terça-feira, 5 de abril de 2022

Arrependimento.

 


Arrepender-se, dizem, é abrir-se para o bem.

Trata-se de uma ação reparadora. Quando nos arrependemos, pedimos desculpas e perdão do mal praticado, de forma que permaneçam os resultados felizes.

É preciso coragem para identificar o nosso erro. Nobreza de caráter o tentar repará-lo.

Existem, no entanto, algumas situações em que tomamos certas atitudes que, por mais desejemos, não as temos como reparar.

Como reparar a negação de um abraço, o diálogo?

Como reparar aquele momento em que nosso irmão esperava nossa mão, amparando-o, e deixamos de oferecê-la?

Momentos em que, por sofrimento próprio ou por revolta, decidimos não confortá-lo?

Essas são aquelas circunstâncias difíceis de serem sanadas. Não há como voltar para aquele minuto, reviver aquela circunstância.

Uma adolescente judia, quando foi, de forma agressiva, retirada de sua casa com a família e acomodada em uma carroça, com bancos de madeira, recorda da tristeza de seu pai.

Lembra que ele, saindo da casa, ficou parado, olhando para a porta. Parecia confuso, como um viajante que procura chaves nos bolsos na escuridão da noite.

O soldado o insultou, escancarou a porta com um chute e gritou para que ele aproveitasse a festa para seus olhos.

Ele olhou para o espaço escuro. Parecia atordoado, como se não conseguisse decidir se o soldado estava sendo gentil ou indelicado.

Depois, veio em direção à carroça para se juntar aos demais. A menina ficou dividida entre o desejo de proteger seus pais e a tristeza por eles não a poderem proteger.

Sentada ao lado da irmã mais velha, ela a viu assustada. Magda era quem sempre desafiava a autoridade, adorava provocar os outros.

Agora parecia apavorada porque aqueles homens empunhavam armas e a violência estava presente.

Anos depois, lembrando desse triste dia, diria a menina: Em minha lista de arrependimentos, este se destaca: não segurei a mão de minha irmã.

O que viria em seguida, seriam meses de medo, fome, frio. Ela e a irmã sobreviveram aos campos de concentração.

Sua mãe foi mandada para o forno crematório no primeiro dia, logo na chegada.

Foi-lhe dito que, em breve, ela veria sua mãe. Naquela noite, quando perguntou quando a poderia ver, uma prisioneira lhe apontou a fumaça subindo de uma das chaminés à distância.

Sua mãe está queimando lá dentro. É melhor você começar a falar dela no passado.

Estavam sós, as duas irmãs. Mais de uma vez será Magda quem a salvará. Quando estava tão fraca que não conseguia se mover de um local a outro, nas transferências de campos, ela a carregou.

Quando foram colocadas em filas desordenadas para o corte de cabelo, a retirada das roupas, o furto das suas identidades, Magda não saiu do seu lado.

Então, quando chegou a libertação, quando acabou o sofrimento para se iniciar a luta pelo reinício de uma nova vida, ela amargaria, repetidas vezes, aquele gesto tolo: não ter segurado a mão de sua irmã.

Aquele era um momento de desespero, em que tudo lhes estava sendo retirado. Por que não atendera ao ímpeto do afeto?

Pensemos a respeito e, em circunstância alguma, detenhamos o gesto de carinho.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 29 de março de 2022

O subconsciente e os sonhos.

 


Ninguém espere milagres de ocasião, no que diz respeito à programação da própria vida, cada qual respira, no clima onde reside, o ar que elabora.

A mudança psíquica de uma paisagem perniciosa, para outra de qualidade superior, demanda tempo e esforço, algumas vezes, durante a reprogramação, ocorrem as invasões das ideias-hábitos, interferindo negativamente e desviando o centro de atenção que se quer preservar.

Amorosamente, deve-se retornar ao pensamento inicial motivador da experiência em desenvolvimento, até criar novos padrões de conduta mental, que se estabelecem naturais, fomentando o equilíbrio psíquico e emocional.

Dessa forma, poder-se-á, parafraseando o velho ditado popular, assegurar:- "Dize-me o que sonhas e eu te direi quem és e qual futuro terás."

É necessário, portanto, tomar conhecimento da mente, aprofundar recordações, eliminar temores e angustias, corrigir a preferência de modelos, ser positivo, afeiçoando-se ao ético e ao saudável.

Cada um é o construtor da sua realidade, afirmando-se e desembaraçando-se das amarras prejudiciais a que se deixou atar.

Esse trabalho de libertação tem início no pensamento, sob a ação do desejo continuado, vitalizado pela certeza do êxito próximo.

Para a superação dos limites, autossatisfação e realizações felizes, é que o Espírito se reencarna na terra, crescendo a esforço pessoal com tenacidade e valor moral.

Redação do Jornal Mundo Maior.

terça-feira, 22 de março de 2022

Omissão.

 


As notícias veiculadas pelos meios de comunicação costumam impressionar negativamente.

Elas atendem a uma demanda um tanto mórbida das massas, que gostam de saber detalhes de acontecimentos funestos.

Fala-se muito em roubos, fraudes, estupros e assassinatos.

Esse contínuo bombardear de manchetes tristes pode produzir resultados bastante negativos no imaginário popular.

Talvez alguém conclua ser virtuoso, apenas porque não comete os desatinos noticiados pela mídia.

Ocorre que esse pensamento implica eleger a omissão como conduta desejável.

O panorama do mundo é dinâmico e está em constante evolução.

O progresso surge de atos humanos positivos, que são agentes de transformação.

Nesse contexto, a omissão, enquanto roteiro de vida, é um escândalo.

Em um mundo em perpétuo movimento, quem não avança se atrasa.

Assim, não basta deixar de praticar o mal.

Importa primordialmente fazer o bem.

Os contextos mudam com rapidez e talvez a oportunidade de agir corretamente não se repita facilmente.

Se um amigo necessitado cruzar o seu caminho, não hesite.

Auxilie-o como pode, pois a vida é muito dinâmica.

Talvez amanhã você não mais consiga vê-lo com os olhos da própria carne.

Perante um sofredor que surge à sua frente, evite pensar em excesso antes de estender seu auxílio.

É provável que o abraço de hoje seja o início de um longo adeus.

Não adie o perdão e nem atrase a caridade.

Abençoe de imediato os que o injuriam.

Ampare sem condições os que lhe comungam a experiência terrena.

Se seus pais, velhos e enfermos, parecem um problema, supere-se e apoie-os com mais ternura.

Se seus filhos, intoxicados de ilusão, causam-lhe amargas dores, bendiga a presença deles.

Em caso de discórdia, seja o que tenta imediatamente a conciliação.

Não hesite perante o trabalho que aguarda suas mãos.

Jamais perca a divina oportunidade de estender a alegria.

Tudo o que você enxerga entre os homens, usando a visão física, é moldura passageira de almas e forças em movimento.

Faça, em cada minuto, o máximo que puder.

Qualquer que seja a dificuldade, não deserte do dever.

Talvez a oportunidade não se repita.

É possível que você esteja perante seu familiar, seu amigo ou seu companheiro de jornada pela derradeira vez.

É melhor dar o melhor de si, a fim de não ter motivos de arrependimento.

Em termos de vida imortal, não fazer o mal é muito pouco, quase nada.

O que dignifica e habilita a novas experiências é o bem que se constrói, dentro e fora de si.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 15 de março de 2022

Águas cristalinas.

 


As tão almejadas férias chegaram.

Reservara para si algumas semanas num chalé, a fim de se distanciar da balbúrdia da cidade grande.

Quando lá chegou, deitou-se no confortável sofá e começou a ler um romance que trouxera consigo.

Em certo momento, interrompeu a leitura para preparar um chá. Nesse instante, observou, em cima da lareira, um livro.

Tomou-o em suas mãos. Na capa, escrito em letras douradas, lia-se Bíblia Sagrada.

É bem verdade que nunca fora apreciador de religiões. Não se julgava ateu, não negava a existência de uma força maior que rege o Universo. Porém, não se sentia capacitado para compreendê-la.

Assim, depois de abrir o livro e de ler alguns trechos, sem maior interesse, devolveu-o no mesmo local no qual o encontrara.

Dias depois, decidiu fazer um passeio pela floresta próxima ao chalé.

Encontrou cachoeiras, animais, flores belíssimas, os mais doces cheiros. Uma profunda paz.

Entretanto, por ter se distanciado muito, acabou por se perder mata adentro.

Horas se passaram. Estava exausto. Todos os caminhos que tomava pareciam idênticos.

Num instante de desespero, pensou: Meu Deus, que faço agora?

Lembrou-se do trecho bíblico, que lera poucos dias antes: O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Sentindo-se um pouco desconfortável, pois pouquíssimas vezes orara em sua vida, pediu a Deus que o ajudasse a encontrar o caminho de volta.

Enquanto andava a esmo, repetia aquilo que se tornara um mantra frente ao desespero: O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Pouco tempo depois, avistou a lâmpada da varanda do chalé brilhando longe.

Correu aliviado, abriu a porta e exclamou, com toda a sinceridade de seu coração: Obrigado, meu Deus!

Então, tomou a Bíblia novamente em mãos, procurou ansioso o delicado poema e leu para si todos os versos, bebendo cada palavra:

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.

Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida. E habitarei na casa do senhor por longos dias.

                                                            *     *       *

Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida, sentenciou o Mestre Nazareno.

Não obstante o Cristo tenha deixado pegadas seguras em nosso caminho para que O sigamos, é tão fácil nos perdermos na senda que nos conduz ao progresso, à felicidade, à paz.

Imperioso que façamos um profundo mergulho em nós mesmos, ouvindo a voz divina que está em colóquio incessante conosco.

Tenhamos a humildade e a coragem de segui-La, pois, embora nos percamos nos vales das sombras de nossas mazelas morais, o Senhor é o pastor que nos guia em direção às águas tranquilas e cristalinas de Seu puro e infinito amor.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 8 de março de 2022

 


AS LÁGRIMAS DE UMA MULHER.

Um menino perguntou à sua mãe: Por que você chora? "Por que eu sou mulher, ela respondeu. 

Eu não entendo, disse ele. "A mãe o abraçou e disse: você nunca vai entender.

O menino perguntou ao pai: por que a mamãe chora? "As mulheres choram sem motivos, foi a única resposta que recebeu.

Quando adulto, ele perguntou à Deus: "Deus, por que as mulheres choram com tanta facilidade?

E Deus respondeu: "Quando eu criei a mulher, ela precisava ser especial.

Eu fiz seus ombros fortes o suficiente para aguentar o peso do mundo, mas suaves o suficiente para serem confortáveis.

Eu dei a ela a força para dar sua própria vida por um filho.

Eu dei a ela a força para continuar quando todos os outros desistem e para cuidar da sua família, mesmo quando ela mesma está doente e cansada.

Eu dei a ela a sensibilidade para amar seus filhos incondicionalmente, mesmo quando eles a machucam.

Eu dei a ela a força para suportar os defeitos do seu marido, e para ficar a seu lado.

E, por fim, eu dei a ela lágrimas para derramar quando ela precisa.

Meu filho, a beleza de uma mulher não está nas roupas que usa, nem no seu rosto ou no seu cabelo.

A beleza real de uma mulher está nos seus olhos. Eles são a porta para o seu coração, para onde o amor reside.

Mulher, obrigado por me mostrar um mundo melhor.

Texto de autor desconhecido.

Doe Sangue

Doe Sangue