terça-feira, 19 de março de 2019

A lição do trigal.

O trigal maduro parecia um mar imenso a ondular ao sabor do vento que brincava com as hastes.

Logo mais, seria a época da colheita e, desejando mostrar ao filho a beleza natural, o lavrador o chamou para percorrer os campos.

O rapazinho foi se extasiando com a paisagem, sempre mais bela e mais rica.

Observador atento, de vez em quando se detinha um tanto mais em alguns locais.

Após algum tempo de caminhada, perguntou ao pai:

Meu pai, por que é que algumas espigas de trigo estão inclinadas para o chão, enquanto outras estão de cabeça erguida?

O lavrador se abaixou e colheu uma espiga. Justamente uma das que se encontrava curvada. Mostrando-a ao filho, explicou:

Repara, meu filho. Esta espiga, que estava inclinada, quase encostando no chão, está perfeita e cheia de grãos. Observa aquela outra, que se levanta com tanto orgulho do trigal. Está seca e imprestável.

Na nossa vida, isso também acontece, às vezes. Os que apresentamos orgulho excessivo somos ocos, nulos, enquanto os humildes são valorosos e úteis.

O orgulho é um mal que habitualmente gera a ambição, que é o desejo imoderado de cargos, honrarias, poder, destaque.

Eis uma grande lição, meu filho. Não se permita, jamais, o orgulho. É um grande mal e precisa ser combatido.

Existem algumas regras que podem nos auxiliar a contermos nosso orgulho, reconhecendo o que somos, valorizando-nos, mas jamais nos acreditando melhores ou superiores aos demais.

Primeiro item é buscarmos o autoconhecimento. É impossível nos examinarmos sinceramente e não reconhecer as próprias falhas.

Segundo, pensarmos na insignificância e na transição de todas as coisas que constituem motivo de orgulho na Terra.

As riquezas, por exemplo. Não são eternas e transitam, com rapidez, de determinadas mãos para outras.

Famílias abastadas sofrem derrocadas financeiras, enquanto criaturas que pareciam quase nada possuir, se destacam, alcançando tópicos não imaginados.

Sem se falar que, com a morte, todos os bens, títulos, haveres, permanecem na Terra. Seguem com o Espírito somente as virtudes e paixões, isto é, o bem que construímos e o mal que para nós mesmos criamos.

Terceiro, recordarmos o exemplo de Jesus, perfeito modelo da humildade.

Ele, o Rei Solar, nosso Governador planetário, veio até nós, viveu conosco, entregando-se ao trabalho de carpinteiro.

E para a sua missão de amor, se identificou como o Pastor, que cuida das ovelhas. Maior de todos nós, apresentou-se como o Servidor.

Finalmente, aceitar posições modestas para desempenho de tarefas anônimas, que a muitos beneficiam.

                                                                        *   *   *

Sigamos nosso Modelo e Guia. Nossa passagem pela Terra é transitória, como todas as coisas do mundo.

Basta que grandes ventos se apresentem para destruir o que demoramos anos para edificar. Os temporais, as enxurradas, o inverno impiedoso ou a estiagem demorada são agentes do tempo sobre os quais não temos poder.

Lembremos da fragilidade humana e de que, para viver a cada dia, dependemos totalmente da Providência e da Misericórdia Divinas.

Pensemos nisso e sejamos menos orgulhosos.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de março de 2019

Um Brasil de muitas cores.

Quero meu Brasil verde e amarelo. Verde de esperança de ver seus filhos progredirem em seu solo. De vê-los crescer em tecnologia, de programarem o futuro, com alegria.

Esperança de ver seus filhos conquistando o mundo, dizendo do quão grande e rica é esta nação de tantas raças.

Esperança de ver as crianças na escola, ilustrando as mentes e exercitando o respeito pelos professores, pelos colegas.

Esperança de despertar nas manhãs com o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhando nas praças tomadas pelas gentes em passeios, exercícios, caminhadas.

Verde que assinale a proliferação das matas conservadas e respeitadas, onde vivam em abundância a fauna e a flora diversificadas.

Onde o colorido das aves acrescente mais beleza ao panorama e os cantos diversos encham os ares de sinfonias.

Esperança de que as espécies se multipliquem de forma natural, sem a ação predatória do homem insano e irreverente.

Que as aves possam construir seus ninhos no alto das árvores, sem temor de os verem destroçados pela cobiça dos que somente desejam ter suas próprias posses aumentadas.

Quero meu Brasil com o amarelo deslumbrante do astro rei nos céus.

Também como símbolo de riqueza nacional, sem agressão ao solo nem aos seus filhos, cujas vidas são mais preciosas do que qualquer minério ou pedra de qualidade.

Amarelo que tremule na bandeira nacional, atestando da nossa soberania, do respeito ao torrão pátrio pelos que aqui vivemos, como seus filhos, sem exploradores vindos de outras bandas.

Desejo um Brasil também azul e branco.

Azul da cor do céu que se apresenta maravilhoso de norte a sul, com variantes excepcionais, somente dignas de um Criador, infinito em Sua criatividade.

Azul da cor das águas dos rios sem poluição, sem detritos, correndo livremente.

Rios que atravessem as artérias do território cantando a independência de um povo que deseja Ordem e Progresso.

Um povo que não quer ser subjugado, que deseja trabalhar de forma honrada a fim de assegurar o pão nosso de cada dia na própria mesa.

Um povo que deseja um lar, uma família, leis justas para lhe garantir a propriedade, o emprego, o ensino.

Um povo que não alimenta preconceito, que respeita seu irmão, não importando a cor da pele, a configuração dos olhos ou das maçãs do rosto.

Um povo que ama a liberdade, que tem o samba no pé e os versos do hino pátrio no coração.

Finalmente, um Brasil de paz. Paz no coração das gentes, que somente anseiam estudar, construir, progredir.

Um Brasil de paz que seja exemplo para o mundo. Um Brasil em que todos se abracem como irmãos e desejem se auxiliar no combate à miséria, à fome, à injustiça.

Um Brasil em que todos sejam iguais perante a lei, perante a sociedade, perante a escola.

Um Brasil verde, amarelo, azul e branco. Este é o Brasil que todos desejamos.

Um Brasil para ter filhos e vê-los crescer, livres da violência e das drogas. Filhos que se tornem cidadãos produtivos e nobres.

Um Brasil que todos juntos podemos construir, desde agora.

Mãos à obra. O tempo urge. O dia é hoje.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 5 de março de 2019

A feliz aposentadoria.

Nos primeiros anos do Século XX, era comum verdureiros percorrerem as ruas das cidades ofertando os seus produtos, diariamente.

Na cidade de Matão, no interior do Estado de São Paulo, havia um desses que, todas as manhãs, transitava com sua carroça cheia de legumes, verduras e frutas.

Certo dia, ele parou em frente à uma farmácia. Estacionou sua carroça e entrou para comprar um medicamento.

Enquanto era atendido, o dono da farmácia, homem bom, foi até a porta e ficou olhando para o animal atrelado à carroça.

Era um burro velho, maltratado, magro que, muito ofegante, suportava parado o peso enorme do veículo de madeira e das mercadorias. Tinha um aspecto feio.

Notava-se, de longe, que tudo aquilo era demais para ele. Não tinha mais condições de continuar naquele trabalho.

Quando o verdureiro saiu da farmácia, viu o proprietário parado à porta e o cumprimentou:

Olá, senhor Cairbar, tudo bem?

E recebeu, de retorno, uma proposta: O senhor quer me vender o seu burro?

Claro que não, foi a resposta pronta. Preciso dele para me levar, com toda a mercadoria, de um lado a outro da cidade.

Cairbar voltou a insistir: Diga o preço. Quem sabe, faremos um bom negócio.

O verdureiro continuou argumentando que não venderia o animal. Mas Cairbar insistiu e insistiu, até que ele resolveu dar um preço: uma quantia muitas vezes acima do valor real. Era para não vender.

No entanto, Cairbar olhou para o burro, que continuava ofegante, foi para o interior da farmácia, pegou o dinheiro na gaveta e entregou ao dono do animal.

Agora, ele é meu, falou. Pode levar a carroça para casa e depois me traga o burro.

O homem ficou assustado. Olhou para a soma que recebera. Era o suficiente para comprar cinco animais e melhores do que aquele.

Agradeceu e se foi rapidamente. Voltou mais tarde, puxando o burrinho por um pedaço de corda e o entregou ao novo dono.

Cairbar afagou o animal, levou-o devagar para um pasto próximo e o soltou.

A notícia se espalhou pela cidade. Quando os amigos souberam, foram perguntar para que ele queria um animal velho, maltratado, quase morrendo.

E ele respondeu, de forma natural:

Não preciso do animal para nada. Está aposentado. Vai viver seus últimos dias usufruindo desse direito. Merece porque está velho e já trabalhou muito.

E o velho burro viveu sua aposentadoria no pasto, solto. Tudo graças a quem teve olhos de ver e tinha um nobre coração.

                                                                         *   *   *

Os animais nos merecem cuidados. Eles nos servem de muitas maneiras e é nossa responsabilidade atendê-los em suas necessidades.

Nas suas enfermidades, necessário que lhes providenciemos os cuidados adequados: a medicação, a cirurgia, os curativos.

E, quando velhos, cansados, aguardam que lhes respeitemos os anos de dedicação que nos ofereceram, seja como animais de estimação ou de outra forma.

Pensemos neles como queridos amigos ou velhos servidores e lhes retribuamos o que nos ofertaram por dias, meses ou anos com carinho, atenção, medicação, cuidados.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Não escolha a doença.

Não aceite mais ficar magoado, não aceite mais ficar decepcionado com a vida ou com o que quer que seja. 
Você está ciente de que escolher a mágoa e a desilusão é escolher a doença.
Livre-se das interpretações dramáticas que fez a respeito do que lhe aconteceu. 
Os fatos são os fatos, tudo depende da maneira como os interpretamos. 
Uma leitura doentia, mórbida, baseada apenas na observação dos aspectos negativos das pessoas e circunstâncias, turvará nossas paisagens mentais com as mesmas tintas obscuras com que enxergamos a vida.
Vencer o mundo da doença é colocar-se acima das desilusões e mágoas, e isso somente será possível se tivermos ânimo e boa vontade para recomeçar e seguir adiante. 
Além do mais, se não perdoarmos a quem nos ofende, com que direito pediremos o perdão ao próximo quando for a nossa vez de errar? 
( Texto de J. C de Luccas)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Agora.

Agora é o momento decisivo para fazer o bem.

Amanhã, provavelmente... o amigo terá desaparecido; a dificuldade estará maior; a moléstia terá ficado mais grave; a ferida, possivelmente, se mostrará mais crescida de extensão; o problema talvez surja mais complicado.

A oportunidade de ajudar não se repetirá.

A boa semente plantada agora é uma garantia da produção valiosa no futuro.

A palavra útil, pronunciada sem adiamento, será sempre uma luz no quadro em que você vive.

Se deseja ser desculpado de alguma falta, aproxime-se agora daqueles a quem feriu e revele o seu propósito de reajustamento. Se você se propõe a auxiliar o companheiro, ajude­-o sem demora para que a bênção do seu concurso fraterno responda às necessidades dele, com a desejável eficiência.

Não durma sobre a possibilidade de fazer o melhor.

Não se mantenha na expectativa improdutiva, quando pode contribuir em favor da alegria e da paz.

A doação adiada tem gosto amargo.

Deixar para mais tarde o bem que podemos realizar é desaproveitar o tempo que temos na Terra. Não sabemos quando teremos nova oportunidade tão rica como essa.

*   *   *

Nada mais triste do que chegar num ponto da vida e sermos invadidos por pensamentos de que devíamos ter feito algo mais; que devíamos ter corrigido algo; que podíamos ter aproveitado melhor determinada oportunidade ou desfrutado mais da companhia de alguém.

É uma culpa que não precisamos carregar se formos mais presentes, se estivermos mais atentos ao que nos rodeia.

Dessa forma, perceberemos que o bem grita em nossa intimidade, muitas vezes. Ele nos convida, nos chama.

Mas, alegamos não dispor de tempo ou acreditamos não ser o momento, não temos coragem ou o orgulho não permite que ultrapassemos determinadas barreiras.

Precisamos aprender a ouvir melhor esses convites íntimos, esses clamores que vêm do coração nos conclamando a enxergar a chance. A perdoar. A compreender! A falar com essa ou aquela pessoa. A ajudar.

Nossos anjos de guarda se utilizam de sua influência para nos orientar, para não nos permitirem perder oportunidades valiosas da existência.

Eles nos sugerem palavras e ações, misturando suas ideias às nossas, para que tenham mais força.

Por isso, é importante que estejamos abertos ao bem. Os pensamentos precisam estar em equilíbrio, sem caírem constantemente nas teias do ódio, da revolta, do estresse.

Quando estamos bem, sintonizamos com o bem.

Alimentemos nossa mente com conteúdos positivos diariamente. Leituras, conversas, palestras, estudos.

Uma mente preenchida com bons pensamentos não tem espaço para ideias maldosas ou tolas.

Não nos deixemos intoxicar pela negatividade de alguns, pelo pessimismo daqueles que afundaram e querem levar outros com eles.

Sejamos nós os agentes da mudança, os que fazemos as pequenas coisas que constroem, que auxiliam, que mudam para melhor o panorama do mundo.

Sejamos nós o sorriso que acolhe, o gesto gentil que inspira, a palavra sensata que não julga, que elogia e traz sempre as notas do amor.

Redação do Momento Espírita

Doe Sangue

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