terça-feira, 14 de maio de 2024

Onde realmente está o sofrimento.


Numa das belas falas do sermão do monte, o Mestre reportou-se aos aflitos, aos que choram, aos famintos, aos que buscam justiça, aos que sofrem perseguições. A partir das exortações de Jesus, dissertações consoladoras aconteceram, no transcorrer dos tempos, falando-nos da justiça das aflições, das suas causas anteriores e das causas atuais.


Em mensagem atribuída ao Espírito Fénelon, que viveu no século XVII, lemos a respeito dos tormentos voluntários, uma espécie de sofrimento muito curiosa, que provém dos nossos vícios morais, isto é, sofrimentos que causamos a nós mesmos voluntariamente.

Diz-nos assim:- O homem, como que de propósito, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar! De imediato, pensamos que jamais criaríamos sofrimentos para nós mesmos. Afinal, todos desejamos o melhor.

No entanto, prosseguindo em sua redação, Fénelon nos dá um simples exemplo:- Haverá maiores sofrimentos do que os que derivam da inveja e do ciúme? Para o invejoso e o ciumento, não há repouso. Estão sempre febris, preocupados, ansiosos... O que não têm e os outros possuem lhes causa insônias.

Vejamos como realmente nos incomodamos com muitas coisas que não deveriam nos perturbar. Intervimos demais na vida alheia sem necessidade. Tiramos conclusões precipitadas, construímos em nós roteiros de cinema baseados em algo que achamos que ouvimos ou numa mera especulação.

Esses são sofrimentos voluntários. Sofrimentos que criamos para nós sem necessidade. Geramos inúmeras aflições para nossa vida diariamente. Apenas porque somos invejosos, somos inseguros, maledicentes ou ciumentos.

São bem diferentes das grandes provações da vida, das experiências educativas, ou mesmo das expiações, que nos ensinam ao mesmo tempo em que nos permitem ficarmos quites com as leis maiores.

Observando as características da sociedade atual, percebamos quantos sofrimentos voluntários, quanta dor trazemos para nossas vidas sem precisar. Será que não nos bastam os desafios da encarnação? As lutas de um mundo com tantas dificuldades?

Será que alguns de nós temos prazer em sofrer? Isso demonstra certo desequilíbrio e necessidade urgente de buscarmos auxílio terapêutico.

Pensemos a respeito.
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O que mais sofremos no mundo...

Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la. Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento. Não é a doença. É o pavor de recebê-la. Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar. Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros. Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo. Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros. Não é a injúria. É o orgulho ferido. Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.
Redação do Momento Espírita

terça-feira, 7 de maio de 2024

Felicidade das Mães.


No Dia das Mães, quando tantas homenagens ocorrem, uma garota escreveu: Durante toda a vida ouvi falar: “Se o filho está feliz, a mãe está feliz. Tudo que eu quero é ver meu filho feliz!”

Francamente, impossível acreditar nisso. Se fosse verdade, eu teria podido comer aquela barra de chocolate inteirinha. Isso me teria feito muito feliz. Mas ela não deixou. Cortou minha felicidade ao meio.

Quando quis virar a noite no videogame, eu estava no auge da minha felicidade. Mas ela não entendeu. Por acaso, ela pensou na minha felicidade? É claro que não. Ela disse que contaria até três e me fez desligar a TV, no meio da última fase do jogo.

Se houvesse sinceridade nesse desejo dela de me ver feliz, ela teria me deixado namorar ao invés de estudar. Como ela pôde me proibir de sair e me forçar a ficar horas com os livros, quando tudo que me faria feliz naquele momento estava lá fora?

O sol estava lá fora. O namorado estava lá fora. Os amigos estavam se divertindo. Todos... menos eu. Como sempre, o que eu ouvia era: “Você não é igual a todo mundo. Você é minha filha.”

E, naquele dia, em que cheguei chorando porque tinha sido injustiçada pelos amigos, ela disse: “Você deve ter feito alguma coisa para merecer isso!” Quanta insensibilidade!  Ela não sabia que me faria feliz se tivesse se unido a mim para dizer que eu estava certa? Até me ajudasse a encontrar mil defeitos neles.

As mães dizem que nos querem ver felizes. Na verdade, também querem que arrumemos a cama, lavemos a louça, tiremos o lixo, cuidemos dos irmãos. E, ainda, nos forçam a comer o que elas dizem que é saudável. Garanto que a maioria dos filhos pensa como eu.
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Pois é. Pensamos assim até nos tornarmos mães. Quando a vida nos presenteia com um filho, passamos a ver as coisas de forma bem diferente. O não da barra de chocolate passa a ser entendido como um sim à disciplina alimentar. O não ao videogame se torna um sim às horas insubstituíveis de sono.

O não ao namorado, não é um não ao namoro, é um sim ao futuro. Então entendemos e agradecemos por cada atitude de nossa mãe porque todas serviram para nos tornar melhores.

Hoje, quando nossa mãe nos olha com orgulho, e sorri mesmo quando as coisas não estão fáceis, conseguimos compreender o sentido daquela frase repetida incansavelmente, ao longo da vida: “Se você estiver feliz, eu estarei feliz.”

Não há nada maior do que o amor de uma mãe. Também nada mais gratificante do que descobrir, nos seus olhos, a felicidade por ver seu filho bem neste mundo.

Agradeçamos à nossa mãe o que fez por nós, por nos ter transformado num barco forte para passar por todas as tempestades.

Agradeçamos por ter nos acolhido com mesa farta quando chegamos em terra firme com a alma sedenta de amor e o coração faminto de carinho.

Agradeçamos pelo melhor colo do mundo e pelo sorriso maravilhoso de se ver!

E sim, ficamos zangadas quando ela está longe. Nós a queremos por perto para continuar dizendo os santos não para essa criança, dentro de nós, que nunca para de aprender!

Amamos você, mamãe!

Redação do Momento Espírita.
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terça-feira, 30 de abril de 2024

Nossas lágrimas


Que são as lágrimas? O que expressam? Por que choramos? Não é interessante observarmos que choramos quando o coração está ferido? Mas também quando está pleno de felicidade?

A lágrima é um mistério que os pesquisadores começam a desvendar para nos dizer que as gotas que escorrem do choro emocional contêm 25% mais tipos de proteínas e quatro vezes mais potássio do que as funcionais, produzidas somente para limpar ou proteger os olhos. Ou quando cortamos uma cebola.

Possivelmente, isso queira dizer que as lágrimas que procedem da nossa intimidade são muito mais do que água salgada... Elas traduzem nossas dores ou nossas alegrias.

E são importantes para lavar a alma, para desanuviar o estresse, para acalmar tempestades interiores.

Quem tudo guarda dentro de si, não se permitindo extravasar, pode, inclusive, ter agravados problemas físicos e emocionais.

Se Deus nos concedeu a lágrima, usemo-la. Não tenhamos vergonha de chorar em público ou a sós.

Podemos chorar quando contemplamos a emoção do campeão de Fórmula Um, depois de tanto esforço, subir ao pódio, erguer a taça, envolto na bandeira do seu país.

Podemos comungar da emoção de quantos participam de show de talentos e alcançam boa pontuação, ou o prêmio máximo.

Deixemos as lágrimas correrem quando contemplarmos a nossa bandeira nacional desfraldada, dobrando-se ao vento, gentil, enquanto os versos do Hino Pátrio escapam dos nossos lábios.

E quem de nós já não se emocionou em país estrangeiro, a trabalho ou a passeio, ao descobrir em algum monumento, em algum museu, em uma praça, as cores da nossa Bandeira?

Quando choramos dizemos que nossa sensibilidade está se aprimorando. Estamos dizendo que não somos uma máquina que trabalha, realiza, executa.

Somos um Espírito que sente, que se emociona, ante uma paisagem de beleza, uma obra de arte, algo que nos remeta a um passado feliz, uma lembrança delicada.

Não ocorre de, por vezes, um perfume nos levar às lágrimas? O que despertou em nós senão um doce e agradável momento, vivido nesta vida ou em experiências anteriores?

Choremos, pois, quando a alegria extrapolar, porque nosso filho passou no vestibular, porque nossa filha recebeu o diploma universitário, porque nosso amigo se está casando, em singela e íntima cerimônia.

Que pode haver de mais belo do que contemplar o êxito de alguém, a felicidade do outro?

Choremos, também, quando a dor nos alcançar. Igualmente ante a dor do amigo que tem arrebatado de sua presença física o amor mais amado.

Choremos com o pai que tem seu filho enfermo, na incerteza da recuperação ou da partida para outras paragens da vida.

Choremos quando chorarem nossos amores, choremos quando chorar o mundo, pelas tragédias que assistimos em tempo real.

Choremos pela incompreensão dos homens, como fez um dia o Nobre Nazareno. Choremos porque ainda estamos tão distantes da perfeição.

Choremos, de alegria, porque, nesta Terra, Deus nos permite o despertar de uma nova manhã, o convívio familiar.

Choremos de emoção feliz. Choremos por sermos humanos, a caminho da angelitude.

Redação do Momento Espírita.
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terça-feira, 23 de abril de 2024

O milagre do amor.


Percebendo as árduas lutas por que passam seus irmãos na face da Terra, uma alma amiga ditou uma mensagem que intitulou O milagre do amor, e que é mais ou menos assim:

Quando a dúvida lhe chegue, maliciosa, indague ao amor qual a conduta a seguir.

Quando a saudade avizinhar-se, tentando macerar-lhe o coração, refugie-se no amor e deixe que as recordações felizes iluminem a noite em que você se encontra.

Quando a aflição aturdir-lhe o íntimo, chame o amor, para que a calma e a confiança predominem nas suas decisões.

Quando a suspeita buscar aninhar-se em seu coração, dirija o pensamento ao amor e a paz dominará as paisagens dos seus sentimentos.

Quando a cólera acercar-se da sua emotividade, recorde-se do amor e suave balada de entendimento se lhe fará ouvida na acústica da alma.

Quando o abandono ameaçar estraçalhar-lhe os sonhos, ferindo-lhe a alma, busque o amor, que lhe dará fortaleza para prosseguir, embora a sós.

Em qualquer situação, dirija-se ao amor. Só o amor possui o correto entendimento de todas as coisas e fala, em silêncio, a linguagem de todos os idiomas.

O brilho de um olhar, um sorriso de esperança, um gesto quase imperceptível...Um movimento rítmico, um aceno, a presença do ausente...

Um toque, a música de uma palavra só o amor logra transformar em bênção. Feito de pequenos nadas, o amor é a força eterna que embala o príncipe no leito dourado e o órfão na palha úmida.

O amor é o único mecanismo que conduz o fraco às tarefas gigantescas, que impulsiona o progresso real; que dá dignidade à vida; que impele ao trabalho de reverdecer o pantanal e o deserto... Que concede alento, quando a morte parece dominar soberana... 

O amor é vida, sem o qual perderia o sentido e a significação. Quando se ama, a noite coroa-se de astros e o dia se veste de sorrisos.

O amor colore a palidez do sofrimento e o erradica.Sem este milagre, que é o amor, não valeria a pena viver. Em tudo está a presença do amor que provém de Deus e é Deus.

Descubra o amor, e ame.

Ame e felicite-se, colocando na estrada do amor sinais de luz, a fim de que nunca mais haja sombra por onde o amor tenha transitado a derramar claridade. 

Por tais razões, Jesus Cristo reuniu toda a lei e todos os profetas num só mandamento, cuja estrutura comportamental e finalidade última é o "amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".
                                                *  *  *
O amor é de essência divina, e todos nós, do primeiro ao último, temos, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado.

Portanto, não tenhamos medo de amar.

Redação do Momento Espírita.
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terça-feira, 16 de abril de 2024

Olhos de realidade.


Um conferencista e escritor, em certa palestra, narrou uma das lições inesquecíveis de seu pai.

Em tempos idos, como gerente de banco, ele precisava visitar seus clientes. Em dias quentes, por estradas empoeiradas. Seu meio de transporte era um jipe.

Nenhum desses modernos. Estamos nos referindo àquele com tração nas quatro rodas, criado para fins militares na Segunda Guerra Mundial e aproveitado posteriormente em serviços rurais.

Quando seu pai chegava em casa, no fim da tarde, cansado, coberto de poeira, falava como fora o seu dia.

Por vezes, ele sofrera alguns problemas com seu veículo mas sempre contava tudo com um sorriso.

Filho, olha como eu sou abençoado. Hoje quebrou o jipe na estrada. Graças a Deus, não estava chovendo.

Ou então: Olha como Deus é bom comigo. Hoje acabou a gasolina do jipe e só faltavam dois quilômetros para um posto de gasolina.

E, finalizando a narrativa, dizia o palestrante: O que foi que ele nos ensinou?

Não foi fingir que a realidade não tinha problema, não foi autoengano de olhar em volta e alienar-se das dificuldades.

Foi não ser derrotado pelas dificuldades.

Já bastava a encrenca de combustível para ele ainda ter esmagado a esperança.

Já bastava a dificuldade com a quebra do motor do jipe para ele ser derrotado uma segunda vez.
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Bem verdade. Se os problemas nos chegam, de nada nos servirá reclamar, ou tentar culpar os outros.

As reclamações, os xingamentos somente nos farão mal. Mal para nosso coração, para nosso fígado, para nossos órgãos nobres.

E resolvem alguma coisa? Sabemos que não. Nós mesmos precisaremos resolver o problema. Ou, se não tivermos condições, recorrer a alguém.

Se for um veículo enguiçado, chamaremos o guincho para o levar até a oficina mais próxima.

Se for falta de combustível, bom, aí não poderemos reclamar de ninguém senão de nós mesmos porque o indicador está visível, sinalizando o quanto de combustível dispomos no tanque.

Cabe-nos estar atentos e calcular até onde poderemos rodar com aquela quantidade.

Se for o mau tempo que nos surpreendeu, no caminho, de nada nos adiantará gritar, exasperar. O melhor será procurar abrigo, para que não nos arraste a enxurrada, ou nos leve o vendaval.

Até mesmo nessa questão, por vezes, somos um pouco imprevidentes. A meteorologia avisara da possibilidade de ventos fortes ou tempestade, que não demos atenção.

Para vivermos em paz com nós mesmos, para não dilapidarmos o precioso patrimônio da maquinaria orgânica, sejamos ponderados.

Usemos de prudência. Procuremos ser previdentes.

E, se mesmo assim, problemas fora do nosso controle, nos alcançarem, nos perguntemos: O que posso fazer para melhorar a questão?

E, também: O que podemos aprender desse acontecimento?

Sempre há uma lição a ser aprendida. Aprendemos com a experiência alheia, nos servindo dos seus exemplos, das suas atitudes.

Também das nossas próprias. Isso nos permite que cresçamos, que progridamos.

Para isso estamos aqui. Para sermos melhores a cada dia, em tudo e em cada coisa.

Redação do Momento Espírita.
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terça-feira, 9 de abril de 2024

Trabalho, rotina, descanso.


Cá estamos nós, vencendo os dias, ao longo dos meses. Quando inicia o ano, fazemos muitos projetos, nos quais incluímos mais disposição para a leitura, para o exercício físico, para saídas com os amigos.

Não é interessante que, rapidamente, esquecemos todos esses bons propósitos e caímos na rotina, outra vez?

Graças a Deus, temos um corpo magnificamente criado por Ele, que nos alerta dos excessos e das nossas mesmices.

Há momentos em que ele dá sinais sutis de cansaço. Por vezes, ele precisa gritar bem alto para que escutemos.

É importante atender esse instrumento precioso de trabalho, nosso corpo físico. Se ficamos muito tempo em frente ao computador, e dores de cabeça ameaçam chegar, façamos uma pausa.

É o momento de relaxar, de descansar.

Alguns afirmamos que não temos tempo para férias, para viagens, para lazer.

Ora, se não for possível pausas longas, façamos pequenas, com intervalos regulares.

Alguém sugeriu: Desfrute de horinhas ou minutos à toa. Acompanhe o trajeto de uma formiga, veja o relógio caminhar, sem pressa. Folheie uma revista. Leia a página de um livro.

Refresque o olhar, contemplando o azul do céu. Descubra as figuras interessantes que tecem as nuvens preguiçosas, enquanto se movem, como quem não se apressa em esculpir belezas.

Descansemos os olhos no verde da árvore onde a passarada faz algazarra.

Utilizemos a imaginação para entender os diálogos entre eles. Com certeza, não discutem a queda ou a alta da bolsa de valores, nem o aumento do custo de vida.

Talvez estejam estabelecendo quem fica com o galho mais alto, quem descobrirá a fruta madura mais próxima, quem formará mais arabescos no próximo voo...

Incluir essas pequenas pausas em nossa rotina ajuda a aliviar as tensões do dia a dia e a cuidar da nossa saúde.

Um cafezinho mais demorado, respirar mais devagar, alongar-se.

A Sabedoria Divina estabeleceu, ao lado da lei do trabalho, a lei do repouso. Nosso corpo exige. Nossa mente necessita.

E, enquanto nos espreguiçamos comodamente, aproveitemos para fechar os olhos e nos ligarmos ao espiritual.

Meditemos na bênção da vida que usufruímos. Elevemos a mente em prece de gratidão.

Afinal, há tanto a agradecer. Se desfrutamos da bênção de digerir o alimento, sentindo-lhe o sabor, sejamos gratos.

Se podemos apreciar a doçura de uma fruta, o geladinho do sorvete, a água fresca que nos mata a sede, sejamos gratos.

Se dispomos da possibilidade de andar, de nos mover, agradeçamos.

Se começarmos a enumerar todas as bênçãos que nos são conferidas, todos os dias, a cada hora, descobriremos que precisaremos de um longo tempo.

Então, depois disso, refeitos, de alma leve e corpo descansado, retomemos as tarefas, com redobrada disposição.

A sabedoria nos diz que quando dispomos de um instrumento precisamos conhecer as suas especificações e correta utilização, para não danificá-lo.

Quanto mais, então, devemos nos esmerar nos cuidados com nosso corpo.

Instrumento da nossa vontade, da nossa alma, da nossa ação.

Trabalho, sim. Descanso, também.

Horas de empenho. Pausas estratégicas para repouso.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
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terça-feira, 2 de abril de 2024

O valor de um sorriso.


Não custa nada e rende muito.

Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.

Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre.

Ninguém é tão rico que dele não precise. Ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos.

Leva a felicidade a muita gente e a toda parte.

É o símbolo da amizade, da boa vontade. É alento para os desanimados, repouso para os cansados, raio de sol para os tristes, consolo para os desesperados.

Não se compra nem se empresta.

Nenhuma moeda do mundo pode pagar seu valor.

Você já sabe do que se trata?

Trata-se do sorriso.

E não há ninguém que precise tanto de um sorriso como aqueles que não sabem mais sorrir.

Aqueles que perderam a esperança. Os que vagueiam sem rumo. Os que não acreditam mais que a felicidade é algo possível.

É tão fácil sorrir! Tudo fica mais agradável se em nossos lábios houver um sorriso.

Tudo fica mais fácil se houver nos lábios dos que convivem conosco um sorriso sincero.

Alguns de nós pensamos que só devemos sorrir para as pessoas com as quais simpatizamos.

São tantas as que cruzam nosso caminho diariamente.

Algumas com o cenho carregado por levar no íntimo as amarguras da caminhada áspera.

Poderemos colaborar com um sorriso aberto, no mínimo, para que essa pessoa se detenha e perceba que alguém lhe sorri, já que o sorriso é um alento.

Sorrir ao atender os pequeninos que acorrem nos semáforos à procura de moedas.

É tão triste ter que mendigar e mais triste ainda é receber palavras e gestos agressivos como resposta.

Se é verdade que essa situação nos incomoda, não é menos verdade que não gostaríamos de estar no lugar deles.

Eles são tão pequeninos!

Se têm a malícia dos adultos é porque os adultos os induzem a isso. Mas no íntimo são inocentes treinados para parecer espertos, em meio às situações mais adversas.

O sorriso é uma arma poderosa, da qual nos podemos servir em todas as situações.

Se, ao levantarmos pela manhã, cumprimentarmos os familiares com um largo sorriso, nosso dia certamente será melhor, mais alegre.

Se, ao entrarmos no elevador, saudarmos com um sorriso os que seguem conosco, ao invés de fecharmos o rosto e olharmos para cima ou para baixo, na tentativa de desviar os olhares, com certeza o nosso dia será mais feliz. Porque todos nos verão com simpatia e nos endereçarão energias salutares.

O sorriso é sempre bom para quem sorri e melhor ainda para quem o recebe.

O sorriso tem o poder de fazer mais amena a nossa caminhada.

Dessa forma, se não temos o hábito de levar a vida sorrindo, comecemos a cultivá-lo, e veremos que sem que mude a situação à nossa volta, nós, intimamente, nos sentiremos mais felizes.

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Você sabia que o cenho carregado, ou seja, a cara amarrada, como se costuma dizer, traz ao corpo um desgaste maior do que o promovido pelo sorriso?

Isto quer dizer que, quando sorrimos, utilizamos menos músculos e fazemos menos esforços.

Assim sendo, até por uma questão de economia, é mais vantajoso sorrir.

Redação do Momento Espírita.

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terça-feira, 26 de março de 2024

Um homem, um pai, um protetor.


Ele foi um dos homens mais dedicados à missão da paternidade.

Alertado por vozes espirituais, durante o repouso das lides diárias, levantou-se, de imediato.

Obedecendo à informação privilegiada de que o filho corria risco de morte, ajuntou o imprescindível, despertou a esposa, tomou o filho e partiu.

Não aguardou que o dia raiasse ou sequer se deu ao luxo de preparar detalhes para a longa viagem ao exílio.

Foi um pai de tal forma atencioso àquela vida nascente que não temeu viver entre estrangeiros, longe de sua própria gente e das suas origens. Tudo para salvaguardar a vida preciosa do rebento.

Consciente da missão que lhe estava designada, manteve-se atento às orientações do Alto.

Homem nobre, Espírito de alta envergadura, jamais se permitiu desconectar dos Espíritos do bem.

Então, quando, mais tarde, as vozes retornaram, no sono da noite, ele se preparou para voltar à Judeia.

No entanto, novas orientações lhe disseram que optasse por outra localidade.

Isso porque ordens severas de eliminação do primogênito ainda estavam vigentes, determinadas pelo sucessor da tetrarquia da Judeia, da Pereia e da Idumeia.

Introduziu o filho nos ensinos da Torá, embora acreditasse que Ele de tudo aquilo tinha prévio conhecimento.

Falou-lhe do Deus de Israel, olhando-O nos olhos e completando: Você sabe tudo isso, não é, filho querido?

Comparecendo à festa em Jerusalém, levou o filho adolescente.

Surpreendido com Sua ausência no regresso, após o primeiro dia de caminhada, retornou para procurá-lO.

Como terá ficado oprimido aquele coração paterno, guardião de uma vida tão preciosa!

Ao encontrá-lO, no templo, tomou-se de apreensões.

Tão cedo estaria o filho amado assumindo a missão para a qual viera ao mundo? Seria já o tempo determinado pelo Pai Celeste?

Consciente do que falava Aquele Menino tão sábio, que deixou boquiabertos os sacerdotes do Templo, entendeu a resposta dEle ao afirmar que estava tratando dos negócios de Seu Pai.

Ele sabia não ser ele o pai de quem Ele falava. Ele era o pai terreno, o protetor, aquele a quem o Pai Maior confiara aquela vida, tão perseguida, desde o Seu nascimento.

Quantas vezes, nos anos seguintes, terá se sobressaltado, ante qualquer tumulto arbitrário do poder temporal vigente?

Quantas vezes terá repousado a cabeça para o sono e indagado: Até quando, Pai Celeste, terei as forças devidas e o bom senso preciso para proteger Essa Vida?

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Todo pai é protetor e guardião de seus filhos. Mas este tinha alguém extremamente grande sob sua responsabilidade.

Seu primogênito era o Rei Solar. Anunciado pelos profetas, aguardado pela ansiedade de um povo.

Chegara anunciado pelos mensageiros celestes, entre cânticos e uma estrela de extraordinário brilho.

Com a vida constantemente ameaçada por quem lhe descobrisse a realeza divina, viveu José entre a carpintaria, os deveres familiares e religiosos.

Foi tão grande em sua humildade que nem deixou registros precisos de sua heroica passagem pela Terra.

Um homem, um pai, um protetor. Gratidão, José, pelo excelente desempenho de sua missão.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de março de 2024

O segundo casamento.



Ele concluíra o curso de contabilidade. Então, a vontade de ser médico, de fazer algo mais pelo semelhante, o levou a entrar para a Faculdade de Medicina.
E foi ali que, um dia, ele viu uma jovem morena, que lhe chamou a atenção. Ela parecia ser do Nordeste, e tinha um jeitinho de japonesa.
Enfim, alguém que lhe fez bater o coração de forma diferente.
O tempo foi passando. Ele descobriu o nome dela, falou com seus colegas ou seja, foi chegando devagar, mas com certeza.
Em julho de 1970, ele fez o que considerou a sua mais importante aquisição: um par de alianças. Também uma geladeira, já pensando no futuro próximo.
E naquele mesmo ano, antes mesmo dela terminar o curso, se casaram. Isso permitiu que ao conquistar o diploma ostentasse o sobrenome de casada.
Foram anos maravilhosos. Vieram os filhos, somaram-se genros, noras e netos.
As alegrias foram se sucedendo. De vez em quando, uma surpresa, um pequeno susto. Uma cirurgia cardíaca, um problema de saúde adiante.
Quando 2018 quase estava para se despedir, foi que o inusitado aconteceu.
O casal viajou para outro Estado, na casa de um dos filhos, para a comemoração do primeiro aniversário de mais uma netinha.
Foi quando Laertes se deu conta de que estava casado há cinquenta anos. Meio século.
Que coisa incrível. Como o tempo passara. Parecia-lhe que ontem ainda estava propondo casamento para Célia. E, agora, eram avós.
Ele pensou que precisava tomar uma atitude. Cinquenta anos é um bocado de tempo. Teve uma ideia brilhante. Sem nada confidenciar a ninguém, foi comprar um par de alianças, mandou gravar os nomes.
Então, em plena festa de aniversário da menina, com a presença dos familiares, amigos, conhecidos, ele fez o inesperado.
Sentados um de frente ao outro, em alto e bom som, ele perguntou para a esposa: Célia, você quer casar comigo?
Ela ficou surpresa. Olhou para os filhos, os netos, todos que no salão haviam parado para contemplar a cena.
Foram alguns segundos de silêncio quase constrangedor. O coração dele parecia saltar do peito.
Finalmente, ela sorriu e estendeu a mão esquerda. E, com o mesmo nervosismo de cinquenta anos atrás, Laerte colocou-lhe no dedo a aliança de ouro reluzente.
Ela repetiu o gesto dele, rindo, feliz. Um sorriso, como disse ele, jamais visto tão iluminado.
E, ante o aplauso dos presentes, eles se beijaram.
Foi assim que eles se casaram pela segunda vez.
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Em tempos nos quais os relacionamentos adquiriram foro de rapidez, desfazendo-se pela manhã o prometido da véspera, contemplar um matrimônio de meio século é emocionante.
Emocionante por se verificar uma vida rica, plena, uma vida construída e alicerçada no tempo.
Uma vida de tantos frutos. Uma família. Que belo exemplo a seguir.
E o seguem os filhos, um a um, pois para cada um deles, já se somam igualmente anos de consórcio com a multiplicação dos filhos.
Isso se chama amor. Amor que não arrefece porque alguns arabescos estão enfeitando a face do outro. Ou porque o cônjuge tem alguns problemas de saúde.
Ou porque o passo se tornou mais lento e a memória prodigiosa empalideceu.
Amor. Sublime amor, que mantém apertados os laços e enfloresce, no transcorrer dos anos.
Redação do Momento Espírita.
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Doe Sangue

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