terça-feira, 17 de setembro de 2019

Sempre é tempo de ajudar.

É bastante comum o comportamento da maioria das pessoas que viajam de avião.

Mal adentram a aeronave, procuram o seu assento, de forma rápida cumprimentam os ocupantes vizinhos e logo colocam os fones de ouvido, tomam de um jornal, revista ou livro e passam o resto da viagem ignorando a presença de todos.

A última coisa que desejam é dividir o espaço com alguém tagarela que tente invadir a sua privacidade.

Esse comportamento pode, no entanto, nos privar da oportunidade de manter contatos profissionais, de fazer novos amigos ou mesmo perder algo muito valioso como uma vida humana.

Allen Van Meter, um homem simpático e alegre, com sua facilidade de fazer amigos, não era do tipo de ficar mudo ao lado de alguém.

Foi assim que, ao sentar-se, ele olhou para quem ocupava o assento ao seu lado, naquele dia.

De imediato, perguntou: Sem querer incomodar, mas que papel é esse em suas mãos?

Janet não se fez de rogada. Explicou que aquele era o diagrama de um rim. Disse que sua irmã fizera um transplante, mas seu corpo rejeitara o órgão, exigindo que ela passasse a tomar diversos remédios.

O problema é que esses medicamentos estavam danificando ambos os rins.

Ela precisava com urgência de substituição do órgão ou poderia morrer a qualquer momento.

Allen ouviu com tristeza. Ele viajava, naquele dia, por problemas familiares. Seu sobrinho, de apenas vinte e cinco anos, sofrera dano cerebral irreversível.

A família desejava doar os órgãos. Ele tomou a decisão. Pediu para utilizar o telefone do avião, contatou o hospital onde se encontrava o corpo do seu sobrinho para a remoção dos aparelhos e retirada dos órgãos.

Desejava saber da possibilidade de uma doação direta, ou seja, a família indicar a pessoa para receber o órgão.

Foram muitos telefonemas, para um e outro hospital. Os passageiros do avião ficaram sabendo, aos poucos, o que estava acontecendo e passaram a prestar atenção ao que ocorria.

Não houve quem não vibrasse por um desfecho exitoso.

As equipes dos dois hospitais começaram a se falar, para descobrir o tipo de sangue de ambos, doador e receptora. Depois, foi providenciado o transporte da irmã de Janet para o outro hospital.

Naquela mesma noite, ela recebeu o transplante. Durante a cirurgia, os médicos descobriram que a artéria principal que alimentava seu rim estava quase totalmente bloqueada.

Caso não tivesse recebido com urgência o novo órgão, poderia ter morrido.

                                                                *   *   *

Quem poderia imaginar que uma simples indagação pudesse levar a um desfecho tão excelente?

Por vezes, o que nos basta é olharmos para o lado para descobrir o quanto bem se pode proporcionar.

E, reflexionarmos a respeito dos estranhos caminhos da Providência Divina.

Quiçá, algum dia, descubramos as tantas fórmulas de atendimento de Deus aos Seus filhos.

Um jovem partiu. Outra pessoa, graças ao desprendimento de uma família, teve a sua vida prolongada.

Coisas de Deus. Coisas do amor.

 Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Sonho de consumo.

Um cantor popular estava em turnê e, num bate-papo com o público, ouviu de uma fã a declaração: Você é o meu sonho de consumo.

Isso nos faz refletir sobre o valor que damos a pessoas e objetos. Coisas são consumidas, não pessoas. Mas, aparentemente, o consumo também começa a imperar entre as relações interpessoais.

O consumo advém da necessidade de satisfazer um desejo. Empresas especializadas estudam formas de plantar na população o desejo por determinados produtos. Criam estratégias de marketing para convencê-las de que devem adquirir roupas, automóveis, celulares e equipamentos.

Também as convencem de que devem ir a determinados lugares, fumar e beber determinadas marcas quando, na verdade, elas não precisam de nada disso.

Quem precisa delas são os fabricantes, que produzem e obtêm lucro com a venda de seus produtos.

Alguns são realmente necessários, considerados de primeira necessidade. Mas há dos que são absolutamente supérfluos, que somente são vendidos por conta de uma ilusão cuidadosamente criada e de uma forte campanha de comercialização.

Uma vez adquirido o objeto, o público é convencido de que precisa de algo melhor, mais novo, mais caro. E assim o ciclo de consumismo se mantém.

Com pessoas vem ocorrendo algo semelhante.

Começa-se com a aparência. É preciso ter uma configuração corporal de acordo com padrões específicos para ser aceito e desejável: cabelos de determinada cor, textura e comprimento, cor de olhos e de pele dentro de parâmetros considerados belos, corpo com determinadas medidas.

Mas quem cria essas configurações? Quem decide o que é belo?

Indivíduos e corporações lucram alimentando a infelicidade e a insatisfação das pessoas consigo mesmas. Oferecem a elas soluções para resolver problemas que antes não eram problemas. Passaram a ser depois de cuidadosas campanhas que trocam o ser pelo ter e o aparentar.

Use nosso produto - dizem elas - mude sua aparência e seja feliz.

Mas não é isso que traz a felicidade. Felicidade é algo que resulta da realização da pessoa como ser humano, que faz a vida valer a pena.

Para os que vivem em zonas de guerra, felicidade é conquistar a paz.

Para os que vivem em hospitais, aguardando tratamento e cura, felicidade é ter saúde.

Para os que perderam a esperança, felicidade é receber ajuda e poder confiar novamente na bondade e na justiça humanas.

Para os que creem na justiça das aflições, felicidade é constatar que o sofrimento diminui quando se compreende suas causas.

Para os que acreditam na pluralidade das existências e seguem as Leis Divinas, felicidade é perdoar e ser perdoado, viver em paz num mundo de amor, sem orgulho e egoísmo.

Para os materialistas, felicidade é ter dinheiro e poder. Sonham com conquistas pautadas em ilusões que, uma vez atingidas, deixam um vazio que precisa ser preenchido com mais aquisições.

Quando compreendermos que a felicidade está associada ao amor e à bondade, e não à posse de objetos ou pessoas, não teremos mais sonhos de consumo, mas sim sonhos de vida.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A verdade.

Muito se fala sobre a verdade. Dizem que a verdade sempre aparece, mais cedo ou mais tarde. Nada pode deter a sua marcha, no tempo.

No entanto, alguns de nós, por vezes ficamos a pensar que ela deveria ser mais ágil. Afinal, conhecemos na História da Humanidade, quantas vezes ela foi ofuscada por interesses de poderosos de toda sorte.

Conta-se que quando foi coroado rei da Pérsia, Dario mandou dar uma grande festa para todos os seus súditos, espalhados em cento e vinte e sete províncias.

Terminada a festa, adormeceu, mas foi despertado pelas vozes alteradas de três rapazes que discutiam acerca do que seria a coisa mais forte do mundo.

Em vez de admoestá-los, ficou a escutá-los.

Decidiram que cada um escreveria uma frase dizendo o que era a coisa mais forte e submeteriam ao rei o julgamento.

E assim foi feito. As frases foram entregues ao soberano que, oportunamente, realizou uma convocação de nobres e conselheiros, na sala dos julgamentos.

Foi lida a primeira frase: O vinho é o mais forte.

Aquele que a escrevera, considerou que o vinho tem muita força. Tanta que pode transformar em tolos os homens mais grandiosos.

O rei poderoso e a criança ignorante se igualam sob sua força. Coloca nuvens na memória e torna discussões sem valor porque tudo cai no esquecimento.

A segunda frase dizia: O rei é o mais forte.

A justificativa do autor foi de que o rei tudo manda e é obedecido. Envia soldados para a guerra, condena pessoas à morte ou lhes concede o perdão.

Todos os súditos lhe devem obediência e ele faz o que lhe agrada. É apenas um homem, mas por ele os soldados cruzam montanhas, derrubam muralhas, atacam torres e depois de conquistado o país, lhe trazem o espólio.

A terceira frase afirmava: A verdade é mais forte que todas as coisas.

A defesa da tese foi ardorosa. Disse o jovem:

O rei pode ser perverso, o vinho é perverso. Os homens podem ser maus. Todos eles perecerão. Mas a verdade é eterna.

É sempre forte. Nunca morre. Tampouco é derrotada. Faz o que é justo. Não pode ser corrompida.

Não necessita do respeito das pessoas para existir. É grandiosa e soberana sobre todas as coisas.

E Dario julgou que o terceiro jovem era o mais sábio.

O jovem se chamava Zorobabel. Era um judeu e foi líder do seu povo, na época de seu retorno a Jerusalém do exílio na Babilônia.

Foi um dos reconstrutores do templo em Jerusalém.

                                                                  *   *   *

A verdade sempre predomina. A verdade cresce à medida que o ser se desenvolve.

Ela se faz profunda, é sempre atual e enfrenta a razão em todas as épocas com os equipamentos da lógica e da realidade.

A verdade é pão que nutre, medicamento que cura, guia que conduz com equilíbrio.

Jamais fica desconhecida, por maiores sejam os obstáculos que se lhe anteponham.

Escapa a qualquer controle, por ser soberana, e, mesmo quando aparentemente morta, renasce.

Ninguém tem o direito de ocultar a verdade, qual se fosse uma luz que devesse ficar escondida. Onde se encontre, irradia claridade e calor.

Façamos a nossa parte.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Isto é amor ao próximo.

Existem notícias tristes, que amarguram, que nos falam de um mundo ainda bastante problemático.

No entanto, em meio a essas, existem outras que nos emocionam pela atitude de pessoas que dão exemplos raros de amor ao próximo.

Soubemos de uma americana que doou mais de dois mil litros de leite materno para alimentar centenas de bebês.

Elisabeth Anderson Sierra vive no Estado de Oregon, nos Estados Unidos. Ela possui a Síndrome da Hiper lactação, o que a faz produzir mais de seis litros de leite por dia.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Elisabeth disse que percebeu que produzia mais leite que o normal em sua primeira gravidez.

Mas foi na segunda que a quantidade aumentou consideravelmente.

Sua filha Sophia, de seis meses, consome em média 800ml. Por isso, Elisabeth decidiu doar o excedente.

Isso lhe requer várias horas ao dia, considerando que cinco delas fica com a bomba de sucção nos seios. Depois, ela ainda precisa embalar, etiquetar e colocar todo o leite coletado no freezer.

Afirma que nos últimos dois anos, não teve um dia de folga! Mesmo porque é mãe de duas crianças. Uma verdadeira heroína.

O leite doado serve para amamentar bebês cujas mães não podem fazê-lo, por estarem tomando determinados medicamentos. Ou por terem tido câncer de mama.

Também faz doações a casais homo afetivos. O restante vai para um banco de leite, localizado na Califórnia.

Quando lhe perguntaram como se sente nessa doação constante, respondeu:

Sinto que faço parte da humanidade. Eu encorajaria outras mães a fazerem o mesmo. O leite materno é ouro líquido, jamais deve ser desperdiçado.

*   *   *

Sinto que faço parte da humanidade.

Esta frase é de alto significado. Todos somos uma única e enorme família: a Humanidade.

Seria importante que assim nos sentíssemos todos. Porque, afinal, família se auxilia mutuamente, um socorre o outro na adversidade, um toma conta do outro.

Família está atenta às necessidades comuns e se mostra disposta a colaborar, a encontrar soluções para problemas que se apresentam.

Cultivando a solidariedade, poderemos, em breve, ter um mundo muito melhor.

Um mundo em que colaboremos mais uns com os outros, em que nos preocupemos com o bem-estar de todos.

Um mundo em que o verbo amar será conjugado diariamente, vinte e quatro horas do dia.

Amar é doar-se, é dar-se.

É uma atividade prazerosa que felicita a quem ama e a quem é amado, que pode ser alguém bem próximo ou a milhas de distância. Mas, que poderá receber a nossa vibração ou a nossa doação material.

E a Sabedoria Divina é tão magnânima nesses exemplos, que nos concede um retorno mais que especial para incentivar a multiplicação dos nossos gestos de amor.

Vivenciemos esse amor. Amar é experiência que nos plenifica, nos faz felizes. O melhor do amor não é ser amado. É amar.

Doar-se em benefício do próximo não tem preço.

Quanto mais desapego e amor, mais alegria e felicidade.

 Redação do Momento Espírita.
( Elizabeth S. Anderson, nascida em 5 de dezembro de 1959, é uma professora universitária de Filosofia estadunidense. Especialista em estudos sobre as mulheres e filosofia política e moral, leciona na Universidade de Michigan.)

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ação de paz.

A paz é um dos tesouros mais desejados nos dias atuais. Muito se tem investido para se conseguir um pouco desse bem tão precioso.

Mas, será que nós, individualmente, temos feito investimentos efetivos visando tal conquista?

O que geralmente ocorre é que temos investido nossos esforços na direção contrária, e de maneira imprópria.

É muito comum se desejar a paz e buscá-la por caminhos tortos, que acabam nos distanciando dela ainda mais.

O Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, escreveu, certa feita, uma mensagem que intitulou Ação de paz:

"Aflição condensada é semelhante à bomba de estopim curto, pronta a explodir a qualquer contato esfogueante.

Indispensável saber preservar a tranquilidade própria, de modo a sermos úteis na extinção dessa ou daquela dificuldade.

Decerto que, para cooperar no estabelecimento da paz, não nos seria lícito interpretar a calma por inércia.

Paciência é a compreensão que age sem barulho, em apoio da segurança geral.

Refletindo com acerto, recebe a hora de crise sem qualquer ideia de violência, porque a violência sempre induz ao estrangulamento da oportunidade de auxiliar.

Diante de qualquer informação desastrosa, busca revestir-te com a serenidade possível para que não te transformes num problema, pesando no problema que a vida te pede resolver.

Não afogues o pensamento nas nuvens do pessimismo, mentalizando ocorrências infelizes que, provavelmente, jamais aparecerão.

Evita julgar pessoas e situações em sentido negativo para que o arrependimento não te corroa as forças do Espírito.

Se te encontras diante de um caso de agressão, não respondas com outra agressão, a fim de que a intemperança mental não te precipite na vala da delinquência.

Pacifica a própria sensibilidade, para que a razão te oriente os impulsos.

Se conservas o hábito de orar, recorre à prece nos instantes difíceis, mas se não possuis essa bênção, medita suficientemente antes de falar ou de agir.

Os impactos emocionais, em qualquer parte, surgem na estrada de todos; guarda, por isso, a fé em Deus e em ti mesmo, de maneira a que não te afastes da paz interior, a fim de que nas horas sombrias da existência possa a tua paz converter-se em abençoada luz."

As palavras lúcidas de Emmanuel nos sugerem profundas reflexões em torno da nossa ação diária.

Importante que, na busca pela paz, não venhamos a ser causadores de desordem e violência.

Criando um ambiente de paz na própria intimidade, poderemos colaborar numa ação efetiva para que a paz reine em nosso lar, primeiramente, e, depois possa se estender mundo afora.

Se uma pessoa estiver permanentemente em ação de paz, o mundo à sua volta se beneficiará com essa atitude.

E se a paz mundial ainda não é realidade em nosso planeta, façamos paz em nosso mundo íntimo. Essa atitude só depende de uma única decisão: a nossa.

                                                                    *   *    *

A nossa paz interior é capaz de neutralizar o ódio de muitas criaturas.

Se mantivermos acesa a chama da paz em nossa intimidade, então podemos acreditar que a paz mundial está bem próxima.

Porque, na verdade, a paz do mundo começa no íntimo de cada um de nós.

Redação do Momento Espírita.

Doe Sangue

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