terça-feira, 21 de setembro de 2021

Você é feliz ?

 


A discussão entre os irmãos se fazia acalorada. Ela, com nove anos, não conseguia entender e nem tinha a paciência necessária para as peraltices do irmão mais novo, então com cinco anos.

A cada aproximação dele, fosse para convidar para brincar no seu universo, ou para dividir uma nova descoberta que fazia, encontrava na irmã o azedume e a indisposição.

Ela se acreditava a dona da razão, e o irmão, muito infantil. Para ele, no entanto, ela era a referência, a sua heroína.

Porém, frente a tanta má vontade e mau humor, ele chegou ao seu próprio limite. Foi nessa hora que, colocando as pequenas mãos na cintura, fitou a irmã seriamente e lhe lançou a pergunta.

Luiza, você é feliz?

Sem entender bem o porquê da pergunta, respondeu-lhe, quase que por obrigação:

Sou feliz sim. Por quê?

À resposta ríspida, na sua sagacidade infantil, argumentou o irmão:

Então, por que você está sempre brigando comigo? Quem é feliz não briga com as pessoas!

E, com essa conclusão sábia do pequeno, encerrou-se a discussão entre os dois.

                                                      *   *   *

A conclusão do menino nos traz boas reflexões a respeito da felicidade.

Muitas vezes esquecemos do quanto podemos ser felizes, do quanto temos de felicidade.

Isso porque muitos de nós acreditamos que felicidade é um lugar onde chegar, é um objetivo a alcançar, é uma meta a ser conquistada.

Não poucos imaginamos que a felicidade está na posse do dinheiro, esquecendo-nos de tantos milionários infelizes, afundando-se em processos depressivos.

Outros temos a certeza de que a felicidade acompanha a fama, o reconhecimento social, o sucesso, não percebendo que não poucos artistas e frequentadores de capas de revistas e colunas sociais buscam fugas das mais variadas, para esquecer-se de si e de sua vida.

E, por outro lado, encontramos a felicidade em muitos que já têm a saúde do corpo comprometida, os recursos financeiros limitados, as marcas indeléveis dos reveses sofridos.

Isso nos diz que não será a dor que nos fará infelizes, nem a falta de saúde, tampouco a limitação financeira de nosso orçamento.

Ser feliz é opção de quem caminha pelas estradas da vida ciente de que ela é rica em aprendizados. E dores, reveses, limitações são ferramentas para que as lições ganhem consistência em nós.

Percebendo isso, nos daremos conta de que a generosidade de Deus, a nos ofertar tudo que está ao nosso redor, é o principal motivo para sermos sempre muito felizes.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Os pedidos da alma.


Comecemos o dia na luz da oração. O amor de Deus nunca falha.

Oração espontânea, sem fórmulas prontas ou ensaios elaborados.

Um sincero diálogo da alma com a Potência Suprema.

Se a tristeza morar em nossa alma, será um grito, um lamento dirigido aos céus.

Se a alegria brilhar em nosso íntimo, será um cântico de amor, um manifesto de adoração.

Pode se resumir em um simples pensamento, uma lembrança, um olhar erguido para o céu.

Quando oramos, uma janela se abre para o infinito e através dela recebemos mil impressões consoladoras e sublimes.

Uma excelente maneira de iniciar o nosso dia.

A sabedoria não está em pedir que somente tenhamos horas de felicidade, que todas as dores, as decepções, os reveses sejam afastados.

A nossa deve ser a rogativa por auxílio das forças superiores a fim de que cumpramos os nossos deveres, com dignidade.

E possamos suportar a eventualidade de um dia difícil, de horas más.

Se pedimos por nós, podemos estender os mesmos benefícios da rogativa para os familiares, os amigos.

Se tivermos uns minutos mais, que os possamos dedicar à rogativa ao Pai de todos nós. Haverá muito a pedir.

O mundo está tão sofrido. Não bastasse a pandemia, as notícias nos chegam de furacões, de vendavais, de países arrasados pela fúria dos ventos e das águas.

Pela nossa mente, transitam as figuras de crianças, de idosos, de corações de mães destroçados pelo desaparecimento ou morte dos seus filhos.

Recordamo-nos das palavras do Mestre falando dos últimos tempos, das tantas infelicidades que alcançariam a Humanidade.

Imaginamos quantas ainda deveremos enfrentar. Por isso, oração pelo nosso e pelo fortalecimento alheio.

A prece nunca é inútil. Com certeza, não alteraremos a lei divina das provas e expiações dos que amamos e daqueles que nem conhecemos.

Mas podemos lhes remeter vibrações de calma para as situações atormentadoras, resignação para as profundas dores.

Lembremos quantas vezes as nossas preces acalmaram alguém em sentido pranto, quantas vezes asserenamos a angústia de um amigo...

                                                                         *   *   *

Prece é fortalecimento moral. É na oração que o Divino Mestre demonstra toda Sua glória, no monte Tabor.

Ele se plenifica de luz e estabelece sublime diálogo com o legislador Moisés e o profeta Elias, luminares do povo hebreu.

Diante da tumba onde estava o corpo de Lázaro, Ele ora ao Pai. E depois convoca o amigo para reassumir o comando da vida que ainda não se findara.

Antes da prisão, que determinaria Seu julgamento, suplício e morte, Ele ora, no Jardim das Oliveiras.

E na cruz, encerra Sua prece com as palavras:

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Como Jesus, roguemos para que os bons Espíritos, que têm por missão assistir os homens e conduzi-los pelo bom caminho, nos sustentem nas provas desta vida.

Que as possamos suportar sem queixumes.

Que nos livrem da influência daqueles que queiram nos induzir ao mal.

Enfim, que este dia, apenas esboçado, seja de progresso, luz e paz. Horas abençoadas nos aguardam.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Nosso brasil independente.


Quando aniversariamos, faz-nos bem à alma sermos lembrados pelos familiares e amigos.

Nossa alegria é acrescida por cada cumprimento recebido, cada cartão, cada flor, cada abraço, mesmo virtual.

Ou a simples lembrança da data que nos é tão especial, porque assinala trezentos e sessenta e cinco dias vencidos.

Dias que foram de trabalho, dias em que aprendemos algo mais, aprimoramos o idioma, a habilidade em alguma arte, ingressamos em um curso.

Dias em que vivemos com nossos amores. Também com os desamores. Tudo em ritmo de aprendizado e crescimento espiritual.

No entanto, nenhum de nós espera viver cento e noventa e nove anos. Mas, nosso Brasil está comemorando essa data de sua Independência.

Para um país, uma adolescência recém-desabrochada. Por isso, talvez, identifiquemos tantas ações imaturas, tantos decretos que mudam mais rápido do que os possamos absorver para nossa própria vida.

Alguns dizem que tudo aconteceu de forma muito simples, sem atavio algum. A comitiva não vestia uniformes pomposos, nem montava cavalos garbosos.

A História registra as muitas pressões de camadas diversas da nação. O desejo de Independência era um grito abafado na garganta de um povo que desejava deixar de ser parte de um poderio estrangeiro.

E foi esse grito que explodiu do peito à boca, às margens do Ipiranga. Uma parada estratégica, uma necessidade que se fez.

Nada elaborado, nada espetacular. Foi o pincel de um artista sonhador que engrandeceu o feito pintando com cores maravilhosas o Laços fora.

Uma obra que nos acostumamos a ver nas ilustrações dos livros da História pátria, e que, em toda sua pujança, para orgulho da nacionalidade, se encontra exposta no Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Pedro Américo colocou na tela o que a sua alma de brasileiro imaginou. Os idealistas são assim: não enxergam como realmente foi, mas a essência do fato, o invisível.

E aquele momento foi significativo. Chega de subjugação. Basta de normas que asfixiem o povo: Independência ou Morte.

Hoje, enquanto o Hino da Independência nos toca a alma e nos estimula a acompanhar seus versos, façamos um propósito: tornar verdadeiramente independente o nosso país.

Um país livre de amarras egoístas, de ambições particulares, liberto de corrupção. Um país para todos, filhos nascidos ou adotados.

Um país que eleja como primazia a educação e a saúde do seu povo, a preservação da higidez brasileira.

Um país que se importe com a preservação do seu solo, das suas riquezas. Um país de paz.

Ordem e Progresso é o lema nacional. Ordem significa a defesa e manutenção de tudo que funciona de maneira positiva, a proteção do que é certo e bom, em todos os aspectos da vida nacional.

Progresso significa o avanço natural da sociedade e das instituições como consequência da defesa da ordem.

A cada um de nós, brasileiros, cabe lutar, a cada dia, para que se torne realidade o lema nacional, de forma eficaz e permanente.

Hoje é um dia especial para iniciarmos essa campanha individual em prol da Independência moral do nosso Brasil.

Brava gente, brasileira, longe vá temor servil...

Unamos nossos esforços...

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Tristeza sem razão.

 


Por vezes, erguemo-nos pela manhã envoltos em nuvens de tristeza. Se alguém nos perguntar a causa, com certeza não saberemos responder.

Naturalmente, atravessamos as nossas dificuldades. Não há quem não as tenha. É o filho que não vai bem na escola, o marido que vive a incerteza do desemprego, um leve transtorno de saúde.

Nada, contudo, que seja motivo para a tristeza profunda que nos atinge.

Nesse dia tudo parece difícil. Saímos de casa e a entrevista marcada não se concretiza. A pessoa que marcou hora conosco cancelou por compromisso de última hora. E lá se vão as nossas esperanças de emprego, outra vez.

O material que vimos anunciado com grande desconto já se esgotou nas prateleiras, antes de nossa chegada. A fila no banco está enorme, o cheque que fomos receber não tinha saldo suficiente.

É... Nada dá certo mesmo! Dizemos que nem deveríamos ter saído de casa, nesse dia. Agora, à tristeza se soma o desalento, o desencanto.

Consideramo-nos a última pessoa sobre a face da Terra. Infelizes, abandonados, sozinhos.

Ninguém que nos ajude.

E, no entanto, Deus vela. Ao nosso lado, seguem os seres invisíveis que nos amam, que se interessam por nós e tudo fazem para o nosso bem-estar.

O que está errado, então? Com certeza, a nossa visão do que nos acontece.

Quando a tristeza nos invade no nascer do dia, provavelmente tivemos encontros espirituais, durante o sono físico, que para isso colaboraram.

Seja porque buscamos companhias não muito agradáveis ou porque não nos preparamos para dormir, com a oração. Seja porque reencontramos amores preciosos e os temos que deixar para retornar à nossa batalha diária, entristecendo-nos sobremaneira.

Ao nos sentirmos assim, busquemos de imediato a luz da prece, que fortalece e ilumina, espancando as sombras do desalento.

Abrir as janelas, observar a natureza, mesmo que o dia seja de chuva e frio. Verifiquemos como as árvores, quando castigadas pelos ventos e pela água, balançam ao seu compasso.

Passada a tempestade, se recompõem e continuam enriquecendo a paisagem com seus galhos, folhas, flores e frutos.

Olhemos para as flores. Mesmo que a chuva as despedace, elas, generosas, deixam suas marcas coloridas pelo chão, ou permitem-se arrastar pela correnteza, criando um rio de cores e perfumes pelo caminho.

Aprendamos com a natureza e afugentemos o desânimo com a certeza de que, depois da tempestade, retornará o tempo bom, o sol, o calor.

Não nos permitamos sintonias inferiores, porque se vibrarmos mal, nos sentiremos mal e, naturalmente, tudo se nos tornará mais difícil.

Nunca estaremos sós. Jesus está no leme das nossas vidas, atento, vigilante, e não nos faltará em nossas necessidades.

                                                                     *   *   *

Se estamos tristes, abramos os ouvidos para as melodias da vida, melodias que soam das mais profundas regiões do Amor Celeste.

Busquemos ajuda, peçamos socorro, não dando campo a essas energias de modo que possamos, na condição de filhos de Deus, alegrar-nos com tudo quanto o Pai construiu e colocou à nossa disposição a fim de que pudéssemos crescer, amar e servir.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Hoje eu me lembrei.

 


Hoje eu me lembrei...

Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.

Eu Sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como Ser humano na escola terrestre.

Hoje eu me lembrei...

Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.

Eu Sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo** que está em tudo!

Hoje eu me lembrei...

Que tenho a cor da Luz, pois vim das estrelas.

E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

Hoje eu me lembrei...

Que não há nenhuma religião acima da verdade.

E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

Hoje eu me lembrei...

Que só se escuta a música das esferas com o coração.

E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

Hoje eu me lembrei...

Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.

Na verdade, é um estado de Consciência do Ser.

Hoje eu me lembrei...

Que ninguém compra Discernimento ou Amor.

E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

Hoje eu me lembrei...

Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.

E no dia em que eu partir, também não será!

Hoje eu me lembrei...

Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura***.

E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).

Hoje eu me lembrei...

Que não vim de férias para o mundo.

Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).

Hoje eu me lembrei...

Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!

Sem Amor, o meu coração fica seco... e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.

Hoje eu me lembrei...

Que os guias espirituais não são minhas babás extrafísicas.

Eles são meus amigos de fé e trabalho...

Hoje eu me lembrei...

Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.

Todos nós somos professores e alunos uns dos outros.

Hoje eu me lembrei...

Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.

Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).

Hoje eu me lembrei...

Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.

Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

Hoje eu me lembrei...

Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.

E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.

Hoje eu me lembrei...

Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!

Hoje eu me lembrei...

Que, sem Amor, ninguém segue.

E que o meu mantra se resume numa só palavra: Gratidão!

- Wagner Borges - São Paulo, 5 de julho de 2015.

* Esse texto foi escrito dentro dos estúdios da Rádio Mundial de São Paulo - 95.7 FM - um pouco antes do início do programa Viagem Espiritual (apresentado todos os domingos, das 12h30min às 13h), e, em seguida, lido para os ouvintes.

Doe Sangue

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