terça-feira, 13 de abril de 2021

Esforço pessoal.


As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.

Disciplinando-se e vencendo a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, alcançando resultados expressivos e valiosos. Essas realizações, no entanto, têm início nele próprio.

É possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.

Certamente, não conseguirás solucionar o problema da fome na Terra. Apesar disso, poderás atender a algum necessitado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.

Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões da oração, que envia a essas almas o amparo necessário para a amenização de suas dores.

De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, indefesas, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem, da esperança.

As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que desnorteiam a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Mas, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba, oferecendo-lhe reajuste e renovação.

Naturalmente, o teu empenho máximo não irá alterar o rumo das leis da gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do sol de primeira grandeza que é Jesus.

Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são possíveis de serem solucionados.

A inundação resulta da gota de água.

A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se soltam.

A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.

Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo irá melhorar.

A sociedade, qual ocorre com o indivíduo, é o resultado de si mesma.

Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.

Se teus sonhos almejam a felicidade plena no mundo, começa a busca de fazer felizes aqueles que se encontram ao teu redor.

Se teus desejos de paz são sinceros, busca a paz interior da consciência tranquila, e transmite paz àqueles que te cercam.

Se vês no futuro o amor reinante no planeta, principia amando intensamente tua família.

                                                           *   *   *

A escuridão não mais existe, quando na presença de uma minúscula faísca.

O sofrimento pensa em desaparecer, quando envolvido por uma leve brisa de esperança.

A chuva cinza decompõe-se em cores, quando recebe os raios do sol.

A raiva tem saudade da doçura, quando é abraçada com carinho.

A escuridão, o sofrimento, a chuva, a raiva: todos eles passam.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

Palavrão.

 


Está se tornando comum o palavrão. A pouco e pouco, palavras de baixo calão vão sendo incorporadas ao vocabulário. Passam a ser utilizadas, habitualmente.

Lá se foram os anos em que o palavrão era utilizado pelas pessoas ditas de má educação. Hoje, atingiu status. Políticos se permitem utilizá-lo para defesa das suas ideias ou para a própria defesa.

O teatro foi inundado por artistas que fazem dos palavrões meios de comunicação. Tudo em nome de uma pretensa arte.

A televisão exibe cenas de violência e sexo, manipulando gestos e palavrões. As empresas públicas, que exploram a telefonia, permitem que, com o simples discar de um número, se ouçam piadas maliciosas e se aprendam mais alguns palavrões.

Atores e atrizes não se limitam a dizer piadas fortes. Vão além. Fazem também gestos agressivos. E o pior: o público aplaude. Como se ouvissem frases de efeito que encerrassem uma filosofia ou um ensinamento.

Pais ensinam aos filhos os palavrões. E as ocasiões para os utilizar. Para ofender os brios de alguém. Para irritar simplesmente. Ou só para desabafar.

Observamos como a linguagem vai se tornando grosseira, grotesca.

Em O livro dos Espíritos aprendemos que se reconhecem os Espíritos pela linguagem. Entre os Espíritos, como entre os homens, a linguagem é sempre um indicativo de qualidade moral e intelectual.

Ao abordar a questão da palavra, Jesus foi enérgico: Aquele que disser a seu irmão: “Raca, merecerá condenado pelo conselho. Aquele que lhe disser: és louco, merecerá condenado ao fogo do inferno.”

Raca, entre os hebreus, era um termo desdenhoso. Significava homem que nada vale. Era pronunciado cuspindo e virando-se para o lado a cabeça.

Ao afirmar que mereceria o fogo do inferno, o que significa intenso sofrimento, Jesus vai bem longe. Como pode uma simples palavra, louco, se revestir de tanta gravidade que mereça tão severa reprovação?

É que toda palavra exprime um sentimento e vai carregada de vibração correspondente. Desse modo, toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. Constitui um golpe desferido na fraternidade.

Quando vemos nossa infância e juventude absorvendo tão rapidamente os palavrões, esquecendo as verdadeiras denominações dos objetos, lamentamos.

Alguns defendem o retorno aos antigos métodos repressores. Da pimenta na boca, palmada nos lábios à censura ostensiva em todos os veículos de comunicação.

A repressão, a agressão não resolvem o problema. Existem sempre os que afirmam que a lei existe para ser violada.

O problema é, pois, de educação. Educação do pensamento para uso da palavra devida.

A boca fala do que está cheio o coração. A boca expressa os sentimentos. A ideia é uma força criadora e nossas palavras aderem a ela elaborando formas e coisas.

De maneira simbólica, podemos comparar a palavra ao ferro gusa. Após escorrer do forno da nossa mente se solidifica nos trilhos, bons ou maus, sobre os quais o comboio da nossa existência seguirá.

                                                                        *   *   *

Habituemo-nos a falar o bem. Não incorporemos ao próprio vocabulário expressões de cunho malicioso ou grotesco.

Vigiemos o pensamento. Habituemo-nos à boa leitura.

Alimentemos a mente e o coração com o que é belo e bom.

A palavra tem vida. Vitalizemos o bem.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 30 de março de 2021

A empatia em tempos de crises


A vivência da empatia é de fundamental importância nestes tempos de crises, pelos quais estamos passando quando urge a necessidade de buscarmos respostas que justifiquem o porquê e o para quê dos acontecimentos atuais e do nosso envolvimento neste contexto, não apenas no tocante às crises existenciais e à pandemia da covid-19, mas também aos preconceitos alusivos à desigualdade social, ao gênero, à sexualidade, à etnia, etc.

Embora para muitos de nós, à primeira vista, tratam-se de tempos de dores e de sofrimentos, na verdade o fundo da questão nos remete às oportunidades de aprendizagem moral, chamando-nos para que, através da força do autoconhecimento, do resultado dos momentos de reflexão e da vivência de maneira resignada, libertemo-nos das amarras que nos impedem do avanço na senda evolutiva, e que possamos, através desses exercícios, promover a nossa transformação moral.

Como já sabemos, a empatia é a palavra-chave para o momento em que estamos vivendo e convivendo, como se estivéssemos nos abarcando no mesmo barco, em plena tempestade, unindo forças para o enfrentamento de desafios, a fim de vencermos estes tempos de pandemia e demais tipos de crises que envolvem a sociedade como um todo.

O mestre Jesus, através dos evangelhos, ensina-nos a empatia, que se praticada em tempos de normalidade, na aprendizagem das lições, na lida do dia a dia, servirá de base para a aplicação em tempos de crises, assim vejamos o seguinte exemplo:

“Fazei ao outro somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito”. (Mateus 7:12)

Dessa recomendação do mestre Jesus, podemos extrair para todos nós o ensinamento de que se trata do maior senso de justiça, equilíbrio das relações interpessoais.

Fazer ao outro somente o que gostaríamos que nos fosse feito é nos colocarmos no lugar do outro, fazendo ao outro as coisas que desejamos que o outro faça por nós.

Esse ensinamento é, também, ministrado pelo Espírito de Verdade, na questão 876 de O Livro dos Espíritos, sendo a sua aplicação à base da justiça, segundo a lei natural.

Portanto, temos no mestre Jesus, o exemplo maior da empatia, sendo Ele o tipo mais perfeito oferecido por Deus à Humanidade, para lhe servir de guia e modelo, conforme nos ensina a questão 625 de O Livro dos Espíritos.

Que nestes tempos de crises diversas, possamos nos colocar no lugar do outro, fazendo-lhe somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito, a fim de auxiliá-lo nestes momentos difíceis pelos quais todos estamos vivenciando, quando passamos a desenvolver a virtude da misericórdia, externando a pureza do coração em favor um do outro.

Dessa forma, juntos entenderemos o porquê e o para quê destes tempos de crises, e venceremos o mundo, ou seja, começando, cada qual, pelo seu próprio “mundinho” íntimo.

Yé Gonçalves

Texto publicado em 07/01/2021 na Agenda Espírita Brasil e, gentilmente, cedido aos irmãos(ãs) do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 23 de março de 2021

Quem é essa criatura ?

 


Quem é essa criatura que toma de uma folha de árvore e a esculpe, transformando-a em uma verdadeira obra de arte, que reproduz cenas da natureza?

Quem é essa criatura que se serve da areia para erguer minuciosas esculturas na praia?

Quem é essa criatura que toma um instrumento e reproduz sons da natureza, sons que parecem vir de outra dimensão, para nos encantar os ouvidos, extasiar a alma e curar enfermidades?

Quem é essa criatura que descobre como viajar pelas estrelas, conquistando, a pouco e pouco, o Universo sem fim?

Quem é essa criatura que perpetua a própria espécie e a conduz pelos caminhos do progresso, entre ternura e carinho?

Quem é essa criatura que imita o voo dos pássaros na coreografia espetacular dos palcos, que dá saltos fenomenais como a dizer que o Espírito comanda o corpo e o exercício garante o resultado almejado?

Quem é essa criatura capaz de amar, de criar, de enfeitar o mundo, de erguer edifícios que parecem escalar os céus?

Quem é essa criatura que toma das letras e escreve poemas, canções, produz maravilhas e tudo oferece a todas as demais criaturas?

                                                                            *    *    *    *   

Essa criatura se chama homem. Colocado neste mundo para progredir e mudar o próprio ambiente em que vive.

Um ser que olha ao seu redor, toma da madeira e constrói abrigos e modela belezas com as próprias mãos.

Um ser concebido por uma Inteligência Suprema, Causa de todas as coisas. Um Criador que lhe deu um corpo, formado do húmus da terra, para nela viver.

Um ser que recebeu, com o sopro da vida, a essência imortal, que migra de corpo a corpo, através das idades, através dos mundos.

Essência que traz do Criador a possibilidade da grandeza, Sua criatividade inesgotável. Por isso, contempla as estrelas e as deseja alcançar.

E, enquanto as suas naves espaciais não podem dominar o espaço sideral, ele sonha e escreve, extrapolando as fronteiras da matéria.

Sua alma viaja pelos sonhos, pelos ideais mais nobres.

E quando retorna dos seus passeios, reproduz para os demais o que viu, sentiu, ouviu, concebendo pinturas de beleza sem igual, versos de poesia, sons de lugares ainda não explorados.

Homem, ser criado por Deus. Espírito Imortal, que ora está aqui, ora se vai, buscando novos estágios.

Como o definiu o Mestre de Nazaré, o mais Excelso Cantor de todos os tempos, um Espírito que não sabemos de onde vem, nem para onde vai.

Semelhante ao vento, sopra, acaricia nossas vidas por um momento e segue, beneficiando outras tantas vidas.

Semelhante ao seu Criador, a quem aprendeu a chamar de Pai, d'Ele traz a herança da Imortalidade, da possibilidade de criar, sem cessar.

                                                                       *    *    *    *

Não nos cansemos de louvar a Deus por nos ter criado seres tão excepcionais, com capacidades inigualáveis.

Capazes de amar, de termos filhos, de gerar maravilhas.

Exerçamos nosso poder sobre este planeta, enchendo-o de beleza, de excelências extraídas da nossa essência imortal.

Tenhamos nosso olhar nas estrelas, em tudo que representa a Divindade excelsa, infinita, insuperável.

Somos Sua Criação. Seus filhos. Herdeiros do Universo inteiro.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 16 de março de 2021

O ano em que nos descobrimos.

 


O ano de 2020 se foi. Foram nove meses de isolamento social, intercalados por lockdown, toque de recolher, hospitais sem vagas para os infectados com a COVID.

Talvez nossos avós e bisavós tenham experienciado alguma dessas questões, de forma semelhante, na gripe espanhola que manteve o mundo em polvorosa por dezoito meses.

Muitos afirmam que esse ano foi perdido. Não valeu nada.

São os pessimistas, aqueles que somente conseguem ver o que é ruim, desastroso, mau.

Os que temos olhos de ver, ouvidos de ouvir, com certeza nos demos conta do quanto crescemos nesses meses.

Para sobreviver, tivemos que nos reinventar, criando formas diferentes de vender nosso produto.

Nosso pão caseiro, bolachas, nossas hortaliças passaram a ser ofertadas pelo site que elaboramos. Nosso pequeno negócio precisou se adequar a regras de controle: álcool gel, máscara, circulação contida.

Entrega a domicílio. Inauguramos nosso próprio delivery. Cada um de nós a seu modo, do seu jeito, conquistando clientela.

Os religiosos, com nossos templos de portas cerradas, criamos atendimento on-line para os necessitados da alma.

E horários diversificados para a entrega das cestas básicas aos carentes do corpo.

Passamos a utilizar as plataformas digitais que estavam aí, há tanto tempo. Descobrimos os seus grandes benefícios.

Nosso Evangelho no lar, feito portas familiares adentro, se estendeu para o mundo. Convidamos amigos, parentes para participarem, enchendo as janelinhas de uma ou outra plataforma digital.

E a dimensão foi se ampliando, amigo enviando a amigo até perdermos a conta de quantos participam dessa nossa atividade.

Nosso estudo em grupo, de trinta a quarenta pessoas, em uma sala, tomou a dimensão de dezenas e mais dezenas de pessoas que aderiram.

Aprendemos a nos comunicar pelas janelinhas, a debater ideias, apresentar vídeos, criar maravilhas, ofertar a nossa poesia, o nosso canto.

Avaliemos o quanto crescemos, o quanto fizemos, demonstrando que quando a adversidade se apresenta, acionamos nosso potencial criativo e a superamos.

Superamos a distância, o isolamento, a vontade de abraçar. Aprendemos a sorrir pelos olhos porque a máscara nos cobre o nariz e a boca.

Foi nesse ano de tantas dores, de tantas mortes, de tantas perdas, que aprendemos a olhar para os invisíveis.

Para os lixeiros que nunca deixaram de vir fazer a coleta, nos dias e horas precisos.

Para tantos atendentes em postos de saúde, enfermeiros, cuidadores.

Aprendemos a aplaudir os médicos, dedicados e exitosos.

Reconhecemos a importância do trabalho dos garis que limpam as ruas das nossas cidades.

Alguns, mais sensíveis, como uma garota de dez anos, de uma cidade do Tocantins, resolveu fazer algo mais.

E preparou para esses invisíveis, de todos os dias, um super café da manhã.

Um dos agraciados com a gentileza de Cinthya afirmou: Precisamos olhar mais para o próximo. Que continue sempre assim.

Convenhamos: esse ano foi desafiador. Alguns sofremos grandes perdas de amores, de valores amoedados.

Mas, crescemos. E aqui estamos no novo ano. Podemos afirmar: vencemos. E prosseguiremos.

Redação do Momento Espírita.


Doe Sangue

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