terça-feira, 21 de maio de 2019

Visualizar.

Vivemos, na atualidade, fenômenos culturais muito curiosos. Um deles é o das novas palavras e novos significados para termos antes pouco utilizados.

Pela primeira vez na História, no ano de 2015, o Dicionário Oxford elegeu não uma palavra propriamente dita, mas um emoji, como palavra do ano.

O emoji é uma imagem pictográfica que representa uma palavra ou frase. No caso, a imagem vencedora representava um rosto com lágrimas de alegria.

Todos os anos, a editora elege a palavra que, naquele período, atraiu muito interesse.

Os termos candidatos ao prêmio são debatidos por um júri que, segundo a instituição, escolhe o vencedor com base no potencial duradouro e na significância cultural.

Uma outra palavra que ganhou novo significado foi o verbo visualizar.

Visualizar é diferente de olhar, de ver ou ler.

Visualizar é tomar ciência de algo, num golpe de olhar apenas, sem qualquer tipo de aprofundamento.

O verbo visualizar também instaurou uma urgência pela resposta, pois se alguém visualiza algo e não responde de imediato, desperta do lado de lá uma imensa preocupação.

Visualizou: precisa responder imediatamente.

Visualiza-se algo, mas não se reflete sobre aquilo. Visualizamos uma mensagem e temos pouco ou nenhum tempo de elaborar, seja um pensamento ou uma resposta.

Jacques Lacan, importante psicanalista francês, levanta uma questão que ele chama de tempo lógico.

Para ele, haveria uma diferenciação entre três tempos: o tempo de ver, de compreender e de concluir.

O tempo de ver é o tempo no qual uma certa percepção chega até cada um de nós. É o impacto sensorial que temos quando percebemos alguma coisa.

O tempo de compreender é aquele no qual lemos essa percepção a partir de acontecimentos anteriores de nossa vida, e que fazem com que essa percepção ganhe algum sentido para nós.

Finalmente, é a partir do tempo de concluir que cada um realiza um certo ato, se implica numa decisão, escolhe o que fazer a partir daquilo que compreendeu.

Diante do novo sentido utilizado para o verbo visualizar, temos uma espécie de achatamento entre o que vemos e a precipitação no ato.

Encontramo-nos impelidos sempre a uma resposta, como se ela pudesse ser automática.

Não há o tempo de pensar, de refletir, de analisar.

O novo sentido do verbo passa a ter ares de indiferença, pois é um olhar apressado, quase desinteressado.

Podemos deixar de ver, de compreender e concluir, diante das dores alheias, diante do mundo que pulsa a nossa volta e pede ajuda.

Podemos começar a apenas visualizar nossos amores, suas falas e dificuldades.

Podemos começar a simplesmente visualizar o mundo, ao invés de fazer parte dele ativamente.

                                                                              *   *   *

Em tempos em que se contam e comemoram visualizações, é fundamental lembrar que relações saudáveis exigem atenção e tato, exigem dedicação e tempo.

Precisamos nos dar e dar ao outro o tempo de compreender e concluir. Decisões e respostas apressadas trazem consequências graves e, muitas vezes, irreversíveis.

Aceitamos com facilidade as demandas urgentes de um mundo agitado e impaciente. Está na hora de reassumirmos o controle de tudo, com calma, análise e profundidade.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de maio de 2019

A arte do matrimônio.

Qual será o segredo dos casamentos duradouros? Casais que convivem há anos falam de paciência, renúncia, compreensão.

Em verdade, cada um tem sua fórmula especial. Recentemente, lemos as anotações de um escritor que achamos muito interessantes.

Ele afirma que um bom casamento deve ser criado. No casamento, as pequenas coisas são as grandes coisas.

É jamais ser muito velho para dar-se as mãos, diz ele. É lembrar de dizer te amo, pelo menos uma vez ao dia.

É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns.

É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família.

É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer.

É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.

É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito.

E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato.

É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante.

É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido.

É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos.

É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.

É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois.

É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal.

É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro.

Um novo corte de cabelo, uma vestimenta diferente. Detalhes pequenos, mas importantes.

É saber dar atenção para a família do outro pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade.

É cultivar o desejo constante de superação.

É responder dignamente e de forma justa por todos os atos.

É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.

                                                                     *   *   *

O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio, vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita.

O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura, não tende a acabar, mas amplia-se, uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes, manias e costumes um do outro.

O equilíbrio do amor promove a prática da justiça e da bondade, da cooperação e do senso de dever, da afetividade e advertência amadurecida.
Redação do Momento Espírita.

sábado, 11 de maio de 2019

Feliz dia das Mães.

Felicidade das Mães.
No Dia das Mães, quando tantas homenagens ocorrem, uma garota escreveu: Durante toda a vida ouvi falar: “Se o filho está feliz, a mãe está feliz. Tudo que eu quero é ver meu filho feliz!”

Francamente, impossível acreditar nisso.

Se fosse verdade, eu teria podido comer aquela barra de chocolate inteirinha. Isso me teria feito muito feliz.

Mas ela não deixou. Cortou minha felicidade ao meio.

Quando quis virar a noite no videogame, eu estava no auge da minha felicidade. Mas ela não entendeu. Por acaso, ela pensou na minha felicidade? É claro que não.

Ela disse que contaria até três e me fez desligar a TV, no meio da última fase do jogo.

Se houvesse sinceridade nesse desejo dela de me ver feliz, ela teria me deixado namorar ao invés de estudar.

Como ela pôde me proibir de sair e me forçar a ficar horas com os livros, quando tudo que me faria feliz naquele momento estava lá fora?

O sol estava lá fora. O namorado estava lá fora. Os amigos estavam se divertindo. Todos... menos eu.

Como sempre, o que eu ouvia era: “Você não é igual a todo mundo. Você é minha filha.”

E, naquele dia, em que cheguei chorando porque tinha sido injustiçada pelos amigos, ela disse: “Você deve ter feito alguma coisa para merecer isso!”

Quanta insensibilidade!  Ela não sabia que me faria feliz se tivesse se unido a mim para dizer que eu estava certa?

Até me ajudasse a encontrar mil defeitos neles.

As mães dizem que nos querem ver felizes. Na verdade, também querem que arrumemos a cama, lavemos a louça, tiremos o lixo, cuidemos dos irmãos. E, ainda, nos forçam a comer o que elas dizem que é saudável.

Garanto que a maioria dos filhos pensa como eu.

                                                                    *   *   *

Pois é. Pensamos assim até nos tornarmos mães. Quando a vida nos presenteia com um filho, passamos a ver as coisas de forma bem diferente.

O não da barra de chocolate passa a ser entendido como um sim à disciplina alimentar. O não ao videogame se torna um sim às horas insubstituíveis de sono.

O não ao namorado, não é um não ao namoro, é um sim ao futuro.

Então entendemos e agradecemos por cada atitude de nossa mãe porque todas serviram para nos tornar melhores.

Hoje, quando nossa mãe nos olha com orgulho, e sorri mesmo quando as coisas não estão fáceis, conseguimos compreender o sentido daquela frase repetida incansavelmente, ao longo da vida: “Se você estiver feliz, eu estarei feliz.”

Não há nada maior do que o amor de uma mãe. Também nada mais gratificante do que descobrir, nos seus olhos, a felicidade por ver seu filho bem neste mundo.

Agradeçamos à nossa mãe o que fez por nós, por nos ter transformado num barco forte para passar por todas as tempestades.

Agradeçamos por ter nos acolhido com mesa farta quando chegamos em terra firme com a alma sedenta de amor e o coração faminto de carinho.

Agradeçamos pelo melhor colo do mundo e pelo sorriso maravilhoso de se ver!

E sim, ficamos zangadas quando ela está longe. Nós a queremos por perto para continuar dizendo os santos não para essa criança, dentro de nós, que nunca para de aprender!

Amamos você, mamãe!
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dedicação materna.

Quando se fala em dedicação, difícil se nos torna avaliar qual o seu significado para algumas pessoas.

Quando se evoca, por exemplo, a figura materna, que tem em seus filhos a maior razão de seu viver, parece que essa virtude se multiplica indefinidamente.

Mães existem que não medem os esforços que fazem, a energia que despendem, nem mesmo a negação de suas próprias necessidades para bem atender seus filhos.

                                                                     *   *   *

A imprensa divulgou a história daquela mãe chinesa cujo filho, de trinta e seis anos, depois de um acidente de carro, ficou tetraplégico e em coma.

O pai do rapaz havia morrido quando ele ainda era uma criança. A mãe assumiu sozinha a árdua tarefa de atender ao filho.

Alimentava-o, por meio de um tubo ligado ao estômago, dava-lhe banho, fazia massagens em seu corpo para evitar escaras. Estava ao seu lado dias e noites.

Os meses foram passando vagarosos e se transformaram em anos.

Doze anos se foram, quando, num belo dia, ele despertou do coma. A notícia surpreendeu o país e se espalhou nas redes sociais.

E aquela senhora, então com setenta e cinco anos, afirmou aos entrevistadores que nunca desistira dele.

Nas imagens divulgadas, o filho aparece sorrindo e a mãe, feliz, diz que o sorriso é o único meio dele se comunicar com ela.

Mas, que espera pelo momento em que ele possa voltar a falar, a chamá-la de mãe.

                                                                     *   *   *

A dedicação dessa mãe para com o filho dependente nos faz perceber o quanto é capaz de lutar o amor materno.

Nos relatos colhidos, ela revela que, sem meios para se sustentar, contando somente com a ajuda de amigos e familiares, muitas vezes deixava de comer para que não faltasse alimento ao jovem.

Esses doze anos de dedicação, de renúncias e sacrifícios nos falam do tamanho do seu amor maternal e do alto grau de sua fé em Deus e na vida.

Ter fé é confiar, é acreditar. Ela confiou com todas as fibras de seu coração na possibilidade de retorno do seu filho à vida.

E, embora ele nada mais consiga fazer do que sorrir, desde que saiu do coma, ela prossegue confiante, perseverante, aguardando que ele volte a falar.

E a chamá-la de mãe.

Esse devotamento, essa dedicação é uma entrega que se faz sem condições, sem medidas, sem necessidade de trocas ou retribuições.

É um sacrifício de quem se doa e uma verdadeira bênção para o ser que se encontra totalmente incapacitado.

Toda essa dedicação demonstra o apreço da mãe pelo filho, e a perfeita realidade de que esse amor não tem preço!

Serve-nos, igualmente, de exemplo de luta pela vida. Vida que não deve ser menosprezada, abandonada por se encontrar a pessoa em situação crítica.

Vida que nos merece respeito, luta, apoio.

Afinal, tantos casos existem de pessoas consideradas a um passo da morte, que retornam ao palco da vida e retomam suas lutas, seus afazeres, como se tudo não tivesse passado de um período de sono, de refazimento, de repouso.

Pensemos a respeito.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Profissão honrada.

Certa vez, um homem ligou para sua esposa da cabina telefônica de um aeroporto.

Quando as suas moedas terminaram, a telefonista o interrompeu para dizer que lhe restava apenas um minuto.

O homem se apressou para encerrar a conversa com a esposa mas, antes que eles tivessem tempo de se despedir, a linha caiu.

Com um suspiro, o homem pôs o fone no gancho e começou a sair da minúscula cabina.

De repente, o telefone tocou. Imaginando que fosse a telefonista, solicitando a colocação de mais moedas, ele pensou em não atender. Mas alguma coisa lhe disse para pegar o telefone.

De fato, era a telefonista. Contudo, ela não queria mais moedas. Tinha um recado para ele.

Depois que o senhor desligou, sua esposa disse que o amava. Achei que o senhor gostaria de saber.

                                                                       *   *   *

Em qualquer atividade que exerças, considera-te servidor de Deus.

Por mais humilde seja a tua profissão, ela é por demais valiosa no conjunto social em que te encontras.

Cumpre com os teus deveres com alegria, e consciente do seu significado, do valor que eles têm e de quanto são importantes para a comunidade.

Ilhas imensas surgem nos mares, construídas por humildes ostras.

Desertos colossais resultam de pequenos grãos de areia que se acumulam.

Oceanos volumosos são nada mais do que gotinhas de água.

A tua parcela no mundo é de grande relevância. Portanto, trabalha com disposição e nobreza.

Não explores negativamente os semelhantes, retirando proveitos imediatos indevidos, através de tua profissão.

Muitos, enquanto exercitam a sua atividade profissional, oferecem materiais e produtos de inferior qualidade, ao preço de qualidade superior.

Outros egoístas, em suas oficinas, mentem, fingem, alegam trocas de peças, substituindo-as por aquelas de inferior possibilidade, ganhando dinheiro desonestamente.

Muitos funcionários encenam enfermidades, conseguem falsos atestados médicos, abusam de prerrogativas, para não exercerem as suas horas de trabalho.

Cada profissão no mundo guarda o compromisso de forjar o bem e o progresso dos grupos humanos. Também de iluminar todos aqueles que, na qualidade de dignos profissionais, honram os deveres, como legítimos cooperadores do Criador.

Não sejas daqueles que adotam profissões visando o destaque social, o ganho rápido e o menor esforço.

Quando ouças alusões a riquezas e prestígios, pensa em tantos doentes sem médico, analfabetos sem professor, explorados sem advogados que os ajudem e tantas outras necessidades humanas, a fim de que exerças a tua profissão com o melhor de ti.

A missão do homem inteligente na Terra deverá ser fazer a vida crescer por onde sigam os seus passos.

Trabalha feliz e exerce a tua atividade profissional com honra.

                                                                     *   *   *

A profissão não deve ser encarada simplesmente como a possibilidade do ganho material. É também fator de crescimento.

É daquelas questões que, na esfera dos planejamentos reencarnatórios, antes do retorno à carne, são ajustadas no mundo invisível.

Abraça, pois, a tua profissão e exerce-a com amor, demonstrando a tua capacidade de ser útil e atender ao desenvolvimento da sociedade em que vives.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Meditar...respirar.

É natural. Nossa mente sofre sede de paz, como a terra seca tem necessidade de água fria.

Por isso, venha a um lugar à parte, no país de você mesmo, a fim de repousar um pouco.

Esqueça as fronteiras sociais, os controles domésticos, as incompreensões dos parentes, os assuntos difíceis, os problemas inquietantes, as ideias inferiores.

Retire-se dos lugares comuns a que ainda se prende.

Concentre-se, por alguns minutos, em companhia do Cristo, no barco de seus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações cotidianas...

Ele lavará a sua mente repleta de aflições.

Balsamizará suas úlceras.

Basta que você se cale e sua voz falará no sublime silêncio.

Ofereça-lhe um coração valoroso na fé e na realização, e Seus braços divinos farão o resto.

Você regressará, então, aos círculos de luta, revigorado, forte e feliz.

Seu coração com Ele, a fim de que possa agir, com êxito, no vale do serviço.

Ele com você, para escalar, sem cansaço, a montanha da luz.

                                                                          *   *   *

A meditação dulcifica a aspereza da luta, harmoniza o intelecto com o sentimento e mantém acalmado o homem.

Vale esclarecer que não será por efeito de uma a outra experiência mágica que perceberemos o efeito, mas sim através de expressivo esforço.

A disciplina, a frequência do exercício, os conteúdos do pensamento, são essenciais para o êxito desse empreendimento íntimo.

Tomemos, por exemplo, de uma página do Evangelho. Leiamos pausadamente, digerindo-lhe o significado e nos concentrando nela, para fixá-la.

Retiremos a grande quantidade de informações e reflexionemos em cada mensagem revelada, na sua essência.

Insistamos em verificar a forma e o sentido de como aquelas linhas poderão nos ser úteis.

Analisemos sem pressa para que da letra retiremos seu espírito.

Habituemo-nos a esse pequeno costume e estaremos iniciando a meditação que nos levará à paz de consciência e à alegria de viver.

Mesmo que disponhamos de pouco tempo, busquemos utilizá-lo para a meditação, descobrindo, logo depois, que os benefícios serão imensos.

A meditação nos irá abrir as portas para a perfeita união com Deus que a oração proporcionará.

                                                                          *   *   *

Respiremos profundamente e com calma.

Reservemos alguns momentos do nosso dia para realizar essa singela tarefa de bem-estar.

Recordemo-nos dessa faculdade incrível que temos de fazer com que o ar externo penetre nossos pulmões.

O ar é vida e cada vez que respiramos conscientemente estamos nos ligando a ela com mais intensidade.

Respiramos automaticamente, respiramos mal, por vezes tomados pela ansiedade e nervosismo que quase nos tiram o fôlego.

Aproveitemos, a cada expiração, para retirar de nosso íntimo as preocupações, as revoltas, os sentimentos pouco elevados.

Respiremos melhor e vivamos melhor.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 16 de abril de 2019

Basta!

Até quando cairemos, sem aprender as lições da queda...

Até quando faremos escolhas egoístas, quando tudo aponta para uma vida de colaboração...

Até quando nos perderemos por tão pouco, confundindo o que é meio, com o que é fim..

Até quando afundaremos na lama... segurando o fôlego, em agonia, desejando estar em outro lugar.

Nossa vida precisa de bastas.

Estancar, interromper, ou então: começar, agir.

Algumas coisas merecem decisões drásticas de nossa parte, senão permaneceremos como estamos para sempre...

Todos colecionamos histórias valiosas dos bastas que demos em tantas situações. e como foram importantes...

A partir daquele dia eu decidi..., ou, foi naquele dia que parei; ou ainda, foi naquele momento que mudei isso ou aquilo em definitivo.

Foram instantes divisores de água, quando percebemos que a vida até então havia sido de um jeito e precisava ser de outro.

Paulo de Tarso teve seu basta na estrada de Damasco, naquele encontro inesquecível, quando decidiu mudar. e mudou.

Não foi por uma ação externa ou por imposição do Cristo. Não, ele decidiu que seria diferente.

Maria de Magdala teve seu basta no encontro com o Mestre na casa de Simão Pedro. Ouviu-lhe a proposta iluminada e deixou a humilde residência do Apóstolo dizendo:

Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes!...

Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com aleijados e leprosos...

Francisco de Assis deu seu basta na solidão de seus pensamentos, quando, ao retornar, enfermo, de uma guerra, aceitou o convite do Cristo que lhe falava em pensamento.

São todos exemplos grandiosos de personagens que receberam missões grandiosas.

Contudo, somente se fizeram grandes porque tomaram decisões.

É certo que as grandes mudanças da alma vêm, paulatinamente, são construídas com as experiências, as encarnações.

No entanto, há muitos momentos em que necessitamos mudar de direção subitamente, tomar atitudes enérgicas em relação a nós mesmos.

Se assim não fizermos, o comodismo nos manterá inertes e mais, nos levará ao sofrimento desnecessário.

Assim, que possamos nos autoanalisar e verificar qual é o basta que precisamos dar, neste momento.

Algum vício? Alguma situação familiar que incomoda? Algo importante que precisemos dizer e não consigamos?

Algo que sentimos, no fundo da alma, que não está certo? Algo que sabemos que precisamos fazer e ainda não fizemos?

Acreditemos em nossa força, contando com o auxílio do Alto, que sempre está presente, quando nos dispomos a gestos de nobreza e vitória pessoal.

Acreditemos que o que não está certo pode ser transformado. Por vezes, tudo que falta é um sonoro e imponente basta!

                                                                            *   *   *

O basta é um choque que damos na própria alma, quando percebemos que está passando da hora de mudar.

O basta é convite à ação imediata, no campo da intimidade ou da vida de relação.

Não nos permitamos permanecer apenas no campo do remorso ou da indignação. É necessário agir, com os instrumentos que temos. E agir agora.

Basta!
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Eu te amo.

O que é o amor? Os poetas o definem em versos, os compositores tecem canções.

Os filósofos têm sua própria definição. Também as pessoas comuns, cada qual à sua maneira.

Nenhum de nós ama de forma idêntica ao outro porque o amor vem da intimidade da criatura e cada um de nós é um ser único na face da Terra.

Exatamente porque o Criador não se repete e, ainda, porque cada um de nós edifica a própria personalidade, a partir das suas experiências, das suas vivências.

Contudo, em se falando de amor, algo muito importante é sabermos que somos amados por alguém: um pai, um filho, um esposo, um amigo.

Por isso mesmo esperamos, em algum momento, ouvir as palavras: Eu te amo.

Nem sempre nos damos conta disso, acreditando que a outra pessoa sabe que a amamos.

Pode até saber, mas precisa dessas palavras poderosas, que alimentam a chama do sentimento: Eu te amo.

Lembramos daquele homem que internou a esposa em uma clínica. Joana estava em estágio final de um câncer dilacerador.

Nos primeiros dias, ele ficava no quarto, assistindo aos programas de que ela gostava.

Joana era uma romântica. Gostava de novelas, de histórias e filmes com sabor de romance, de finais felizes.

Certo dia, confidenciou à enfermeira que faria qualquer coisa para que o marido lhe dissesse Eu te amo.

Sei que ele me ama – falou - mas nunca foi do seu feitio mandar cartões ou fazer declarações de amor.

Depois de algum tempo, Joana passou a ficar menos tempo acordada, por conta das altas doses de medicamento que lhe ministravam.

Então, o marido passeava pelo jardim da clínica, ia à lanchonete, triste, amargurado.

Numa dessas vezes, a enfermeira se aproximou.

Ele agarrava, com força, a xícara de café, com suas mãos calosas de carpinteiro. Notava-se-lhe a angústia que lhe tomava a alma.

A moça então lhe falou de como as mulheres precisam de romance em suas vidas, como gostam de receber cartões, cartas de amor, ouvir declarações.

Minha mulher sabe que a amo, foi a resposta imediata.

Sim, reforçou a enfermeira, mas precisa ouvir isso.

Dois dias depois, Joana partiu.

Na mesa de cabeceira estava um grande cartão de Dia dos Namorados que o marido lhe dera. Estava escrito: Para minha esposa maravilhosa... Eu te amo!

Quando a enfermeira entrou no quarto, entre lágrimas, ele lhe disse:

Tenho que lhe contar. Quero que saiba como me sinto bem em ter dito a ela.

Esta manhã falei o quanto a amava. Disse-lhe como era maravilhoso estar casado com ela. Devia ter visto o sorriso dela!

                                                                   *   *   *

Alguns poderão pensar que são supérfluas as palavras, que os atos valem mais.

Naturalmente, demonstrações de afeto são marcantes. Também as declarações de amor. O som da voz do amor é inesquecível.

Pensemos nisso. E não detenhamos a vontade de dizer uma, duas, muitas vezes, à pessoa que está ao nosso lado, o quanto ela é importante para nós, o quanto a amamos.

Como sua presença nos faz bem. Pode ser a esposa, a filha, um dos pais, um amigo. Um amor.

Não deixemos de nos assegurar que eles saibam que os amamos.

Façamos isso, agora, enquanto podem nos ouvir, sorrir e ficar felizes, imensamente felizes.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Progredir moralmente.

Todo o viver é um exercício de aprendizagem. E a vida será sempre rica de oportunidades para que a alma se enriqueça no saber das coisas de Deus.

A oportunidade do estudo, de desenvolver-se intelectualmente é possibilidade de alcançar conhecimento das leis do mundo físico, obra de Deus.

Estudar botânica, química ou astronomia, seja qual for o ramo das ciências, é sempre uma oportunidade de progredir intelectualmente, de aumentar o entendimento a respeito das leis do Criador.

E é claro que quanto mais estudamos, mais progredimos intelectualmente.

Porém, a vida também é rica de oportunidades para que cresçamos moralmente, para que possamos entender as coisas de Deus no campo da moral.

Assim como podemos crescer intelectualmente durante uma vida, podemos progredir moralmente.

Sabendo-se que moral é a regra de bem proceder, a regra de agir conforme as leis de Deus, será o entendimento dessas regras, pelas vias do coração a grande conquista para todos nós.

Logo, é natural que a vida oportunize também esse aprendizado, que nos possibilita crescer moralmente.

Se o progresso intelectual se dá pelos bancos da Academia, pelos livros, pelo exercício da mente e do raciocínio, o progresso moral se dá pelo enfrentamento do mundo, nos desafios de relacionamento com o próximo e conosco mesmos.

Sempre que nos deparamos com um parente difícil, é oportunidade de progresso moral, ao desenvolver a paciência e a indulgência.

Se o chefe irascível é nossa grande dificuldade, ou o ambiente de trabalho desequilibrador, que nos consome em preocupações, serão essas também oportunidades de desenvolvermos valores de paciente coleguismo.

Se situações difíceis da corrupção e do afrouxamento dos valores morais sucederem sob nossos olhos, ser-nos-ão convite ao exercício da retidão de caráter e da consolidação da honestidade.

Nenhuma situação que nos ocorra será descuido da Providência divina ou cochilo de nossos anjos tutelares.

Tudo está previsto pelo amor de Deus, a proporcionar as situações mais adequadas para que possamos progredir, intelectual e moralmente.

Dessa forma, jamais desejemos uma vida tranquila, sem desafios e dificuldades a transpor.

Essa vida que muitos desejam, e não poucos se esforçam para assim viver, consome-se no vazio de si mesma, pela falta do objetivo maior, que é o progresso do ser humano.

Jamais devemos malquerer os dias desafiadores. Serão sempre esses os que provocarão em nós o crescimento de novas capacidades, o amadurecimento moral, o despertar para valores mais sólidos e perenes em relação à vida.

Nunca deveremos nos esquecer que Deus nos proporciona penas e desafios somente na intensidade e no montante que nossa estrutura emocional será capaz de enfrentar.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de março de 2019

O progresso que buscamos.

O progresso que buscamos pode se apresentar de forma complexa. Ou se mostrar através de algo singelo. Porém, nem sempre percebemos ou lhe damos a devida importância.

O pranto da dor se torna progresso, quando aprendemos a sorrir alegremente, após passar pelos sofrimentos educativos.

A decepção inesperada, que nos maltrata, se transforma em progresso, na medida em que nos aconselhamos com a cautela, transformando-nos no indivíduo verdadeiramente amadurecido para a vida.

As dificuldades de qualquer ordem, que nos atrapalham hoje, serão elementos de progresso, se aprendermos as lições da educação dos hábitos, como abençoada vitória sobre o próprio desequilíbrio.

A doença que nos traz tantos dissabores, atualmente, irá se converter em nosso progresso, quando proporcionar em nosso íntimo o respeito à saúde, numa vida salutar continuada.

A solidão, com a qual custamos a nos habituar nos dias atuais, se bem compreendida, constituirá um imenso progresso, ensinando-nos a cultivar amores verdadeiros no futuro.

A morte do corpo, que altera disposições e sonhos, deixando um vazio e friagem na alma dos que ficam no mundo das formas, nos será oportunidade de progresso, se conseguirmos fazer dela a mensageira da renovação e do trabalho;

se preenchermos o vazio com a dedicação ao semelhante, se aquecermos a frialdade com a chama do amor, dedicando-nos às atividades humanas enobrecedoras, desligando-nos do egoísmo prejudicial.

                                                                   *   *   *

Reflitamos e não fixemos o olhar somente no ângulo aparentemente infeliz das coisas e circunstâncias que encontramos na vida.

O progresso está em tudo o que a vida nos traz.

Lembremos sempre que, acima de nossa visão limitada e imediatista, existem planejamentos detalhados para nossas existências, visando sempre o nosso bem.

Não somos uma alma abandonada num mundo em decadência. Somos um Espírito com planos de desenvolvimento, num mundo em progresso constante.

É chegado o tempo da fé raciocinada, de acreditar nas coisas sabendo o porquê.

É chegado o tempo de descobrir que Deus, a Inteligência Suprema, a Causa primeira de todas as coisas, rege os mundos através de leis perfeitas e a lei do progresso é uma delas.

Assim, comecemos a ver as dificuldades que surgem não mais como obstáculos, mas como oportunidades que a vida nos oferece para crescer.

Pensemos sobre o assunto. Reflitamos mais sobre os acontecimentos e ampliemos a visão que temos da vida.

É chegado o tempo da compreensão raciocinada.

                                                                     *   *   *

Cada novo amanhecer representa presente divino que não podemos, nem devemos desconsiderar.

É um convite sereno à conquista de valores que parecem fora do nosso alcance.

Cada novo amanhecer é chance de assentar mais um tijolo na edificação da nossa felicidade.

Cada novo amanhecer é prova da constância divina, é prova do seu amor pelo Espírito que somos, concedendo-nos sempre novas oportunidades.

Então, à medida que o dia avança, aproveitemos os minutos, sem pressa nem adiamento dos próprios deveres.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de março de 2019

A lição do trigal.

O trigal maduro parecia um mar imenso a ondular ao sabor do vento que brincava com as hastes.

Logo mais, seria a época da colheita e, desejando mostrar ao filho a beleza natural, o lavrador o chamou para percorrer os campos.

O rapazinho foi se extasiando com a paisagem, sempre mais bela e mais rica.

Observador atento, de vez em quando se detinha um tanto mais em alguns locais.

Após algum tempo de caminhada, perguntou ao pai:

Meu pai, por que é que algumas espigas de trigo estão inclinadas para o chão, enquanto outras estão de cabeça erguida?

O lavrador se abaixou e colheu uma espiga. Justamente uma das que se encontrava curvada. Mostrando-a ao filho, explicou:

Repara, meu filho. Esta espiga, que estava inclinada, quase encostando no chão, está perfeita e cheia de grãos. Observa aquela outra, que se levanta com tanto orgulho do trigal. Está seca e imprestável.

Na nossa vida, isso também acontece, às vezes. Os que apresentamos orgulho excessivo somos ocos, nulos, enquanto os humildes são valorosos e úteis.

O orgulho é um mal que habitualmente gera a ambição, que é o desejo imoderado de cargos, honrarias, poder, destaque.

Eis uma grande lição, meu filho. Não se permita, jamais, o orgulho. É um grande mal e precisa ser combatido.

Existem algumas regras que podem nos auxiliar a contermos nosso orgulho, reconhecendo o que somos, valorizando-nos, mas jamais nos acreditando melhores ou superiores aos demais.

Primeiro item é buscarmos o autoconhecimento. É impossível nos examinarmos sinceramente e não reconhecer as próprias falhas.

Segundo, pensarmos na insignificância e na transição de todas as coisas que constituem motivo de orgulho na Terra.

As riquezas, por exemplo. Não são eternas e transitam, com rapidez, de determinadas mãos para outras.

Famílias abastadas sofrem derrocadas financeiras, enquanto criaturas que pareciam quase nada possuir, se destacam, alcançando tópicos não imaginados.

Sem se falar que, com a morte, todos os bens, títulos, haveres, permanecem na Terra. Seguem com o Espírito somente as virtudes e paixões, isto é, o bem que construímos e o mal que para nós mesmos criamos.

Terceiro, recordarmos o exemplo de Jesus, perfeito modelo da humildade.

Ele, o Rei Solar, nosso Governador planetário, veio até nós, viveu conosco, entregando-se ao trabalho de carpinteiro.

E para a sua missão de amor, se identificou como o Pastor, que cuida das ovelhas. Maior de todos nós, apresentou-se como o Servidor.

Finalmente, aceitar posições modestas para desempenho de tarefas anônimas, que a muitos beneficiam.

                                                                        *   *   *

Sigamos nosso Modelo e Guia. Nossa passagem pela Terra é transitória, como todas as coisas do mundo.

Basta que grandes ventos se apresentem para destruir o que demoramos anos para edificar. Os temporais, as enxurradas, o inverno impiedoso ou a estiagem demorada são agentes do tempo sobre os quais não temos poder.

Lembremos da fragilidade humana e de que, para viver a cada dia, dependemos totalmente da Providência e da Misericórdia Divinas.

Pensemos nisso e sejamos menos orgulhosos.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de março de 2019

Um Brasil de muitas cores.

Quero meu Brasil verde e amarelo. Verde de esperança de ver seus filhos progredirem em seu solo. De vê-los crescer em tecnologia, de programarem o futuro, com alegria.

Esperança de ver seus filhos conquistando o mundo, dizendo do quão grande e rica é esta nação de tantas raças.

Esperança de ver as crianças na escola, ilustrando as mentes e exercitando o respeito pelos professores, pelos colegas.

Esperança de despertar nas manhãs com o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhando nas praças tomadas pelas gentes em passeios, exercícios, caminhadas.

Verde que assinale a proliferação das matas conservadas e respeitadas, onde vivam em abundância a fauna e a flora diversificadas.

Onde o colorido das aves acrescente mais beleza ao panorama e os cantos diversos encham os ares de sinfonias.

Esperança de que as espécies se multipliquem de forma natural, sem a ação predatória do homem insano e irreverente.

Que as aves possam construir seus ninhos no alto das árvores, sem temor de os verem destroçados pela cobiça dos que somente desejam ter suas próprias posses aumentadas.

Quero meu Brasil com o amarelo deslumbrante do astro rei nos céus.

Também como símbolo de riqueza nacional, sem agressão ao solo nem aos seus filhos, cujas vidas são mais preciosas do que qualquer minério ou pedra de qualidade.

Amarelo que tremule na bandeira nacional, atestando da nossa soberania, do respeito ao torrão pátrio pelos que aqui vivemos, como seus filhos, sem exploradores vindos de outras bandas.

Desejo um Brasil também azul e branco.

Azul da cor do céu que se apresenta maravilhoso de norte a sul, com variantes excepcionais, somente dignas de um Criador, infinito em Sua criatividade.

Azul da cor das águas dos rios sem poluição, sem detritos, correndo livremente.

Rios que atravessem as artérias do território cantando a independência de um povo que deseja Ordem e Progresso.

Um povo que não quer ser subjugado, que deseja trabalhar de forma honrada a fim de assegurar o pão nosso de cada dia na própria mesa.

Um povo que deseja um lar, uma família, leis justas para lhe garantir a propriedade, o emprego, o ensino.

Um povo que não alimenta preconceito, que respeita seu irmão, não importando a cor da pele, a configuração dos olhos ou das maçãs do rosto.

Um povo que ama a liberdade, que tem o samba no pé e os versos do hino pátrio no coração.

Finalmente, um Brasil de paz. Paz no coração das gentes, que somente anseiam estudar, construir, progredir.

Um Brasil de paz que seja exemplo para o mundo. Um Brasil em que todos se abracem como irmãos e desejem se auxiliar no combate à miséria, à fome, à injustiça.

Um Brasil em que todos sejam iguais perante a lei, perante a sociedade, perante a escola.

Um Brasil verde, amarelo, azul e branco. Este é o Brasil que todos desejamos.

Um Brasil para ter filhos e vê-los crescer, livres da violência e das drogas. Filhos que se tornem cidadãos produtivos e nobres.

Um Brasil que todos juntos podemos construir, desde agora.

Mãos à obra. O tempo urge. O dia é hoje.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 5 de março de 2019

A feliz aposentadoria.

Nos primeiros anos do Século XX, era comum verdureiros percorrerem as ruas das cidades ofertando os seus produtos, diariamente.

Na cidade de Matão, no interior do Estado de São Paulo, havia um desses que, todas as manhãs, transitava com sua carroça cheia de legumes, verduras e frutas.

Certo dia, ele parou em frente à uma farmácia. Estacionou sua carroça e entrou para comprar um medicamento.

Enquanto era atendido, o dono da farmácia, homem bom, foi até a porta e ficou olhando para o animal atrelado à carroça.

Era um burro velho, maltratado, magro que, muito ofegante, suportava parado o peso enorme do veículo de madeira e das mercadorias. Tinha um aspecto feio.

Notava-se, de longe, que tudo aquilo era demais para ele. Não tinha mais condições de continuar naquele trabalho.

Quando o verdureiro saiu da farmácia, viu o proprietário parado à porta e o cumprimentou:

Olá, senhor Cairbar, tudo bem?

E recebeu, de retorno, uma proposta: O senhor quer me vender o seu burro?

Claro que não, foi a resposta pronta. Preciso dele para me levar, com toda a mercadoria, de um lado a outro da cidade.

Cairbar voltou a insistir: Diga o preço. Quem sabe, faremos um bom negócio.

O verdureiro continuou argumentando que não venderia o animal. Mas Cairbar insistiu e insistiu, até que ele resolveu dar um preço: uma quantia muitas vezes acima do valor real. Era para não vender.

No entanto, Cairbar olhou para o burro, que continuava ofegante, foi para o interior da farmácia, pegou o dinheiro na gaveta e entregou ao dono do animal.

Agora, ele é meu, falou. Pode levar a carroça para casa e depois me traga o burro.

O homem ficou assustado. Olhou para a soma que recebera. Era o suficiente para comprar cinco animais e melhores do que aquele.

Agradeceu e se foi rapidamente. Voltou mais tarde, puxando o burrinho por um pedaço de corda e o entregou ao novo dono.

Cairbar afagou o animal, levou-o devagar para um pasto próximo e o soltou.

A notícia se espalhou pela cidade. Quando os amigos souberam, foram perguntar para que ele queria um animal velho, maltratado, quase morrendo.

E ele respondeu, de forma natural:

Não preciso do animal para nada. Está aposentado. Vai viver seus últimos dias usufruindo desse direito. Merece porque está velho e já trabalhou muito.

E o velho burro viveu sua aposentadoria no pasto, solto. Tudo graças a quem teve olhos de ver e tinha um nobre coração.

                                                                         *   *   *

Os animais nos merecem cuidados. Eles nos servem de muitas maneiras e é nossa responsabilidade atendê-los em suas necessidades.

Nas suas enfermidades, necessário que lhes providenciemos os cuidados adequados: a medicação, a cirurgia, os curativos.

E, quando velhos, cansados, aguardam que lhes respeitemos os anos de dedicação que nos ofereceram, seja como animais de estimação ou de outra forma.

Pensemos neles como queridos amigos ou velhos servidores e lhes retribuamos o que nos ofertaram por dias, meses ou anos com carinho, atenção, medicação, cuidados.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Não escolha a doença.

Não aceite mais ficar magoado, não aceite mais ficar decepcionado com a vida ou com o que quer que seja. 
Você está ciente de que escolher a mágoa e a desilusão é escolher a doença.
Livre-se das interpretações dramáticas que fez a respeito do que lhe aconteceu. 
Os fatos são os fatos, tudo depende da maneira como os interpretamos. 
Uma leitura doentia, mórbida, baseada apenas na observação dos aspectos negativos das pessoas e circunstâncias, turvará nossas paisagens mentais com as mesmas tintas obscuras com que enxergamos a vida.
Vencer o mundo da doença é colocar-se acima das desilusões e mágoas, e isso somente será possível se tivermos ânimo e boa vontade para recomeçar e seguir adiante. 
Além do mais, se não perdoarmos a quem nos ofende, com que direito pediremos o perdão ao próximo quando for a nossa vez de errar? 
( Texto de J. C de Luccas)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Agora.

Agora é o momento decisivo para fazer o bem.

Amanhã, provavelmente... o amigo terá desaparecido; a dificuldade estará maior; a moléstia terá ficado mais grave; a ferida, possivelmente, se mostrará mais crescida de extensão; o problema talvez surja mais complicado.

A oportunidade de ajudar não se repetirá.

A boa semente plantada agora é uma garantia da produção valiosa no futuro.

A palavra útil, pronunciada sem adiamento, será sempre uma luz no quadro em que você vive.

Se deseja ser desculpado de alguma falta, aproxime-se agora daqueles a quem feriu e revele o seu propósito de reajustamento. Se você se propõe a auxiliar o companheiro, ajude­-o sem demora para que a bênção do seu concurso fraterno responda às necessidades dele, com a desejável eficiência.

Não durma sobre a possibilidade de fazer o melhor.

Não se mantenha na expectativa improdutiva, quando pode contribuir em favor da alegria e da paz.

A doação adiada tem gosto amargo.

Deixar para mais tarde o bem que podemos realizar é desaproveitar o tempo que temos na Terra. Não sabemos quando teremos nova oportunidade tão rica como essa.

*   *   *

Nada mais triste do que chegar num ponto da vida e sermos invadidos por pensamentos de que devíamos ter feito algo mais; que devíamos ter corrigido algo; que podíamos ter aproveitado melhor determinada oportunidade ou desfrutado mais da companhia de alguém.

É uma culpa que não precisamos carregar se formos mais presentes, se estivermos mais atentos ao que nos rodeia.

Dessa forma, perceberemos que o bem grita em nossa intimidade, muitas vezes. Ele nos convida, nos chama.

Mas, alegamos não dispor de tempo ou acreditamos não ser o momento, não temos coragem ou o orgulho não permite que ultrapassemos determinadas barreiras.

Precisamos aprender a ouvir melhor esses convites íntimos, esses clamores que vêm do coração nos conclamando a enxergar a chance. A perdoar. A compreender! A falar com essa ou aquela pessoa. A ajudar.

Nossos anjos de guarda se utilizam de sua influência para nos orientar, para não nos permitirem perder oportunidades valiosas da existência.

Eles nos sugerem palavras e ações, misturando suas ideias às nossas, para que tenham mais força.

Por isso, é importante que estejamos abertos ao bem. Os pensamentos precisam estar em equilíbrio, sem caírem constantemente nas teias do ódio, da revolta, do estresse.

Quando estamos bem, sintonizamos com o bem.

Alimentemos nossa mente com conteúdos positivos diariamente. Leituras, conversas, palestras, estudos.

Uma mente preenchida com bons pensamentos não tem espaço para ideias maldosas ou tolas.

Não nos deixemos intoxicar pela negatividade de alguns, pelo pessimismo daqueles que afundaram e querem levar outros com eles.

Sejamos nós os agentes da mudança, os que fazemos as pequenas coisas que constroem, que auxiliam, que mudam para melhor o panorama do mundo.

Sejamos nós o sorriso que acolhe, o gesto gentil que inspira, a palavra sensata que não julga, que elogia e traz sempre as notas do amor.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Postura diária.

Ana foi a um grande pet shop comprar ração para seu cão. Ao chegar ao caixa, para efetuar o pagamento, cumprimentou a jovem atendente, desejando-lhe uma boa tarde.

A funcionária, surpreendida, comentou:

Faz oito meses que trabalho aqui e a senhora é a primeira cliente que me olha, sorri e cumprimenta.

Ana ficou chocada.

Como assim? – Perguntou.

Os clientes não costumam nos olhar. Alguns ficam falando ao celular, outros são impacientes, passam apressados. É como se fôssemos parte da caixa registradora, e não seres humanos.

Nesses oito meses, a senhora, realmente, foi a primeira pessoa que me olhou de verdade, e gentilmente me cumprimentou.

Ana saiu do local, refletindo sobre a responsabilidade que temos uns para com os outros, e sobre nossa postura diária perante o próximo.

*   *   *

Em outra oportunidade, depois de almoçar num restaurante em cidadezinha turística, Ana dirigiu-se ao caixa para pagar a conta. Como sempre fazia, sorriu e cumprimentou a funcionária, elogiando a comida e o serviço.

Aproveitou para sugerir a colocação de uma nova placa na entrada do banheiro, pois a atual era pequena e não possibilitava a identificação com clareza.

Até comentou, divertida, que vira alguns senhores se equivocarem com a sinalização.

A moça sorriu e agradeceu. Disse que poucas pessoas elogiavam e faziam sugestões de maneira educada, pois a maioria reclamava com agressividade.

Ante a surpresa de Ana, ela continuou:

Alguns clientes não ficam satisfeitos com a comida, o preço ou o serviço e reclamam ao pagar. Nem sempre posso resolver o problema na hora, e quando as coisas não saem como eles querem, vão dizendo que farão com que eu seja demitida.

Ao sair, Ana ficou pensando no quanto a arrogância deteriora as relações entre as pessoas.

Quando, por conta do orgulho exacerbado, acreditamos ser superiores aos outros, olhando-os com desdém e tratando-os com menosprezo, humilhando-os por conta da posição que ocupamos, esquecemos que quem está à nossa frente é um irmão. E que responderemos pela forma como o tratamos.

É preciso ter sempre em mente o que nos ensinou o Mestre Jesus.

“Amar o próximo como a si mesmo; fazer aos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade, porque resume nossos deveres para com o próximo.

Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo.

Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgência, benevolência e devotamento para conosco, do que lhes damos?

A prática dessas máximas leva à destruição do egoísmo. Quando as tomarmos como normas de conduta e como base de nossas instituições, compreenderemos a verdadeira fraternidade, e faremos reinar a paz e a justiça entre nós.

Nesse dia, não haverá mais ódios, nem dissensões, mas união, concórdia e mútua benevolência.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Nave espacial.

Filmes de ficção científica já mostraram, com muita riqueza, cenas de naves espaciais imensas cruzando o Cosmo a velocidades espantosas.

Dentro delas, pequenas cidades. Salas, quartos, restaurantes, espaços de lazer, tudo que se possa imaginar.

Além disso, uma enorme tripulação levando uma vida normal, como se estivesse num planeta qualquer. Nem parece estar cruzando o espaço velozmente.

Uma visão futurística? Um futuro distante? Na verdade, não.

Curiosamente, vivemos uma realidade exatamente como essa, sem perceber. Somos passageiros de uma grande nave que se desloca rapidamente pelo espaço. Ela se chama Terra.

O planeta gira em torno do Sol a uma velocidade altíssima, cerca de cento e sete mil quilômetros por hora. Além disso, todo nosso sistema solar gira em torno do centro da galáxia a uma velocidade de cerca de setecentos e setenta e oito mil quilômetros por hora.

Poderíamos ir adiante na citação de velocidades, pois nem a Via Láctea está parada. No entanto, ficando apenas com estes dados temos uma informação impressionante: a cada minuto a Terra está, no Universo, a dezenove mil quilômetros de distância de onde estava antes.

Isso faz de todos nós viajantes siderais.

É muito interessante saber que há cerca de dois mil anos imaginávamos que a Terra era o centro do Universo. A teoria dizia que o planeta estava parado e o Sol girava em torno dele.

Era o homem e seu egocentrismo, aflorado em suas crenças.

Essa teoria durou quase mil e setecentos anos, e só foi substituída pela teoria heliocêntrica – o Sol como centro do Universo - a muito custo.

Astrônomos, como Nicolau Copérnico, sofreram para conseguir provar que a proposta anterior precisava ser revista.

O homem não era o centro de tudo. O Universo era maior e mais complexo do que se imaginava.

Hoje se sabe um tanto mais. Nosso Sol é uma anã amarela, pequenina diante das gigantes estrelas descobertas. Nosso sistema solar é reduzida composição num dos braços da imensa via láctea, que também não é a maior das milhões de galáxias existentes.

Tudo isso nos leva a perceber que somos viajores do espaço. No momento, habitamos a espaçonave Terra, mas podemos tripular outras ao longo da grande viagem, de acordo com a necessidade e o merecimento.

Não somos o centro do Universo. Fazemos parte dele, como engrenagens importantes de algo extremamente complexo e belo.

Por tudo isso, vale a pena refletir sobre nossos propósitos de vida, se estamos nos comportando como viajantes realmente.

Muitos ainda cremos que só existe a matéria; que a vida se inicia no berço e termina no túmulo; que o mais importante é ter do que ser.

Muitos ainda levamos uma vida egocêntrica, como se o Universo girasse ao nosso redor. Todos existem para nos servir, para nos atender, e quando não o fazem se tornam inimigos e incômodos.

Facilmente nos frustramos. Teimamos em nos conservar parados quando tudo ao nosso redor está em movimento, mudando, evoluindo, crescendo em direção à perfeição.

Assim, enxergue-mo-nos como um membro da tripulação Terra, uma nave espacial fantástica que cruza o Cosmo enquanto aprendemos, dia após dia, sobre o amor universal.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Obediência.

Em sua Carta aos Hebreus, o Apóstolo Paulo de Tarso escreveu sobre a obediência de Jesus a Deus.

Salientou que o Cristo manifestou Sua submissão à vontade do Criador até o extremo sacrifício.

E que, após a crucificação, tornou-se o meio de salvação para todos os que O seguissem.

                                                                          *   *   *

É interessante refletir a respeito da obediência.

Todos obedecemos a alguém ou a alguma coisa. Vivemos no mundo, sujeitos a normas e regras que nos ditam a maneira adequada de nos conduzirmos, de agirmos.

Obedecemos a normas a toda hora: no trânsito, na profissão, na escola, na sociedade, no trato com os outros.

Contudo, muitos de nós não conseguimos entender que o respeito às leis constitui virtude e traz benefícios para nós mesmos.

Não entendemos a necessidade de nos submetermos com dignidade ao cumprimento dos deveres que a vida nos apresenta.

Ressentimo-nos com os encargos que nos competem e buscamos abandoná-los.

Com essa atitude, atendemos aos impulsos inferiores da natureza e, por resistirmos ao trabalho íntimo de auto elevação, nos tornamos rebeldes.

Quase sempre, em nosso coração, transformamos a obediência que, no dizer do Apóstolo, nos salvaria, na escravidão que nos condena.

O Senhor da Vida estabeleceu as gradações do caminho.

Instituiu a lei do próprio esforço, na aquisição dos supremos valores da vida.

Em Sua extrema bondade, elaborou formosos roteiros para que encontremos a felicidade e nos plenifiquemos.

Determinou que o homem, para ser verdadeiramente livre, aceite os Seus sagrados desígnios.

Contudo, frequentemente, preferimos atender à nossa condição de inferioridade e determinamos para nós uma verdadeira escravidão às nossas paixões.

Importante que examinemos atentamente o campo em que desenvolvemos nossas tarefas e nos perguntemos a quem verdadeiramente obedecemos.

Será que estaremos atendendo, em primeiro lugar, às vaidades humanas?

Estaremos, antes e acima de qualquer coisa, agindo conforme as opiniões alheias?

Ou conseguimos acomodar o nosso sentimento no tranquilo cumprimento dos deveres que nos competem?

São frequentes as tentações que o mundo apresenta no caminho de quem deseja viver retamente.

E temos desculpas para quase tudo, seja o abandono do lar, a traição conjugal, a sonegação de impostos ou a pouca dedicação aos filhos.

Sempre é possível achar alguma justificativa, ainda que insignificante, para podermos passar livremente pela porta larga da perdição.

O problema é que nesse processo comprometemos não só a própria dignidade mas também nosso futuro espiritual.

Cada um de nós, através de suas ações, constrói o seu próprio destino e sempre chegará o momento de assumirmos as consequências dos atos praticados.

Em termos morais, não existem atos sem consequências.

O sacrifício das próprias fantasias e vaidades em favor do bem rende plenitude e luz, logo adiante.

Já a vivência de paixões, em clima egoísta, traz uma inevitável cota de dores e desilusões.

Jesus ensinou e exemplificou a vivência do amor, em regime de pureza.

Apenas a obediência aos Seus ensinamentos permite quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna.

Pensemos nisso e nos disponhamos a segui-lO, nosso Modelo e Guia.

 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Convite à juventude.

Narra-se que, entre a Judeia e a Síria, na cidade de Sebastes, também chamada a Rainha do Ponto, pelos anos trezentos, quarenta jovens deram sua vida por amor à verdade.

Eram todos legionários e cristãos. Recrutados pelas ordens romanas.

Vestiam os uniformes, os capacetes e as capas vermelhas. Em seus corações, porém, serviam a Jesus, e somente a Ele.

Muito antes que as vozes de Roma se fizessem ouvir, nas ordens de recrutamento, eles haviam acedido, vindos de variadas partes do globo, à doce voz do Rabi Galileu.

Porque as perseguições se fizessem intensas, reuniam-se às escondidas em local ermo e abandonado.

Após o recrutamento, raramente podiam estar todos juntos, ao mesmo tempo, pois que diferentes eram os dias das suas folgas.

Mas não descuidavam do estudo dos ditos do Senhor e dos Atos dos Apóstolos, das Epístolas de Pedro e Paulo.

Serviam na Décima Segunda Legião todos eles.

Um dia, uma denúncia anônima os colocou frente a um teste terrível.

Para salvar suas vidas deveriam oferecer sacrifícios ao deus Júpiter. Porque se recusassem, receberiam a pena máxima.

Desejosos seus superiores que suas mortes servissem de lição a outros ou quem sabe, com o intuito de que fraquejassem e voltassem atrás em sua decisão, escolheram uma forma lenta de agonia para eles.

Foram conduzidos até a beira de um lago, cujas águas frias tornavam-se geladas nas noites de inverno.

Ao som dos tambores, os quarenta jovens perfilados, robustos na sua fé, avançaram para o lago. A água foi lhes chegando às virilhas, depois às cinturas, finalmente aos ombros.

Foram horas e horas de imersão nas águas negras e salgadas. A chama da fé os aquecia ao ponto de cantarem.

E o canto era como uma cascata de esperanças feita em sons de ternura e renúncia.

Na madrugada, um a um, eles foram morrendo, hirtos de frio, congelados.

                                                                           *   *   *

Lembrando os legionários, heróis da fé, recordamos da mocidade dos dias atuais.

Observando tantos moços a descerem pelas ladeiras escuras do vício e da desesperança, pensamos na mensagem do Cristo que se dirige, esperançosa e viva a todos os homens.

Muito poderiam esses jovens, se portassem Jesus em suas vidas, desde que dispõem da agilidade mental, do vigor físico, de energias!

Crescer para a luz, e na sua ascensão, arrastar outros tantos, pois toda vez que um homem se ergue no mundo, centenas se erguem com ele.

                                                                            *   *   *

Jovem! Ouve a mensagem de Jesus que te chega, límpida e pura e afeiçoa-te ao bem.

Não permitas que passe o tempo e fujam as horas. Enquanto a juventude canta em teu corpo, estuda e trabalha. Executa tarefas no bem, semeia luzes em tuas veredas.

Mais tarde, as haverás de perceber como estrelas luminescentes que aclararão os dias da tua madureza e da tua velhice.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O segundo casamento.

Ele concluíra o curso de contabilidade. Então, a vontade de ser médico, de fazer algo mais pelo semelhante, o levou a entrar para a Faculdade de Medicina.

E foi ali que, um dia, ele viu uma jovem morena, que lhe chamou a atenção. Ela parecia ser do Nordeste, e tinha um jeitinho de japonesa.

Enfim, alguém que lhe fez bater o coração de forma diferente.

O tempo foi passando. Ele descobriu o nome dela, falou com seus colegas ou seja, foi chegando devagar, mas com certeza.

Em julho de 1970, ele fez o que considerou a sua mais importante aquisição: um par de alianças. Também uma geladeira, já pensando no futuro próximo.

E naquele mesmo ano, antes mesmo dela terminar o curso, se casaram. Isso permitiu que ao conquistar o diploma ostentasse o sobrenome de casada.

Foram anos maravilhosos. Vieram os filhos, somaram-se genros, noras e netos.

As alegrias foram se sucedendo. De vez em quando, uma surpresa, um pequeno susto. Uma cirurgia cardíaca, um problema de saúde adiante.

Quando 2018 quase estava para se despedir, foi que o inusitado aconteceu.

O casal viajou para outro Estado, na casa de um dos filhos, para a comemoração do primeiro aniversário de mais uma netinha.

Foi quando Laertes se deu conta de que estava casado há cinquenta anos. Meio século.

Que coisa incrível. Como o tempo passara. Parecia-lhe que ontem ainda estava propondo casamento para Célia. E, agora, eram avós.

Ele pensou que precisava tomar uma atitude. Cinquenta anos é um bocado de tempo. Teve uma ideia brilhante. Sem nada confidenciar a ninguém, foi comprar um par de alianças, mandou gravar os nomes.

Então, em plena festa de aniversário da menina, com a presença dos familiares, amigos, conhecidos, ele fez o inesperado.

Sentados um de frente ao outro, em alto e bom som, ele perguntou para a esposa:

Célia, você quer casar comigo?

Ela ficou surpresa. Olhou para os filhos, os netos, todos que no salão haviam parado para contemplar a cena.

Foram alguns segundos de silêncio quase constrangedor. O coração dele parecia saltar do peito.

Finalmente, ela sorriu e estendeu a mão esquerda. E, com o mesmo nervosismo de cinquenta anos atrás, Laertes colocou-lhe no dedo a aliança de ouro reluzente.

Ela repetiu o gesto dele, rindo, feliz. Um sorriso, como disse ele, jamais visto tão iluminado.

E, ante o aplauso dos presentes, eles se beijaram.

Foi assim que eles se casaram pela segunda vez.

                                                                             *   *   *

Em tempos nos quais os relacionamentos adquiriram foro de rapidez, desfazendo-se pela manhã o prometido da véspera, contemplar um matrimônio de meio século é emocionante.

Emocionante por se verificar uma vida rica, plena, uma vida construída e alicerçada no tempo.

Uma vida de tantos frutos. Uma família. Que belo exemplo a seguir.

E o seguem os filhos, um a um, pois para cada um deles, já se somam igualmente anos de consórcio com a multiplicação dos filhos.

Isso se chama amor. Amor que não arrefece porque alguns arabescos estão enfeitando a face do outro. Ou porque o cônjuge tem alguns problemas de saúde.

Ou porque o passo se tornou mais lento e a memória prodigiosa empalideceu.

Amor. Sublime amor, que mantém apertados os laços e enfloresce, no transcorrer dos anos.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Mensagem para o amanhã.

Quem observa esses frágeis seres que abrem seus olhinhos curiosos para o cenário do mundo, logo percebe como eles dependem dos adultos.

Bebês, pequeninos, com o aroma da inocência aureolando suas ações, andam na Terra em busca de carinho. Parecem aves implumes, tal sua delicadeza e fragilidade.

Às vezes, as vemos colocando suas mãozinhas nas pernas dos adultos, batendo de leve com seus dedinhos miúdos, erguendo os bracinhos a dizer sem palavras: Quero colo.

As crianças expressam assim seu desejo de serem carregadas. Desejo que às vezes é repelido com expressões grosseiras como: Não pego no colo, não. Vai andar! Quis vir junto, agora ande. Do contrário, poderia ter ficado em casa.

Isso cai sobre a cabecinha da criança como uma bomba. Não percebem, os que assim agem, que o pequeno tem menos resistência.

Dirão que a criança pula, corre, e brinca o dia todo, que, se tem energia para brincadeira, também deverá ter para andar.

Ora, na brincadeira a criança tem a recompensa do prazer. Ela brinca até cansar e ao se sentir exausta, para.

Até mesmo o bebê de poucos meses parece, por vezes desligar. É o período de calmaria, de repouso que ele busca.

A caminhada contínua, onde não lhe é permitido parar para observar o cachorro que late, o brinquedo colorido na vitrine, o movimento das pessoas que circulam rápido, faz com que ela se canse com maior rapidez.

Sem falar que, normalmente, os adultos esquecem que os pequenos estão juntos, e andam a passo acelerado, obrigando-os a quase correr para os acompanhar.

Outra situação que se repete com constância é a de crianças, no seu período de imitação, desejarem ser a cabeleireira da mãe.

Munidas de escova e pente, elas tentam criar o penteado que sua mente cataloga como maravilhoso. O que conseguem, em verdade, é despentear.

Mas elas insistem, põem a ponta da linguinha para fora da boca, demonstrando esforço, e alisam os cabelos com suas mãos. Satisfeitas, exclamam: Pronto.

Quantas vezes todo esse cuidado é repelido com as desculpas de: Vai estragar o meu penteado. Ou: Não tenho tempo para perder.

Atitudes dessa natureza, repetidas, terminam por passar para a criança que o sofrimento do outro, como o seu cansaço, não importa. O lema é: Cada um por si.

Não nos admiremos se, no futuro, nos depararmos com adolescentes frios e adultos indiferentes.

Pessoas que pensarão somente no seu bem-estar, no seu conforto, não se importando com a família, amigos ou colegas.

Nas relações humanas, como tudo na vida, a questão é de aprendizado e de semeadura.

*   *   *

Até aos sete anos de idade a criança é mais suscetível às mensagens que recebe dos adultos.

A educação integral compreende, não somente o comportamento social, as boas maneiras, a conduta reta, mas também a questão afetiva, emocional e espiritual.

Assim, não desprezemos as carícias da criança. Dia virá, quando os anos se forem, que ansiaremos por quem se aproxime de nós e nos acaricie os poucos cabelos brancos.

Alguém que disponha de seu tempo para colocar sua cabeça junto da nossa e diga: Como vai minha velhinha, hoje?

Está cansada? Quer um carinho?

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ano novo, não basta desejar, é preciso construir.

Ontem foi o dia que dá início a um Novo Ano.

Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas. É um momento de alegria e confraternização.

As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.

Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um Ano Novo cheio de felicidade?

Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.

Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós.

Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.

Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.

Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.

Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, desde que um Feliz Ano Novo não se deseja, se constrói.

Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, desde que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.

Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.

Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.

Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.

Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por Quem realmente tem autoridade, por tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.

No ensinamento Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo está a chave da felicidade verdadeira.

Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.

Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o Espírito com a raiva, a inveja, o ciúme.

Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita Sua criação e Suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por Ele e que Ele a todos nos ama.

Enfim, quem quer um Ano Novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo.

Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.

*  *  *

O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.

Assim, hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.

E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.

Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.

Redação do Momento Espírita.

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