terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Você é Deus?

Narra Charles Swindoll que, logo depois do término da Segunda Guerra Mundial, a Europa começou a ajuntar os cacos que restaram.

Grande parte da Inglaterra estava destruída. As ruínas estavam por todo lugar. E, possivelmente, o lado mais triste da guerra tenha sido assistir as criancinhas órfãs morrendo de fome, nas ruas das cidades devastadas.

Certa manhã de muito frio, na capital londrina, um soldado americano estava retornando ao acampamento. Numa esquina, ele viu um menino com o nariz pressionado contra o vidro de uma confeitaria.

Parou o veículo, desceu e se aproximou do garoto. Lá dentro, o confeiteiro sovava a massa para uma fornada de rosquinhas.

Os olhos arregalados do menino diziam da fome que lhe devorava as entranhas. Ele observava todos os movimentos do confeiteiro, sem perder nenhum.

Através do vidro embaçado pela fumaça, o soldado viu as rosquinhas quentes e de dar água na boca sendo retiradas do forno. Logo mais, o confeiteiro as colocou no balcão de vidro com todo o cuidado.

Ele ouviu o gemido do menino e percebeu como ele salivava. Comoveu-se diante daquele órfão desconhecido.

Filho, você gostaria de comer algumas rosquinhas?

O menino se assustou. Nem percebera a presença do homem a observá-lo, tão absorto estava na sua contemplação.

Sim, respondeu. Eu gostaria.

O soldado entrou na confeitaria e comprou uma dúzia de rosquinhas. Colocou-as dentro de um saco de papel e se dirigiu ao local onde o menino se encontrava, na gélida e nevoenta manhã de Londres.

Sorriu e lhe entregou as rosquinhas.

Virou-se para se afastar. Entretanto, sentiu um puxão em sua farda. Olhou para trás e ouviu o menino perguntar, baixinho:

Moço... Você é Deus?

                                                                     *   *   *

Existem gestos pequenos, mas que significam muito para algumas vidas.

Para uma criança faminta, um pedaço de pão é a glória. Para uma criança com fome e desejosa de doces, conseguir ter alguns para saciar sua vontade, é a suprema delícia.

Aprendamos a observar o de que necessitam as pessoas, ao nosso redor. Quase sempre, são coisas pequenas que podemos realizar, ocasionando pequenas ou grandes alegrias.

E sempre, em todas as ocasiões, a nossa atitude estará obedecendo, com certeza, ao desejo do Pai Criador na atenção aos Seus filhos na Terra.

Pensemos nisso e não permitamos que as chances se percam, nas vielas do mundo.

Sejamos, neste planeta azul, as mãos de Deus atendendo os Seus filhos. E, para isso, não se fazem necessários extraordinários feitos, nem saciar a fome de todos. Por vezes, basta alimentar uma criança ou satisfazer a enorme necessidade de alguém de comer um prato bem feito, um pãozinho bem quente ou tomar um copo de leite.

                                                                   *   *   *

Não és um observador distante da vida. Estás na condição de membro do organismo universal, investido de tarefas e responsabilidades, de cujo desempenho, por ti, resultarão a ordem e o sucesso de muitas coisas.

Considera-te pessoa valiosa no conjunto da criação, tornando-te cada dia, mais atuante na obra do Pai.

Não te permitas andar pela vida como quem observa de fora, mas, ao contrário, participa de forma consciente e ativa das ações que iluminam e enriquecem outras vidas.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Ciúme.

Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce.

William Shakespeare apresenta em sua obra Otelo, uma análise profunda, incômoda e intensa desse grande gigante da alma, o ciúme.

Na clássica peça shakesperiana, o general mouro Otelo é envenenado pela desconfiança, vinda do verbo afiado e sorrateiro de seu alferes, Iago.

Iago, também por ciúme e inveja, procura uma forma de destruir seu amo e sua amada, Desdêmona, e encontra nesse poderoso tóxico a maneira de promover sua vendeta.

Procurando descobrir mais sobre esta fragilidade humana, vamos perceber o ciúme como a inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos.

É uma espécie de distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo.

Adentrando na intimidade deste sentimento, vamos descobrir que ele é medo. Medo de algum dia sermos dispensáveis à pessoa com a qual nos relacionamos.

Medo de sermos abandonados, rejeitados ou menosprezados. Medo de não mais sermos importantes. Medo de não sermos mais amados, enfim, é, de certa forma, medo da solidão.

O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos revela que tal sentimento é totalmente voltado para si mesmo, egocentrado e, por esta afirmação, podemos entender o porquê da frase do personagem Iago, de Shakespeare, dizendo que o ciúme não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo.

Suas causas interiores, segundo o Espírito Joanna de Ângelis, são encontradas principalmente na insegurança psicológica, na baixa autoestima, no orgulho avassalador que não suporta rivalidades.

E no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa volta como posses.

O ser inseguro transfere para o outro a causa desta insegurança, dizendo-se vítima, quando apenas é escravo de ideias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateiam incêndios em ocorrências imaginárias.

Agravado, este sentir leva a psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais.

O ciúme é um sinal de alerta, mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado.

A terapia para o ciúme passa pelo autoconhecimento, quando percebemos a fragilidade em nós, e tomamos atitudes práticas de autocontrole, autodisciplina, para erradicá-lo gradualmente da vida.

O tratamento também prescreve uma reconquista da autoestima, da confiança em si mesmo, tornando-nos menos sensíveis às investidas cruéis desse vício moral.

Finalmente, as ações no bem, que fazem com que a alma se doe e amplie seu leque de relações, também colabora significativamente para educar o sentimento de posse exacerbado e inquieto.

O amor não precisa do sal do ciúme para temperar as relações. O sabor de todo relacionamento sadio virá da confiança irrestrita e do altruísmo, que pensa sempre no bem do outro.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Repórteres do bem.

 Durante um mês inteiro povos de todo o mundo se reuniram na Rússia para torcer por suas respectivas representações nacionais.

Nesse intercâmbio cultural, alguns fatos não muito positivos, envolvendo brasileiros, ocuparam a mídia.

No entanto, importante se comente a respeito de outros fatos, envolvendo nossos conterrâneos, e dos quais, talvez, poucos tenhamos tomado conhecimento.

Em Samara, local onde nossos jogadores enfrentaram a equipe mexicana, brasileiros, na véspera da partida, visitaram um hospital público.

Os doutores da alegria, de verde e amarelo, levaram presentes às crianças, que recebiam medicamentos e passavam por sessões de quimioterapia.

Eram óculos de palhaços, balões e bandeiras do Brasil.

Interagindo com elas, gritaram em coro os seus nomes, como se estivessem escalando um time de futebol, prática comum das torcidas nos estádios.

Algumas delas até arriscaram uma partida de futebol com os brasileiros, chutando bolas infláveis.

E, em Rostov-on-Don, onde o Brasil, no gramado, enfrentou a Suíça, os rostos entristecidos do russo Gleb Obodovsky e sua esposa chamaram a atenção de dois brasileiros.

Eles se aproximaram e o russo pensou que quisessem perguntar alguma coisa.

Engano seu. Um deles tirou pedaços de papel do bolso. Panfletos – pensou Gleb. Outro engano seu.

O brasileiro esticou os braços e lhe entregou os papéis, enquanto explicava: Estes são ingressos de amigos que não puderam vir à Rússia.

O jovem esposo, de apenas vinte e sete anos, ficou estático. A esposa não conseguia entender a conversa, porque tem limitações com o idioma inglês.

No entanto, logo ela descobriu que estavam sendo presenteados com ingressos, dada a expressão de surpresa e alegria do marido.

Para registrar o fato de tanto contentamento, eles tiraram uma foto com seus benfeitores. E prometeram torcer pelo sucesso do Brasil no torneio.

Fatos acontecem aqui e ali. Pessoas que promovem o bem, sem outra intenção senão beneficiar outras.

Como disse um dos doutores da alegria ao repórter da BBC Brasil: Fizemos de coração. Fizemos com amor. Não se trata de marketing.

                                                                           *   *   *

Se os maus ficam tão em evidência é porque temos noticiado muito mais os seus atos maldosos do que os tantos felizes e benéficos realizados pelos bons.

Uma nota que envergonha o país viraliza na internet, em minutos.

É preciso que aprendamos a exaltar o bem, divulgar o bem, falar a respeito do bem que tantos anônimos realizam neste imenso mundo de Deus.

Sobretudo nestes tempos em que tantas coisas ruins têm sido mostradas pelas mídias, proponhamo-nos a mostrar o que é bom, edificante, nobre.

Aproveitemos para enviar mensagens de otimismo, para comentar o sucesso dos jovens que são aprovados em concursos nacionais e internacionais.

Comentemos o filme que traz uma lição altruísta, de superação.

Destoemos do comum. Sejamos promotores das boas notícias.

Não permitamos que sejam abafadas pelas manchetes sensacionalistas que trazem as cores da violência, da corrupção, da maldade.

Tornemo-nos repórteres de tudo que é positivo, honesto, honrado.

O nosso país precisa disso. O mundo inteiro precisa dessa ação.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Tereza de Calcutá, Chico do Brasil.

Com este título, lemos excelente artigo que nos remeteu a recordações do grande papel desempenhado, no mundo, por Madre Teresa de Calcutá e o médium mineiro Francisco Cândido Xavier.

Ambos nasceram no ano de 1910. Ela, Teresa, na Albânia. Ele, Chico, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

Ela, católica. Ele, espírita. No entanto, portavam-se um e outro como verdadeiros integrantes da família universal.

Tinham muito mais em comum do que apenas o ano de nascimento.

Seu mestre era o mesmo, Jesus. Tinham o mesmo sobrenome, Amor. Nasceram com o mesmo objetivo, Servir.

Ela foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz. Ele viveu pacificamente toda a vida.

Teresa de Calcutá viveu para os menos favorecidos. Queria ser pobre. Nunca conseguiu.

Seu coração transbordava riquezas: a nobreza da generosidade, as pérolas da fraternidade, os diamantes da solidariedade.

Ela dizia, em toda a sua simplicidade, que a felicidade humana é impossível de ser mensurada.

Como controlar em planilhas estatísticas a felicidade de um faminto que encontra o alimento?

Ela tinha razão. Impossível mensurar a felicidade humana. Por isso, trabalhava sem estatísticas, mas em prol da felicidade e dignidade de seus irmãos de caminhada.

Chico Xavier, do Brasil, o mineiro do século, também queria ser pobre, sem sucesso.

Doou os direitos autorais de seus mais de quatrocentos livros psicografados, que venderam e continuam a vender milhares de exemplares em todo o mundo.

Poderia ter tido polpuda conta bancária. Preferiu a simplicidade. Mas, nunca foi pobre. Sua vida foi repleta de amigos dos dois planos da vida.

Chico era e será, onde estiver, um milionário, um magnata das letras, um ícone da humildade, um pobre das moedas, mas rico de amor...

Narram que quem se aproximava de Madre Teresa de Calcutá não conseguia conter a emoção, devido à irradiação de sua serenidade e sua intensa energia espiritual.

Aqueles que conviveram com Chico afirmam que sua presença iluminava, acalmava, tranquilizava.

Chico e Teresa. Teresa e Chico. Parece que falamos de amigos: Olá, Teresa! Bom dia, Chico!

Mesmo os que não os conhecemos pessoalmente os sentimos como amigos.

Falar de suas conquistas, realizações e aventuras é como falar a respeito de amigos, porque entre amigos não há barreiras, inquietações, constrangimentos.

Teresa e Chico eram amigos do mundo, dos ricos, dos pobres, dos brasileiros, indianos, nigerianos, amigos de todos...

Teresa, de Calcutá e Chico, do Brasil deixaram marcas inesquecíveis e indeléveis. Ambos praticavam o amor.

O convite que nos deixaram é de, dentro de nossas possibilidades, vivermos como eles, servindo e amando para a construção de um mundo mais justo e fraterno.
Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Os tons multicoloridos do amor.

Ekaterina vive na Rússia com seus pais. Desde cedo, revelou habilidades para a pintura.

Correndo os pincéis pelas telas, despontam paisagens harmoniosas: o céu luminoso, os jardins convidativos, os animais de feição serena, o mar manso e pacífico.

Sem dúvidas, um talento notável, mas não excepcional, para uma menina de dez anos bastante disciplinada.

Isso, não fosse o fato de padecer, desde os três meses de idade, de distrofia muscular, grupo raro de doenças degenerativas que atingem os músculos, impossibilitando-os de se desenvolverem corretamente, o que causa fraqueza e inúmeras deficiências.

Atualmente, a pequena Kate não pode mais falar, levantar os braços, respirar por conta própria e arcar com o peso da própria cabeça.

Ela utiliza uma cadeira de rodas para se locomover e, a fim de auxiliá-la a superar suas limitações, faz diversas sessões de terapia, o que lhe toma grande parte do tempo.

Todavia, embora os abundantes compromissos que sua frágil saúde exige, Kate não esquece seu amor pela arte.

Quando deitada, delicadamente seus pais a viram de lado. Uma tela e múltiplas tintas são posicionadas bem ao lado do seu diminuto corpo. Pincéis são postos em suas débeis mãos.

Silenciosa, por um instante, ela contempla a tela em branco, possivelmente dando asas à sua imaginação. Pouco a pouco, paisagens repletas de harmonia e tranquilidade vão surgindo.

O talento de Kate é notável. Porém, sem lucrar com sua habilidade, seus pais decidiram doar suas obras a diferentes instituições, em especial àquelas que cuidam de crianças.

A luta da pequena e de sua família causa admiração de incontáveis pessoas. Diariamente, eles recebem inúmeras mensagens de apoio, que são lidas para Kate por sua mãe.

A gentil menina pisca de leve os olhos e, com um doce sorriso no rosto, retorna às suas pinturas, retratando aquilo que se passa em seu mundo interior, tão cheio de mansidão e de paz.

                                                                           *   *   *

A verdade é que todos nós padecemos, moralmente, de deficiências as mais diversas. O orgulho, o egoísmo, a vaidade e tantas outras mazelas ainda se fazem presentes em nós, em maior ou menor grau.

Partícipes que somos de nossa própria criação, é nosso dever ultrapassarmos os limites de nós mesmos, por meio do esforço pessoal, da reforma íntima, da prática do bem.

Jesus, irmão, amigo e guia da Humanidade, legou-nos a aquarela com a qual podemos colorir nossas existências, acinzentadas pelas faltas morais.

Para a vaidade e para o orgulho, a nobre tinta da humildade. Para o egoísmo, a delicada cor da caridade. Para a falta de perdão, para a impaciência, para a pressa em julgar o próximo, os tons multicoloridos do amor.

Amando, renovamos as forças, burilamos a fé, exercemos a caridade, fazemo-nos sábios, fortificamos o Espírito em marcha, tornamo-nos irmãos.

                                                                          *   *   *

O amor é tinta que nunca seca. Quanto mais praticado, mais colorida torna-se a nossa vida. Saiamos das sombras, do cinza, do monocromático: amemos!

Redação do Momento Espírita, com base na
 biografia de Ekaterina Yulia Borodulkina.

Doe Sangue

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