terça-feira, 18 de junho de 2024

Burilando emoções.


Quantas vezes já afirmamos que alguém nos tirou do sério?

Sempre que nos permitimos o desequilíbrio, que elevamos muito o tom de voz, que nos exasperamos, nos desculpamos culpando o outro.

Depois de um momento de intemperança, de uma discussão acalorada, costumamos alegar que isso somente ocorreu porque Fulano nos fez perder a paciência.

E ainda completamos: Afinal, não somos de ferro!

Justificamos nossas emoções descontroladas culpando uma terceira pessoa. Será correto? Teremos razão?

Será mesmo que a causa está no outro? Será que somos vítimas do comportamento alheio para conosco?

Em verdade, cabe-nos lidar com as consequências dos nossos atos.

A simples afirmação de que alguém seja capaz de nos tirar do sério ou nos fazer perder a paciência é mera desculpa para nos isentarmos da responsabilidade pelo nosso mau comportamento, pelo desequilíbrio das nossas próprias emoções.

Não se discute que muitas pessoas são de difícil lida, exigindo muitos esforços para a boa convivência.

Porém, não são elas que nos desnorteiam, que nos desorientam.

Elas podem armar situações difíceis, criar dificuldades e constrangimentos.

Mas seremos nós que demonstraremos, na ação ou na reação, se temos ou não estrutura emocional para bem administrarmos o que nos alcança.

Dessa maneira, muito mais apropriado seria declararmos que o familiar, o colega, o funcionário cria situações que nos incomodam em demasia e temos dificuldades para suportá-las devidamente.

Ou podemos admitir que Beltrano gera complicações que nos atingem de tal forma que não temos equilíbrio suficiente para bem enfrentá-los.

Quando agirmos assim, estaremos demonstrando a plena consciência da responsabilidade que nos cabe em aprimorar nossas emoções.

Quando dizemos que o problema está no outro, pode até acontecer dele se afastar de nossa convivência. Ou nós mesmos podemos providenciar que isso aconteça, nos distanciando dele.

Porém, a vida é dinâmica, somos bilhões sobre a face da Terra e precisamos viver em sociedade. Isso nos diz que devemos conviver com muitas pessoas.

E será bem provável que, logo mais, alguém substitua aquele que se foi, registrando idêntico comportamento.

O problema, portanto, voltará a se apresentar porque a limitação não está no outro, mas em nós, que precisamos amadurecer.

Essas pessoas somente nos demonstram que temos dificuldade em lidar com certas atitudes, que temos limites emocionais.

Elas nos apontam as fronteiras de nossas capacidades, alertando-nos para a urgência de um aprimoramento emocional.

Então, quando esses embates surgirem em nosso convívio, aproveitemos para agilizar o aprendizado.

Mesmo que eles se façam recorrentes, busquemos em nós outras possibilidades para contornar tais situações com a serenidade necessária.

Procedendo nesse sentido iremos, aos poucos, percebendo que a paciência, a tolerância, a compreensão irão se alargando, em nós, tornando-nos pessoas melhores e mais pacificadas.

Isso significa progresso. Isso significa melhor convivência. Bem-estar para nós e para os outros.

Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

terça-feira, 11 de junho de 2024

Viver é ser outro.


Sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir. É lembrar hoje o que se sentiu ontem, afirma categoricamente o poeta Fernando Pessoa, em um de seus versos.

Segundo ele, viver é ser outro, é apagar tudo do quadro de um dia para outro, ser novo com cada madrugada.

Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser.

Será que já refletimos dessa forma? Que viver é ser algo novo a cada instante?

Começando pela encarnação, pelo renascer. Somos Espíritos antigos, sem dúvida, mas não somos os mesmos. A cada momento que passa vamos nos transformando e toda experiência vai mudando algo em nós.

Por isso nunca somos os mesmos que fomos uma hora atrás.

O quanto de novo cada um de nós escolhe ser é de cada um.

Alguém poderia perguntar: Mesmo aqueles que aparentemente não saem do lugar estão vivendo? Estão sendo outros?

Curiosamente, não sair do lugar, permanecer onde está, é também uma escolha. Então, sim, estamos sendo outro. Um outro que anda de lado muitas vezes, mas que não deixa de estar experimentando a vida de formas diferentes.

Percebamos que, mesmo quando desejamos permanecer parados por anos e anos, séculos, o Universo, que está em constante movimento, em constante revolução, encontra uma forma de nos mover. As leis divinas são irresistíveis.

Viver é ser outro.

Pensemos em como isso se aplica em cada novo dia.

Hoje acordamos outro. Então, demo-nos a chance de agir assim, com mais lucidez, percebendo tudo à nossa volta de uma maneira um pouco diferente do que percebemos ontem.

Se dormimos, em nossa cama, por umas sete horas, estivemos viajando mais de setecentos e cinquenta mil quilômetros pelo espaço!

Isso significa que não estamos mais nem no mesmo lugar do Universo. Em sete horas viajamos o correspondente a dezenove voltas no planeta Terra inteiro ou cerca de quarenta voos entre São Paulo e Tóquio.

Viver é ser outro, é estar sempre em outro lugar.

O poeta ainda complementa dizendo que o amanhã será ainda uma outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma visão nova.

Tudo na natureza está em constante renovação. Estamos incluídos nessa lei.

Não acreditemos nas ideias pessimistas, comodistas, que pregam a incapacidade de evoluir do ser humano. São visões limitadas sobre questões que precisam ser vistas do Alto.

O Espírito muda, sim. Há evolução das almas, quando nos comparamos com o que éramos alguns séculos atrás.

Somente a visão espiritualista, imortalista da vida consegue explicar com exatidão essas questões.

Viver é ser outro. É receber a oportunidade de refazer caminhos, de começar de novo, de começar melhor.

Viver é redenção. É poder devolver ao mundo o que tiramos dele, através do nosso trabalho e esforço pelo bem comum. É devolver o mal que praticamos em alguma fase da jornada, com uma boa dose de amor.

Viver é ser outro. É apagar tudo do quadro de um dia para outro. Ser novo com cada madrugada.

Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

terça-feira, 4 de junho de 2024

Aquilo que realmente é importante.


Certa manhã, Carl Coleman estava indo de carro para o trabalho e bateu no para-lama de outro veículo. Ambos pararam, e a mulher que dirigia o outro carro desceu para ver o estrago.

Ela ficou angustiada. Algumas lágrimas lavavam seus olhos preocupados, discretamente. Assumiu a culpa e disse que seu carro era novinho em folha. Fazia dois dias que havia saído da loja, e ela estava com medo de enfrentar o marido e a reação que ele teria.

Coleman agiu com simpatia, mas precisava apresentar seus documentos e ver os dela. Ela, um tanto trêmula, retirou do porta-luvas um envelope contendo os documentos. Na frente dos documentos, escritas com a letra característica de seu marido, estavam as seguintes palavras:

"Em caso de acidente, lembre-se, querida: é você quem eu amo, e não o carro".

                                                           *   *   *

A narrativa nos traz uma reflexão de muita importância para nossas vidas. Qual o valor que atribuímos às coisas? Será que, por vezes, nossas reações perante a ameaça de perda dessas coisas, não mostra que parecemos valorizar mais nossos bens do que nossos amores?

Em acidente semelhante ao relatado, quantos escândalos, gritos e repreensões são ouvidos antes da simples pergunta: Você está bem? Ou: Aconteceu alguma coisa com você? Será que lembramos daquilo que realmente é importante?

É claro que o zelo, o cuidado pelo que temos é necessário, porém, nosso materialismo excessivo leva-nos a colocar os bens em primeiro plano. Acidentes ocorrem e podem acontecer com qualquer um de nós.

Podemos ser motoristas hábeis, previdentes e cuidadosos e, mesmo assim, o risco desses incidentes ainda será grande, pois eles fazem parte do mundo em que vivemos.

É triste perceber que algumas pessoas chegam a perder suas vidas, defendendo bens, acreditando que a reação a um assalto, por exemplo, evitaria o prejuízo. Ledo engano. O prejuízo é muito maior do que imaginamos, quando se trata de vidas humanas, de nossas vidas.

Será que estamos lembrando daquilo que realmente é importante? Será que o pai de família não pensa que, numa pequena discussão de trânsito, num desaforo que ele não deseja levar para casa, está pondo em risco a sua vida, e todo o futuro de seus familiares?

Podemos chamar de irresponsável a pessoa que acredita na reação violenta para resolver suas questões. Não nos deixemos enganar, valorizando mais um carro novo do que uma esposa, um marido. Valorizando mais um enfeite caro de nossa casa do que um filho, um amigo.

Se por ora perdermos os bens, ou se formos atingidos por um prejuízo financeiro, lembremos de que sempre poderemos conquistar tudo novamente, e que não estamos aqui na Terra para acumular bens e fortuna. Estamos aqui para aprender a amar, para crescer como Espíritos.

Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

terça-feira, 28 de maio de 2024

Elogios e críticas.


Se o sol dependesse da aprovação humana para alimentar a vida que gravita ao seu redor, certo que, desde muito, estaria reduzido a montão de cinzas.

Se a Terra sofresse com as censuras que lhe são constantemente dirigidas por todos aqueles que a categorizam por vale de lágrimas, já teria descido à condição de um cemitério no espaço.

Se a semente rejeitasse a solidão e a morte a que se vê relegada no solo, a fim de colaborar no sustento do mundo, as criaturas estariam, há muito tempo, sem a bênção do pão.

Se a fonte recusasse o regime de mudança incessante e permanente em que é chamada a servir, a vida organizada na Terra se mostraria reduzida a primitivismo e estagnação.

Se a árvore só produzisse sob aplausos, o fruto não abençoaria a mesa dos homens.

                                                *   *   *

Uma vez mais, aprendamos com as lições simples da natureza.

Agradeçamos os louvores que nos fortalecem para o desempenho das obrigações e aproveitemos com resignação a advertência que a crítica nos dá.

Elogios e críticas não podem se converter em combustível para a realização das nossas tarefas abençoadas no mundo.

Primeiro, percebamos como tanto os que destacam o bem quanto os que apontam defeitos são passageiros.

Mudam conforme as marés das pessoas que os fazem. Muitas vezes têm muito mais a ver com elas mesmas do que com uma correta avaliação de uma obra que avaliam.

Em segundo lugar, se precisamos de elogio para trabalhar e se a desaprovação nos paralisa a faculdade de servir, estamos longe de compreender o tesouro da oportunidade de aprimoramento e elevação que nos enriquece o caminho.

A bênção que nos reconforta, a luz que clareia a estrada, a força que nos sustenta e o apoio que nos escora, chegam sempre de Mais Alto e procedem tão somente de Deus.

Por isso, deixemos de dar excessivo valor às avaliações do mundo, uma vez que o mundo é instável.

Num momento, recebemos elogios sinceros, noutro são manifestações de inveja. E, em outro ainda, apenas repetição de palavras vazias.

Por outro lado, as críticas muitas vezes apontam verdades que não enxergamos. Também podem ser manifestações de complexos internos de um ser em desequilíbrio.

Não há como sustentar qualquer obra, qualquer trabalho nas asas de críticas e elogios do mundo.

Vejamos como personalidades expostas diariamente a isso nas redes sociais, nas grandes mídias, mostram-se profundamente abaladas com tais comportamentos.

Algumas ignoram tudo para poderem continuar. Outras, quando começam a ler, a ouvir, se entristecem, se revoltam, devolvem na mesma moeda. E há as que se desligam de tudo para não tomar conhecimento de mais nada.

Importante ouvir as críticas e elogios daqueles que respeitamos, dos mais próximos, daqueles que querem o nosso bem.

Nossos tutores, orientadores, serão sempre os nossos anjos de guarda na Terra. Procuremos por seus conselhos, suas palavras amigas.

Sigamos nossa proposta de amor e verdade sem medo, recordando do sol, da Terra, da semente e da fonte. Todos sendo úteis pelo bem comum.

Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

terça-feira, 21 de maio de 2024

Busca constante.


Corre o homem diariamente de um lado para outro. Desde a aurora até bem depois do pôr do sol. Passos apressados nas calçadas, cruzando ruas, olhando sempre o relógio.

Parece sempre atrasado, à procura de algo muito importante. Nunca tem tempo para nada. Está sempre em alerta, como se um único descuido seu fosse suficiente para arruinar para sempre a consecução de seus objetivos.

Mas, afinal, o que busca o homem na luta cotidiana da vida? Para onde dirige seus passos? O que espera ele encontrar? Sabe, realmente, o que que
 
Seria por demais simplista dizer que a resposta para tais questionamentos seja: “a busca da felicidade”. Pois, momentos de felicidade permeiam sua existência, mas são como sopros suaves de brisa que cessam sem aviso prévio e que passam rapidamente.

Fala-se tanto em felicidade, mas se sabe tão pouco a seu respeito. Diz-se “estar feliz” quando tudo o que se deseja acontece.

Quando o amor é correspondido. Quando o dinheiro é suficiente para garantir as compras tão sonhadas. Quando o emprego almejado é obtido. Quando um título é alcançado. Quando tudo parece conspirar para satisfazer os mais íntimos desejos.

Nessas ocasiões, uma euforia ímpar toma conta do ser que sai pelas ruas estampando um sorriso largo na face. Canta e sente uma vontade de erguer os braços aos céus gritando:

“Consegui! Venci!”. Como se o mundo inteiro tivesse se curvado às suas necessidades e reconhecido seu valor como pessoa, a partir daquela oportunidade.

Mas isso é apenas uma ilusão. A fragilidade daquela sensação fará com que sua duração seja efêmera e, por isso mesmo, por vezes, quase frustrante.

Por pouco, pouco mesmo, sorrisos abandonam rostos até então eufóricos. O retorno à realidade pode decorrer da sensação de que a vida continua, não obstante aquela parcial vitória.

A luta continua. Não pode o homem abandonar o combate porque novas provas vão se apresentar, novos obstáculos vão surgir.

Outra vez será necessário empenhar esforços para prosseguir na jornada. Nessas horas, quando o homem percebe que suas conquistas não lhe garantem um bem-estar eterno, muitas vezes ele se entrega ao desânimo.

Tem a sensação de que caminha sempre em direção ao horizonte e que este, por mais que ande, distancia-se inelutavelmente dele. Sempre há algo por fazer, por aprender, por conquistar. Sempre. Percebe-se o quão verdadeiro é o ensinamento de que “a felicidade não é deste mundo.”

                                                            *  *  *  *

O que busca você? O que seria capaz de fazer estampar em seu rosto um sorriso sincero? O que você acredita ser suficiente para fazê-lo feliz?

Não se iluda, no entanto, com as promessas enganosas do mundo. Satisfações materiais não saciam por muito tempo o corpo, tampouco a mente que deseja a paz.

Por outro lado, as virtudes adquiridas ao longo do tempo podem auxiliar concedendo equilíbrio e lucidez. A consciência tranqüila e a franca sensação de dever cumprido permitem que se repouse a cabeça no travesseiro todas as noites.

São situações em que se pode desfrutar de felicidade, quando, então, ela pode ser efetivamente alcançável e duradoura, até mesmo neste mundo.
Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

Doe Sangue

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