domingo, 19 de julho de 2026

Nossa parcela.

NOSSA PARCELA.
Talvez não percebas. Entretanto, cada dia, acrescentas algo de ti ao campo da vida.

As áreas dos deveres que assumiste são aquelas em que deixas a tua marca, obrigatoriamente, mas possuis distritos outros de trabalho e de tempo, nos quais o Senhor te permite agir livremente, de modo a impregná-los com os sinais de tua passagem.

Examina por ti mesmo as situações com que te defrontas, hora a hora. Por todos os flancos, solicitações e exigências. Tarefas, compromissos, contatos, acontecimentos, comentários, informações, boatos.

Queiras ou não queiras, a tua parcela de influência conta na soma geral das decisões e realizações da comunidade, porque em matéria de manifestação, até mesmo o teu silêncio vale.

Não nos referimos a isso para que te ergas, cada manhã, em posição de alarme. Anotamos o assunto para que as circunstâncias, sejam elas quais forem, nos encontrem de alma aberta ao patrocínio e à expansão do bem.

Acostumemo-nos a servir e abençoar sem esforço, tanto quanto nos apropriamos do ar, respirando mecanicamente. Compreender por hábito e auxiliar aos outros sem ideia de sacrifício.

Aprendemos e ensinamos caridade em todos os temas da necessidade humana. Façamos dela o pão espiritual da vida.

Acreditemos ou não, tudo o que sentimos, pensamos, dizemos ou realizamos nos define a contribuição diária no montante de forças e possibilidades felizes ou menos felizes da existência.

Meditemos nisso. Reflitamos na parcela de influência e de ação que impomos à vida, na pessoa dos semelhantes, porque de tudo o que dermos à vida, a vida também nos trará.
No livro:- ALMA E CORAÇÃO.
Emmanuel/Chico Xavier.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Eterna vítima.

ETERNA VÍTIMA.
Na silenciosa paz do cimo do Calvário
Ainda se vê na cruz o Cristo solitário.
Vinte séculos de dor, de pranto e de agonia,
Represam-se no olhar do Filho de Maria.

Abandonado e só na aridez da colina,
Sofre infindo martírio a vítima divina;
Açoitado, traído e calmo, silencioso,
Da Terra ao Céu espraia o seu olhar piedoso.

Dois mil anos de dor, e os seus cruéis algozes
Passaram sem cessar como chacais ferozes.

Caravanas de reis nos tronos passageiros,
Exaltados na voz das trompas dos guerreiros;
Os lendários heróis no dorso dos corcéis,
Inscrevendo com fogo as máximas das leis.

Cavalheiros gentis, valentes brasonados,
Nobres de sangue azul nos seus mantos dourados,
Viram-no seminu, na cruz, ensanguentado,
E puseram-se a rir do louco supliciado!

O Cristo continuou, humilde e silencioso,
Espraiando na Terra o seu olhar piedoso.
Sábios do tempo antigo abrindo os livros santos
Olharam-no também, partindo como tantos.

Artistas e histriões, poetas e trovadores,
Castelãs juvenis, turbas de gozadores.
Inda vieram; depois, aqueles que em seu nome
Espalharam a treva, o pranto, a guerra e a fome.

Desolação e horror, mataram-se os irmãos,
Lobos, tigres, chacais, na capa dos cristãos.
Contemplaram Jesus no cume da colina,
Multiplicando a guerra, as lutas e a chacina.

O Mestre prosseguiu, sublime e silencioso,
Espraiando na Terra o seu olhar piedoso.

E na época atual a caravana estranha
Estaca no sopé da árida montanha;
Mas os soberbos reis e césares antigos,
Hoje mais nada são que míseros mendigos;

Os nobres doutro tempo, agora transformados
Nos párias do amargor, nos grandes desgraçados,
Agora veem, sim, no topo do Calvário,
O sacrifício e a dor do eterno visionário,
Bradando com furor: — «Socorre-nos Jesus!
Que possamos vencer a dor em nossa cruz.

Sorvendo o amaro fel nas dores da aflição,
Temos fome de paz e sede de perdão!»
E o Mestre da bondade, o anjo da virtude,
Estende o seu perdão cheio de mansuetude.

E do cimo da cruz, calmo e silencioso,
Consola a multidão com o seu olhar piedoso.
No Livro:-PARNASO DE ALÉM TÚMULO.
Guerra Junqueiro/Chico Xavier.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Na visão do mundo.


NA VISÃO DO MUNDO.
Não diga que o mundo é perverso, quando é justamente do chão do mundo que se recolhe a bênção do pão.

Compara a Terra à uma universidade e notarás que todo Espírito encarnado é um aluno em formação.

Aquilo que plantares nos corações alheios é o que colherás nas manifestações dos outros.

Quem aplique lentes enfumaçadas nos olhos, não notará senão tristeza onde o mundo está ostentando as cores da esperança e da alegria.

A existência para cada um de nós é o que estivermos fazendo. Cada pessoa vê no mundo a própria imagem.

A sabedoria da vida te colocou no lugar onde possas aprender com eficiência e servir melhor.

As leis do mundo não se enganam: o que deres de ti, ser-te-á dado.

A Terra é a nossa escola benemérita: lembra-te de que o relógio não para .
No livro:- COMPANHEIRO.
Emmanuel/Chico Xavier.

domingo, 12 de julho de 2026

No domínio das palavras.

NO DOMÍNIO DAS PALAVRAS.
Fala e conhecer-te-ão. Referes-te aos outros quanto ao que está em ti mesmo.

A palavra é sempre o canal mais seguro pelo qual te revelas. A frase de esperança é um jorro de luz.

O que notas de bem ou de mal na vida de alguém é complemento de teu próprio "eu". Comentários sobre os outros, no fundo, são exposições daquilo que carregas contigo.

Quem fala sem o coração naquilo que fala não alcança o coração que deseja atingir.

Se o verbo não está iluminado de compreensão e de amor, a conversa será sempre inútil. Nunca te arrependerás de haver dito uma boa palavra.

Nada ensines destacando o mal, pelo simples prazer de salientá-lo, porque os teus ouvintes serão hipnotizados pelas imagens com as quais não desejarias prejudicá-los.

Quem perdoa não deve reportar-se à dívida que foi liquidada, sob pena de abrir nova ferida no coração daquele que se lhe fez devedor.

Criteriosa dieta na conversação é saúde no espírito.

A palavra indulgente é vacina contra muitos males. Discutindo talvez esclareças, mas servindo convences.
No livro:-COMPANHEIRO - Emmanuel/Chico Xavier.
Magali Inês Brum - Colaboradora.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Efeitos do perdão.

EFEITOS DO PERDÃO.
Dentre os ângulos do perdão, um existe dos mais importantes, que nos cabe salientar: os resultados dele sobre nós mesmos, quando temos a felicidade de desculpar.

Muito frequentemente interpretamos o perdão como sendo simples ato de virtude e generosidade, em auxílio do ofensor, que passaria a contar com a absoluta magnanimidade da vítima.
 Urge perceber, no entanto, que, quando conseguimos desculpar o erro ou a provocação de alguém contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para conosco, ao mesmo tempo que nos desvencilharmos de todos os laços suscetíveis de apresar-nos a ele.

Pondera semelhante realidade e não te admitas carregando os explosivos do ódio ou os venenos da mágoa que destroem a existência ou corroem as forças orgânicas, arremessando a criatura para a vala da enfermidade ou da morte sem razão de ser.

Ante ofensas quaisquer, defende-te, pacifica-te e restaura-te perdoando sempre. Nas trilhas da vida, somos nós próprios quem acolhe em primeiro lugar e mais intensivamente os resultados da intolerância, quando nos entrincheiramos na dureza de alma.

Sem dúvida, é impossível saber, quando venhamos a articular o perdão em favor dos outros, se ele foi corretamente aceito ou se produziu as vantagens que desejávamos; entretanto, sempre que olvidemos o mal que se nos faça, podemos reconhecer, de pronto, os benéficos efeitos do perdão conosco, em forma de equilíbrio e de paz agindo em nós.
No Livro:-Alma e Coração.
Emmanuel/Chico Xavier.

Doe Sangue

Doe Sangue