terça-feira, 9 de agosto de 2022

Oração à Terra.


Terra, perdoa minha passagem pelo teu solo!

Somente agora, livre das algemas orgânicas, me dou conta da dívida que tenho para contigo.

Bebi das tuas águas transparentes e puras, comi de teus frutos, provei o pão que teus campos me ofertaram no trigal em festa e atravessei teus prados em êxtase, como o poeta que busca inspiração para o verso ligeiro.

Pisei tuas areias e esqueci de te agradecer as praias serenas.

Banhei-me em teus salgados oceanos e não proferi uma rogativa de gratidão.

Deslumbrei-me com tuas noites estreladas e deixei fugir o instante de estesia.

Terra amada, perdoa teu filho ingrato!

Quantas sementes tive nas mãos e não depositei em teu solo fértil?

Deixei de cantar tuas belezas e me vi perdido nas madrugadas de melancolia.

Quando as criaturas me negavam socorro, teu vento me trouxe o alento da esperança, tuas manhãs inundadas de sol dissiparam minhas tristezas noturnas e teus poentes de fogo me otimizaram a existência descolorida.

Descobri, tarde, quanto te devo e nada tenho para te devolver tantas foram as bênçãos que recebi de ti.

Tuas ervas medicaram minhas feridas.

Teu silêncio aquietou a minha ansiedade.

Terra bendita, desculpa se não te valorizei!

Tenho um tributo não pago para com tua generosidade.

Agora, livre na pátria invisível, cercado dos amores do ontem, te vejo com outros olhos.

Busco teus montes altaneiros, teus desertos áridos, tuas geleiras imponentes, teu céu muito azul, ajoelhando-me em prece de gratidão.

Terra, acolhe minhas madressilvas como singela lembrança do muito que recebi de ti.

                                                                     *  *   *

Muitos de nós, como pais, lembramos de colocar, na oração que ensinamos nossos pequenos a fazer, o agradecimento especial pela escola que os recebe.

Pois bem, a Terra é uma escola toda especial. Dessas que enchem os olhos de quem a visita, pela primeira vez, observando o capricho do Arquiteto que a desenhou.

Tudo nela funciona para nos educar, tudo trabalha para nos servir. Ao mesmo tempo, para nos consolar e nos dar forças.

Se ainda não notamos isso, é que nos falta sensibilidade. Falta-nos educar o olhar.

Que possamos enxergar todas essas magnitudes da escola Terra ainda enquanto estamos por aqui, nas suas salas de aula.

A Terra tem belíssimas salas de aula, que conhecemos como família, onde todos são alunos e professores, ao mesmo tempo.

Que possamos valorizar os instantes de trabalho e descanso percebendo o que a Terra tem a nos oferecer para nos abraçar, seja enquanto nos sacrificamos, seja enquanto respiramos o ar do amor e da esperança.

Gratidão nos gestos de cuidado com o planeta.

Gratidão nas orações por tudo e por todos.

Gratidão nas mãos que auxiliam os outros alunos da instituição abençoada de ensino.

Gratidão nos pensamentos e palavras destinados a esse astro de amor espacial, esculpido pelas mãos do Celeste Arquiteto, há bilhões de anos, e que hoje nos serve incansavelmente.

Gratidão, planeta Terra!

Redação do Momento Espírita. 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

De onde não se espera.

 


É comum esquecermos datas importantes. Quando se trata de datas nacionais, internacionais, as mídias se encarregam de nos lembrar.

Mas, datas de aniversário de casamento, de namoro, de nascimento, esquecemos.

Alguns postamos tudo no perfil do face book, para que os amigos, ou nossos seguidores se lembrem.

Convenhamos, não é tão espontâneo e tão emocionante como ser surpreendido, no dia do aniversário, com mensagens de cumprimentos?.

Pela própria lembrança. Porque isso nos diz que não fomos esquecidos. Que alguém, que nos quer bem, se lembrou da data.

Nesses dias de pandemia, alguns fatos nos surpreendem. Como o de prepararmos bolos, manjares deliciosos, esperando cumprimentos presenciais e eles não acontecerem na quantidade que esperávamos.

Aquele senhor, habituado a ter a casa cheia, com familiares e amigos, no dia do seu aniversário, percebeu que, passadas as horas, nem todos o tinham vindo abraçar.

Entre a conversa descontraída, foram repartidos os doces deliciosos.

No dia seguinte, verificando as generosas sobras, condicionou o bolo, o manjar, em vários potes e saiu a procurar a quem oferecer.

Imaginando sua figura, andando pelas ruas, nos lembramos daquele rei que preparou o banquete para o casamento do filho e, porque os convidados recusassem o convite, despachou seus servos a convidar os pobres, os mendigos.

Pois o amigo encontrou, numa rua, encostados a um carrinho de lixo reciclável, um homem maduro e uma menina. Ela não deveria ter mais do que cinco anos.

Estacionou o carro, foi até eles e perguntou: Vocês aceitariam bolo do meu aniversário?

O pai da menina, imediatamente, respondeu de forma positiva.

Então, quando as sacolas, com os potes, foram entregues a ambos, a garotinha, um semblante delicado e olhos brilhantes, olhou o benfeitor e disse:

Muito obrigada. E parabéns pelo seu aniversário.

Contou-nos o aniversariante que aquelas palavras, brotadas de um coração infantil, totalmente fora do seu círculo de afetos, o levaram às lágrimas.

Aquele cumprimento lhe alcançou a alma, e ele se sentiu abraçado por um halo de ternura.

De volta ao carro, retornando ao próprio lar, ainda emocionado, foi pensando: Foi o mais doce cumprimento recebido. Um presente dos céus para o meu coração.

E orou, agradecido, ao Senhor da Vida, convencido mais uma vez que não importa o bem que façamos, por mais insignificante que possa ser, a recompensa é enorme.

                                                              *  *   *

Longe estamos, com certeza, de avaliar como o bem gera fontes iluminadas de bênçãos.

Aprendemos, com Jesus, que o bem deve ser feito sem que ninguém o saiba. Ninguém, no mundo.

Porque os olhos da Espiritualidade estão atentos e um coração agradecido gera vibrações inigualáveis, que alcançam o benfeitor. Mesmo que um do outro nem saiba o nome.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Ante o caos.

 


Algumas vezes nos pegamos refletindo em torno da ideia de que o mundo está efetivamente caótico, desestruturado e sem regras.

Um lançar de olhos nas manchetes, nas páginas da Internet, dos noticiários e, rapidamente, essas conclusões nos chegam.

Parece-nos que os crimes passam da exceção ao corriqueiro, do assombro à normalidade, e ganham cidadania.

Vemos alguns enriquecerem cada vez mais, enquanto tantos, multidões, se afadigam por migalhas a fim de sobreviverem.

Percebemos empresas incansáveis em maximizar seus lucros à custa das precárias condições de trabalho de seus funcionários, que passam a perecer mais e mais.

Desentendimentos familiares que avançam para a violência física. Ou para atentados contra a existência de uns e outros.

Todo esse panorama nos traz a impressão de um mundo totalmente em desalinho, decadente e sem melhores perspectivas.

Porém, ao lado desse lodaçal da miséria humana, deixamos de ver aqueles que plantam flores.

Nós nos asfixiamos com a atmosfera pestilenta do mal, olvidando de respirar o perfume refazedor do bem.

Há no mundo, sem dúvida, muito mais pessoas vinculadas ao bem do que ao mal.

Ao lado de cada fatricídio, de brigas familiares horrendas, há uma imensidão de lares onde o exercício do amor se faz cotidianamente.

São mães e pais em sacrifícios silenciosos para educar seus filhos.

São filhos dando suporte à velhice e necessidades de seus pais, amando-os incondicionalmente.

São famílias que se formam pelo coração, extrapolando os laços sanguíneos, forjadas pelo amor.

Coabitando com as injustiças sociais, são muitos a defender os direitos das minorias, protegendo os mais frágeis, batalhando pela cidadania a todos, em nome da igualdade.

Quando tantos exploram seu próximo, maior é o número dos que distribuem do que têm, seja dinheiro ou oferecendo seu tempo, minimizando a fome, o frio, a dor.

Se muitas empresas exigem exaustão de seus funcionários, muitas outras oferecem boas condições, bem-estar e vida digna aos seus colaboradores.

Nosso mundo não está um caos. Apenas está em uma fase de transição.

Por causa disso, encontramos lado a lado o mal e o bem, a justiça e a injustiça, a indiferença e a solidariedade.

Deus assim permite para que cada um de nós, observando, faça a sua escolha, nesses dias tumultuosos.

Estamos sendo convocados pela Providência Divina a caminharmos para nova etapa evolutiva, aquela que será pautada pelo amor.

Mas, para isso é necessário que façamos a nossa opção.

Não nos desesperemos pelo aparente caos. Nada está caótico.

Como uma casa, em dia de faxina, parece toda desorganizada, mas, logo mais, ganha ares melhores, assim acontece com nosso planeta.

Colaboremos, então. Façamos de nosso agir um ato de amor. De nosso cotidiano, ações de solidariedade, e de nossos desafios, experiências de aprendizagem.

Em breve tempo, a casa estará arrumada, e aqueles que colaborarmos, seremos convidados a usufruir desses dias de bonança e alegria.

Reflitamos a respeito.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 19 de julho de 2022

O verdadeiro lar.


O mundo daquela mãe havia desabado, com o divórcio. Herdou muitas contas atrasadas, incluindo as prestações da casa e o plano de saúde.

Seu emprego de meio expediente gerava uma renda muito pequena e poucos benefícios.

Sem nenhum apoio financeiro, ela perdeu a casa.

Para não ficarem ao relento, com muito sacrifício, conseguiu alugar um trailer, que ficava estacionado num acampamento local, para ela e seu filho de cinco anos.

Aquilo era só um pouco melhor do que morar em seu pequeno carro, mas ela desejava, de coração, poder proporcionar algo mais para sua criança.

Certa noite, depois de brincar um pouco com um jogo de tabuleiro e ler algumas histórias, ela disse ao filho que fosse brincar do lado de fora até a hora de ir dormir.

Enquanto o garoto se distraía, ela sofria sobre o talão de cheques.

De repente, ouviu vozes. Deu uma olhada pela janela. Lá estava o gerente do acampamento falando com o pequeno:

Ei, garoto, você não gostaria de ter um lar de verdade?

A mãe ficou tensa, prendeu a respiração e chegou mais perto da janela para ouvir a resposta.

Uma emoção muito forte tomou conta do seu coração, tão sofrido, quando ouviu a resposta de seu filho:

Mas nós já temos um lar de verdade. Só não temos, por enquanto, uma casa para colocá-lo.

                                                                  *   *   *

Em sua inocência, aquele garotinho de apenas cinco anos de idade, sabia o que é um verdadeiro lar.

Há construções luxuosas, mansões imensas, que servem apenas para proteger seus habitantes das intempéries, mas não se prestam a oferecer o calor do afeto de um lar aconchegante.

O espaço físico pode ser amplo, contudo, se não houver os laços do amor, não será um lar de verdade.

Uma casa pode ser construída. Também é fácil de desmoronar. Basta uma forte tempestade, uma inundação, um terremoto ou outro fenômeno equivalente.

A construção de um lar requer um investimento diferente. É preciso muita atenção, renúncia, entendimento, perdão, ternura, afeto, companheirismo e confiança.

Um lar assim jamais será destruído porque seus alicerces são invisíveis e resistentes até mesmo às mais ameaçadoras catástrofes.

Dentro desse lar, dificilmente, o vício terá acesso. Mas, se por acaso penetrar sorrateiramente, será vencido pelo diálogo amoroso, que faz parte dessa construção.

As lutas podem ser difíceis, parecendo quase impossíveis de serem vencidas. Porém, a união baseada no amor vencerá sempre porque suas estruturas são inabaláveis.

Quantas famílias vivem sob o mesmo teto e não se conhecem...

Quantos familiares se isolam nos vastos cômodos, carregando sozinhos seus dramas sem compartilhar com ninguém, pois são estranhos vivendo na mesma casa.

Mas, se há um lar verdadeiro, podem faltar recursos financeiros e até o necessário, mas os laços do afeto estarão sempre bem apertados, dando sustentação e esperança para aqueles que nele vivem.

                                                                    *  *  *

O lar é um templo onde podemos cultivar e manter as mais puras afeições e os mais sagrados laços de amor.

Dessa forma, façamos do nosso lar um santuário onde se possa aspirar o aroma da felicidade e fruir o néctar da paz.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de julho de 2022

Serenidade sempre.


Ante o grande lago, na tarde morna, nos pusemos a refletir. Sua quietude, suas águas calmas, induziam a um estado interior.

E imaginamos como seria bom se pudéssemos ser serenos assim, quase imperturbáveis.

Quando um pequeno objeto atinge as águas, como uma pedrinha que joguemos, percebemos que no exato lugar em que ela cai, círculos repetidos se vão formando.

Serenos, vão sendo consumidos pela tranquilidade, novamente. E o imenso espelho líquido continua ali, retratando o céu azul, como se o desejasse imitar.

Serenidade. Poderíamos ser assim, demonstrar tanta serenidade, mesmo quando a violência explode ao nosso redor?

Serenidade não quer dizer passividade ou indiferença frente aos acontecimentos. Significa tranquilidade para resolver qualquer questão, por mais grave se apresente.

Mesmo com pessoas raivosas que costumam extravasar os seus sentimentos, agredindo com palavras, gestos ou ações a quem esteja próximo.

Isso porque a violência sempre cederá frente àqueles que se mantêm serenos.

Foi para situações dessa natureza que Jesus aconselhou oferecermos a outra face. A face da serenidade, a que mostra um ângulo diferente do problema e da possível solução.

Ou que nos permita superar o conflito, sem nos contaminarmos com o sentimento inferior do outro. Ou com a balbúrdia encenada por muitos.

Serenidade é manter-se em calma quando a tormenta se apresenta. É agir para que a harmonia retorne, paulatina, como os círculos concêntricos nas águas do lago, perturbadas por um objeto lançado.

A presença de uma pessoa serena, em um ambiente conturbado, pode garantir a segurança de muitos porque evita que qualquer conflito se enraíze ou se espalhe, de forma descontrolada.

Durante a eclosão de um incêndio, é a serenidade dos bombeiros, que atuam com presteza, segurança, sem precipitação alguma, que garante o êxito das suas ações.

É o comando da serenidade que impede, numa evacuação de recinto, que muitos pereçam pisoteados, ou esmagados pelos outros.

Serenidade mostrou Jesus, perante a prisão e julgamento arbitrário, na noite de trevas.

Na cruz, mesmo entre as dores da agonia, Ele se mantém sereno.

Sua mente está ligada ao Superior e Ele vai vencendo as horas e deixando as Suas derradeiras recomendações.

Roga perdão aos Seus algozes, reconhecendo, Senhor das Estrelas, que eram ainda criaturas inconscientes das atrocidades que cometiam.

Entrega Sua mãe aos cuidados do discípulo amado. Ele partiria e Sua mãe deveria ficar amparada em braços amorosos.

Atende a súplica de Dimas, que reconhece os equívocos realizados e lhe acena com a possibilidade de recompor os próprios erros, num paraíso de redenção, que ali se inicia.

Finalmente, sereno, diz: Pai, em Tuas mãos entrego meu Espírito.

Serenidade. Trabalhemos por conquistá-la, gema preciosa que nos resguardará de muitos problemas, criados pela precipitação, pela impaciência, pela raiva incontida.

Serenos, prossigamos.

Redação do Momento Espírita.

Doe Sangue

Doe Sangue