ecoa em nosso ser.

Todavia, lembremo-nos do Cristo. Fechemos, por um instante, nossos olhos. Permitamo-nos sentir Sua doce presença.

Permitamos que Ele, que conhece cada uma de nossas angústias, que compreende amorosamente nossa tão frágil e vacilante fé, adentre o deserto das nossas dores, das dores do próximo, das dores do mundo.

Agucemos nossos ouvidos para lhe ouvir a voz:

Sou Eu, Jesus.

Sou Aquele que caminha ao teu lado e que te conduz os passos, mesmo quando, para ti, eles pareçam tortuosos.

Sou Aquele cujas mãos repousam em tuas mãos, ainda que sintas o gosto amargo da solidão e, por isso, não as perceba.

Todavia, são as Minhas mãos que se juntam às tuas em prece e, quando tu não consegues orar, oro por ti ao Pai que está em Mim e que está também em ti.

Sou Eu, que me felicito com tuas alegrias, seco as tuas lágrimas, conheço o mais profundo de tua alma e que, em meio às lutas diárias, lembro-te de teu destino: a paz e a felicidade.

Então, mesmo que por um breve instante, tu sorris. E Meu sorriso é contigo.

Sou Eu, que conheço tão bem o peso da cruz, que te auxilio a carregar a tua, na certeza de que não há dores que sejam eternas e de que cada dia, por mais dolorosa seja a tua via crucis, é valiosa lição que te ilumina mais e mais.

Sou Eu, Jesus, que te amo profundamente e que sei de tuas lutas, confiante e certo de tuas vitórias.

Lembra-te de Mim. Nas amarguras, lembra-te de mim. Nas alegrias, lembra-te de mim. Nas incertezas, lembra-te de mim.

Lembra-te de mim, pois meus olhos estão sempre voltados para ti. Quando mais necessitares, mais refrescantes serão as bênçãos do céu que derramarei sobre ti.

Abraça a certeza de que não és um deserto. Antes, uma florida campina cujo perfume espalha harmonia.

Confia. Sou eu, o teu Amigo Jesus.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Consolando sempre.

 


Vivemos na Terra dias de graves dificuldades, especialmente agravadas pela pandemia que se abateu sobre o planeta, desde o primeiro semestre de 2020.

Mudanças de toda ordem aconteceram.

Pessoas adoeceram. Pessoas morreram.

Pessoas em luto choram a partida de seus entes queridos.

Pessoas conseguiram driblar o vírus cruel, mas sobrevivem com sequelas, que lhes atormentam as horas.

Pessoas perderam seus empregos e não encontram solução para os problemas que se avolumam.

São dias de muita dor para as almas, que se encontram sobre a Terra, nesta conjuntura histórica.

Mas, ao mesmo tempo, há muitas pessoas fazendo o bem e procurando levar consolo àqueles que sofrem.

                                                                           *   *   *

O vocábulo consolo tem sua origem na língua latina, da junção de duas palavras: com, que significa junto, e solari, que significa suavizar, e também deriva da ideia de solo, chão.

Isso quer dizer que consolar é buscar amenizar a dor do outro ou, dar-lhe um chão.

É comum, na linguagem popular, quando alguém recebe uma notícia impactante, dizermos que a pessoa está sem chão.

Consolar é oferecer esse chão.

Levar aos nossos irmãos uma base sólida construída a partir dos ensinos cristãos.

Pavimentar esse solo com os valores da bondade, da esperança e do amor.

É levar o acolhimento àquele que sofre, com palavras, ideias, sentimentos. Com a nossa presença, mesmo que seja virtualmente.

A situação pandêmica que vivemos não nos permite, muitas vezes, estarmos fisicamente presentes com aqueles que queremos ajudar, aqueles pelos quais nutrimos afeição.

Mas, podemos estar juntos de forma virtual, graças aos abençoados meios tecnológicos.

Jesus, nosso Modelo e Guia, consolou muitas pessoas enquanto esteve entre nós.

Acalentou aqueles que sofriam dores morais.

Levou alívio àqueles que padeciam ante doenças físicas.

Através de suas palavras, semeou esperança e reconforto a muitos desalentados.

Acolheu, com Seu olhar e com Seus braços, os que se encontravam caídos.

Foi Ele quem nos legou o ensino precioso: Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados.

E nos acenou com seu acolhimento amoroso: Vinde a mim, vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei.

É a promessa de que todos seremos consolados.

Consolar não é tirar a dor que o outro está sentindo.

Consolar é buscar o entendimento das razões do sofrimento.

É partilhar da fé no amor de Deus.

É possibilitar a compreensão sobre a vida futura.

É propiciar o saber de que as Leis Divinas são perfeitas.

Consolar é semear o chão do outro com estímulos para a resignação, a fé, a calma e a coragem.

É possibilitar a certeza de que tudo passa, nesta vida. Nada é para sempre.

Todos podemos nos tornar esses consoladores que transmitem a renovação do bom ânimo.

Todos temos o poder de pronunciar a palavra que conforta, anima, a quem já está quase desistindo da vida.

Pensemos nisso e não deixemos de oferecer consolo, hoje, agora, enquanto a necessidade se faz presente.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Ternura e amor.

 


Um homem, desiludido da vida, foi em busca de um profissional, pois precisava de ajuda para o seu peito oprimido.

Começou dizendo que não amava mais sua mulher, e por isso, queria se separar.

O terapeuta o observou e lhe disse que seu caso era simples, desde que esclarecidos determinados pontos.

Continuou, falando que ele deveria amar sua esposa e tratá-la com ternura.

Inquieto, o homem afirmou que não sentia mais nada pela sua mulher, e que precisava de ajuda para conseguir separar-se dela.

Novamente, ouviu que deveria amá-la com ternura.

Aquele homem, que esperava uma solução simples, prática e plausível, sentiu-se muito desconfortável.

Diante disso, falou o profissional, dando um novo colorido à situação:

Amar é uma decisão, não é apenas um sentimento.

Amar é dedicação e entrega, é ternura e carinho.

Amar é um verbo, e o fruto dessa ação é o amor.

O amor é um substantivo, um exercício de jardinagem.

É preciso arrancar o que faz mal, pela raiz, preparar o terreno, semear, ter paciência, regar, cuidar...

Podem aparecer pragas, vir a seca, nem por isso devemos abandonar o jardim.

Assim, devemos amar nosso par, aceitá-lo, valorizá-lo, respeitá-lo, dar amor e ternura, admiração e compreensão.

Por isso é que o caminho mais correto para o seu caso, é amar.

Ame simplesmente, ame!

E aquele homem, antes desconfiado, agora pensativo, saiu com o firme objetivo de pensar naquela receita: amar é um verbo, uma ação. Amor é um substantivo, um exercício.

                                                                      *   *   *

Descartar o que, aparentemente, não mais nos serve e incomoda, é muito prático e conveniente.

Não exige muito, apenas um pouco de coragem e ousadia.

Quando, porém, nossos sentimentos amadurecem e passamos a desejar ao outro o que queremos para nós, tudo muda.

Benditos sejam os que fazem pensar, meditar.

Abençoados os que nos mostram a situação vivenciada sob um ângulo mais claro.

A vida é uma escola, onde as lições de cada dia servem de despertador, para fazer acordar determinadas situações.

Temos necessidade de descobrir os potenciais ocultos em nós próprios.

Sempre é momento de dedicarmos carinho, ternura e amor, a quem compartilha nossos caminhos na vida.

Aprendemos que é necessário fazer o bem na medida de nossas forças.

Mais: que responderemos por todo o mal que resultar do bem que não fizermos.

Assim sendo, não podemos nos considerar inúteis.

Deus está presente em nós.

Busquemos auxílio e auxiliemos nossos amores a crescerem na vida.

Os tesouros de bondade, levamos no coração, para serem espalhados ao nosso redor.

Mesmo que não tenhamos a riqueza da cultura intelectual, sempre podemos espalhar a riqueza dos bons sentimentos.

Podemos não ser imensamente felizes, mas poderemos nos felicitar com o bem-estar que semearmos.

A vida nos apresenta oportunidades a cada novo dia.

Somos filhos de Deus, e estamos mergulhados no Seu amor.

Se ainda não começamos a agir de acordo, sempre é tempo de começar.

A inteligência sem amor nos faz perversos.

A vida sem ternura e amor não tem sentido.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Elogio ao trabalho.

 


Era uma tarde de outono. A senhora saiu de sua casa para atender compromissos nos arredores do bairro.

Foi ao supermercado comprar os alimentos para sua família, passou na farmácia para adquirir o remédio para o filho e, no retorno, comprou lindas flores para enfeitar seu lar.

Próximo à sua casa, encontrou um trabalhador a varrer as folhas que haviam caído e se acumulavam no chão.

Aproximou-se e, de forma delicada, lhe perguntou: O senhor tem ideia da importância dessa sua atividade?

Surpreendido, estranhando a pergunta, não imaginando o que poderia resultar da sua resposta, simplesmente levantou os olhos e olhou para a interlocutora.

Ela continuou: Quero lhe agradecer pelo trabalho realizado com tanto capricho e dedicação.

Obrigado por suas palavras gentis - acabou por dizer o servidor público.

A senhora finalizou:

Saiba que nossa cidade fica ainda mais linda quando o senhor realiza seu trabalho. Sou muito grata pelo serviço que presta a todos que moram neste bairro.

Ela retomou o seu caminho e ele a sua atividade. Mas, naquele dia, de forma diferente, mais feliz pelo reconhecimento que aquele elogio lhe trouxera.

                                                                        *   *   *

Elogiar alguém por um trabalho bem realizado pode ser um grande incentivo para a sua continuidade e melhoria.

Pequenos gestos, como um agradecimento, por exemplo, podem ser realizados por nós.

Nem sempre nos damos conta da importância de algumas atividades, que nos beneficiam. A limpeza das ruas não somente coopera com a higiene, também embeleza a cidade.

E o conjunto de muitas pequenas atividades produzem a harmonia da nossa comunidade, do nosso bairro, da cidade.

Agradecer o trabalho que outras pessoas realizam é um exercício de gratidão e generosidade.

Seria interessante que pudéssemos ficar mais atentos a essas pequenas e importantes atividades e criarmos formas de reconhecimento e valorização para os que as executam.

Agradecer e prestigiar as mãos generosas presentes em nossas vidas.

Todos somos capazes de sermos solidários com o trabalho do outro, cooperando até, a fim de não torná-lo mais duro, mais difícil.

O trabalho é lei divina. Todos devemos trabalhar. Todo trabalho é importante.

Podemos exercer nosso trabalho com alegria. Ele nos engrandece. Podemos nos motivar a fazer o nosso melhor.

Podemos incentivar a realização do bom trabalho alheio.

Através dele, podemos exercitar a colaboração de uns para com os outros, um exercício de solidariedade.

Quiçá, a prática de pequenos gestos de amor em direção do outro.

Na oficina do trabalho, todos os esforços merecem reconhecimento.

A partir de pequenos gestos de gratidão e valorização do trabalho daqueles que convivem conosco, poderemos espalhar a gentileza e contribuir para um mundo mais fraterno.

Adicionemos às nossas vidas a prática do elogio sincero àqueles que trabalham de forma zelosa e diligente.

Dessa forma, estaremos cooperando na construção de virtudes em nós mesmos e em todos à nossa volta.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Dores da alma.

 


Quando ainda era acadêmica ouvi de um professor algo que nunca esqueci "quando tudo dói a dor não é física"...

Talvez eu não tenha dimensionado naquele instante a grandeza desse diálogo. Hoje geriatra, vivenciando diariamente a rotina dos meus pacientes, vejo o quanto esse olhar me abriu para compreender cada um que chega com dores por todo corpo; muitas vezes não sabendo nem por onde começar ou sequer explicar como acontece. Ouço com atenção às queixas de dores de cabeça, no estômago, musculares, ósseas, palpitações, náuseas, coceiras...

Depois faço apenas uma pergunta " o que está realmente acontecendo com você? " 

Após um minuto de hesitação e até espanto, a maioria cai num choro convulso e doloroso. Deixo o choro libertador acontecer e então no lugar das queixas álgicas ouço término de relações, perdas de pessoas queridas, problemas financeiros, medos, angústias e ansiedades.... Novamente lembro-me da frase " quando tudo dói a dor não é física"... Não é! A dor é na alma...

Tudo que nos faz mal e guardamos, por um mecanismo de defesa, vai sair de alguma forma... muitas vezes em forma de doença! É nosso corpo físico gritando pelo resgate da nossa alma.... É nosso corpo nos confrontando com nosso eu.... É nosso corpo nos mostrando o que não vai bem.... É nosso corpo dizendo " olhe pra você "

Às vezes é difícil compreender e até acreditar nisso. Normal! Estamos tão mentais, tão obcecados pela objetividade que só mesmo adoecendo, doendo, machucando é que paramos para valorizar nossas sensações e nos perceber. ..

Ninguém gosta de sentir dor, ninguém quer adoecer, todo mundo teme se machucar...

Alertas! Quantos alertas nosso corpo precisa nos enviar para olharmos pra ele, de verdade!

Sejamos mais atentos, gentis e cuidadosos com nosso corpo... Sejamos mais atentos, generosos e amorosos com nossa alma...

Toda dor é real... Toda dor é tratável. .. Todo corpo deve ser templo...Toda alma deve ser leve...

Roberta França  / Medicina Geriátrica.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Deus e o silêncio.

 


No mundo há tantas vozes. Vozes que cantam, vozes que alertam, vozes que comandam, vozes infindas que ecoam as mais diversas palavras, fruto de incontáveis pensamentos.

Entretanto, palavras são prata. O silêncio, por sua vez, é ouro, ensina-nos o provérbio.

Relatam os Evangelhos que Jesus, inúmeras vezes, retirava-se para, no silêncio, conversar com Deus.

Em busca do progresso, meio pelo qual alcançamos a paz e a felicidade, tamanhas são as nossas dúvidas; grandiosas, as incertezas; incertos os passos.

Entretanto, o mundo é gigantesco para a todos nos envolver e é pequeno o suficiente para caber dentro de nossos corações. No Espírito do homem está o espírito do mundo.

E, para compreendermos o mundo, exterior e interior, necessitamos do silêncio. Para nos autoiluminarmos, dele somos necessitados.

Ouçamos nosso silêncio. Percebamos a harmonia entre nós e aquilo que nos cerca, dos desertos às pradarias floridas, das dores às alegrias.

É no silêncio que encontramos a melhor imagem de nós mesmos e alçamos o mais profundo de nossos corações. Ali Deus habita. Sintamos Sua presença. Silenciosos, ouçamos Seu falar.

A fala do Pai é mansa, é doce. Pétalas suaves que, delicadas, tocam o cerne de nosso ser.

Ouvindo-O, encorajamo-nos, encontramos esperança na desilusão, luz na escuridão, valor no perdão.

Escutando-O atentamente temos a certeza de que as nuvens escuras que, porventura, ocupam os céus de nossa alma vão seguramente passar.

O sol, todavia, que se esconde por trás delas, não passará jamais.

Assim, temos ânimo para novamente sorrir, coragem para vencer os desafios diários, segurança para deixar o homem velho para trás e construirmos o homem novo, objetivo maior de nossa existência.

É no silêncio que curamos nossas mágoas, que combatemos as más intenções que nos impedem de seguir, que nos livramos dos maus pensamentos que nos tiram a paz, que espantamos as más palavras que nos conduzem a dolorosos arrependimentos.

É no silêncio que nos tornamos mais sábios, pois ouvimos a voz de nossa própria consciência.

É no silêncio que o Espírito em marcha desperta, floresce, vislumbra o mundo, prepara-se para os desafios que lhe são próprios frente às responsabilidades intelecto-morais.

É no silêncio que nos encontramos conosco mesmos e com Deus.

                                                                 *    *   *

Pai de todos nós, permite-nos que Te ouçamos no mais solene silêncio de nossos corações.

Que, por meio do silêncio, a acústica de nossas almas vibre em comunhão perfeita Contigo.

Que, em nossas dores, em nossas alegrias, em nossas angústias, em nossa resignação, saibamos guardar o devido silêncio, a fim de Te louvarmos.

Que o silêncio seja, Senhor da Vida, nosso elo mais profundo de ligação e que seja ele a nos lembrar que Tu não és o Pai que habita distante, nos céus. Antes, Tu és Aquele que habita o mais íntimo de cada um de nós.

Silenciemos. Ouçamos a Voz de Deus a falar, a ensinar, a consolar, a cantar a mais harmoniosa melodia dentro de nós!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 20 de abril de 2021

O respeito pela vida.


O respeito pela vida abrange o sentimento de alta consideração por tudo quanto existe.

Não apenas se detém na pessoa, mas em todas as expressões da natureza.

Quando não existe essa manifestação, os valores éticos se enfraquecem e todos os anseios superiores perdem a significação.

A criatura humana, impulsionada por ilusões da conquista do sucesso aparente, tem se esquecido disso, sem se dar conta da gravidade de tal atitude.

O egoísmo tem controlado os sentimentos, impondo o seu interesse, em detrimento de todos os valores mais dignos.

Os membros da sociedade têm sido separados lamentavelmente, dividindo-se em classes medidas pelos recursos sociais, econômicos, porém, nunca os morais.

Surge, então, um inevitável abismo entre os seres. Reações de animosidade se convertem em ódios tolos, abrindo campo para as batalhas da violência doméstica e urbana.

Quando mais intensos, se apresentam como atos de terrorismo e guerras odientas.

Alguns acreditam que, possuindo dinheiro e desfrutando de projeção política ou social, serão capazes de conseguir afeição e companheirismo. Amargo engano.

Afeto e amizade não se compram, nem tampouco se impõem. Alguns se deixam seduzir por esses recursos transitórios.

Iludem-se pensando que a criatura pode ser identificada pelo que possui e não pelo que realmente é.

Todas essas fantasias, no entanto, são passageiras, porque as riquezas trocam de mãos rapidamente.

A beleza e o poder não enfeitam as mesmas faces por longos anos.

Tocadas pela brisa do tempo, elas desaparecem a olhos vistos, e cedem lugar à verdadeira essência dos seres.

Ninguém consegue ser feliz individualmente no deserto que cria para si mesmo ou numa ilha isolada da convivência social.

Tentando ignorar essa verdade, muitos se valem de subterfúgios infelizes. Buscam no álcool, nas drogas químicas, na baixeza emocional e sexual, a fuga da solidão e do desconforto em que vivem.

Esse é outro equívoco que conduz a tragédias ainda mais dolorosas. A vida só se faz digna e próspera, quando se estrutura na pedra fundamental do respeito.

O respeito pela vida eleva o padrão de conduta, dignificando aqueles a quem é direcionado e elevando moralmente quem assim se comporta.

A honestidade, por sua vez, indispensável no sucesso dos relacionamentos humanos, proporciona confiança e bem-estar aos seres.

                                                                  *   *   *

Elaboremos uma lista de desafios íntimos que nos possam conduzir a situações embaraçosas.

Trabalhemos item a item, cada dia, experimentando as alegrias que decorrem do respeito pela vida.

Redescobriremos o amor e a satisfação de repartir e de compartilhar os júbilos com o próximo.

Constataremos o resultado decorrente da renovação íntima que nos dispomos realizar.

Respeitando a vida, passaremos a ser respeitados e estimados por todas as expressões dela própria.

Notaremos em nós mesmos a indescritível satisfação de estar em paz com a própria consciência.

Lembremos: a vida é sublime concessão de Deus, que não pode ser desconsiderada, por quem quer que seja.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Esforço pessoal.


As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.

Disciplinando-se e vencendo a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, alcançando resultados expressivos e valiosos. Essas realizações, no entanto, têm início nele próprio.

É possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.

Certamente, não conseguirás solucionar o problema da fome na Terra. Apesar disso, poderás atender a algum necessitado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.

Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões da oração, que envia a essas almas o amparo necessário para a amenização de suas dores.

De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, indefesas, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem, da esperança.

As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que desnorteiam a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Mas, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba, oferecendo-lhe reajuste e renovação.

Naturalmente, o teu empenho máximo não irá alterar o rumo das leis da gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do sol de primeira grandeza que é Jesus.

Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são possíveis de serem solucionados.

A inundação resulta da gota de água.

A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se soltam.

A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.

Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo irá melhorar.

A sociedade, qual ocorre com o indivíduo, é o resultado de si mesma.

Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.

Se teus sonhos almejam a felicidade plena no mundo, começa a busca de fazer felizes aqueles que se encontram ao teu redor.

Se teus desejos de paz são sinceros, busca a paz interior da consciência tranquila, e transmite paz àqueles que te cercam.

Se vês no futuro o amor reinante no planeta, principia amando intensamente tua família.

                                                           *   *   *

A escuridão não mais existe, quando na presença de uma minúscula faísca.

O sofrimento pensa em desaparecer, quando envolvido por uma leve brisa de esperança.

A chuva cinza decompõe-se em cores, quando recebe os raios do sol.

A raiva tem saudade da doçura, quando é abraçada com carinho.

A escuridão, o sofrimento, a chuva, a raiva: todos eles passam.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

Palavrão.

 


Está se tornando comum o palavrão. A pouco e pouco, palavras de baixo calão vão sendo incorporadas ao vocabulário. Passam a ser utilizadas, habitualmente.

Lá se foram os anos em que o palavrão era utilizado pelas pessoas ditas de má educação. Hoje, atingiu status. Políticos se permitem utilizá-lo para defesa das suas ideias ou para a própria defesa.

O teatro foi inundado por artistas que fazem dos palavrões meios de comunicação. Tudo em nome de uma pretensa arte.

A televisão exibe cenas de violência e sexo, manipulando gestos e palavrões. As empresas públicas, que exploram a telefonia, permitem que, com o simples discar de um número, se ouçam piadas maliciosas e se aprendam mais alguns palavrões.

Atores e atrizes não se limitam a dizer piadas fortes. Vão além. Fazem também gestos agressivos. E o pior: o público aplaude. Como se ouvissem frases de efeito que encerrassem uma filosofia ou um ensinamento.

Pais ensinam aos filhos os palavrões. E as ocasiões para os utilizar. Para ofender os brios de alguém. Para irritar simplesmente. Ou só para desabafar.

Observamos como a linguagem vai se tornando grosseira, grotesca.

Em O livro dos Espíritos aprendemos que se reconhecem os Espíritos pela linguagem. Entre os Espíritos, como entre os homens, a linguagem é sempre um indicativo de qualidade moral e intelectual.

Ao abordar a questão da palavra, Jesus foi enérgico: Aquele que disser a seu irmão: “Raca, merecerá condenado pelo conselho. Aquele que lhe disser: és louco, merecerá condenado ao fogo do inferno.”

Raca, entre os hebreus, era um termo desdenhoso. Significava homem que nada vale. Era pronunciado cuspindo e virando-se para o lado a cabeça.

Ao afirmar que mereceria o fogo do inferno, o que significa intenso sofrimento, Jesus vai bem longe. Como pode uma simples palavra, louco, se revestir de tanta gravidade que mereça tão severa reprovação?

É que toda palavra exprime um sentimento e vai carregada de vibração correspondente. Desse modo, toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. Constitui um golpe desferido na fraternidade.

Quando vemos nossa infância e juventude absorvendo tão rapidamente os palavrões, esquecendo as verdadeiras denominações dos objetos, lamentamos.

Alguns defendem o retorno aos antigos métodos repressores. Da pimenta na boca, palmada nos lábios à censura ostensiva em todos os veículos de comunicação.

A repressão, a agressão não resolvem o problema. Existem sempre os que afirmam que a lei existe para ser violada.

O problema é, pois, de educação. Educação do pensamento para uso da palavra devida.

A boca fala do que está cheio o coração. A boca expressa os sentimentos. A ideia é uma força criadora e nossas palavras aderem a ela elaborando formas e coisas.

De maneira simbólica, podemos comparar a palavra ao ferro gusa. Após escorrer do forno da nossa mente se solidifica nos trilhos, bons ou maus, sobre os quais o comboio da nossa existência seguirá.

                                                                        *   *   *

Habituemo-nos a falar o bem. Não incorporemos ao próprio vocabulário expressões de cunho malicioso ou grotesco.

Vigiemos o pensamento. Habituemo-nos à boa leitura.

Alimentemos a mente e o coração com o que é belo e bom.

A palavra tem vida. Vitalizemos o bem.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 30 de março de 2021

A empatia em tempos de crises


A vivência da empatia é de fundamental importância nestes tempos de crises, pelos quais estamos passando quando urge a necessidade de buscarmos respostas que justifiquem o porquê e o para quê dos acontecimentos atuais e do nosso envolvimento neste contexto, não apenas no tocante às crises existenciais e à pandemia da covid-19, mas também aos preconceitos alusivos à desigualdade social, ao gênero, à sexualidade, à etnia, etc.

Embora para muitos de nós, à primeira vista, tratam-se de tempos de dores e de sofrimentos, na verdade o fundo da questão nos remete às oportunidades de aprendizagem moral, chamando-nos para que, através da força do autoconhecimento, do resultado dos momentos de reflexão e da vivência de maneira resignada, libertemo-nos das amarras que nos impedem do avanço na senda evolutiva, e que possamos, através desses exercícios, promover a nossa transformação moral.

Como já sabemos, a empatia é a palavra-chave para o momento em que estamos vivendo e convivendo, como se estivéssemos nos abarcando no mesmo barco, em plena tempestade, unindo forças para o enfrentamento de desafios, a fim de vencermos estes tempos de pandemia e demais tipos de crises que envolvem a sociedade como um todo.

O mestre Jesus, através dos evangelhos, ensina-nos a empatia, que se praticada em tempos de normalidade, na aprendizagem das lições, na lida do dia a dia, servirá de base para a aplicação em tempos de crises, assim vejamos o seguinte exemplo:

“Fazei ao outro somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito”. (Mateus 7:12)

Dessa recomendação do mestre Jesus, podemos extrair para todos nós o ensinamento de que se trata do maior senso de justiça, equilíbrio das relações interpessoais.

Fazer ao outro somente o que gostaríamos que nos fosse feito é nos colocarmos no lugar do outro, fazendo ao outro as coisas que desejamos que o outro faça por nós.

Esse ensinamento é, também, ministrado pelo Espírito de Verdade, na questão 876 de O Livro dos Espíritos, sendo a sua aplicação à base da justiça, segundo a lei natural.

Portanto, temos no mestre Jesus, o exemplo maior da empatia, sendo Ele o tipo mais perfeito oferecido por Deus à Humanidade, para lhe servir de guia e modelo, conforme nos ensina a questão 625 de O Livro dos Espíritos.

Que nestes tempos de crises diversas, possamos nos colocar no lugar do outro, fazendo-lhe somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito, a fim de auxiliá-lo nestes momentos difíceis pelos quais todos estamos vivenciando, quando passamos a desenvolver a virtude da misericórdia, externando a pureza do coração em favor um do outro.

Dessa forma, juntos entenderemos o porquê e o para quê destes tempos de crises, e venceremos o mundo, ou seja, começando, cada qual, pelo seu próprio “mundinho” íntimo.

Yé Gonçalves

Texto publicado em 07/01/2021 na Agenda Espírita Brasil e, gentilmente, cedido aos irmãos(ãs) do Jornal Mundo Maior.

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