terça-feira, 9 de julho de 2019

A primeira prece.

Na madrugada, o homem, sequioso de aventuras, chegou ao deserto de Gila, no Novo México.

Estacionou o caminhão e iniciou a caminhada de trinta e dois quilômetros, para se encontrar em um acampamento, com seu grupo de alunos.

O verão era implacável e o sol ardia como fogo. O professor começou a sentir que as botas não eram as ideais para aquele clima. Parou, arejou os pés, colocou outras meias, acelerou o passo, reduziu a marcha. Nada funcionou.

Ao cair da noite, chegou ao acampamento. Os pés estavam uma chaga viva. Eram bolhas e machucados o que viu quando descalçou as botas.

Apesar de tudo nada comentou com ninguém.

Dialogou com os instrutores e com os garotos. A madrugada o surpreendeu em repouso.

Quando a manhã se fez clara, veio o alarme. Um dos garotos sumira.

O professor sentiu o peso da responsabilidade, antevendo as ameaças do deserto cruel que o menino iria enfrentar. Calçou as botas outra vez e teve a impressão de estar andando sobre vidro quente. Tropeçou, arrastou os pés. Tentou pensar em algo para se distrair, esquecer a dor. Tudo em vão.

A dor foi se tornando sempre maior, insuportável.

Finalmente, ele alcançou a trilha que saía de uns arbustos e seguiu direto ao rio que descia das montanhas, através de sombrios desfiladeiros.

Ao ver a água, colocou os pés calçados dentro dela. Esperava alívio mas a sensação foi de milhares de agulhadas perfurando-lhe as bolhas.

Deixou escapar um grito estridente do peito e se jogou na água, por inteiro. A dor aumentou.

Não havia solução. Ele não conseguia mais andar e onde se encontrava, com certeza demoraria dias para ser encontrado.

E o garoto? Era preciso encontrar o garoto.

Uma ideia tomou vulto em seu cérebro e ele começou a implorar, até sua voz ecoar num brado sempre mais alto:

Um cavalo. Por piedade. Preciso de um cavalo.

Depois, como um lamento, colocou toda sua alma na palavra seguinte:

Jesus!

E prosseguiu repetindo:

Jesus. Um cavalo. Jesus.

Era a primeira vez que orava.

Um cavalo apareceu. Era real. Não era alucinação. Ele o montou por toda a noite, até encontrar o garoto.

Cedo, dois vaqueiros procuraram o animal que lhes fugira, não saberiam eles dizer o porquê.

Mas o professor sabia. Sua prece fora ouvida e atendida. Por isso, emocionado, ali mesmo, pronunciou a segunda prece de sua vida: a prece da gratidão.

                                                                *   *   *

Você sabia que a oração deveria fazer parte de nossa vida?

Que orar jamais deveria ser nosso último recurso, mas o primeiro a ser buscado?

E que a prece movimenta profundas forças que concorrem para reverter quadros enfermiços, enquanto alimenta com novo vigor a esperança e restabelece o bom ânimo?

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Autoeducação.

Não há, basicamente, em nenhum nível, uma outra educação que não seja a autoeducação.

Toda educação é autoeducação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o entorno da criança educando-se a si própria.

Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança eduque-se junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior.

                                                                        *   *   *

A lição trazida por Rudolph Steiner, importante educador, filósofo e artista, criador da Pedagogia Waldorf, exige nossa atenção e estudo aprofundados.

O processo da educação não ocorre de fora para dentro e nem de uma única via. Todos nós nos auto educamos juntos.

Assim, tanto a função dos pais, os primeiros educadores, como a dos professores, da escola, é proporcionar esse entorno rico, propício para que a criança se auto eduque.

Outro grande educador, Johann Heinrich Pestalozzi, acreditava que a escola deveria ser a extensão do lar, propiciando um ambiente familiar para oferecer uma atmosfera de segurança e afeto.

Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, o pensador suíço não concordava totalmente com o elogio da razão humana. Para ele, só o amor tinha força salvadora, capaz de levar o homem à plena realização moral.

Aí estaria então o ambiente propício para que a criança pudesse se educar junto ao educador.

Por fim, Allan Kardec, aluno de Pestalozzi, trará no âmago da obra espírita esse mesmo viés de pensamento.

Segundo ele, a educação que apresenta a chave do progresso moral não é a do intelecto e nem mesmo a educação moral pelos livros, mas aquela que consiste na arte de manejar os caracteres.

E caracteres, qualidades, tendências, não se manejam de fora para dentro. Ninguém deixa de ser orgulhoso, vaidoso porque leu em livros ou porque foi forçado por educadores.

Aliás, essa forma tradicional de lidar com as imperfeições da alma, escondendo-as ou mascarando-as, traz maiores problemas naqueles que desejamos modificar as más tendências ou os vícios.

Verdadeiramente, somente mudamos quando nos auto descobrimos. O auto descobrimento ou autoconhecimento é que propicia a autoeducação.

Dessa forma, educandos e educadores devemos mergulhar nesse processo rico de descoberta interior, um auxiliando o outro. Obviamente, o mais preparado, com maior experiência nas coisas da vida, terá condições de orientar o processo, de provocar a reflexão e proporcionar experimentações, vivências, que façam com que a autoeducação aconteça.

                                                                        *   *   *

Que se faça pela moral tanto quanto se faz pela inteligência e se verá que, se existem naturezas que se recusam a aceitá-las, há, mais do que se pensa, as que exigem apenas uma boa cultura para produzir bons frutos.

Eis o papel do educador, a boa cultura, o solo fértil, o entorno saudável para que a nova planta possa se desenvolver ou se autodesenvolver.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 25 de junho de 2019

A recompensa da gratidão.

Ela viera das terras distantes de Cesaréia de Filipe, na Decápole. Era considerada impura, pois há doze anos um fluxo sanguíneo não a deixava. Recorrera a todos os métodos possíveis, na ânsia da cura.

Tudo inútil. Seu mal era considerado um sinal de desventura, um castigo divino.

Após ter gasto tudo que possuía, ela resolvera buscar a próspera Cafarnaum, na esperança de encontrar um remédio ainda não experimentado, um médico ainda não consultado.

Chegou à cidade no momento em que o sublime profeta de Nazaré acabava de saltar nas brancas praias de Cafarnaum.

Pelos caminhos, ela ouvira falar d'Aquele Homem, pela boca dos que tinham sido abençoados por Suas mãos e haviam recuperado a saúde.

O povo se comprime. Todos almejam chegar mais perto. A figura de Jesus se destaca com Sua túnica tecida sem costura, seu manto quadrangular de borlas tecidas em fios de linho.

A mulher tenta se aproximar d'Ele. O coração parece lhe saltar do peito. O que dizer-lhe? Como falar da sua desdita, expondo-se, em meio a tanta gente?

Ela já fora tão humilhada. As marcas da problemática orgânica lhe denunciavam a enfermidade. Estava descarnada, anêmica.

Ela acreditava n'Ele. Parecia sentir que uma força extraordinária se desprendia d'Ele. Todo Ele era grandeza. Almejava gritar, tocá-lO. Isto: tocá-lO seria suficiente para que se curasse.

Então, numa rua estreita, enquanto a multidão se adensava cada vez mais, ela aproximou-se e por trás, alongou o braço esquálido e lhe tocou as vestes com a ponta dos dedos.

Maravilha! O sangue estancou de imediato. A dor se foi. Uma sensação estranha a dominou. Sentiu-se renovada. Foram alguns segundos de êxtase. Logo, a voz d'Ele se destacou na multidão:

Quem me tocou?

Os discípulos dizem que é impossível saber, pois todos O apertam, comprimem.

Ela se atira aos pés d'Ele e confessa:

Fui eu, Senhor. Guardava a certeza que, em tocando-te as vestes, recuperaria a saúde.

Jesus a envolve em Seu olhar e a sossega:

Filha, vai em paz. A fé te salvou. Fica livre do teu mal!

Algum tempo depois, Ele foi preso. Às horas de angústia da incerteza do destino d'Ele, se seguiu a cruel subida até à Colina da Caveira.

Sob o peso do madeiro que carrega, enfraquecido por não ter se alimentado desde a noite anterior e pelas longas horas de flagelação, ele cai.

Ela não se contém. Burla a vigilância dos soldados e corre-lhe ao encontro. Com uma toalha branca, limpa-lhe a face ensanguentada e dorida.

Quando a retira, nela estava estampado o rosto d'Ele, tingido pelo sangue.

Vai em paz! Lembrar-me-ei de ti...- Escuta ela em seu coração.

                                                              *   *   *

Antigas tradições cristãs dizem que essa mulher se chamava Serápia e que, a partir desse episódio, ficou conhecida como Verônica, que quer dizer: Verdadeira imagem.

Verônica ou Berenice – Que importa? O que ressalta é o exemplo de gratidão que se permite externar.

Ela acompanha o Mestre, na Sua caminhada dolorosa, afronta a soldadesca, tudo para limpar o rosto d'Aquele que um dia a envolvera em Seu olhar amoroso, desejando-lhe paz.

Ele lhe retribui o gesto, deixando impresso Seu semblante na toalha alvinitente. A recompensa da gratidão.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 18 de junho de 2019

Soltei o mundo para segurar sua mão.

Até sua chegada, o mundo me carregava e eu carregava o mundo e nada mais...

Tantos atrativos, tantas possibilidades, tantas distrações...

Curioso, mas, ter possibilidades é, ao mesmo tempo, ter tudo e ter nada, porque poder escolher caminhos ainda não é caminhar.

Porém, quando você chegou, tudo mudou.

Soltei o mundo para segurar sua mão.

Decidi que as coisas do mundo podem esperar, e enquanto esperam eu vou adiante e vou com você.

Segurar sua mão é encontrar sentido na vida, é perceber que quando se caminha junto se caminha melhor.

Segurar sua mão é me entregar a algo maior do que eu, pois “nós” sempre será mais grandioso do que apenas “eu”.

                                                                          *   *   *

Quando se forma uma nova família deixamos muitas coisas para trás. Muitos falam de perdas.

Quando trocamos o eu pelo nós somos convidados a desenvolver inúmeras virtudes da alma, virtudes fundamentais para nossa felicidade.

Muitas pessoas alegam que deixaram sonhos de lado para investir no projeto de vida dos filhos. Coisas que gostariam muito de ser ou de fazer e que agora ficam de lado.

Entendem que isso são as tais perdas ou sacrifícios.

Ao longo de nosso amadurecimento, vamos percebendo que muitos desses sonhos eram egoístas, vazios ou sem muita base de sustento. Eram desejos de um coração imaturo, inexperiente e nada mais.

Muitos desses nossos anelos que deixamos à margem do caminho não nos levariam a lugar algum, ou não nos fariam tão felizes como podemos ser agora com esse grande emprego que abraçamos.

Falamos de profissões ou ofícios que gostaríamos de ter seguido, de investimentos na carreira que deixamos de fazer, mas será que tais aplicações de tempo e trabalho seriam tão valiosas como a da família?

Pode ser que sim, pode ser que não.

E por que não entender a família como um ofício? Como um investimento na carreira? A carreira de homens e mulheres de bem.

Não são as grandes descobertas da ciência, da tecnologia, que melhoram o mundo. Engano nosso. É o autoaprimoramento e o aperfeiçoamento das relações que têm o poder transformador.

Se burilarmos apenas o intelecto podemos ser considerados inteligentes, avançados, porém, sem a moralidade sempre seremos infelizes.

A família é o campo de desenvolvimento da moral, e quando soltamos as coisas do mundo, principalmente as fúteis, efêmeras, para segurar na mão dos irmãos de caminhada, iniciamos o verdadeiro caminhar para o desenvolvimento da alma.

Antes de ficarmos lamentando o que deixamos para trás, enxerguemos o que estamos construindo para o futuro.

                                                                          *   *   *

Soltei o mundo para segurar sua mão.

Decidi que as coisas do mundo podem esperar, e enquanto esperam eu vou adiante e vou com você.

Segurar sua mão é encontrar sentido na vida, é perceber que quando se caminha junto se caminha melhor.

Segurar sua mão é me entregar a algo maior do que eu, pois “nós” sempre será mais grandioso do que apenas “eu”.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Tributo à vida.

Era somente um rapaz e nos chamou a atenção porque pulou a grade de segurança da extensa ponte, saltando para um dos pilares, na parte de dentro do rio.

Notava-se que a chuva insistente, do dia anterior, tornara as águas turbulentas. Ficamos curiosos em saber o que faria aquele jovem.

E nos pusemos a observá-lo, do local onde nos encontrávamos.

Ele deslizou pelo alto pilar até a base. Depois, procurando, com o olhar, o melhor caminho, mesmo sem calçar botas, foi andando entre a água e as pedras mais próximas à margem.

Somente então nos demos conta do motivo de tudo aquilo. Ali, em meio à vegetação, estava um cãozinho assustado, olhando as águas.

O rapaz se aproximou, o chamou e o acarinhou, no intuito de lhe conquistar a confiança.

Depois, o abrigou entre seus braços e retornou para a base do pilar.

Agora sim, ele se deparou com o grande problema. Ele pensara no resgate do animal, mas não em como poderia retornar para o alto da ponte.

Ele descera sem nada e não havia saliências entre as pedras do pilar para ele se apoiar e subir.

Menos ainda sustentando o pequeno animal.

Nesse momento, outros adolescentes, que passavam pela ponte, se uniram ao resgate.

Um deles desceu até o pilar, apanhou o cão, entregou-o em segurança aos colegas, do lado de dentro da grade de proteção.

Retornou, estendeu os braços e foi puxando o rapaz para cima.

Para conseguirem chegar até a segurança da ponte, foi preciso que dois se unissem e depois, enfim, comemoraram o êxito alcançado, abraçando-se.

Enquanto tudo isso acontecia, e foram longos e preciosos minutos, ninguém mais parou. Os carros continuaram a transitar, as pessoas a se locomoverem.

Somente aqueles meninos viram o que estava acontecendo. Meninos que passavam, seguindo para a escola ou para lugar nenhum. Não sabemos.

O detalhe é que eles tiveram olhos de ver e se uniram em um resgate a alguém que teve o ímpeto de salvar um filhote assustado e perdido que, talvez tivesse perecido ali mesmo.

                                                                      *   *   *

Já nos perguntamos, alguma vez, quanto vale uma vida? Quando assistimos a tantas cenas cotidianas que parecem nos dizer que ela não vale nada; quando tantos filmes enaltecem o resolver da violência com mais violência e a morte dos considerados maus elementos; as histórias que apresentam como atos heroicos o suicídio assistido, é de nos emocionarmos constatar nossa juventude reverenciando a vida.

Se dá valor a um animal, se arrisca a própria segurança para salvá-lo; se demonstra preocupação com alguém que precisa de ajuda, isso nos diz que nosso mundo está recheado de boas pessoas, de gente que pensa no semelhante, que esquece o compromisso imediato para louvar a vida, num gesto de desprendimento.

O que recebe em troca? No caso do cãozinho, muitas lambidas, latidos e pulos.

Em se falando do bem maior, as vidas que foram preservadas, um hino que sobe aos céus e retorna em bênçãos generosas sobre a Humanidade.

Sim, sobre todos, porque toda vez que um gesto bom é concretizado, a Humanidade inteira se beneficia.

Pensemos nisso e saiamos a louvar a vida humana, animal, vegetal.

Ela é precioso dom da Divindade.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Deserto florido.

O deserto do Atacama, no Chile, é o mais árido e alto do mundo. É também o lugar na Terra que passou mais tempo sem chuvas, sendo registrados quatrocentos anos sem uma gota d´água do céu.

Atualmente, ele pode ficar anos e mais anos sem qualquer precipitação atmosférica, porém, de tempos em tempos, um fenômeno muito interessante acontece.

O milagre da floração do deserto é possível de se ver muito raramente, pois depende necessariamente da chuva caída nos meses do verão.

Suficientes quantidades de água permitem que as sementes, que estavam adormecidas no seco deserto, possam despertar para voltar à vida e florescer por um curto espaço de tempo, na primavera.

São mais de duzentos tipos de flores. Cores mil. Um desabrochar belíssimo e inesperado em meio a terras tão áridas.

Quando o deserto revive e floresce surge uma panorâmica maravilhosa. É a oportunidade de desfrutar a singeleza das flores que cobrem as planícies e gloriosamente contrastam com as montanhas que as rodeiam.

Só é possível desfrutar deste milagre do deserto em alguns anos e por pouco tempo, desde fins de agosto até o meio de outubro.

As sementes, que ficam adormecidas por muitos anos, estão especialmente adaptadas para essas condições extremas, e assim podem voltar à vida pelas chuvas que as acordam, convertendo o deserto numa pintura multicor.

Os chilenos conhecem esse fenômeno como deserto florido.

                                                                    *   *   *

O ser humano também é capaz de florescer, mesmo após  anos de estiagem íntima.

As sementes do potencial evolutivo jazem dormentes, mas vivas, no âmago da alma.

Almas secas, almas aparentemente sem esperança de flor, virão a desabrochar um dia, quando a chuva do entendimento, a chuva da renovação, as fizer despertar.

Não há caso perdido para o Criador.

Mesmo os Espíritos mais relutantes, que na agonia e tristeza profundas, ousam fazer frente ao bem, negando o Criador e o amor; mesmo esses, irão germinar.

Chegará o tempo em que perceberão que o mal, a revolta, a vingança não lhes traz felicidade alguma.

Chegará o tempo em que, regados pelas chuvas contínuas do amor dos que estão ao seu lado, render-se-ão ao bem renovador.

Cada um tem seu tempo. Cada um desperta quando está preparado para despertar.

Porém, recordemos que as sementes ocultas estão lá, aguardando ansiosamente o momento de sair da terra árida, aguardando o instante de respirar o ar puro de uma nova vida.

Todos temos jeito. Todos somos deuses potenciais.

Deus nos fez todos assim, sem exceção.

Quem escolhe o momento de desabrochar somos nós.

Chegará o tempo em que veremos o deserto do planeta Terra, ainda tão sofrido, tão seco, florescente por completo.

Seremos nós, Espíritos bons, que modificaremos a paisagem deste planeta, passando a chamá-lo de terra florida.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Aconchegando-nos no coração de Deus.

Originada do sânscrito, a palavra Namastê literalmente significa: Curvo-me perante a ti.

Em sentido mais amplo e difundido, expressa: O Deus que habita meu coração saúda o Deus que habita o teu coração.

Enquanto cumprimento, acompanhado de ligeira curvatura, Namastê revela o respeito que há entre indivíduos que se reconhecem partícipes da mesma essência, da mesma origem, do mesmo destino.

Como filhos de Deus, trazemos em nós o traço divino que a todos nos iguala, que nos faz reconhecer no próximo verdadeiro irmão.

Origina-se daí a recomendação do Cristo: Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

                                                                           *   *   *

Voltar a lecionar ofereceu renovado ânimo à professora aposentada Ione, de noventa e dois anos.

Tudo mudou com a chegada de sua nova cuidadora, Maria da Silva, de trinta e cinco anos. Mãe de três filhos, ela contou que nunca tivera a oportunidade de ser alfabetizada.

Ao saber disso, a professora não perdeu tempo: Você gostaria de aprender a ler e a escrever?

A partir da resposta afirmativa, as aulas iniciaram. Tão logo a cuidadora chegava para trabalhar, ambas se sentavam à mesa. Ao alcance das mãos, cadernos, canetas, lápis e borracha.

Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer.

No alto da folha, o título: Meu primeiro ditado. Consoantes e vogais foram se somando, os sons, por meio da escrita, se materializando e as palavras, surgindo: bala, casa, dedo, fada.

O resultado também foi positivo para dona Ione, que voltou a fazer aquilo que mais ama na vida: ensinar.

Maria ganha conhecimento e vovó, alegria. Nós, familiares, também ganhamos, pois podemos presenciar uma cena linda e edificante. Vovó parece até mais jovem, relata a neta de dona Ione.

                                                                           *   *   *

Cada um de nós traz em si a essência Daquele que nos criou.

Quando secamos lágrimas, quando ofertamos o alimento, quando perdoamos, quando amamos desinteressadamente, quando educamos, quando valorizamos o esforço do próximo, ligamo-nos intimamente ao Criador.

Quando distendemos a mão aos necessitados, quando nos elevamos em prece por aqueles que já retornaram às moradas celestes, quando compreendemos as limitações alheias e a elas destinamos paciência e tolerância, sintonizamo-nos perfeitamente com Aquele que é a fonte de toda a vida.

Vós sois deuses, ensinou-nos Jesus. Por meio de nossas escolhas, de nossos pensamentos, ações e vontade, tornamo-nos instrumento divino no concerto da Criação.

Em meio às dúvidas, na falta de fé, quando os passos se tornam vacilantes; em momentos nos quais sentimos medo ante os desafios que se fazem necessários ao nosso progresso; quando ouvirmos apenas o silêncio em resposta às nossas rogativas, busquemos o próximo.

Façamos o bem. Amemo-lo.

Encontremos a assinatura divina no outro, e permitamos que ele igualmente a encontre em nós.

                                                                           *   *   *

Por meio de nosso irmão, obtemos respostas, ouvimos a voz celeste, alçamos um caminho para a felicidade, aconchegamo-nos no coração de Deus.

Pensemos nisso! Amemo-nos uns aos outros!

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 21 de maio de 2019

Visualizar.

Vivemos, na atualidade, fenômenos culturais muito curiosos. Um deles é o das novas palavras e novos significados para termos antes pouco utilizados.

Pela primeira vez na História, no ano de 2015, o Dicionário Oxford elegeu não uma palavra propriamente dita, mas um emoji, como palavra do ano.

O emoji é uma imagem pictográfica que representa uma palavra ou frase. No caso, a imagem vencedora representava um rosto com lágrimas de alegria.

Todos os anos, a editora elege a palavra que, naquele período, atraiu muito interesse.

Os termos candidatos ao prêmio são debatidos por um júri que, segundo a instituição, escolhe o vencedor com base no potencial duradouro e na significância cultural.

Uma outra palavra que ganhou novo significado foi o verbo visualizar.

Visualizar é diferente de olhar, de ver ou ler.

Visualizar é tomar ciência de algo, num golpe de olhar apenas, sem qualquer tipo de aprofundamento.

O verbo visualizar também instaurou uma urgência pela resposta, pois se alguém visualiza algo e não responde de imediato, desperta do lado de lá uma imensa preocupação.

Visualizou: precisa responder imediatamente.

Visualiza-se algo, mas não se reflete sobre aquilo. Visualizamos uma mensagem e temos pouco ou nenhum tempo de elaborar, seja um pensamento ou uma resposta.

Jacques Lacan, importante psicanalista francês, levanta uma questão que ele chama de tempo lógico.

Para ele, haveria uma diferenciação entre três tempos: o tempo de ver, de compreender e de concluir.

O tempo de ver é o tempo no qual uma certa percepção chega até cada um de nós. É o impacto sensorial que temos quando percebemos alguma coisa.

O tempo de compreender é aquele no qual lemos essa percepção a partir de acontecimentos anteriores de nossa vida, e que fazem com que essa percepção ganhe algum sentido para nós.

Finalmente, é a partir do tempo de concluir que cada um realiza um certo ato, se implica numa decisão, escolhe o que fazer a partir daquilo que compreendeu.

Diante do novo sentido utilizado para o verbo visualizar, temos uma espécie de achatamento entre o que vemos e a precipitação no ato.

Encontramo-nos impelidos sempre a uma resposta, como se ela pudesse ser automática.

Não há o tempo de pensar, de refletir, de analisar.

O novo sentido do verbo passa a ter ares de indiferença, pois é um olhar apressado, quase desinteressado.

Podemos deixar de ver, de compreender e concluir, diante das dores alheias, diante do mundo que pulsa a nossa volta e pede ajuda.

Podemos começar a apenas visualizar nossos amores, suas falas e dificuldades.

Podemos começar a simplesmente visualizar o mundo, ao invés de fazer parte dele ativamente.

                                                                              *   *   *

Em tempos em que se contam e comemoram visualizações, é fundamental lembrar que relações saudáveis exigem atenção e tato, exigem dedicação e tempo.

Precisamos nos dar e dar ao outro o tempo de compreender e concluir. Decisões e respostas apressadas trazem consequências graves e, muitas vezes, irreversíveis.

Aceitamos com facilidade as demandas urgentes de um mundo agitado e impaciente. Está na hora de reassumirmos o controle de tudo, com calma, análise e profundidade.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de maio de 2019

A arte do matrimônio.

Qual será o segredo dos casamentos duradouros? Casais que convivem há anos falam de paciência, renúncia, compreensão.

Em verdade, cada um tem sua fórmula especial. Recentemente, lemos as anotações de um escritor que achamos muito interessantes.

Ele afirma que um bom casamento deve ser criado. No casamento, as pequenas coisas são as grandes coisas.

É jamais ser muito velho para dar-se as mãos, diz ele. É lembrar de dizer te amo, pelo menos uma vez ao dia.

É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns.

É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família.

É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer.

É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.

É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito.

E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato.

É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante.

É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido.

É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos.

É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.

É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois.

É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal.

É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro.

Um novo corte de cabelo, uma vestimenta diferente. Detalhes pequenos, mas importantes.

É saber dar atenção para a família do outro pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade.

É cultivar o desejo constante de superação.

É responder dignamente e de forma justa por todos os atos.

É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.

                                                                     *   *   *

O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio, vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita.

O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura, não tende a acabar, mas amplia-se, uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes, manias e costumes um do outro.

O equilíbrio do amor promove a prática da justiça e da bondade, da cooperação e do senso de dever, da afetividade e advertência amadurecida.
Redação do Momento Espírita.

sábado, 11 de maio de 2019

Feliz dia das Mães.

Felicidade das Mães.
No Dia das Mães, quando tantas homenagens ocorrem, uma garota escreveu: Durante toda a vida ouvi falar: “Se o filho está feliz, a mãe está feliz. Tudo que eu quero é ver meu filho feliz!”

Francamente, impossível acreditar nisso.

Se fosse verdade, eu teria podido comer aquela barra de chocolate inteirinha. Isso me teria feito muito feliz.

Mas ela não deixou. Cortou minha felicidade ao meio.

Quando quis virar a noite no videogame, eu estava no auge da minha felicidade. Mas ela não entendeu. Por acaso, ela pensou na minha felicidade? É claro que não.

Ela disse que contaria até três e me fez desligar a TV, no meio da última fase do jogo.

Se houvesse sinceridade nesse desejo dela de me ver feliz, ela teria me deixado namorar ao invés de estudar.

Como ela pôde me proibir de sair e me forçar a ficar horas com os livros, quando tudo que me faria feliz naquele momento estava lá fora?

O sol estava lá fora. O namorado estava lá fora. Os amigos estavam se divertindo. Todos... menos eu.

Como sempre, o que eu ouvia era: “Você não é igual a todo mundo. Você é minha filha.”

E, naquele dia, em que cheguei chorando porque tinha sido injustiçada pelos amigos, ela disse: “Você deve ter feito alguma coisa para merecer isso!”

Quanta insensibilidade!  Ela não sabia que me faria feliz se tivesse se unido a mim para dizer que eu estava certa?

Até me ajudasse a encontrar mil defeitos neles.

As mães dizem que nos querem ver felizes. Na verdade, também querem que arrumemos a cama, lavemos a louça, tiremos o lixo, cuidemos dos irmãos. E, ainda, nos forçam a comer o que elas dizem que é saudável.

Garanto que a maioria dos filhos pensa como eu.

                                                                    *   *   *

Pois é. Pensamos assim até nos tornarmos mães. Quando a vida nos presenteia com um filho, passamos a ver as coisas de forma bem diferente.

O não da barra de chocolate passa a ser entendido como um sim à disciplina alimentar. O não ao videogame se torna um sim às horas insubstituíveis de sono.

O não ao namorado, não é um não ao namoro, é um sim ao futuro.

Então entendemos e agradecemos por cada atitude de nossa mãe porque todas serviram para nos tornar melhores.

Hoje, quando nossa mãe nos olha com orgulho, e sorri mesmo quando as coisas não estão fáceis, conseguimos compreender o sentido daquela frase repetida incansavelmente, ao longo da vida: “Se você estiver feliz, eu estarei feliz.”

Não há nada maior do que o amor de uma mãe. Também nada mais gratificante do que descobrir, nos seus olhos, a felicidade por ver seu filho bem neste mundo.

Agradeçamos à nossa mãe o que fez por nós, por nos ter transformado num barco forte para passar por todas as tempestades.

Agradeçamos por ter nos acolhido com mesa farta quando chegamos em terra firme com a alma sedenta de amor e o coração faminto de carinho.

Agradeçamos pelo melhor colo do mundo e pelo sorriso maravilhoso de se ver!

E sim, ficamos zangadas quando ela está longe. Nós a queremos por perto para continuar dizendo os santos não para essa criança, dentro de nós, que nunca para de aprender!

Amamos você, mamãe!
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dedicação materna.

Quando se fala em dedicação, difícil se nos torna avaliar qual o seu significado para algumas pessoas.

Quando se evoca, por exemplo, a figura materna, que tem em seus filhos a maior razão de seu viver, parece que essa virtude se multiplica indefinidamente.

Mães existem que não medem os esforços que fazem, a energia que despendem, nem mesmo a negação de suas próprias necessidades para bem atender seus filhos.

                                                                     *   *   *

A imprensa divulgou a história daquela mãe chinesa cujo filho, de trinta e seis anos, depois de um acidente de carro, ficou tetraplégico e em coma.

O pai do rapaz havia morrido quando ele ainda era uma criança. A mãe assumiu sozinha a árdua tarefa de atender ao filho.

Alimentava-o, por meio de um tubo ligado ao estômago, dava-lhe banho, fazia massagens em seu corpo para evitar escaras. Estava ao seu lado dias e noites.

Os meses foram passando vagarosos e se transformaram em anos.

Doze anos se foram, quando, num belo dia, ele despertou do coma. A notícia surpreendeu o país e se espalhou nas redes sociais.

E aquela senhora, então com setenta e cinco anos, afirmou aos entrevistadores que nunca desistira dele.

Nas imagens divulgadas, o filho aparece sorrindo e a mãe, feliz, diz que o sorriso é o único meio dele se comunicar com ela.

Mas, que espera pelo momento em que ele possa voltar a falar, a chamá-la de mãe.

                                                                     *   *   *

A dedicação dessa mãe para com o filho dependente nos faz perceber o quanto é capaz de lutar o amor materno.

Nos relatos colhidos, ela revela que, sem meios para se sustentar, contando somente com a ajuda de amigos e familiares, muitas vezes deixava de comer para que não faltasse alimento ao jovem.

Esses doze anos de dedicação, de renúncias e sacrifícios nos falam do tamanho do seu amor maternal e do alto grau de sua fé em Deus e na vida.

Ter fé é confiar, é acreditar. Ela confiou com todas as fibras de seu coração na possibilidade de retorno do seu filho à vida.

E, embora ele nada mais consiga fazer do que sorrir, desde que saiu do coma, ela prossegue confiante, perseverante, aguardando que ele volte a falar.

E a chamá-la de mãe.

Esse devotamento, essa dedicação é uma entrega que se faz sem condições, sem medidas, sem necessidade de trocas ou retribuições.

É um sacrifício de quem se doa e uma verdadeira bênção para o ser que se encontra totalmente incapacitado.

Toda essa dedicação demonstra o apreço da mãe pelo filho, e a perfeita realidade de que esse amor não tem preço!

Serve-nos, igualmente, de exemplo de luta pela vida. Vida que não deve ser menosprezada, abandonada por se encontrar a pessoa em situação crítica.

Vida que nos merece respeito, luta, apoio.

Afinal, tantos casos existem de pessoas consideradas a um passo da morte, que retornam ao palco da vida e retomam suas lutas, seus afazeres, como se tudo não tivesse passado de um período de sono, de refazimento, de repouso.

Pensemos a respeito.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Profissão honrada.

Certa vez, um homem ligou para sua esposa da cabina telefônica de um aeroporto.

Quando as suas moedas terminaram, a telefonista o interrompeu para dizer que lhe restava apenas um minuto.

O homem se apressou para encerrar a conversa com a esposa mas, antes que eles tivessem tempo de se despedir, a linha caiu.

Com um suspiro, o homem pôs o fone no gancho e começou a sair da minúscula cabina.

De repente, o telefone tocou. Imaginando que fosse a telefonista, solicitando a colocação de mais moedas, ele pensou em não atender. Mas alguma coisa lhe disse para pegar o telefone.

De fato, era a telefonista. Contudo, ela não queria mais moedas. Tinha um recado para ele.

Depois que o senhor desligou, sua esposa disse que o amava. Achei que o senhor gostaria de saber.

                                                                       *   *   *

Em qualquer atividade que exerças, considera-te servidor de Deus.

Por mais humilde seja a tua profissão, ela é por demais valiosa no conjunto social em que te encontras.

Cumpre com os teus deveres com alegria, e consciente do seu significado, do valor que eles têm e de quanto são importantes para a comunidade.

Ilhas imensas surgem nos mares, construídas por humildes ostras.

Desertos colossais resultam de pequenos grãos de areia que se acumulam.

Oceanos volumosos são nada mais do que gotinhas de água.

A tua parcela no mundo é de grande relevância. Portanto, trabalha com disposição e nobreza.

Não explores negativamente os semelhantes, retirando proveitos imediatos indevidos, através de tua profissão.

Muitos, enquanto exercitam a sua atividade profissional, oferecem materiais e produtos de inferior qualidade, ao preço de qualidade superior.

Outros egoístas, em suas oficinas, mentem, fingem, alegam trocas de peças, substituindo-as por aquelas de inferior possibilidade, ganhando dinheiro desonestamente.

Muitos funcionários encenam enfermidades, conseguem falsos atestados médicos, abusam de prerrogativas, para não exercerem as suas horas de trabalho.

Cada profissão no mundo guarda o compromisso de forjar o bem e o progresso dos grupos humanos. Também de iluminar todos aqueles que, na qualidade de dignos profissionais, honram os deveres, como legítimos cooperadores do Criador.

Não sejas daqueles que adotam profissões visando o destaque social, o ganho rápido e o menor esforço.

Quando ouças alusões a riquezas e prestígios, pensa em tantos doentes sem médico, analfabetos sem professor, explorados sem advogados que os ajudem e tantas outras necessidades humanas, a fim de que exerças a tua profissão com o melhor de ti.

A missão do homem inteligente na Terra deverá ser fazer a vida crescer por onde sigam os seus passos.

Trabalha feliz e exerce a tua atividade profissional com honra.

                                                                     *   *   *

A profissão não deve ser encarada simplesmente como a possibilidade do ganho material. É também fator de crescimento.

É daquelas questões que, na esfera dos planejamentos reencarnatórios, antes do retorno à carne, são ajustadas no mundo invisível.

Abraça, pois, a tua profissão e exerce-a com amor, demonstrando a tua capacidade de ser útil e atender ao desenvolvimento da sociedade em que vives.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Meditar...respirar.

É natural. Nossa mente sofre sede de paz, como a terra seca tem necessidade de água fria.

Por isso, venha a um lugar à parte, no país de você mesmo, a fim de repousar um pouco.

Esqueça as fronteiras sociais, os controles domésticos, as incompreensões dos parentes, os assuntos difíceis, os problemas inquietantes, as ideias inferiores.

Retire-se dos lugares comuns a que ainda se prende.

Concentre-se, por alguns minutos, em companhia do Cristo, no barco de seus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações cotidianas...

Ele lavará a sua mente repleta de aflições.

Balsamizará suas úlceras.

Basta que você se cale e sua voz falará no sublime silêncio.

Ofereça-lhe um coração valoroso na fé e na realização, e Seus braços divinos farão o resto.

Você regressará, então, aos círculos de luta, revigorado, forte e feliz.

Seu coração com Ele, a fim de que possa agir, com êxito, no vale do serviço.

Ele com você, para escalar, sem cansaço, a montanha da luz.

                                                                          *   *   *

A meditação dulcifica a aspereza da luta, harmoniza o intelecto com o sentimento e mantém acalmado o homem.

Vale esclarecer que não será por efeito de uma a outra experiência mágica que perceberemos o efeito, mas sim através de expressivo esforço.

A disciplina, a frequência do exercício, os conteúdos do pensamento, são essenciais para o êxito desse empreendimento íntimo.

Tomemos, por exemplo, de uma página do Evangelho. Leiamos pausadamente, digerindo-lhe o significado e nos concentrando nela, para fixá-la.

Retiremos a grande quantidade de informações e reflexionemos em cada mensagem revelada, na sua essência.

Insistamos em verificar a forma e o sentido de como aquelas linhas poderão nos ser úteis.

Analisemos sem pressa para que da letra retiremos seu espírito.

Habituemo-nos a esse pequeno costume e estaremos iniciando a meditação que nos levará à paz de consciência e à alegria de viver.

Mesmo que disponhamos de pouco tempo, busquemos utilizá-lo para a meditação, descobrindo, logo depois, que os benefícios serão imensos.

A meditação nos irá abrir as portas para a perfeita união com Deus que a oração proporcionará.

                                                                          *   *   *

Respiremos profundamente e com calma.

Reservemos alguns momentos do nosso dia para realizar essa singela tarefa de bem-estar.

Recordemo-nos dessa faculdade incrível que temos de fazer com que o ar externo penetre nossos pulmões.

O ar é vida e cada vez que respiramos conscientemente estamos nos ligando a ela com mais intensidade.

Respiramos automaticamente, respiramos mal, por vezes tomados pela ansiedade e nervosismo que quase nos tiram o fôlego.

Aproveitemos, a cada expiração, para retirar de nosso íntimo as preocupações, as revoltas, os sentimentos pouco elevados.

Respiremos melhor e vivamos melhor.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 16 de abril de 2019

Basta!

Até quando cairemos, sem aprender as lições da queda...

Até quando faremos escolhas egoístas, quando tudo aponta para uma vida de colaboração...

Até quando nos perderemos por tão pouco, confundindo o que é meio, com o que é fim..

Até quando afundaremos na lama... segurando o fôlego, em agonia, desejando estar em outro lugar.

Nossa vida precisa de bastas.

Estancar, interromper, ou então: começar, agir.

Algumas coisas merecem decisões drásticas de nossa parte, senão permaneceremos como estamos para sempre...

Todos colecionamos histórias valiosas dos bastas que demos em tantas situações. e como foram importantes...

A partir daquele dia eu decidi..., ou, foi naquele dia que parei; ou ainda, foi naquele momento que mudei isso ou aquilo em definitivo.

Foram instantes divisores de água, quando percebemos que a vida até então havia sido de um jeito e precisava ser de outro.

Paulo de Tarso teve seu basta na estrada de Damasco, naquele encontro inesquecível, quando decidiu mudar. e mudou.

Não foi por uma ação externa ou por imposição do Cristo. Não, ele decidiu que seria diferente.

Maria de Magdala teve seu basta no encontro com o Mestre na casa de Simão Pedro. Ouviu-lhe a proposta iluminada e deixou a humilde residência do Apóstolo dizendo:

Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes!...

Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com aleijados e leprosos...

Francisco de Assis deu seu basta na solidão de seus pensamentos, quando, ao retornar, enfermo, de uma guerra, aceitou o convite do Cristo que lhe falava em pensamento.

São todos exemplos grandiosos de personagens que receberam missões grandiosas.

Contudo, somente se fizeram grandes porque tomaram decisões.

É certo que as grandes mudanças da alma vêm, paulatinamente, são construídas com as experiências, as encarnações.

No entanto, há muitos momentos em que necessitamos mudar de direção subitamente, tomar atitudes enérgicas em relação a nós mesmos.

Se assim não fizermos, o comodismo nos manterá inertes e mais, nos levará ao sofrimento desnecessário.

Assim, que possamos nos autoanalisar e verificar qual é o basta que precisamos dar, neste momento.

Algum vício? Alguma situação familiar que incomoda? Algo importante que precisemos dizer e não consigamos?

Algo que sentimos, no fundo da alma, que não está certo? Algo que sabemos que precisamos fazer e ainda não fizemos?

Acreditemos em nossa força, contando com o auxílio do Alto, que sempre está presente, quando nos dispomos a gestos de nobreza e vitória pessoal.

Acreditemos que o que não está certo pode ser transformado. Por vezes, tudo que falta é um sonoro e imponente basta!

                                                                            *   *   *

O basta é um choque que damos na própria alma, quando percebemos que está passando da hora de mudar.

O basta é convite à ação imediata, no campo da intimidade ou da vida de relação.

Não nos permitamos permanecer apenas no campo do remorso ou da indignação. É necessário agir, com os instrumentos que temos. E agir agora.

Basta!
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Eu te amo.

O que é o amor? Os poetas o definem em versos, os compositores tecem canções.

Os filósofos têm sua própria definição. Também as pessoas comuns, cada qual à sua maneira.

Nenhum de nós ama de forma idêntica ao outro porque o amor vem da intimidade da criatura e cada um de nós é um ser único na face da Terra.

Exatamente porque o Criador não se repete e, ainda, porque cada um de nós edifica a própria personalidade, a partir das suas experiências, das suas vivências.

Contudo, em se falando de amor, algo muito importante é sabermos que somos amados por alguém: um pai, um filho, um esposo, um amigo.

Por isso mesmo esperamos, em algum momento, ouvir as palavras: Eu te amo.

Nem sempre nos damos conta disso, acreditando que a outra pessoa sabe que a amamos.

Pode até saber, mas precisa dessas palavras poderosas, que alimentam a chama do sentimento: Eu te amo.

Lembramos daquele homem que internou a esposa em uma clínica. Joana estava em estágio final de um câncer dilacerador.

Nos primeiros dias, ele ficava no quarto, assistindo aos programas de que ela gostava.

Joana era uma romântica. Gostava de novelas, de histórias e filmes com sabor de romance, de finais felizes.

Certo dia, confidenciou à enfermeira que faria qualquer coisa para que o marido lhe dissesse Eu te amo.

Sei que ele me ama – falou - mas nunca foi do seu feitio mandar cartões ou fazer declarações de amor.

Depois de algum tempo, Joana passou a ficar menos tempo acordada, por conta das altas doses de medicamento que lhe ministravam.

Então, o marido passeava pelo jardim da clínica, ia à lanchonete, triste, amargurado.

Numa dessas vezes, a enfermeira se aproximou.

Ele agarrava, com força, a xícara de café, com suas mãos calosas de carpinteiro. Notava-se-lhe a angústia que lhe tomava a alma.

A moça então lhe falou de como as mulheres precisam de romance em suas vidas, como gostam de receber cartões, cartas de amor, ouvir declarações.

Minha mulher sabe que a amo, foi a resposta imediata.

Sim, reforçou a enfermeira, mas precisa ouvir isso.

Dois dias depois, Joana partiu.

Na mesa de cabeceira estava um grande cartão de Dia dos Namorados que o marido lhe dera. Estava escrito: Para minha esposa maravilhosa... Eu te amo!

Quando a enfermeira entrou no quarto, entre lágrimas, ele lhe disse:

Tenho que lhe contar. Quero que saiba como me sinto bem em ter dito a ela.

Esta manhã falei o quanto a amava. Disse-lhe como era maravilhoso estar casado com ela. Devia ter visto o sorriso dela!

                                                                   *   *   *

Alguns poderão pensar que são supérfluas as palavras, que os atos valem mais.

Naturalmente, demonstrações de afeto são marcantes. Também as declarações de amor. O som da voz do amor é inesquecível.

Pensemos nisso. E não detenhamos a vontade de dizer uma, duas, muitas vezes, à pessoa que está ao nosso lado, o quanto ela é importante para nós, o quanto a amamos.

Como sua presença nos faz bem. Pode ser a esposa, a filha, um dos pais, um amigo. Um amor.

Não deixemos de nos assegurar que eles saibam que os amamos.

Façamos isso, agora, enquanto podem nos ouvir, sorrir e ficar felizes, imensamente felizes.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Progredir moralmente.

Todo o viver é um exercício de aprendizagem. E a vida será sempre rica de oportunidades para que a alma se enriqueça no saber das coisas de Deus.

A oportunidade do estudo, de desenvolver-se intelectualmente é possibilidade de alcançar conhecimento das leis do mundo físico, obra de Deus.

Estudar botânica, química ou astronomia, seja qual for o ramo das ciências, é sempre uma oportunidade de progredir intelectualmente, de aumentar o entendimento a respeito das leis do Criador.

E é claro que quanto mais estudamos, mais progredimos intelectualmente.

Porém, a vida também é rica de oportunidades para que cresçamos moralmente, para que possamos entender as coisas de Deus no campo da moral.

Assim como podemos crescer intelectualmente durante uma vida, podemos progredir moralmente.

Sabendo-se que moral é a regra de bem proceder, a regra de agir conforme as leis de Deus, será o entendimento dessas regras, pelas vias do coração a grande conquista para todos nós.

Logo, é natural que a vida oportunize também esse aprendizado, que nos possibilita crescer moralmente.

Se o progresso intelectual se dá pelos bancos da Academia, pelos livros, pelo exercício da mente e do raciocínio, o progresso moral se dá pelo enfrentamento do mundo, nos desafios de relacionamento com o próximo e conosco mesmos.

Sempre que nos deparamos com um parente difícil, é oportunidade de progresso moral, ao desenvolver a paciência e a indulgência.

Se o chefe irascível é nossa grande dificuldade, ou o ambiente de trabalho desequilibrador, que nos consome em preocupações, serão essas também oportunidades de desenvolvermos valores de paciente coleguismo.

Se situações difíceis da corrupção e do afrouxamento dos valores morais sucederem sob nossos olhos, ser-nos-ão convite ao exercício da retidão de caráter e da consolidação da honestidade.

Nenhuma situação que nos ocorra será descuido da Providência divina ou cochilo de nossos anjos tutelares.

Tudo está previsto pelo amor de Deus, a proporcionar as situações mais adequadas para que possamos progredir, intelectual e moralmente.

Dessa forma, jamais desejemos uma vida tranquila, sem desafios e dificuldades a transpor.

Essa vida que muitos desejam, e não poucos se esforçam para assim viver, consome-se no vazio de si mesma, pela falta do objetivo maior, que é o progresso do ser humano.

Jamais devemos malquerer os dias desafiadores. Serão sempre esses os que provocarão em nós o crescimento de novas capacidades, o amadurecimento moral, o despertar para valores mais sólidos e perenes em relação à vida.

Nunca deveremos nos esquecer que Deus nos proporciona penas e desafios somente na intensidade e no montante que nossa estrutura emocional será capaz de enfrentar.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de março de 2019

O progresso que buscamos.

O progresso que buscamos pode se apresentar de forma complexa. Ou se mostrar através de algo singelo. Porém, nem sempre percebemos ou lhe damos a devida importância.

O pranto da dor se torna progresso, quando aprendemos a sorrir alegremente, após passar pelos sofrimentos educativos.

A decepção inesperada, que nos maltrata, se transforma em progresso, na medida em que nos aconselhamos com a cautela, transformando-nos no indivíduo verdadeiramente amadurecido para a vida.

As dificuldades de qualquer ordem, que nos atrapalham hoje, serão elementos de progresso, se aprendermos as lições da educação dos hábitos, como abençoada vitória sobre o próprio desequilíbrio.

A doença que nos traz tantos dissabores, atualmente, irá se converter em nosso progresso, quando proporcionar em nosso íntimo o respeito à saúde, numa vida salutar continuada.

A solidão, com a qual custamos a nos habituar nos dias atuais, se bem compreendida, constituirá um imenso progresso, ensinando-nos a cultivar amores verdadeiros no futuro.

A morte do corpo, que altera disposições e sonhos, deixando um vazio e friagem na alma dos que ficam no mundo das formas, nos será oportunidade de progresso, se conseguirmos fazer dela a mensageira da renovação e do trabalho;

se preenchermos o vazio com a dedicação ao semelhante, se aquecermos a frialdade com a chama do amor, dedicando-nos às atividades humanas enobrecedoras, desligando-nos do egoísmo prejudicial.

                                                                   *   *   *

Reflitamos e não fixemos o olhar somente no ângulo aparentemente infeliz das coisas e circunstâncias que encontramos na vida.

O progresso está em tudo o que a vida nos traz.

Lembremos sempre que, acima de nossa visão limitada e imediatista, existem planejamentos detalhados para nossas existências, visando sempre o nosso bem.

Não somos uma alma abandonada num mundo em decadência. Somos um Espírito com planos de desenvolvimento, num mundo em progresso constante.

É chegado o tempo da fé raciocinada, de acreditar nas coisas sabendo o porquê.

É chegado o tempo de descobrir que Deus, a Inteligência Suprema, a Causa primeira de todas as coisas, rege os mundos através de leis perfeitas e a lei do progresso é uma delas.

Assim, comecemos a ver as dificuldades que surgem não mais como obstáculos, mas como oportunidades que a vida nos oferece para crescer.

Pensemos sobre o assunto. Reflitamos mais sobre os acontecimentos e ampliemos a visão que temos da vida.

É chegado o tempo da compreensão raciocinada.

                                                                     *   *   *

Cada novo amanhecer representa presente divino que não podemos, nem devemos desconsiderar.

É um convite sereno à conquista de valores que parecem fora do nosso alcance.

Cada novo amanhecer é chance de assentar mais um tijolo na edificação da nossa felicidade.

Cada novo amanhecer é prova da constância divina, é prova do seu amor pelo Espírito que somos, concedendo-nos sempre novas oportunidades.

Então, à medida que o dia avança, aproveitemos os minutos, sem pressa nem adiamento dos próprios deveres.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de março de 2019

A lição do trigal.

O trigal maduro parecia um mar imenso a ondular ao sabor do vento que brincava com as hastes.

Logo mais, seria a época da colheita e, desejando mostrar ao filho a beleza natural, o lavrador o chamou para percorrer os campos.

O rapazinho foi se extasiando com a paisagem, sempre mais bela e mais rica.

Observador atento, de vez em quando se detinha um tanto mais em alguns locais.

Após algum tempo de caminhada, perguntou ao pai:

Meu pai, por que é que algumas espigas de trigo estão inclinadas para o chão, enquanto outras estão de cabeça erguida?

O lavrador se abaixou e colheu uma espiga. Justamente uma das que se encontrava curvada. Mostrando-a ao filho, explicou:

Repara, meu filho. Esta espiga, que estava inclinada, quase encostando no chão, está perfeita e cheia de grãos. Observa aquela outra, que se levanta com tanto orgulho do trigal. Está seca e imprestável.

Na nossa vida, isso também acontece, às vezes. Os que apresentamos orgulho excessivo somos ocos, nulos, enquanto os humildes são valorosos e úteis.

O orgulho é um mal que habitualmente gera a ambição, que é o desejo imoderado de cargos, honrarias, poder, destaque.

Eis uma grande lição, meu filho. Não se permita, jamais, o orgulho. É um grande mal e precisa ser combatido.

Existem algumas regras que podem nos auxiliar a contermos nosso orgulho, reconhecendo o que somos, valorizando-nos, mas jamais nos acreditando melhores ou superiores aos demais.

Primeiro item é buscarmos o autoconhecimento. É impossível nos examinarmos sinceramente e não reconhecer as próprias falhas.

Segundo, pensarmos na insignificância e na transição de todas as coisas que constituem motivo de orgulho na Terra.

As riquezas, por exemplo. Não são eternas e transitam, com rapidez, de determinadas mãos para outras.

Famílias abastadas sofrem derrocadas financeiras, enquanto criaturas que pareciam quase nada possuir, se destacam, alcançando tópicos não imaginados.

Sem se falar que, com a morte, todos os bens, títulos, haveres, permanecem na Terra. Seguem com o Espírito somente as virtudes e paixões, isto é, o bem que construímos e o mal que para nós mesmos criamos.

Terceiro, recordarmos o exemplo de Jesus, perfeito modelo da humildade.

Ele, o Rei Solar, nosso Governador planetário, veio até nós, viveu conosco, entregando-se ao trabalho de carpinteiro.

E para a sua missão de amor, se identificou como o Pastor, que cuida das ovelhas. Maior de todos nós, apresentou-se como o Servidor.

Finalmente, aceitar posições modestas para desempenho de tarefas anônimas, que a muitos beneficiam.

                                                                        *   *   *

Sigamos nosso Modelo e Guia. Nossa passagem pela Terra é transitória, como todas as coisas do mundo.

Basta que grandes ventos se apresentem para destruir o que demoramos anos para edificar. Os temporais, as enxurradas, o inverno impiedoso ou a estiagem demorada são agentes do tempo sobre os quais não temos poder.

Lembremos da fragilidade humana e de que, para viver a cada dia, dependemos totalmente da Providência e da Misericórdia Divinas.

Pensemos nisso e sejamos menos orgulhosos.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de março de 2019

Um Brasil de muitas cores.

Quero meu Brasil verde e amarelo. Verde de esperança de ver seus filhos progredirem em seu solo. De vê-los crescer em tecnologia, de programarem o futuro, com alegria.

Esperança de ver seus filhos conquistando o mundo, dizendo do quão grande e rica é esta nação de tantas raças.

Esperança de ver as crianças na escola, ilustrando as mentes e exercitando o respeito pelos professores, pelos colegas.

Esperança de despertar nas manhãs com o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhando nas praças tomadas pelas gentes em passeios, exercícios, caminhadas.

Verde que assinale a proliferação das matas conservadas e respeitadas, onde vivam em abundância a fauna e a flora diversificadas.

Onde o colorido das aves acrescente mais beleza ao panorama e os cantos diversos encham os ares de sinfonias.

Esperança de que as espécies se multipliquem de forma natural, sem a ação predatória do homem insano e irreverente.

Que as aves possam construir seus ninhos no alto das árvores, sem temor de os verem destroçados pela cobiça dos que somente desejam ter suas próprias posses aumentadas.

Quero meu Brasil com o amarelo deslumbrante do astro rei nos céus.

Também como símbolo de riqueza nacional, sem agressão ao solo nem aos seus filhos, cujas vidas são mais preciosas do que qualquer minério ou pedra de qualidade.

Amarelo que tremule na bandeira nacional, atestando da nossa soberania, do respeito ao torrão pátrio pelos que aqui vivemos, como seus filhos, sem exploradores vindos de outras bandas.

Desejo um Brasil também azul e branco.

Azul da cor do céu que se apresenta maravilhoso de norte a sul, com variantes excepcionais, somente dignas de um Criador, infinito em Sua criatividade.

Azul da cor das águas dos rios sem poluição, sem detritos, correndo livremente.

Rios que atravessem as artérias do território cantando a independência de um povo que deseja Ordem e Progresso.

Um povo que não quer ser subjugado, que deseja trabalhar de forma honrada a fim de assegurar o pão nosso de cada dia na própria mesa.

Um povo que deseja um lar, uma família, leis justas para lhe garantir a propriedade, o emprego, o ensino.

Um povo que não alimenta preconceito, que respeita seu irmão, não importando a cor da pele, a configuração dos olhos ou das maçãs do rosto.

Um povo que ama a liberdade, que tem o samba no pé e os versos do hino pátrio no coração.

Finalmente, um Brasil de paz. Paz no coração das gentes, que somente anseiam estudar, construir, progredir.

Um Brasil de paz que seja exemplo para o mundo. Um Brasil em que todos se abracem como irmãos e desejem se auxiliar no combate à miséria, à fome, à injustiça.

Um Brasil em que todos sejam iguais perante a lei, perante a sociedade, perante a escola.

Um Brasil verde, amarelo, azul e branco. Este é o Brasil que todos desejamos.

Um Brasil para ter filhos e vê-los crescer, livres da violência e das drogas. Filhos que se tornem cidadãos produtivos e nobres.

Um Brasil que todos juntos podemos construir, desde agora.

Mãos à obra. O tempo urge. O dia é hoje.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 5 de março de 2019

A feliz aposentadoria.

Nos primeiros anos do Século XX, era comum verdureiros percorrerem as ruas das cidades ofertando os seus produtos, diariamente.

Na cidade de Matão, no interior do Estado de São Paulo, havia um desses que, todas as manhãs, transitava com sua carroça cheia de legumes, verduras e frutas.

Certo dia, ele parou em frente à uma farmácia. Estacionou sua carroça e entrou para comprar um medicamento.

Enquanto era atendido, o dono da farmácia, homem bom, foi até a porta e ficou olhando para o animal atrelado à carroça.

Era um burro velho, maltratado, magro que, muito ofegante, suportava parado o peso enorme do veículo de madeira e das mercadorias. Tinha um aspecto feio.

Notava-se, de longe, que tudo aquilo era demais para ele. Não tinha mais condições de continuar naquele trabalho.

Quando o verdureiro saiu da farmácia, viu o proprietário parado à porta e o cumprimentou:

Olá, senhor Cairbar, tudo bem?

E recebeu, de retorno, uma proposta: O senhor quer me vender o seu burro?

Claro que não, foi a resposta pronta. Preciso dele para me levar, com toda a mercadoria, de um lado a outro da cidade.

Cairbar voltou a insistir: Diga o preço. Quem sabe, faremos um bom negócio.

O verdureiro continuou argumentando que não venderia o animal. Mas Cairbar insistiu e insistiu, até que ele resolveu dar um preço: uma quantia muitas vezes acima do valor real. Era para não vender.

No entanto, Cairbar olhou para o burro, que continuava ofegante, foi para o interior da farmácia, pegou o dinheiro na gaveta e entregou ao dono do animal.

Agora, ele é meu, falou. Pode levar a carroça para casa e depois me traga o burro.

O homem ficou assustado. Olhou para a soma que recebera. Era o suficiente para comprar cinco animais e melhores do que aquele.

Agradeceu e se foi rapidamente. Voltou mais tarde, puxando o burrinho por um pedaço de corda e o entregou ao novo dono.

Cairbar afagou o animal, levou-o devagar para um pasto próximo e o soltou.

A notícia se espalhou pela cidade. Quando os amigos souberam, foram perguntar para que ele queria um animal velho, maltratado, quase morrendo.

E ele respondeu, de forma natural:

Não preciso do animal para nada. Está aposentado. Vai viver seus últimos dias usufruindo desse direito. Merece porque está velho e já trabalhou muito.

E o velho burro viveu sua aposentadoria no pasto, solto. Tudo graças a quem teve olhos de ver e tinha um nobre coração.

                                                                         *   *   *

Os animais nos merecem cuidados. Eles nos servem de muitas maneiras e é nossa responsabilidade atendê-los em suas necessidades.

Nas suas enfermidades, necessário que lhes providenciemos os cuidados adequados: a medicação, a cirurgia, os curativos.

E, quando velhos, cansados, aguardam que lhes respeitemos os anos de dedicação que nos ofereceram, seja como animais de estimação ou de outra forma.

Pensemos neles como queridos amigos ou velhos servidores e lhes retribuamos o que nos ofertaram por dias, meses ou anos com carinho, atenção, medicação, cuidados.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Não escolha a doença.

Não aceite mais ficar magoado, não aceite mais ficar decepcionado com a vida ou com o que quer que seja. 
Você está ciente de que escolher a mágoa e a desilusão é escolher a doença.
Livre-se das interpretações dramáticas que fez a respeito do que lhe aconteceu. 
Os fatos são os fatos, tudo depende da maneira como os interpretamos. 
Uma leitura doentia, mórbida, baseada apenas na observação dos aspectos negativos das pessoas e circunstâncias, turvará nossas paisagens mentais com as mesmas tintas obscuras com que enxergamos a vida.
Vencer o mundo da doença é colocar-se acima das desilusões e mágoas, e isso somente será possível se tivermos ânimo e boa vontade para recomeçar e seguir adiante. 
Além do mais, se não perdoarmos a quem nos ofende, com que direito pediremos o perdão ao próximo quando for a nossa vez de errar? 
( Texto de J. C de Luccas)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Agora.

Agora é o momento decisivo para fazer o bem.

Amanhã, provavelmente... o amigo terá desaparecido; a dificuldade estará maior; a moléstia terá ficado mais grave; a ferida, possivelmente, se mostrará mais crescida de extensão; o problema talvez surja mais complicado.

A oportunidade de ajudar não se repetirá.

A boa semente plantada agora é uma garantia da produção valiosa no futuro.

A palavra útil, pronunciada sem adiamento, será sempre uma luz no quadro em que você vive.

Se deseja ser desculpado de alguma falta, aproxime-se agora daqueles a quem feriu e revele o seu propósito de reajustamento. Se você se propõe a auxiliar o companheiro, ajude­-o sem demora para que a bênção do seu concurso fraterno responda às necessidades dele, com a desejável eficiência.

Não durma sobre a possibilidade de fazer o melhor.

Não se mantenha na expectativa improdutiva, quando pode contribuir em favor da alegria e da paz.

A doação adiada tem gosto amargo.

Deixar para mais tarde o bem que podemos realizar é desaproveitar o tempo que temos na Terra. Não sabemos quando teremos nova oportunidade tão rica como essa.

*   *   *

Nada mais triste do que chegar num ponto da vida e sermos invadidos por pensamentos de que devíamos ter feito algo mais; que devíamos ter corrigido algo; que podíamos ter aproveitado melhor determinada oportunidade ou desfrutado mais da companhia de alguém.

É uma culpa que não precisamos carregar se formos mais presentes, se estivermos mais atentos ao que nos rodeia.

Dessa forma, perceberemos que o bem grita em nossa intimidade, muitas vezes. Ele nos convida, nos chama.

Mas, alegamos não dispor de tempo ou acreditamos não ser o momento, não temos coragem ou o orgulho não permite que ultrapassemos determinadas barreiras.

Precisamos aprender a ouvir melhor esses convites íntimos, esses clamores que vêm do coração nos conclamando a enxergar a chance. A perdoar. A compreender! A falar com essa ou aquela pessoa. A ajudar.

Nossos anjos de guarda se utilizam de sua influência para nos orientar, para não nos permitirem perder oportunidades valiosas da existência.

Eles nos sugerem palavras e ações, misturando suas ideias às nossas, para que tenham mais força.

Por isso, é importante que estejamos abertos ao bem. Os pensamentos precisam estar em equilíbrio, sem caírem constantemente nas teias do ódio, da revolta, do estresse.

Quando estamos bem, sintonizamos com o bem.

Alimentemos nossa mente com conteúdos positivos diariamente. Leituras, conversas, palestras, estudos.

Uma mente preenchida com bons pensamentos não tem espaço para ideias maldosas ou tolas.

Não nos deixemos intoxicar pela negatividade de alguns, pelo pessimismo daqueles que afundaram e querem levar outros com eles.

Sejamos nós os agentes da mudança, os que fazemos as pequenas coisas que constroem, que auxiliam, que mudam para melhor o panorama do mundo.

Sejamos nós o sorriso que acolhe, o gesto gentil que inspira, a palavra sensata que não julga, que elogia e traz sempre as notas do amor.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Postura diária.

Ana foi a um grande pet shop comprar ração para seu cão. Ao chegar ao caixa, para efetuar o pagamento, cumprimentou a jovem atendente, desejando-lhe uma boa tarde.

A funcionária, surpreendida, comentou:

Faz oito meses que trabalho aqui e a senhora é a primeira cliente que me olha, sorri e cumprimenta.

Ana ficou chocada.

Como assim? – Perguntou.

Os clientes não costumam nos olhar. Alguns ficam falando ao celular, outros são impacientes, passam apressados. É como se fôssemos parte da caixa registradora, e não seres humanos.

Nesses oito meses, a senhora, realmente, foi a primeira pessoa que me olhou de verdade, e gentilmente me cumprimentou.

Ana saiu do local, refletindo sobre a responsabilidade que temos uns para com os outros, e sobre nossa postura diária perante o próximo.

*   *   *

Em outra oportunidade, depois de almoçar num restaurante em cidadezinha turística, Ana dirigiu-se ao caixa para pagar a conta. Como sempre fazia, sorriu e cumprimentou a funcionária, elogiando a comida e o serviço.

Aproveitou para sugerir a colocação de uma nova placa na entrada do banheiro, pois a atual era pequena e não possibilitava a identificação com clareza.

Até comentou, divertida, que vira alguns senhores se equivocarem com a sinalização.

A moça sorriu e agradeceu. Disse que poucas pessoas elogiavam e faziam sugestões de maneira educada, pois a maioria reclamava com agressividade.

Ante a surpresa de Ana, ela continuou:

Alguns clientes não ficam satisfeitos com a comida, o preço ou o serviço e reclamam ao pagar. Nem sempre posso resolver o problema na hora, e quando as coisas não saem como eles querem, vão dizendo que farão com que eu seja demitida.

Ao sair, Ana ficou pensando no quanto a arrogância deteriora as relações entre as pessoas.

Quando, por conta do orgulho exacerbado, acreditamos ser superiores aos outros, olhando-os com desdém e tratando-os com menosprezo, humilhando-os por conta da posição que ocupamos, esquecemos que quem está à nossa frente é um irmão. E que responderemos pela forma como o tratamos.

É preciso ter sempre em mente o que nos ensinou o Mestre Jesus.

“Amar o próximo como a si mesmo; fazer aos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade, porque resume nossos deveres para com o próximo.

Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo.

Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgência, benevolência e devotamento para conosco, do que lhes damos?

A prática dessas máximas leva à destruição do egoísmo. Quando as tomarmos como normas de conduta e como base de nossas instituições, compreenderemos a verdadeira fraternidade, e faremos reinar a paz e a justiça entre nós.

Nesse dia, não haverá mais ódios, nem dissensões, mas união, concórdia e mútua benevolência.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Nave espacial.

Filmes de ficção científica já mostraram, com muita riqueza, cenas de naves espaciais imensas cruzando o Cosmo a velocidades espantosas.

Dentro delas, pequenas cidades. Salas, quartos, restaurantes, espaços de lazer, tudo que se possa imaginar.

Além disso, uma enorme tripulação levando uma vida normal, como se estivesse num planeta qualquer. Nem parece estar cruzando o espaço velozmente.

Uma visão futurística? Um futuro distante? Na verdade, não.

Curiosamente, vivemos uma realidade exatamente como essa, sem perceber. Somos passageiros de uma grande nave que se desloca rapidamente pelo espaço. Ela se chama Terra.

O planeta gira em torno do Sol a uma velocidade altíssima, cerca de cento e sete mil quilômetros por hora. Além disso, todo nosso sistema solar gira em torno do centro da galáxia a uma velocidade de cerca de setecentos e setenta e oito mil quilômetros por hora.

Poderíamos ir adiante na citação de velocidades, pois nem a Via Láctea está parada. No entanto, ficando apenas com estes dados temos uma informação impressionante: a cada minuto a Terra está, no Universo, a dezenove mil quilômetros de distância de onde estava antes.

Isso faz de todos nós viajantes siderais.

É muito interessante saber que há cerca de dois mil anos imaginávamos que a Terra era o centro do Universo. A teoria dizia que o planeta estava parado e o Sol girava em torno dele.

Era o homem e seu egocentrismo, aflorado em suas crenças.

Essa teoria durou quase mil e setecentos anos, e só foi substituída pela teoria heliocêntrica – o Sol como centro do Universo - a muito custo.

Astrônomos, como Nicolau Copérnico, sofreram para conseguir provar que a proposta anterior precisava ser revista.

O homem não era o centro de tudo. O Universo era maior e mais complexo do que se imaginava.

Hoje se sabe um tanto mais. Nosso Sol é uma anã amarela, pequenina diante das gigantes estrelas descobertas. Nosso sistema solar é reduzida composição num dos braços da imensa via láctea, que também não é a maior das milhões de galáxias existentes.

Tudo isso nos leva a perceber que somos viajores do espaço. No momento, habitamos a espaçonave Terra, mas podemos tripular outras ao longo da grande viagem, de acordo com a necessidade e o merecimento.

Não somos o centro do Universo. Fazemos parte dele, como engrenagens importantes de algo extremamente complexo e belo.

Por tudo isso, vale a pena refletir sobre nossos propósitos de vida, se estamos nos comportando como viajantes realmente.

Muitos ainda cremos que só existe a matéria; que a vida se inicia no berço e termina no túmulo; que o mais importante é ter do que ser.

Muitos ainda levamos uma vida egocêntrica, como se o Universo girasse ao nosso redor. Todos existem para nos servir, para nos atender, e quando não o fazem se tornam inimigos e incômodos.

Facilmente nos frustramos. Teimamos em nos conservar parados quando tudo ao nosso redor está em movimento, mudando, evoluindo, crescendo em direção à perfeição.

Assim, enxergue-mo-nos como um membro da tripulação Terra, uma nave espacial fantástica que cruza o Cosmo enquanto aprendemos, dia após dia, sobre o amor universal.

Redação do Momento Espírita.

Doe Sangue

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